quarta-feira, 5 de agosto de 2026

nise da silveira

 

Livro usado

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

o surgimento do cristianismo

 O surgimento do Cristianismo


Para Sigmund Freud, o surgimento do Cristianismo não é uma ruptura radical com o Judaísmo, mas sim o desfecho psicológico inevitável do trauma provocado pelo assassinato de Moisés.

Em sua obra Moisés e o Monoteísmo (1939), Freud utiliza a lógica clínica do "retorno do reprimido" para explicar como a culpa inconsciente dos judeus pelo parricídio (o assassinato de Moisés, o "pai da nação") germinou ao longo de séculos até explodir na teologia cristã.

A transição histórica e psicológica descrita por Freud ocorre em quatro etapas fundamentais:


1. O Avanço da Culpa Inconsciente

Após assassinarem Moisés no deserto devido à sua rigidez e exigências religiosas, os hebreus recalcaram (esconderam na memória coletiva) o crime. Eles adotaram o Deus vulcânico e violento de Midiã (Javé) para substituir o Deus abstrato de Moisés. No entanto, a culpa pelo crime original nunca desapareceu; ela permaneceu latente no inconsciente do povo, crescendo na mesma proporção em que os profetas de Israel exigiam maior pureza moral e obediência à Lei.


2. A Necessidade de Expiação (O Aparecimento de Jesus)

Séculos mais tarde, a pressão dessa culpa acumulada tornou-se psicologicamente insuportável para uma parte da população judaica. É nesse cenário que surge a figura de Jesus de Nazaré.

Para Freud, o Cristianismo nasce como um movimento de confissão e reconciliação. A mensagem central de Cristo e de seus seguidores operava um mecanismo psíquico profundo: a humanidade precisava ser salva porque carregava um pecado original.

 Freud traduz esse "pecado original" teológico como o fato histórico real do assassinato do pai primitivo (reeditado na morte de Moisés).


3. A Lógica do Sacrifício:

 "O Filho Reivindica o Trono"

Freud argumenta que a dinâmica da crucificação de Jesus resolve a culpa judaica por meio da antiga Lei do Talião (olho por olho, dente por dente). A lógica inconsciente do Cristianismo funciona assim:

O Crime:

 O Pai (Moisés/Deus) foi assassinado por seus filhos.

A Pena:

 Um preço de sangue precisava ser pago para aplacar a ira do Pai.

A Solução:

 O "Filho mais querido" (Jesus) oferece a sua própria vida em sacrifício para redimir o crime de todos os irmãos.Ao morrer na cruz, Jesus diz verbalmente à humanidade: "Vocês estão livres da culpa, pois eu morri pelo pecado de vocês".


4. A Vitória do Cristianismo sobre o Judaísmo (O Triunfo do Filho)

Ao aceitar o sacrifício do Filho, o Cristianismo conseguiu o que o Judaísmo não pôde: a catarse e a libertação da culpa reprimida.No entanto, Freud aponta uma ironia psicológica final.

 Sob o pretexto de salvar a humanidade e honrar o Pai, o Cristianismo operou uma segunda rebelião. A religião cristã se tornou, essencialmente, a religião do Filho. O Deus Pai (do Judaísmo) foi empurrado para o segundo plano, e o Filho (Jesus) assumiu o centro do culto.

 O Cristianismo, portanto, realizou o desejo inconsciente da horda primeva: o Filho substituiu o Pai de uma vez por todas.Os judeus, por sua vez, ao se recusarem a admitir que "o Filho havia nos salvado", escolheram continuar carregando o peso esmagador da culpa pelo parricídio original. Para Freud, essa recusa em confessar o crime é a raiz psicológica profunda do antissemitismo histórico sofrido pelo povo judeu.


Prezados (as) Amigos (as)


Trata-se de um exercício, baseado nas leituras de biografia de Max Weber e Sigmund Freu.

Foi bem puxado hoje.

Estou muito cansado.

Mas amanhã, vamos retornar com a segunda parte deste trabalho.

Acompanhe, pois a temática é fascinante e desafiadora.

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Moisés

 






A minha juventude já vai longe.
Mas 
isso não importa.
vamos voltar 
para o presente engenho:





Moisés

    Para Sigmund Freud, a existência histórica de Moisés não era um mero capricho biográfico, mas uma necessidade estrutural para sustentar a sua teoria sobre a origem da religião, da cultura e da própria psique humana.
    Se Moisés fosse apenas um mito ou uma lenda — como defendia o historiador Eduard Meyer —, toda a tese que Freud construiu em sua última obra, Moisés e o Monoteísmo (1939), desmoronaria.
A existência real de Moisés era vital para a psicanálise pelos seguintes motivos fundamentais:

1. A Replicação do "Crime Primordial" na História Real

    Em seu livro anterior, Totem e Tabu (1913), Freud havia criado o mito científico da "horda primeva": a teoria de que, nos primórdios da humanidade, os filhos se uniram para assassinar o pai tirânico que detinha o controle de todas as mulheres. Tomados pela culpa pós-assassinato, esses filhos divinizaram a figura do pai (criando o Totem/Deus) e criaram as primeiras leis (os Tabus).
    Freud precisava provar que esse mecanismo psíquico não aconteceu apenas uma vez na pré-história, mas que ele se repete na história registrada.
     Para Freud, Moisés foi esse Pai Primitivo encarnado: um líder rígido, egípcio, que impôs uma religião monoteísta severa aos hebreus. Freud defende a tese de que os judeus se rebelaram e assassinaram Moisés no deserto. Se Moisés não existisse e não tivesse sido morto de fato, Freud não teria o "fato histórico" para validar sua teoria do parricídio original.

2. O Mecanismo do Recalque e Retorno do Reprimido
    A base da clínica psicanalítica é o conceito de que um trauma esquecido (recalcado) não desaparece, mas retorna anos depois em forma de sintoma. Freud queria provar que a psicologia das massas funciona exatamente igual à psicologia individual.

    A engrenagem histórica de Freud funciona assim:
    
O Trauma (Fato Real):
        O assassinato histórico de Moisés pelas tribos israelitas.
        O Recalque (Esquecimento Coletivo):
 Tomados por um remorso insuportável, os israelitas apagaram o assassinato de sua memória oficial, misturando a figura de Moisés com a de um sacerdote midianita (Javé).
        O Retorno do Reprimido: 
Séculos mais tarde, a culpa inconsciente pelo assassinato do "Pai Moisés" retornou com força total na forma do monoteísmo ético rigoroso dos profetas e, posteriormente, no cristianismo (onde o sacrifício de Jesus Cristo é visto por Freud como a confissão e expiação definitiva pelo assassinato do Pai original).
        Sem um Moisés real de carne e osso para ser assassinado, não haveria trauma real, não haveria recalque e, portanto, a teoria do "retorno do reprimido" na história das civilizações perderia o sentido.


3. A Transmissão Filogenética da Culpa
        Freud acreditava firmemente no conceito lamarckista de que memórias e sentimentos de culpa podem ser herdados biologicamente de geração em geração (traços de memória filogenética).
        Para justificar o forte senso de identidade, a resiliência e a neurose obsessiva que ele atribuía ao povo judeu, Freud precisava de um desencadeador histórico real. O Moisés histórico foi o homem que moldou o caráter judeu ao introduzir o monoteísmo e a valorização do intelecto sobre o sensível. A culpa real por sua morte, transmitida no inconsciente coletivo, tornou-se o motor da identidade judaica.

Freud e Weber


 


Veja

A Beleza desta página: 

Weber e Freud juntos, conforme sintetizado no quadro acima.




É importante fazer uma correção e um esclarecimento crucial: 

Ao contrário do que a estrutura do parágrafo de Peter Gay pode dar a entender à primeira vista, Max Weber não afirmou que Moisés era etnicamente um egípcio.

Na obra Judaísmo Antigo, Weber defende que Moisés era de origem israelita (provavelmente da tribo de Levi).

 Quem cravou a tese de que ele era um egípcio nato foi o próprio Sigmund Freud em O Homem Moisés e a Região Monoteísta.

O que Peter Gay quis dizer ao associar Weber a Freud é que Weber tirou de Moisés o papel de "judeu tradicional" ao provar que a religião e a identidade que ele fundou não nasceram de uma revelação puramente judaica, mas sim de uma massiva influência cultural e política egípcia.

 Para Weber, Moisés "não era judeu" no sentido de que ele não praticava o judaísmo que conhecemos; ele era um agente de transição fortemente moldado pelo Egito.

Weber justifica essa profunda "egipcianização" de Moisés e da fundação do judaísmo por meio dos seguintes pontos sociológicos:


1. O Nome e a Linhagem dos Levitas

Etimologia Egípcia:

 Weber, alinhado com a filologia de sua época, destaca que o nome Moisés (Mose) não tem raiz hebraica, mas sim egípcia (significando "filho" ou "nascido de", como em Ramsés ou Tutmés).

A Elite da Tribo:

 Weber aponta que a designação dos "Levitas" (a tribo sacerdotal de Moisés) possui fortes indícios de ter sido, originalmente, um grupo de burocratas ou oficiais com formação e influência cultural egípcia que se juntaram às tribos nômades.

2. Formação Burocrática e Carisma

O Líder Carismático:

 Na sociologia de Weber, Moisés é o exemplo supremo do "líder carismático". No entanto, seu carisma não operava no vácuo. Weber argumenta que Moisés possuía o conhecimento técnico, jurídico e administrativo que só o Estado burocrático egípcio poderia fornecer na época.

O Mediador Político:

 Moisés usa essa bagagem egípcia de "diplomacia internacional" para selar a confederação de tribos sob o pacto (aliança) com o Deus Javé no deserto.

3. Racionalização contra o Misticismo Egípcio

O Desencantamento do Mundo:

 Ironicamente, Weber argumenta que Moisés usou sua experiência no Egito para criar algo oposto a ele. Ele rejeitou a obsessão egípcia pelo culto aos mortos, pela magia e pela deificação de reis.

A Ética da Lei:

 Em vez de mistérios esotéricos, Moisés introduziu uma religião baseada em um contrato jurídico e ético direto com Deus (a Torá). Essa capacidade de racionalizar a fé veio, segundo Weber, do choque e da necessidade de responder à opressão da sofisticada máquina estatal do Egito.

Como Freud usou isso?

Freud pegou essa "brecha" de Weber (o nome egípcio, os levitas egípcios, a educação egípcia) e radicalizou a tese: se tudo em Moisés cheirava ao Egito, então ele era um nobre egípcio, seguidor do faraó monoteísta Akhenaton, que decidiu libertar os escravos hebreus para manter viva a sua religião solar banida.


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Freud uma vida para o nosso tempo Peter Gay


Título:


 Freud uma vida para o nosso tempo


Autor:


Peter Gay




pag 548


transcrição literal


segundo parágrafo



        Tampouco as dúvidas em relação ao livro do Exôdo eram especialmente  novas ou exclusivas da  época de Freud. Estudiosos praticantes, tanto judeus como cristãos, tinham encontrado grandes dificuldades em fazer Moisés um personagem coerente; não eram capazes de explicar racionalmente sua exclusão da Terra Prometida, nem de concordar sobre as circunstâncias de sua morte. Já no final do século XVIII, os deístas tinham se divertido impiedosamente com o conto milagroso dos filhos de Israel atravessando o  Mar Vermelho, e com os contos não menos milagrosos sobre as proezas de Moisés. Em 1764, no Dicionário Filosófico, Voltaire tinha apresentado razões irrefutáveis pelas quais Moisés não poderia ter escrito o Pentateuco (que, afinal, registra a sua morte). e em seguida apresentar uma pergunta mais radical: “É realmente verdade que existiu um Moisés?”. Em 1906, o eminente historiador alemão dos clássicos, Eduard Meyer, cuja obra Freud citava respeitosamente, levantou a mesma pergunta e sustentou que Moisés era um personagem lendário e não real. Freud não chegou a tal ponto; na verdade, a existência histórica de Moisés constituía a peça central de sua teoria. No entanto, ele insistiu, como fizera MAX WEBER em seu estudo sobre o judaismo antigo que Moisés não era Judeu.