quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Idade Média (Guildas)


 




Economia e religião (religiosidade): Guildas


        A nossa intenção não é trazer a biografia de Weber, mas de esclarecer que o estudo da “vida intelectual” do jurista alemão desagua na “Economia Cultural”.

        A minha memória anda meio “malemolente", mas ainda consigo lembrar desta aula, quando o professor Milton Bins lecionou sobre as Guildas (tema geral era a transição da economia medieval para o capitalismo comercial). Ele falava nas corporações que são conhecidas como Guildas (ou corporações de ofício/mercadores). Elas foram associações de artesãos ou comerciantes que surgiram na Europa medieval (especialmente a partir do século XI) com o objetivo de proteger interesses locais, regular a produção, fixar preços e garantir a qualidade dos produtos nas cidades. 

        As principais características das corporações de Ofício (Guildas) estavam relacionadas com a regulação do Mercado. Ou seja, va de regra, as guildas controlavam rigorosamente a produção, estabelecendo padrões de qualidade, quantidades produzidas e preços dos produtos para evitar concorrência desleal.

        Ainda não tinhamos a divisão social do trabalho (clássica), mas havia determinada hierarquia de Trabalho. O funcionamento das oficinas baseava-se em três níveis:

Mestre: O proprietário da oficina e especialista.

Oficial (ou Companheiro): Artesão experiente que recebia salário.

Aprendiz: Jovem em treinamento que recebia moradia e comida, mas não salário.

        As corporações protegiam os artesãos locais contra produtos vindos de fora da cidade e contra membros que burlassem as regras da associação. Bem como, havia uma organização relacionada com a religião católica e os santos padroeiros. Cada ofício (ferreiros, tecelões, padeiros, etc.) possuía seu próprio santo padroeiro, refletindo a forte religiosidade da época. Importante lembrar que versamos no período histórico anterior a reforma protestante, portanto essa é a base que Weber vai reter (intelectualmente) para, posteriormente realizar os seus estudos comparativos entre católicos e protestantes.

        Devemos destacar ainda que as corporações detinham o monopólio da produção em sua cidade, garantindo que apenas membros autorizados pudessem vender certos produtos. Enfim, essas organizações (guildas) foram fundamentais no renascimento comercial e urbano da Idade Média, atuando também na vida social e política da cidade.

        A minha memória as vezes falha, mas ainda consigo lembrar do fundamental: Weber não era sociólogo. O professor Milton Bins que lecionou sobre as Guildas (tema geral era a transição da economia medieval para o capitalismo comercial) também era um jurista interessado em história. Ele falava nas corporações que são conhecidas como Guildas (ou corporações de ofício/mercadores).

    A experiência do noviço na graduação é muito estranha. Ele demora a destravar e esquecer que não está mais no ensino médio. Mas vai avançando e logo entende que as guildas foram associações de artesãos ou comerciantes que surgiram na Europa medieval (especialmente a partir do século XI) com o objetivo de proteger interesses locais, regular a produção, fixar preços e garantir a qualidade dos produtos nas cidades. 

        No próximo encontro vamos trabalhar a transição da guilda medieval para o capitalismo (comercial). O que significa dizer que Weber encanta a todos com o seu trabalho técnico e preciso. Encantou o professor Milton Bins e me encantou. Espero que encante a você também que pode seguir conosco e acompanhar as publicações na sequência. Inclusive sobre o "desencantamento do mundo".

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

A Tese de Doutorado de Max Weber


 




A tese de doutorado de Max Weber


       A história e o direito são irmãs, disse, certa feita, um magistrado que lecionava na Universidade Metodista. Ele acrescentou ainda que os acadêmicos que vislumbravam a carreira da magistratura deveriam estudar história. Algumas dicas pontuais valem mais do que uma aula inteira. Eu sempre curti história, tanto que historiei: "Os Primórdios da História da Santa Isabel". Weber, idem.

      Max Weber era um intelectual dedicado ao direito, mas também curtia história. Mas qual ramo da história? Hoje sabemos que ele enxergou a história econômica como elo do direito e decidiu investir o seu tempo em uma pesquisa sobre a história das companhias comerciais na Idade Média. Ele investigava as conexões entre o direito e a economia na época em que realizou o seu doutorado.

      A sua pesquisa demonstrava que a história das companhias comerciais na idade média estava intrinsecamente ligada ao renascimento comercial e urbano ocorrido na Baixa Idade Média (séculos XI a XIII), quando a economia europeia superou o modelo de subsistência feudal e retomou as trocas de longa distância. Ele descobriu que estas companhias evoluíram de associações familiares simples para complexas sociedades de capital, impulsionando o surgimento do capitalismo moderno. 

    Weber investigou as origens e a evolução das "Companhias" Familiares (Séc. XI-XII) e percebeu que, Inicialmente, as companhias surgiram como parcerias entre membros de uma família ou mercadores da mesma cidade, com o objetivo de compartilhar riscos e custos de viagens perigosas. A commenda italiana era uma forma precoce, onde um investidor financiava o mercador que viajava. Com a ampliação da demanda e o progresso das cidades, o renascimento comercial no século XI permitiu que artesãos e mercadores se organizassem. O renascimento comercial (séculos XI-XIII) foi um processo que atingiu a sociedade europeia em vários níveis, marcando o fim do modelo feudal de produção.

        Antes de buscar os aspectos da religião, Weber pesquisava a economia na relação com o direito. Devemos lembrar que atualmente existe um ramo do direito que é chamado de direito empresarial. As ciências econômicas possuem uma relação forte com as ciências jurídicas e as investigações científicas da área extrapolam o plano normativo. Voltando ao doutorado de Weber, é possível perceber que ele vai nos primórdios da economia para entender, por exemplo, as feiras medievais.

        As companhias comerciais utilizavam grandes eventos, como as feiras de Champagne, para vender tecidos, peles, sedas e especiarias trazidas do Oriente (Bizâncio). Ele busca entender tamém o que são as associações de Ofício, pois além das companhias mercantis, surgiram as corporações de ofício (guildas), que defendiam interesses de artesãos, organizavam oficinas (aprendiz, oficial, mestre) e exerciam poder jurisdicional interno.

        As companhias funcionavam através da cooperação, muitas vezes com forte influência religiosa e inspiradas na estrutura familiar. A união das oficinas de uma mesma categoria formava a corporação, que tinha um padroeiro (ou patrono). Ao nosso ver, está aqui a virada de chave para Weber começar a encarar os aspectos culturais com mais atenção na sua pesquisa. O fenômeno religioso na relação com a economia passaria a ser uma constante na investigação científica weberiana. Mas Weber era um economista, além de jurista, portanto pesquisava também os instrumentos financeiros deste período histórico. Neste sentido, conclui que, com o crescimento da economia, surgiram novas técnicas comerciais como letras de câmbio, seguros marítimos e o uso de dinheiro/cambistas, entre outros. 

        Ademais, sob o ponto de vista da geo-política, Weber estuda também o Domínio Italiano (Cidades-Estado Italianas) que, a partir do século X, dominaram o comércio mediterrâneo, negociando especiarias, escravos e artigos de luxo com o mundo árabe. Merecem destaque Veneza e Jenova. Enquanto os italianos focavam em produtos de alto valor, o norte da Europa desenvolveu comércio de bens de consumo, como a lã inglesa enviada para a Bélgica (Flandres). 

        No final da Idade Média (século XV), as feiras declinaram devido ao aumento da disponibilidade de mercadorias e mudanças no comércio, mas as técnicas desenvolvidas pelas companhias, como a contabilidade de partidas dobradas e os bancos, pavimentaram o caminho para a era mercantilista e as grandes navegações. 

    No período em que se dedicava para o seu doutorado, Weber não avança mais para além desta parte da história: as grandes navegações. Mas ele encontra esta conexão entre a economia e a religião que vai marcar toda a sua trajetória intelectual. Poderíamos dizer que desde a descoberta desta conexão entre economia e religião, nasce a sua opção por seguir investigando e pesquisando por um campo do conhecimento científico que denominamos de “Economia Cultural” (em detrimento de uma economia política).


kapitalismus

 


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Capitalismo avançado




Hochkapitalismus 


        A que tipo de capitalismo estamos a falar, quando temos por cenário a Capital Velha?


Vide

Nota de pé da página número 01

Versa sobre a confissão religiosa e estratificação social.

Obra

A Ética Protestante e o espírito do capitalismo.

Autor

Max Weber



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Beruf

pagina 72


Adam Smith

pagina 73







segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

travesseiro macio


 


"Ein gutes gewissen ist ein sanftes ruhekissen".

Ditado popular. Cultura alemão.

Extraído do livro:

A Ética protestante e o espírito do capitalismo.

Max Weber

 

        "Ein gutes Gewissen ist ein sanftes Ruhekissen" é um provérbio alemão que se traduz aproximadamente para "Uma consciência limpa é uma almofada macia". É uma expressão que significa que uma pessoa que vive honestamente e sem culpa dorme melhor e vive com mais paz de espírito.