quinta-feira, 9 de abril de 2026

A Contra Face


 




A Contra Face


Face.

No face.


Olhava e não enxergava.

A (o) contra face.


Foi necessário tempo.

Diversas partidas e chegadas.


Enfim, que se apresenta.

O Trem da Morte.


A contra face

embarcada no trem da morte.


Mirar a face é perder(-se).

Avaliar a extremidade dos membros inferiores (...)


O trem da morte:

Soturno, estranho e fétido.


piui, piui, ...





Antropologia na Madrugada (Mestre Borel)

 





Antropologia na Madrugada 

(Mestre Borel - a ancestralidade negra em Porto Alegre)


“Não é possível uma educação universal através da escola”. (ILLICH, 1970)

Ivan ILLICH. Sociedade sem Escolas.


        A Antropologia na madrugada convida você para ler um bom livro. Você já leu “Sociedade sem Escolas” de Ivan Illich? O que seria de nós sem a filosofia? 

        A potência do antídoto não pode ser desproporcional na relação com o veneno. Escolarização e educação. O autor propõe uma reflexão muito interessante para todos os escolarizados e para os educados. Quando o sistema é maior do que a substância, nas palavras do próprio Illich.

        Ele fala de um processo de degradação global e miséria modernizada (através da escola). Tematiza sobre a natureza humana, espécie de antropologia. Eu li a obra há algum tempo atrás e anotei (destaque) frases como: a desvantagem educacional não pode ser sanada confiando na educação ministrada nas escolas. 

        Veja, presta atenção. Estou aqui apenas pra dizer que:

        01

        A Educação não vai bem no Brasil;

        02

      Servir “Paca” para o presidente. Essa é a maior demonstração do fracasso da educação universitária brasileira;

        03

        A obra de Illich está disponível para acesso gratuíto em docs.google.com/document


        Você decide. Ler ou não ler. Viver ou não viver a educação. Abolir ou não abolir a escolarização. Ah! E por falar em cinema. Avisa a reitoria que já existe (ou existiu) um curso de cinema na Universidade. Durante as aulas do “Curso de Cinema” fui introduzido na obra de Wim Wenders. Ah! Como era bom estudar cinema na Universidade. Você sabe quantas vezes eu já assisti o filme “Sobre o Céu de Berlim” ? (Asas do Desejo, 1987).

        Mais um pouco.  Não sai dai, vou falar rapidamente das minhas cenas prediletas:

        01

        Biblioteca. O espectro do lápis. A assistência invisível dos “anjos” face aos frequentadores do lugar.

        02

        No interior do Trailer. A Atriz (trapezista) sentada na cama ouve música. Ao despir-se, tem a sensação de um leve toque no seu ombro. O “anjo” explora o lugar. Encontra a intimidade da artista. Toca em indivíduo mineral e apanha o seu espectro. Pura poesia cinematográfica. 

        03

         Terra batida. Círculo no chão, após a partida do circo. A atriz (trapezista) sentada sobre a mala, desolada, olha o cenário daquilo que foi (outrora) luz, arte e encanto. Uma dor suave exposta de maneira cortante.


        E por falar em saudade, a “Academia de Cinema de Porto Alegre” produziu uma obra rara. Segundo a nossa avaliação, a maior e melhor página do Cinema portoalegrense. Claro que não podemos esquecer da Casa de Cinema de Porto Alegre (Furtado) e o seu magnífico: “O Dia em que Dorival encarou a guarda”(1986). Eu tinha x anos quando assisti pela primeira vez: “Ilha das Flores” (1989). Mas o meu predileto, também assistido milhões de vezes, não poderia ser outro, senão  “Foi onde deu para chegar de bicicleta” (2005).

        Voltando para a “Academia de Cinema de Porto Alegre”, devo lembrar que Walter Calixto Ferreira, o Mestre Borel (1942–2011), foi o mais antigo alabê (tocador de atabaque) do Rio Grande do Sul e um ícone da cultura negra em Porto Alegre. O documentário "Mestre Borel: a ancestralidade negra em Porto Alegre" (2010), registra muito mais que suas memórias sobre a matriz africana, samba e boemia na capital gaúcha. A antropologia na madrugada diz que nós tínhamos tudo. Mas sempre é  um movimento incessante. Passou "o trem da morte" (Soturno, estranho e fétido). Zéfhyro. Do ar, fez-se vento (ventania) e perdi tudo. (Eterno Retorno? Eu não chamei e ele presente: Nietzsche).

Segue abaixo

Link para o livro


https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/11/ivan_illich_-_sociedade_sem_escolas.pdf

quarta-feira, 8 de abril de 2026

O Declínio da Idade Média


 



O Outono da Idade Média

Prezados Amigos

    A obra em tela já havia sido referida neste blog em 2015. Voltamos ao termo, a fim de comunicar a todos que decidi abri uma "Vaquinha On Line". O Objetivo é a aquisição do livro "O Outono da Idade Média" do autor Huizinga. Qualquer valor é bem vindo. Agradeço antecipadamente. Segue a descrição da obra.

    Grande clássico da historiografia ocidental, publicado em 1919, este livro é a obra-prima de Johan Huizinga (1872-1945), tendo sido lançado em mais de vinte línguas. Pela primeira vez traduzido para o português a partir do original holandês, esta edição é resultado de pesquisas que reestabeleceram o texto original, em 1997.

    Raras vezes um período histórico foi apresentado de maneira tão viva e colorida. Aqui, a Idade Média é vista na plenitude de seus contrastes, distante do lugar-comum segundo o qual ela não passaria de uma transição, longa e letárgica, entre o brilho da Antiguidade e do Renascimento.

    O autor mostra as formas de vida e de pensamento medievais, tal como se expressaram na cultura, na arte, na religião e no pensamento, e também nos modos de expressão da felicidade, do sofrimento, do amor e do medo da morte no dia a dia das pessoas. Huizinga utilizou métodos e fontes históricas pouco usuais em sua época. Combinando a crença no poder revelador da obra de arte e um olhar muito semelhante ao de um antropólogo, ele se tornou um pioneiro do que mais tarde se denominou história das mentalidades.

    Com 320 ilustrações, o volume inclui ainda uma entrevista com Jacques Le Goff (publicada na edição francesa de 1975) e um ensaio biográfico de Peter Burke.



A Deusa

 






Texto Didático para a aula número 576

 Teologia Social.

Título: A Deusa

Base Científica: Obra do mitólogo Joseph CAMPBELL

(especialmente o título: O Poder do Mito)

Parte I

        A Deusa foi a primeira divindade cultuada pelo homem pré-histórico. As suas inúmeras imagens encontradas em vários sítios históricos e arqueológicos do mundo inteiro representavam a fertilidade - da mulher e da Terra. Por ser a mulher a doadora da vida atribuiu-se à Fonte Criadora Universal a condição feminina e a Mãe Terra tornou-se o primeiro contato da raça humana com o divino.


        Atualmente pouco se investiga sobre esta temática. Percebemos que a sociedade ocidental formada sob a égide da mitologia judaico-cristã se afastou de várias origens mitológicas. A grosso modo, podemos verificar que fomos condicionados por uma cosmologia desprovida de símbolos do Sagrado Feminino.


        As “sagradas escrituras” apresentam Maria, Mãe Divina, que não tem os atributos divinos. Segundo o dogma cristão, os atributos divinos são reconhecidos apenas ao Pai e ao Filho e é substituída na Trindade pelo conceito de Espírito Santo. Neste universo, Maria é a intermediária para a atuação dos poderes do Deus (O Todo Poderoso). "peça à Mãe que o Filho concede..." Mas Maria não é a Deusa, senão um de seus aspectos mais aceitos pela sociedade patriarcal, de coadjuvante do Deus, reproduzindo o fenômeno social do patriarcado em que a mulher auxilia o homem, mas sempre lhe é inferior e, por isso, deve submeter-se à sua autoridade.


        Segundo diversas fontes consultadas, constata-se que a ausência de uma Deusa nas mitologias pós-cristãs se deve ao franco predomínio do patriarcado. Predomínio esse que nos trouxe a uma sociedade norteada pelos valores da competição selvagem, da sobrevivência do mais forte, da violência ao invés da convivência, do predomínio da razão sobre a emoção. 


        Alguns especialistas afirmam que a Deusa está ressurgindo. Desde há algumas décadas atrás, observamos um movimento de retorno. Especialmente, quando vemos a descoberta da Terra como valor mais alto a preservar sob pena de não mais haver espécie humana fez decolar a consciência ecológica e o renascimento dos valores ligados à Deusa: a paz, a convivência na diversidade, a cultura, as artes, o respeito a outras formas de vida no planeta.


        Segundo os adeptos, cultuar a Deusa hoje significa reconsagrar o Sagrado Feminino, curando, assim, a Terra e a essência humana. Quer sejamos homens ou mulheres, sabemos que nossa psique contém aspectos masculinos e femininos. Aceitar e respeitar a Deusa como polaridade complementar do Deus é o primeiro passo para a cura de nossa fragmentação dualística interior.


        Eles afirmam também que a Deusa é cultuada como Mãe Terra, representando a plenitude da Terra, sua sacralidade. Sobre a Terra existimos e, ao fazê-lo, estamos pisando o corpo Onipotente e distante, que vive nos céus... A Deusa é a Terra que pisamos, nossos irmãos animais e plantas, a água que bebemos, o ar que respiramos, o fogo do centro dos vulcões, os rios, as cores do arco-íris, o meu corpo, o seu corpo... A Deusa está em todas as coisas... Ela é Aquela que Canta na Natureza... O Deus Cornífero seu consorte, segue sua música e é Aquele que Dança a Vida...


        Os adeptos acreditam que cultuar a Deusa não significa substituir o Deus ou rejeitá-lo. Ambos, Deus e Deusa são as expressões da polaridade que permitiu que o Grande Espírito, o UNO, se manifestasse no universo... São os dois lados de uma mesma moeda... as duas faces do Todo, ou sua divisão primeira. Assim, crer na Deusa e no Deus ainda é crer em um Ser Supremo que, ao se bipartir, criou o princípio masculino e o princípio feminino, o Yin e o yang, o homem e a mulher.


        E a face oculta da Lua?

        A Deusa também é a Senhora da Lua e, mais uma vez, a explicação desse fato remonta às cavernas em que já vivemos. O homem pré-histórico desconhecia o papel do homem na reprodução, mas conhecia muito bem o papel da mulher. E ainda considerava a mulher envolta em uma aura mística, porque sangrava todo mês e não morria, ao passo que para qualquer dos homens sangrar significava morte. Portanto, a mulher devia ser muito poderosa, ainda mais que conhecia o "segredo" de ter bebês... 


        Diante do exposto, fica mais fácil entender porque a mulher era identificada com a Deusa. Necessário, pois um breve exercício de relativização dos princípios basilares do nosso próprio padrão cultural. A nossa cosmologia remete diretamente para o pai (Deus único), mas a o trabalho dos arqueólogos e mitólogos explicam o caminho de descobrimento da Deusa. Dito de outra forma, há evidências científicas que remontam a cena da primeira divindade conhecida pela humanidade e seus caracteres femininos. E a Lua? Existe relação entre ambas?


        O ritmo da vida do homem e da humanidade dos tempos idos estava muito relacionado com a natureza, como vimos no início do texto. Os astros e os corpos celestes serviam de orientação para as suas atividades e planejamento pessoal. Quando as pessoas descobriram que a gestação dos seres humanos (gravidez) durava 9 meses (10 lunações). Bem como, quando perceberam a relação da colheita (Culturas vegetais) e a sequência das estações seguia um ciclo de 13 meses lunares “virou a chave”. Ou seja, a relação entre os fenômenos naturais chamou a atenção das pessoas e reforçou um sentimento de pertencimento etnico e religioso ao “Culto da Deusa”.


        Antes de iniciarmos a segunda parte do texto, sugerimos a observação das gravuras, desenhos e iconografia da obra de referência ( Joseph Campbell - O Poder do Mito). 






A Edição Necessária

 








 


Prezados Amigos

Caros Leitores


        A legislação está em franco processo de modernização. O ordenamento jurídico se amplia e complexifica diuturnamente. Diante do exposto, gostaríamos de informar que o nosso blog está passando por uma renovação e revisão necessária. Portanto, alguns artigos serão excluídos, outros congelados (aguardando revisão técnica) e outros tantos editados.

        Sinal dos tempos?

        O novo sempre vem. Lembra daquela canção: "Um novo tempo. Apesar dos pesares (...)". Ivan Lins.

        Acompanhe as mudanças. Fique atento para as novidades. Enfim, não deixe de prestigiar os novos conteúdos que estão por vir a lume, em breve.

        Muito obrigado pela presença de todos, até breve.


        Editor Chefe.