A grande repercussão social do “Caso Orelha” nos impele para um esforço de estudo e análise em Max Weber.
A grande questão em Weber, segundo a nossa perspectiva analítica é a relação entre burocracia e democracia. Weber não era otimista, quanto ao futuro. Ele dizia que a sociedade capitalista estaria aprisionada em uma "jaula de ferro" (ou "clausura de aço"). Ou seja, a busca incessante pelo lucro e pela eficiência técnica leva a uma sociedade onde a alma é substituída pela especialização burocrática, resultando em "especialistas sem espírito".
Devemos destacar ainda que Weber mencionou a possibilidade de uma "luta convulsa de todos contra todos" ao final dessa evolução, onde a violência se torna uma forma de preencher o vazio deixado pela falta de sentido. Veja que interessante. Parece que este caminho de análise auxilia os que buscam entender o que ocorreu com Orelha.
A grosso modo, podemos referir que a racionalização cria um mundo onde o homem comum usa tecnologia que não entende e vive no "provisório", gerando uma constante agitação que pode se manifestar em desumanidade e crueldade gratuita.
Weber sugeriria que, sem um renascimento de ideais ou "novos profetas", a sociedade caminha para um estado de petrificação moral, onde atos de barbárie são enfrentados apenas com mais burocracia legal, sem que se recupere a empatia ou o respeito pelo valor intrínseco da vida. Satisfação pela sua presença conosco neste espaço.
Acompanhe o nosso blog. Aguarde pelas novas publicações e veja a riqueza do conhecimento científico em Max Weber.
Esse calor está insuportável. Difícil de criar novidades para o público leitor. Contudo, temos a felicidade de já ter produzido um "bocado" de "Livro e Literatura" em Porto Isabel.
A fim de vencer a tortura deste verão escaldante, vamos de mais letras (a imagem acima é meramente ilustrativa_cachoeirinha do Morro Santa).
Acabei de criar uma página específica aqui no blog jacquesja. Ela vai dedicada para um livro inteiro que foi criado no modo físico e, posteriormente, digitalizado. Vamos deixar o link aqui para você acompanhar o trabalho que foi criado no início deste século.
https://jacquesja.blogspot.com/p/blog-page.html
Acompanhe abaixo um vislumbre rápido sobre a obra (vai que pode auxiliar algum candidato no próximo pleito eleitoral).
1. História do Brasil; 2. História do Rio Grande do Sul; 3. Historia de Viamão; 4. Antropologia Social
Todos os Direitos desta edição estão reservados ao autor e entidades associadas.
Publicação da ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DA CULTURA DE VIAMÃO (AAPC) e
CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS E ANTROPOLÓGICOS JERÔNIMO DE ORNELAS (CESAJO)
Av. Liberdade – Santa Isabel - Viamão – RS
Apresentação
Viamão (a presente obra) é um arranjo de diversos textos produzidos em diferentes momentos da minha vida, no transcurso dos últimos anos vividos aqui na velha capital dos gaúchos. Dentre estes textos alguns foram apresentados em jornais locais na forma de artigo, outros não saíram do âmbito do gabinete de trabalho e o último foi apresentado na academia, onde obtive o título de especialista em Antropologia Social.
Viamão (a cidade) está como pano de fundo para quase toda a minha obra, portanto esta publicação leva o nome da Cidade. Local vivido, estudado e pensado nas três últimas décadas por este que apresenta a sua própria obra.
Relendo os textos produzidos, percebi que são bastante atuais e necessitavam de uma “nova chance” de figurar entre nós, agora para um cenário mais amplo. Percebo, também que denotam nitidamente um momento muito específico da minha trajetória de produção intelectual, portanto, muito em breve, deve surgir outras construções bem diferenciadas.
Nesta publicação o leitor encontrará inicialmente o desenvolvimento de alguns temas originários da área de Antropologia. Em seguida, apresento aspectos da história e da cultura viamonenses, com espaço para algumas das atividades realizadas pelas entidades em que atuamos. Decidi inserir uma monografia que traz um estudo comparativo entre duas importantes localidades (ou centros urbanos) importantes da Cidade de Viamão. E, no final, como que para relaxar, deixo falar a imaginação proética (prosa + poética), apresentando algumas construções do gênero.
Passaremos a publicar segmentos da etnografia que realizamos com os povos originários no Estado do Rio Grande do Sul.
O texto é extenso, razão pela qual vai ser apresentado em "trechos" e devem acompanhar, sempre que possível, as imagens, iconografias e outros elementos não textuais.
Trata-se de trabalho acadêmico apresentado na Universidade (Com U maiúsculo).
Estão vedadas, conforme legislação vigente, o emprego comercial do conteúdo aqui publicado.
A reprodução para fins didáticos e/ou educacionais serão autorizados, mediante a solicitação prévia onde deve constar a autoria do trabalho.
Boa Leitura!
A imagem acima é meramente ilustrativa e vai sendo publicada com o intuito de divulgar o nosso trabalho na plataforma de conteúdos videográficos (You Tube).
Fique agora com um extrato do novo livro sobre a Santa Isabel:
A Isabel
Ronda Um (Tributo)
Primavera 2022
Jacques Jacomini
Ficha Catalográfica elaborada por CESAJO:
Título Original da Obra:
A Isabel - Ronda Um (Tributo)
Autor: Jacques Jacomini
Co-autor: Berenice Jacomini
Viamão, 11 de novembro de 2021.
Imagens de Jacques Jacomini.
Todos os direitos autorais da obra estão reservados aos autores.
Proibida a reprodução do original por qualquer meio reprográfico sem a prévia autorização dos detentores de direito autoral. Reservados os direitos dos textos, imagens, expressões idiomática autorais e demais peças criativas da presente obra literária, conforme legislação vigente.
Prefácio
A obra que vai ser exposta nesta tela surge da necessidade existencial (nossa) de manter o diálogo convosco. Diálogo este iniciado no século passado, quando da publicação do compêndio denominado: "Os Primórdios da História da Santa Isabel" (AAPC - CESAJO).
Aquelas "notícias" levadas ao conhecimento do isabelense atento, ainda hoje segue sendo e fluindo como esforço uno e irretratável de algo/alguém igualmente especial, onde é possível perceber que sujeito e objeto apresentam-se amalgamados (a revelia dos ensinamentos kantianos clássicos).
A crença (e consciência) de que somos cidadãos de uma cidade sem autonomia político-administrativa vai ficando cada vez mais forte e regular, pois se acumulam os elementos de prova (materiais e imateriais) colhidos ao londo do processo de estudo, pesquisa e análise do "objeto".
A Cidade de Santa Isabel é uma realidade tangível e palpável. Vejam, por exemplo, a presença do Arizinho (Ari Rodrigues) na RBS TV, programa "Jornal do Almoço". Isabelense nato com grande talento para as artes que cunhou aquele refrão muito conhecido entre os nossos iguais: "Hey de ver a Lua brilhar, iluminar o nosso pavilhão, de mãos dadas vamos cantar, sou da Vila faz tempo e ninguém vai nos separar".
A presença deste artista no principal meio de comunicação social do Estado do Rio Grande do Sul (onde já esteve em outras oportunidades), de grande visibilidade e prestígio na imprensa regional e nacional, posteriormente retransmitida por diversos meios de comunicação digitais independentes (rede social, you tube, etc), demonstra o que temos afirmado desde o século passado: A Isabel possui vida própria, possui história singular, dinâmica citadina e urbanidade digna de nota. A Isabel está presente aqui e acolá, demonstrando a sua pujança e riqueza, seja ela na área da cultural, da economia. Enfim, vivemos na Cidade de Santa Isabel. Isto é um fato inegável.
A presente obra vai escrita para quem compartilha conosco desta realidade, mas também para aqueles que ainda não despertaram para a nossa tese de observador atento que vive e estuda a região. A Cidade vai sendo delineada ali nos canteiros centrais da Avenida Liberdade, no troco de papel moeda surrado na mão do quitandeiro da esquina da Liberdade com a Barão do Belém, no passar do transeunte não nominado que cruza a Rua Nova com a Rua Triângulo. No fluxo intenso de veículos automotores na Lisboa, Walter Jobim e Medianeira. As feições, as cores, os odores deste locus mais do que especial são a nossa tinta na pintura a ser apresentada no miolo deste trabalho. Acompanhe e boa leitura!
ISABEL
A Isabel, assim como a nossa própria vida, é redonda!
O que nos traz até aqui é tão somente a necessidade de registrar o tempo e o espaço vivido, quando da experiência de ter a oportunidade de participar e contribuir com o processo de construção da nossa cidade.
A nossa cidade é o melhor lugar do mundo para ser e para estar no presente momento. Afirmativa que vai desprovida de qualquer sentimento de desdém ou desprezo para com as demais cidades entre aquelas que vivemos ou poderíamos ter vivido por um período ou parcela de tempo.
A "Ronda Um" nada mais é do que um movimento racional sobre sentimentos, sensações e percepções acerca do Ser e do Estar em Isabel. Do (e da ) percepção pessoal de um arranjo rítmico (ritmo, ritmanálise, Bachelard) que se altera e se apresenta por hora rumo a um processo de extinção.
A Frase: “O Direito Penal e a Antropologia Criminal estão unidas e percorrem o campo e a cidade de mãos dadas (antes de adentrar os tribunais)’ é de autoria do professor Jacques Jacomini. O que ela representa dentro do cenário das políticas públicas combinadas com a Segurança Pública?
A afirmação reflete a perspectiva histórica e teórica de que o Direito Penal (norma/dogmática) e a Antropologia Criminal (estudo do "homem criminoso") caminham juntos na tentativa de entender, explicar e punir o delito, agindo sobre o indivíduo antes mesmo que o caso chegue ao Judiciário. Essa perspectiva é a de um especialista na matéria que conclui com a sentença: Essa união, especialmente forte na escola positivista (final do século XIX/início do XX), visa identificar o criminoso e sua periculosidade tanto no ambiente urbano quanto rural, influenciando as políticas criminais e a medicina legal.
Considerando os “atos preparatórios”, podemos afirmar que, antes de entrar nos tribunais, a antropologia criminal fornece subsídios (laudos, perfis, estudos de periculosidade) que orientam o Direito Penal na aplicação da pena. Neste ínterim, também é correto afirmar que a antropologia criminal historicamente buscou identificar características físicas e sociais de indivíduos marginalizados em ambos os ambientes, muitas vezes com viés racista e excludente, para definir o "criminoso nato" (ou as classes perigosas, conforme alguns autores preferem referir grupos sociais compostos por “criminosos natos”).
A Fundamentação Teórica clássica surge na Europa com Cesare Lombroso e aquilo que chamou de antropologia criminal. No Brasil, figuras como Nina Rodrigues, tentaram conectar características físicas e antropológicas ao comportamento criminoso, influenciando o Direito Penal. Contudo, “o tempo não para” (CAZUZA, 1999) e surgem novas perspectivas de estudo e análise acadêmicas, ou seja, vem a lume a Abordagem Moderna.
A antropologia criminal evoluiu para uma "criminologia antropológica" ou "antropologia do crime", focando mais no contexto cultural e social (etnografia?) e menos no determinismo biológico, mas ainda unida ao Direito para compreender o crime e seus autores.
A referência que o professor Jacomini faz de uma cena (pretensamente lúdica), das mãos dadas não é uma brincadeira de roda. Segundo os especialistas, essa atuação "de mãos dadas" configura um sistema onde a ciência estuda o homem e o Direito penaliza, muitas vezes transformando questões sociais em "caso de polícia" (assim como ensina Roberto Kant de Lima).
Ao que tudo indica, na elaboração do professor Jacomini, estamos a trabalhar o delito em proposta culturalista do tipo “Economia Cultural” (WEBER, 1919). Seguindo o método compreensivo, temos uma perspectiva histórica e teórica de que o Direito Penal (norma/dogmática) e a Antropologia Criminal (estudo do "homem criminoso") caminham juntos na tentativa de entender, explicar e punir o delito, agindo sobre o indivíduo antes mesmo que o caso chegue ao Judiciário. Essa união, especialmente forte na escola positivista (final do século XIX/início do XX), visa identificar o criminoso e sua periculosidade tanto no ambiente urbano quanto rural, influenciando as políticas públicas (políticas criminais e a medicina legal).
A obra denominada de “Os Anormais” traz Foucault falando em uma “Cena do Tribunal”, ou seja, refere-se a uma atividade dramatúrgica nas relações de poder político observadas no sistema de justiça criminal. E o que falar sobre o ritmo do sistema? Os rituais de comensalidade iniciam com os “pratos de entrada”. A pré-expressividade, conceito central na Antropologia Teatral de Eugenio Barba, refere-se ao nível de organização técnica básica e anterior à representação emocional, focando na energia, equilíbrio e ações físicas do ator. Ela não busca o sentido, mas sim a "vida" cênica, criando presença e atenção do espectador antes mesmo da palavra ou emoção. Tá entendendo?
Estamos a referir um aparato pré-tribunal, ou seja,antes de entrar nos tribunais, a antropologia criminal fornece subsídios (laudos, perfis, estudos de periculosidade) que orientam o Direito Penal na aplicação da pena. Grosso modo, pode-se afirmar que a antropologia criminal historicamente buscou identificar características físicas e sociais de indivíduos marginalizados em ambos os ambientes e o viés racista e excludente permanece ativo na sociedade brasileira, para definir o "criminoso nato". Não devemos esquecer ainda que o STF, na ADPF 973 (2025), reconheceu o racismo estrutural no Brasil e as violações a preceitos fundamentais da população negra. A decisão ordena que o governo federal elabore, em 12 meses, um plano nacional de igualdade racial com metas concretas em saúde, educação e segurança, visando superar o racismo como prática institucional e social.
A perspectiva histórica assim como nos ensina Max Weber, a mesma que Foucault utiliza na sua obra e outros pensadores como o professor Jacomini tem adotado surge como uma base teórica pertinente para o estudo do Direito Penal (norma/dogmática). A criminologia antropológica herdou traços da Antropologia Criminal (estudo do "homem criminoso") o que fica é a permanência da nova etnografia (alguns chamam de “Etnografia de Rua” - Eckert e Rocha et al).
Concluímos com uma contribuição para o debate republicano futuro: A necessidade de se reavaliar os limites da lei e da pena para os cidadãos brasileiros que estão na faixa cronológica entre os dezesseis anos e os dezoito anos. A nossa proposta é de que a “maioridade penal” recue do atual patamar de dezoito anos completos para os dezoito anos incompletos (regras válidas atualmente para o alistamento militar dos jovens brasileiros). Enfim, “O Direito Penal e a Criminologia Antropológica estão unidas e percorrem o campo e a cidade de mãos dadas antes de adentrar os tribunais (Jacques Jacomini). As políticas públicas combinadas com a Segurança Pública podem e devem salvar vidas e proteger a sociedade.