quarta-feira, 31 de maio de 2017

Avenida Mauá

Relembrando a graduação



A Travessia da Avenida Mauá


A travessia da Av. Mauá (Vindo da Praça da Alfândega em direção ao Cais do Porto) é, sem nenhuma dúvida, “uma manobra bastante arriscada”. Neste local o trânsito de veículos é muito grande e a velocidade média dos automóveis, caminhões e coletivos também é alta em função da avenida ser extensa (uma grande reta),  larga (com 3 faixas de rolagem) e não existir nenhum dispositivo inibidor da velocidade no local (com exceção do semáforo). Existe uma faixa de segurança e uma semáforo quase em frente a entrada principal do Caís do Porto, o que, teoricamente, facilitaria a travessia dos pedestres, no entanto, nem sempre é bem assim.
Os motoristas costumam aproveitar ao máximo o tempo destinado para a sua travessia, transitando no momento em que o sinal fica no amarelo e até nos primeiros instantes em que o sinal aponta a cor vermelha, ou seja, os condutores de veículos automotores não respeitam o sinal que propõe a sua parada e permite a passagem para o pedestre.  Portanto, o fato de o sinal estar apontando a travessia para o pedestre (vermelho para os motoristas) não representa uma situação de travessia segura para este.
 Uma outra situação que representa bastante risco para o transeunte que decide atravessar a Avenida é aquela em que o sinal muda quando o pedestre encontra-se no meio ou quase no final da travessia da Avenida. Neste caso, a pessoa precisa correr ou pular a fim de que não sege apanhada por um veículo, pois observei que os motoristas decidem aproveitar ao máximo todos os segundos destinados a sua travessia, não abrindo mão assim dos primeiros instantes da exposição do sinal verde, mesmo que o pedestre ainda se encontre no meio da sua travessia.
Em resumo, atravessar uma avenida no centro da cidade, como a Avenida Mauá, não é uma tarefa muito fácil e nem muito tranqüila, pois exige do pedestre bastante atenção e perspicácia para perceber o momento exato que a travessia pode ser realizada sem nenhum risco para a sua segurança pessoal. Esta situação pode ser bem mais problemática para os idosos, crianças, gestantes e deficientes físicos por razoes óbvias.




O . B . S .:  Este texto acima exposto é parte de uma descrição maior que realizei e se refere aos aspectos que observei e experimentei nas primeiras atividades de campo no Cais do Porto. A pesquisa denominada “Estudo Antropológico de um Espaço Urbano Singular: Cais do Porto de Porto Alegre (ou da cidade que tem porto até no nome)” foi apresentada no X Salão de Iniciação Científica da UFRGS e pode ser resumida da seguinte forma:
O Cais do Porto de Porto Alegre já foi a principal porta de entrada para a cidade. Viveu momentos de intensa atividade comercial, fluvial e social. Atualmente o cenário, a dinâmica social e a organização espacial naquele local demonstram que o Cais vive um outro período da sua história. Várias transformações ali ocorreram e outras tantas virão a ocorrer, diante de algumas propostas de reestruturação e reorganização arquitetônicas, urbanísticas e comerciais do atual Cais do Porto de Porto Alegre. Neste estudo, abordamos o  Cais do Porto na perspectiva do estudo de memória e itinerários dos grupos urbanos em Porto Alegre,  através  do método etnográfico, incorporando as técnicas de observação direta e participante e pesquisa direta e não participante, complementadas com a realização de entrevistas e com a produção de imagens fotográficas e  iconográficas. O principal objetivo é a análise e a compreensão da dinâmica social e da organização físico-espacial deste espaço urbano, diante das suas inúmeras mudanças e reestruturações que ali ocorreram, bem como das que brevemente virão a ocorrer. Neste sentido, aponta-se para o fato de que o reordenamento e as remodelações propostos para o Cais do Porto da Cidade de  Porto Alegre são produtos de um processo de mudanças históricas, econômicas e sociais que extrapolam as fronteiras citadinas locais, estando inseridas no corpo de uma cosmovisão globalizada e globalizante (complexa e moderna) que vem determinando a organização e reorganização dos grandes espaços urbanos contemporâneos.
Atualmente o meu objetivo é realizar algumas reestruturações nesta proposta de pesquisa aqui citada, retomando avanços teóricos e metodológicos conquistados no último período de atividade acadêmica, a fim de desenvolver as atividades de investigação científica solicitada pelo PPGAS / IFCH / UFRGS.

Gilberto Freyre

Casa Grande e Senzala

As obras de Gilberto Freyre analisadas na Disciplina Antropologia IV, em especial Casa Grande e Senzala, trouxeram um importante enriquecimento do nosso conhecimento em antropologia, bem como ampliaram a nossa perspectiva de análise sobre a formação da cultura brasileira.
Nas três obras propostas para leitura (Casa Grande e Senzala; Sobrados e Mucambos e Ordem e Progresso), percebemos que, de um modo geral existe uma temática que permeia (ou amarra) ambas as obras citadas: a sociedade patriarcal brasileira. Ou seja, Freyre enfatiza ( o tempo todo) o aspecto do patrimonialismo, com todos os seus desdobramentos, na sociedade brasileira desde o seu início até meados do século XX. Dito de outra forma, poderíamos falar que a “estrutura patriarcal”, enquanto um modelo de relações sociais, marca a cultura brasileira como um todo. Portanto, segundo Gilberto Freyre, existe uma estrutura patriarcal que marca a cultura brasileira que tem muitas diferenças, mas o que amarra as diferenças é o modelo das relações sociais que se implanta em todo o Brasil e dessa maneira está garantida a unidade. Este modelo de relações sociais (família patriarcal) tem características peculiares: rígida hierarquia, família extensa, ...
De certa forma, poderíamos afirmar que G. Freyre tentou “compreender a sociedade brasileira no seu sentido existencial”, dado a sua perspectiva transdisciplinar.
Para esta prova, nos deteremos mais enfaticamente sobre “Casa Grande e Senzala”, pois foi a obra que mais trabalhos durante as aulas expositivas e leituras individuais. Portanto, é com base nesta obra que tecemos as seguintes considerações:
O Brasil, como todos os países da América, é um pais novo, em fase de construção. Emergiu a pouco tempo, se formando a partir do século XVI, XVII, XVIII, XIX. Assim sendo, alguns autores (pesquisadores, intelectuais, etc.) tiveram a preocupação de desenvolver o tema da identidade social brasileira, muitas vezes, comparando-a com outras identidades nacionais e outras culturas. Freyre, desenvolve, com maestria e de uma forma muito peculiar, este intento. Ele afirma que aqui tudo era desequilíbrio, grandes excessos frente a grandes deficiências. Dificilmente existia um meio termo nas coisas encontradas no Brasil. Por exemplo: se por um lado, encontrávamos excesso de fertilidade em algumas regiões (ou áreas) brasileiras, por outro lado, encontrávamos imensa pobreza e dificuldades em outras regiões (e / ou área) brasileiras. Poderíamos assim falar de uma “terra dos contrastes”.
Gilberto F. fala de um clima colonial marcado pelo negativismo, afirmando que os portugueses foram superiores aos espanhóis e holandeses. Neste sentido, se comparado a outros autores, ele faz uma inversão valorativa, quando destaca a importância e as qualidades dos portugueses no processo de colonização do Brasil. Algo semelhante acontece quando Freyre se refere ao negro, pois este autor “confere um estatuto de dignidade que nenhum outro escritor havia concedido até então”. Ele considerava os negros como fundadores desta obra criadora e original que foi o Brasil.
Com base na leitura de “Gilberto Freyre na Universidade de Brasília: Conferências e Comentários de um Simpósio Internacional realizado de 13 a 17 de outubro de 1980. ...”, destacaríamos que “uma coisa chama a atenção em todos os livros de Gilberto Freyre, desde  Casa Grande e Senzala até Dona Sinhá e o Filho Padre: a vontade persistente e por toda parte afirmada de encontrar uma linguagem que torne comunicável o não dito da vida coletiva – as permutas, as relações existenciais entre os grupos, as classes, as etnias, as famílias, os indivíduos, domínio do que deveria ser uma psicologia social que se desligaria das enumerações quantitativas para investir a trama viva que os homens estabelecem entre eles e cuja linguagem comum só traduz imperfeitamente a diversidade ou a riqueza (...)”.
Segundo alguns observadores, a característica fundamental de sua obra, é a sua fidelidade ao pensar sociológico e antropológico: “É sua pertinácia em pensar o homem, a sociedade e a cultura, a partir do homem, da sociedade e da cultura, a partir do nosso homem e da nossa realidade social e cultural.”
De um modo geral, a mentalidade com que Gilberto Freyre partiu para a longa elaboração da estupenda trilogia que se estende de Casa Grande & Senzala  até Ordem e Progresso caberia numa etiqueta: Gilberto Freyre era o mais completo anti-Rui Barbosa. Ou seja, Ciência social e literatura moderna contra o judicismo parnasiano. Região e Tradição contra o abstracionismo histórico e social do nosso progressismo republicano.

Além das questões teóricas aqui elencadas (e as não elencadas), gostaríamos de destacar que as “elucubrações” de cunho mais epistemológico e filosóficos levantadas e propostas pelo professor em sala de aula enriqueceram  sobremaneira o nosso aprendizado. As discussões sobre o teor e a relevância das construções (literárias X acadêmicas, técnicas X tecnicista, etc.), sobre a “realidade” ( “A realidade em si não existe”.) ultrapassaram as obras analisadas e nos possibilitaram ótimos momentos de reflexão e análise no campo das ciências sociais e / ou antropológicas.

domingo, 28 de maio de 2017

Relembrando o curso de graduação

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
Disciplina: Pesquisa III - Métodos Qualitativos
Semestre: 1997/II











-    ESTUDO  ANTROPOLÓGICO  SOBRE  A  CONSTRUÇÃO  DAS  INDIVIDUALIDADES,  TRAJETÓRIAS  E  ITINERANÇAS  DE  UM  GRUPO  DE    “FLANELAS”   DA  CIDADE  DE  PORTO  ALEGRE   -











Aluno: JAQUES XAVIER JACOMINI
Matrícula: 1409/92.7





SUMÁRIO



Introdução .......................................................................................................................  04


1.       Organização do Espaço: uma reflexão sobre o desenvolvimento da cidade
      de Porto Alegre, através da análise do traçado das ruas e a relação desta
      organização com o trabalho dos flanelas ..................................................................  06

2.   Mapeando o campo pesquisado .................................................................................  12

3.   Descrevendo o principal ator social em questão: “O Flanela” ...................................  16


Conclusão ......................................................................................................................... 22


Bibliografia .....................................................................................................................  25


Anexos ............................................................................................................................  26





INTRODUÇÃO

Este trabalho propõe estudar a atuação de um novo ator social típico das cidades urbanas contemporâneas, o guardador de carros comumente denominado de “flanela”. Percebendo-o como integrante de toda uma dinâmica citadina moderna, propomos contextualizá-lo dentro de uma ambiente histórico e espacial recortados por esta pesquisa.
Para a realização da pesquisa de campo, optamos Por entrevistar os “flanelas” que atuam nas ruas que circundam a Universidade Federal do Rio Grande do Sul: Avenida Osvaldo Aranha, Rua Engenheiro Luís Englert e Avenida Paulo Gama. Esta opção aconteceu em função de percebermos que neste quadrilátero estão atuando um grupo de “flanelas” com algumas características muito semelhantes, fato que proporcionou tomá-los como um grupo definido dentre os vários outros tipos de “flanelas” que atuam na cidade.
O trabalho está estruturado em três capítulos, além da introdução, conclusão bibliografia e anexos. No primeiro capítulo - Organização do Espaço Urbano: uma reflexão sobre o desenvolvimento da cidade de Porto Alegre, através da análise do traçado das ruas e a relação desta organização com o trabalho dos “flanelas” - realizamos um levantamento histórico-geográfico que procura demonstrar a relação entre o desenvolvimento urbano da cidade com a atuação profissional dos “flanelas”. Para isso, usando, além do texto, de recursos iconográficos, tentamos demonstrar a importância de tentar perceber a evolução dos espaços urbanos, bem como a sua organização e ocupação, a partir da análise dos traçados das ruas, quando se estuda atores sociais urbanos contemporâneos como os “flanelas”. Como o nosso objetivo central não é histórico e sim antropológico,  realizamos esta incursão mais historiográfica apenas para introduzir o nosso tema de debate em um contexto maior da cidade de Porto Alegre, universo desta pesquisa.
No segundo capítulo - Mapeando o Campo Pesquisado - ,  vamos detalhar os aspectos característicos das ruas e dos espaços que formam o quadrilátero geo-espacial privilegiados para esta monografia. Explicamos, também os principais aspectos que marcam a divisão dos espaços de trabalho dos “flanelas”, bem como as suas noções de público e privado.
No terceiro e último capítulo - Descrevendo o Principal Ator Social em Questão: “O Flanela” - inicialmente, passamos a explicar alguns aspectos que definiram os rumos desta pesquisa, para entrarmos no sustentáculo desta investigação antropológica, ou seja, a reconstrução do “flanela”, enquanto ator social urbano contemporâneo. Através da utilização do “flanela médio”, trazemos para esta monografia as principais constatações, observações e levantamentos realizados na pesquisa de campo, a fim de dizer quem é, como atua e como se organiza e se estrutura este ator social.
Na conclusão, tentamos rearticular todas as informações trazidas nos capítulos anteriores, inserir novas questões e propor algumas idéias para este debate que entendemos como extremamente rico e complexo. Sendo assim, as conclusões são definidas por um trabalho que, em sendo experimental e ocasional, não permitem maiores aprofundamentos teórico-analíticos sobre o tema estudado.
Para a metodologia do trabalho de campo, utilizamos as principais técnicas do método etnográfico, como a observação participante e não-participante, realização de entrevistas com o uso de gravador, análise de contexto do campo pesquisado e análise de conteúdo de documentos históricos, reportagens de jornais e revistas. Para a parte teórico-metodológica foram usados especialmente os textos discutidos na disciplina durante o semestre e outros pesquisados pela intuição intelectual dos pesquisadores.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Tânia Salem


Ficha de Leitura

Fichamento da obra

SALEM, Tânia. "A "despossessäo subjetiva": dos paradoxos do individualismo. In: Revista Brasileira Ciências Sociais n° 18, ano 7, fev. 1992.

Autor da Ficha: JACQUES JACOMINI



Introdução

A proposta de Tânia Salem no artigo A “Despossessão Subjetiva”: dos paradoxos, do individualismo é bastante interessante e adequada para realizarmos uma espécie de fechamento das discussões que realizamos até agora na disciplina “Individualismo, Sociabilidade e Memória”. Assim entendemos esta atividade de avaliação e assim nos empenhamos na feitura deste pequeno ensaio.
Para a construção deste ensaio, seguimos a seguinte orientação estrutural: Em um primeiro momento – Despossessão Subjetiva ? – trazemos questões mais gerais tomadas do artigo de Salem, como os seus objetivos e princípios norteadores, inspirações e influências teóricas. Neste ponto destacamos ainda a divisão dos blocos (ou momentos) que compõe o trabalho da autora.
Em um segundo momento - Retomando autores e suas concepções – tentamos trazer para este ensaio  considerações sobre alguns dos autores trabalhados por Salem. Dentre eles, elegemos Simmel para uma retomada mais pausada. Sobre este último, realizamos inicialmente um apanhado mais geral sobre a sua teoria e, posteriormente, uma explanação mais específica sobre as suas concepções de indivíduo. 

1. Despossessão Subjetiva ?
Como a própria autora coloca, o objetivo deste trabalho é “repensar o modo como cientistas sociais vêm tematizando a categoria moderna de Pessoa, consubstanciada na noção de indivíduo e, em especial, na de indivíduo psicológico”. Este esforço analítico de Tânia Salem tem nome: “A Despossessão subjetiva”. A premissa básica é a de que há uma instância no interior do próprio sujeito que o constrange às expensas de sua vontade e consciência.
A abordagem desenvolvida pela autora visa “depreender descontinuidades significativas na representação do sujeito psicológico, relativamente à de seu predecessor – o indivíduo jurídico”. Salem destaca ainda que o indivíduo psicológico só adquire sentido e inteligibilidade em um universo individualista.
O Artigo, desenvolvido em dois blocos (além da apresentação): “Do ‘Individualismo possessivo’ ao sujeito psicológico: inflexões e descontinuidades” e “Das articulações entre a ‘despossessão subjetiva’ e a configuração individualista”, chama para o debate diversos pensadores que trabalhamos em sala de aula dentre os quais Dumont e Simmel  aparecem em relevo. Dentre aqueles que não abordamos e que a autora utiliza na sua análise, destacaria a presença de Foucault que “ainda que não se referindo explicitamente à destituição do sujeito sobre si mesmo, a tangência, e a elucida parcialmente, ao invocar as conseqüências derivadas do fato de saber / poder formarem a partir do século XIX um todo indissociável.”
Ao citar Gauchet & Swain – A História da individualização é, de outro lado e necessariamente, a história de uma despossessão ou de uma destituição subjetiva – fica claro para nós a fonte (ou uma das fontes) de inspiração que Salem toma para articular a construção deste texto, bem como o porque de defini-lo “A Despossessão Subjetiva”.

 Retomando Autores e suas Concepções
Salem destaca que os primórdios da investigação sobre este tema estão calcados na obra de Mauss, porém é Dumont que “é o autor contemporâneo que mais extensa e sistematicamente se empenhou na relativização e na crítica contumaz da moderna categoria de indivíduo”.
Tendo como tese central a oposição entre individualismo e holismo, a contribuição de Dumont, segundo a autora, revelou-se insuficiente para a apreensão da categoria moderna de indivíduo. Diante desta situação, a recorrência as teses de Simmel, Lasch, Sennett, Ariès, Foucault, entre outros é a alternativa capaz de “suprir o ‘elo falante’ relativamente ao eixo analítico dumontiano.” Diante dos pensadores “alternativos” que colaboram para a “despossessão subjetiva”, destacados por Tânia Salem, elegemos Simmel para realizarmos um aprofundamento maior sobre as suas concepções.
Para Simmel, a sociedade existe onde vários indivíduos entram em interação. Esta ação reciproca se produz sempre por determinados instintos ou para determinados fins. Instintos eróticos, religiosos ou simplesmente sociais, fins de defesa ou ataque, de jogo ou ganho, de ajuda ou instrução,  estes e infinitos outros fazem com que o homem se encontre num estado de convivência com outros homens, com ações a favor deles, em conjunto com eles, contra eles, em correlação de circunstâncias com eles. Essas interações significam que os indivíduos, nos quais se encontram aqueles instintos e fins, fora por eles levados a unir-se, convertendo-se numa unidade, numa "sociedade". Pois unidade em sentido empírico nada mais é do que interação de elementos. O mundo não poderia ser chamado de uno, se cada parte não influísse de algum modo sobre as demais, ou se em algum ponto se interrompesse a reciprocidade das influências.
A unidade ou sociaçäo pode ter diversos graus, segundo a espécie e a intimidade que tenha a interação - desde a união efêmera para dar um passeio até a família - desde as relações por prazo indeterminado até a pertinência a um mesmo Estado - desde a convivência fugitiva num hotel até a união estreita de uma corporação medieval. Simmel designa como conteúdo ou matéria da sociaçäo tudo quanto exista nos indivíduos (portadores concretos e imediatos de toda a realidade histórica) - como instinto, interesse, fim, inclinação, estado ou movimento psíquico -, tudo enfim capaz de originar ação sobre outros ou a recepção de suas influências.
Dito de outra forma, podemos considerar conteúdos (materiais) versus formas de vida social onde:
1°) uma delas é que em qualquer sociedade humana pode-se fazer uma distinção entre seu conteúdo e sua forma.
2°) é que a própria sociedade em geral se refere à interação entre indivíduos. Essa interação sempre surge com base em certos impulsos ou em função de certos propósitos. Os instintos eróticos, os interesses objetivos, os impulsos religiosos e propósitos de defesa ou ataque, de ganho ou jogo, de auxilio ou instrução, e incontáveis outros, fazem com que o homem viva com outros homens, aja por eles, com eles, contra eles, organizando desse modo, reciprocamente, as suas condições - em resumo, para influenciar os outros e para ser influenciado por eles.  A importância dessas interações esta no fato de obrigar os indivíduos, que possuem aqueles instintos, interesses, etc.; a formarem uma unidade - precisamente, uma "sociedade".
A sociaçäo só começa a existir quando a coexistência isolada dos indivíduos adota formas determinadas de cooperação e de colaboração, que caem sob o conceito geral da interação. A sociaçäo é, assim, a forma realizada de diversas maneiras, na qual os indivíduos constituem uma unidade dentro da qual se realizam seus interesses. E é na base desses interesses - tangíveis ou ideais, momentâneos ou duradouros, conscientes ou inconscientes, impulsionados casualmente ou induzidos teleologicamente - que os indivíduos constituem tais unidades.
Em qualquer fenômeno social dado, conteúdo e forma sociais constituem uma realidade unitária. Uma forma social desligada de todo conteúdo não pode ter existência, do mesmo modo que a forma espacial não pode existir sem uma matéria da qual seja forma. Tais são justamente os elementos, inseparáveis na realidade, de cada ser e acontecer sociais: um interesse, um fim, um motivo e uma forma ou maneira de interação entre os indivíduos, pelo qual ou em cuja figura aquele conteúdo alcança realidade social. Portanto, temos nem só objetividade, nem só subjetividade. Somente quando a vida desses conteúdos adquire a forma da influência reciproca, só quando se produz a ação de uns sobre os outros - imediatamente ou por intermédio de um terceiro - é que a nova coexistência social, ou também a sucessão no tempo, dos homens, se converte numa sociedade.
Para clarear um pouco mais a tese  geral de Simmel, destacamos a seguinte citação:
“Por sociedade não entendo apenas o conjunto complexo dos indivíduos e dos grupos unidos numa mesma comunidade política. Vejo uma sociedade em toda parte onde os homens se encontram em reciprocidade de ação e constituem uma unidade permanente ou passageira.  Logo, em cada uma dessas uniões produz-se um fenômeno que caracteriza, da mesma forma, a vida individual; a cada instante, forças perturbadoras, externas ou não, opõem-se ao agrupamento, e este, se for deixado a agir por sua própria conta, não tardarão elas a dissolvê-lo, isto é, a transferir seus elementos para agrupamentos estranhos. ... Nessa circunstância, temos a sociedade como uma unidade sui generis, distinta de seus elementos individuais”.
No que tange a questão específica da concepção de indivíduo em Simmel, podemos afirmar que “indivíduo em Simmel afirma-se como um ser proprietário de si, tanto perante a sociedade quanto de um ponto de vista subjetivo”.
O indivíduo psicológico em Simmel fala de um sujeito fundado em uma autonomia subjetiva radical capaz de erigir em torno de si um abrigo intimo que o protege dos "outros".
Sobre a concepção de  indivíduo moderno, temos Simmel em uma posição diferenciada de Dumont e Pacpherson, pois estes apresentaram uma preocupação sobre o plano formal ou externo do indivíduo (indivíduo jurídico), enquanto que Simmel debruçou-se de forma explícita sobre o domínio mais propriamente interno do indivíduo (indivíduo psicológico).


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Ecodesafio | TVE - Rios urbanos

Geertz




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GEERTZ, Clifford. Negara. O Estado Teatro no Século XIX. Lisboa, DFEL, 1991, pp. 13-39 e 153-171.


INTRODUÇÃO - Bali e o Método Histórico

O autor inicia localizando (temporal e espacialmente) o seu leitor no campo em que está se trabalhando: “a Indonésia de hoje (...) no Bali hindu (...)” (Pag. 13)
Em seguida passa a denominar a palavra “Negara” e a palavra que representa o seu oposto, “desa”. (Pag. 14)

2
Neste ponto, Geertz ressalta que “reconstruir o desenvolvimento político da Indonésia pré-colonial é fundamental para quem se preocupe com a compreensão do padrão político (...)”. Este pensamento introduz uma análise que o autor faz na seqüência sobre as diferentes concepções de histórias que poderiam ser usadas para esta “reconstrução” (citada acima). Falando de “estórias” e  “histórias”, encerra o tópico externando  a sua posição pessoal a respeito das duas concepções de história que apresenta. (Pag. 16-7)

3
Dando continuidade à discussão da concepção de história que defende, o autor coloca a necessidade de trabalhar com a “construção de um modelo apropriado de processo sociocultural (...)”, destacando o pensador que tornou famosa esta abordagem, Max Weber. (Pag. 17)
Na seqüência, o autor empenha-se em “afastar uma série de falácias metodológicas muito divulgadas (...)” sobre Bali, destacando três pontos neste sentido. (Pag. 18)
Encerra o tópico ensinando: “Os dados sobre Bali devem ser corrigidos em termos de tempo e em termos de lugar antes de poderem ser usados como linhas de orientação gerais para a interpretação da civilização índica na Indonésia e noutros contextos.” (Pag. 19)

4
O quarto e último tópico da introdução inicia com uma indagação: “Como pode então a etnografia do Bali recente ser de todo útil para uma tal interpretação?” A resposta é dada em cima de duas reflexões: “Em primeiro lugar (...) a mudança foi em grande parte endógena. (...) não ocorreram em Bali dois acontecimentos revolucionários que transformaram radicalmente a ordem social e cultural noutros lugares (...). Em segundo lugar, ao renunciarmos a qualquer propósito de escrever um relato cronístico do período clássico, libertamo-nos do principal incentivo para gerar fábulas históricas. (...)” (Pag. 20)
A introdução é encerrado com construções teóricas do autor sobre a adoção dos “modelos”, inspirados nos tipos ideais de Weber: “Um tal modelo é, em si, abstrato. Embora seja construído a partir de dados empíricos, ele é aplicado experimentalmente, e não dedutivamente, à interpretação de dados empíricos. É, pois, uma entidade conceptual, não uma entidade histórica. (...)” (Pag 20-1)


CAPITULO I - DEFINIÇÃO POLÍTICA: AS FONTES DA ORDEM


O Mito do Centro Exemplar

Inicialmente o autor transcreve toda uma situação histórica de Bali onde traz a ascensão e o declínio de reis e súditos, a fim de situar o que denomina “a morte da velha ordem”. (Pag. 24-5)

2
Neste ponto, Geertz delineia o estado balinês: “Tratava-se de um Estado-teatro no qual os reis e os príncipes eram os empresários, os sacerdotes encenadores, e os camponeses atores, equipe técnica e público. (...) O cerimonialismo da corte era a forca motriz da política da corte; e o ritual de massas não era um dispositivo de apoio do Estado; (...)” (Pag. 25)
Neste ponto destacaria ainda a menção que faz do mito: “A tarefa crucial de legitimação (...) foi levada a cabo pelo mito, curiosamente, por um mito de colonização.” (pag. 26)

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Neste ponto, o autor faz uma análise da estrutura social balinesa. Destacaria o seguinte trecho: “Toda a estrutura, porém, assentava primeiramente na cerimonia e no prestígio, tornando-se, como veremos, tanto mais frágil e téneu em real domínio político e subordinação, quanto mais alto se subia na pirâmide; (...)”
Geertz trabalha com o que denominou “Padrão do status decrescente (Sinking Status Pattern)”, sobre este pressuposto, ele afirma: “O padrão do statuus decrescente assenta na noção de que a humanidade descende dos deuses, não só genealogicamente mas também no sentido de ter um valor intrínseco inferior.”(Pag. 29)

4
Neste momento do texto, o autor chama Gregory Bateson para colaborar teoricamente sobre a percepção que os balineses constróem do seu passado e, consequentemente, a concepção histórica que pode ser aqui entendida como mais adequada para o entendimento desta cultura balinesa. Destacaria o trecho: ”Como Gregory Baterson fez notar, a visão balinesa do passado não é de modo nenhum verdadeiramente histórica, no sentido próprio do termo. Com toda a sua mitificação explicativa, os Balineses buscam no passado não tanto as causas do presente, como o padrão pelo qual o possam julgar; isto é, buscam o padrão imutável a partir do qual o presente deve ser devidamente modelado mas que, por acidente, ignorância, indisciplina ou negligencia, raras vezes é seguido.” (Pag. 31)
Na seqüência a ênfase vai ser a política balinesa, quando Geertz afirma que “(...) a política balinesa do século XIX pode ser vista sob a influencia de duas forcas opostas: a centrípeta, do ritual exemplar do Estado, e a centrífuga da estruturado Estado. (...)”  (Pag. 32)


A Geografia e o Equilíbrio do Poder

Neste tópico, o autor nos convida para uma análise panorâmica das condições geoespaciais de Bali, ressaltando a necessidade de um descentramento do observador que a realiza. São várias as características mencionadas, do relevo, da disposição física do espaço e da dimensão geográfica do local, a fim de destacar finalmente que “No respeitante à organização do Estado, o efeito deste tipo de paisagem foi o estabelecimento de um campo de forcas geopolítico muito intrincado e não homogêneo, cuja ação era tudo menos integradora.” (Pag. 34)

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O Ponto dois deste subitem do texto continua nesta perspectiva geopolítica, onde o autor destaca a relação “política internacional” e “política doméstica”: “A política ‘internacional’ do combate inter-regiões sobrepunha-se diretamente - e inclusive fundia-se com ela - à política ‘doméstica’ da rivalidade intra-região; era posta em cena não entre um conjunto de Estados encapsulados, impérios-miniaturas, mas antes através de uma rede intacta de alianças e oposições que se estendia irregularmente sobre toda a paisagem.” (Pag. 34)
Destacaria ainda que “Do ponto de vista sociológico, a primazia da luta pelo poder ao nível longitudinal (pequena escala) sobre o transversal teve várias implicações, para o caráter da política balinesa.(...) ” (Pag. 35)
Geertz vai afirmar mais adiante que “Ao nível mais geral, a política balinesa era mais uma questão de geometria - geometria física - do que de aritmética.” Isto é dito com base em todas as informações geoespaciais trazidas e analisadas pelo autor no texto para se inferir o Estado e a política balinesa.

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Neste ponto, o autor articula de forma resumida os vários aspectos e características do Estado e da organização política e social balinesa. Destacaria o trecho onde afirma que “uma visão geral da organização do Bali clássico não revela um conjunto definido de Estados independentes, organizados de forma hierárquica, vincadamente demarcados um dos outros e envolvidos em ‘relações externas’ através de fronteiras bem desenhadas (...)  Em cada ponto deste campo diverso e móvel, a luta era mais pelos homens - pela sua deferência, o seu apoio e a sua lealdade pessoal - do que pela terra. O poder político era menos inerente à propriedade do que às pessoa; era uma questão de acumulação de prestígio, não de território. (...)” (Pag. 38)


CONCLUSÃO

A conclusão inicia com uma discussão sobre os vários significados que o termo Estado apresenta, ou suscita. Neste sentido, Geertz relaciona um pouco os significados de Estado no Ocidente e em Bali, afirmando que “nenhuma (concepção) consegui dar conta, de forma utilizável, da sua natureza.” (Pag. 154)  Geertz analisa perspectivas de Estado de Hobbes, Marx e Pareto e demonstra a sua própria, afirmando: “A simbologia política é ideologia política, e a ideologia política é hipocrisia de classe. (...)” (Pag. 155)
Diante de todo este universo de significado e de concepções de organização política e de Estado, o autor afirma que “Não é difícil - de fato é fatalmente fácil - encaixar o Estado balinês tal como foi aqui descrito, em um ou outro destes modelos familiares, ou em todos eles ao mesmo tempo. (...) No entanto reduzir o Negara a lugares-comuns tão fatigados (...) é deixar que grande parte do que nele é mais interessante se escape da nossa visão. (...)” (Pag. 155)

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A partir deste momento, o autor começa a nos dar pistas interessantíssimas para que entendamos a dinâmica do Estado balinês, segundo o seu ponto de vista e a sua perspectiva de análise  e compreensão.
“Compreender o Negara significa localizar essas emoções e analisar esses atos; elaborar uma poética do poder, não uma mecânica. (...)
Antes de tudo o mais, o Estado balinês era uma representação da forma como a realidade estava organizada; uma vasta imagem dentro da qual objetos como os kris (...), tinham capacidades próprias. A idéia de que a política é um jogo imutável de paixões naturais, (...) é errada em qualquer parte; em Bali, o absurdo dessa idéia torna-se patente. As paixões são tão culturais quanto os dispositivos; e o modo de pensar - hierárquico, sensorial, simbolista e teatral - que inspira um, inspira outro.” (Pag. 156)

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A partir da afirmação: “Foi esta combinação de uma forma cultural essencialmente constante, o culto do rei sagrado, com uma enorme variabilidade nas pessoas e recursos disponíveis, para construir essa forma, num certo lugar ou num dado tempo, que fez da ‘luta pelo poder’ no Bali clássico uma explosão contínua de exibição competitiva. (...)”  (Pag. 158) O autor dedica os pontos seguintes (4,5 e 6) a uma extensa análise da relação dos reis com a organização política e a formação do Estado balinês.

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Este último ponto traz, inicialmente as concepções de poder que o autor constróe  a fim de basear as suas impressões de poder no caso específico de Bali. Defini “o político como um domínio da ação social”, destacando que  as denominações são pontos de vista e “como todos os pontos de vista, é parcial e advém de uma tradição específica da interpretação da experiência histórica.” Para destacar o seu próprio ponto de vista, afirma que “Foi argumento central deste trabalho (...) que a vida girava em torno dos punggawas, perbekels, puris e jeros do Bali clássico continha uma tal concepção alternativa daquilo que a política é e do que é o poder. Estrutura de ação (...) o Negara era também, e enquanto tal, uma estrutura de pensamento. Descrevê-lo é descrever uma constelação de idéias guardadas num relicário.” (Pag. 169)
Na página 170, o autor tece considerações interessantes sobre a análise interpretativa e a necessidade da desconstrução dos preconceitos onde eu destacaria o seguinte trecho: “A limitação da análise interpretativa na maior parte da antropologia contemporânea ao aspecto supostamente mais ‘simbólico’ da cultura é um mero preconceito, nascido da noção, (...) de que o ‘simbólico’ se opõe ao ‘real’ como o extravagante ao sóbrio, o figurativo ao literal, (...)  Para se analisarem as expressões do Estado-teatro, para apreendê-las como teoria, este preconceito tem de ser posto de lado, (...)  O real é tão imaginado como o imaginário.” 
Esta afirmação colabora para o que o autor vai afirmar mais adiante sobre a política balinesa: “Que a política balinesa, tal como a de toda a gente, incluindo a nossa, era ação simbólica, não implica portanto, que estivesse apenas na mente ou que consistisse inteiramente de danças e incesto (...)  Os aspectos dessa política aqui examinados (...) configuravam uma realidade tão densa e imediata como a própria ilha. (...)  Os dramas do Estado-Teatro, miméticos de si mesmos, não eram, ao fim e ao cabo, nem ilusões nem mentiras, nem prestidigitação nem faz de conta. Eles eram o que existia.” (Pag. 171)



Introdução à Crítica da Ecologia Política


Jean Pierre Dupuy, philosophe.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Projeto


PROJETO
 Cidadania ambiental e gestão das águas




OBJETIVOS

A presente proposta de trabalho tem como intenção promover práticas de cidadanias junto as populações do Estado do Rio Grande do Sul, a partir do recorte ambiental e em defesa da conservação de suas bacias hidrográficas apoiando-se no atual sistema estadual de gestão dos recursos hídricos, definido pelo Art 171 da Constituição do Estado e regulamentado pela Lei 10.350/94.

Para alicerçar esse objetivo maior, o projeto deverá contemplar, no seu desenvolvimento, as peculiaridades e diversidades regionais das bacias hidrográficas do Estado, com a preocupação central de atuar num processo educativo que contemple a construção, por parte das comunidades envolvidas, de um novo ideário ético, tanto em escala individual, quanto em escala coletiva, de defesa da cidadania pelas águas.





JUSTIFICATIVA


A concepção democrática da gestão dos recursos hídricos do Estado pressupõe contemplar na atuação  do poder público e da própria sociedade, o cotidiano das trocas sociais dos habitantes das bacias hidrográficas bem como da dimensão espacial de práticas culturais específicas de uso das águas isso é, da relação entre as características físico-ambientais e geográficas de uma região e a atuação, com maior ou menor grau de consciência preservacionista, da população.

                Neste sentido, este projeto pretende intervir nos circuitos informais de trocas sociais para aí situar as redes de informação sobre o tema da gestão das águas e a aprendizagem da cidadania  no sentido de revalorizar ambientes deteriorados.
               
Partidos, sindicatos, associações comunitárias, tÈcnico-científicas, etc, que compõem o universo das instituições políticas modernas, tem-se preocupado com a preservação e conservação do meio ambiente. Entretanto, esta esfera da organização da vida coletiva nem sempre contempla em suas regras formais de participação e planos de atuação, os processos culturais que fundam as práticas humanas de uso e consumo dos recursos naturais.
               
A proposta de atuação do projeto considera a partir da base sócio-espacial do plano de gestão de recursos hídricos no Estado ( a bacia hidrográfica ), a identificação dessas práticas culturais em relação ao uso dos recursos naturais, de forma a poder contribuir para a construção de democrática de novos dispositivos institucionais de ação do poder público e da sociedade civil organizada, no âmbito da proteção e conservação ambiental.
                O investimento em uma política em prol da cidadania ambiental enfrenta hoje o desconhecimento do homem moderno de suas responsabilidades com o ambiente onde vive, habita, produz e ganha seu sustento, implicando na busca da renovação de valores sociais que sustentem a sanidade dos recursos naturais existentes ou ameaçados de destruição.
                A situação já hoje  crítica de algumas  das bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul exige a atuação dos poderes públicos, numa redefinição de práticas de gestão ambiental que contemplem a heterogeneidade ético-comportamental das comunidades e de suas práticas culturais no que se refere aos usos de mananciais de água do Estado.

O Problema
                A construção de cidadanias no âmbito da gestão ambiental, implica em  situar a ação dos indivíduos e dos grupos sociais na intersecção entre a ação cultural do poder público em sua meta de obter o desenvolvimento sustentável e as formas de vida que orientam e dão sentido aos usos dos recursos naturais.
                O desafio que se coloca, portanto, é situar o tema das práticas e aprendizagens da cidadania, no âmbito do planejamento e da gestão dos recursos hídricos do Estado contemplando mecanismos de socialização e reanimação dos espaços de participação social. Trata-se, assim, de criar novas formas democráticas de engajamento popular no processo de racionalização dos usos dos mananciais de água existente no Rio Grande do Sul, com vistas a sua proteção e conservação.
                É intenção do projeto  investir na pluralidade das relações e arranjos da vida coletiva que contemplem a conservação do meio ambiente e que nem sempre se traduzem em práticas institucionalizadas de defesa e proteção dos mananciais, como é o caso dos Comitês de Bacias Hidrográficas já existentes e os que serão criados no âmbito do Sistema Estadual de Recursos Hídricos.
                Neste sentido, tratar-se-á de recuperar o domínio das práticas culturais da população do Estado, suas tradições e valores, e atuar interativamente, num processo de aproximação entre sabedoria popular e saberes técnicos-científicos a propósito da gestão de recursos hídricos, de forma a que essa mesma população possa estabelecer um compromisso coletivo na gestão dos recursos hídricos dos quais depende seu crescimento socio-econômico.
                Buscar a construção de uma proposta de cidadania ambiental nos termos da gestão democrática de recursos hídricos é buscar, portanto, soluções de redimensionamento de formas de assentamento humano (urbano ou rurais) e de novos padrões de convivência dos grupos sociais com a biodiversidade do meio ambiente







 METODOLOGIA

 Caracterização do projeto

                              
                Levando-se em consideração a heterogeneidade que compõe o corpo social do Estado do Rio Grande do Sul e em função das necessidades e oportunidades das atividades desenvolvidas no CRH-RS e da regionalização pré-existente na STCAS, optou-se por trabalhar com duas bacias hidrográficas privilegiando-se as diferenças existentes entre elas e a representatividade que possam ter, visando a reprodução da metodologia aí desenvolvida para as demais bacias previstas pelo CRH-RS.                                                                                                                                                                   Assim, entende-se oportuno trabalhar com a bacia hidrográfica do rio Santa Maria e parte do sistema Taquari-Antas, ou seja, a bacia hidrográfica do rio das Antas.  A primeira pelas características tipicamente rurais do uso do solo e da água, evidenciando o conflito clássico no Estado entre o uso agrícola e o abastecimento público. A segunda pelo alto grau de urbanização e industrialização, pelo adensamento populacional e pelo bom nível de articulação e organização da sociedade.
                Pelo caráter piloto deste projeto, será preciso ainda selecionar em cada uma das bacias um município que melhor represente as condições gerais da bacia. Além disso, a escolha de áreas bem diferenciadas diz respeito aos pressupostos que sustentam o trabalho com Educação Ambiental. Ou seja, o processo da construção das aprendizagens através do envolvimentos dos grupos sociais com atividades didáticas encontra, nas práticas sociais das diferentes comunidades, saberes cotidianos que alicerçam e  desencadeiam modificações na percepção e na relação desses grupos com o meio ambiente e em especial com a água.

Situações e Procedimentos
               
Metodologicamente, o projeto estará apoiado num ‘trabalho de campo’  a partir do qual pretende-se desenvolver, junto às populações dos municípios escolhidos, estratégias que vão da aproximação dos técnicos à comunidade organizada até o envolvimento desta nas atividades propostas para a construção das aprendizagens de cada um.
                A seguir descrever-se-á, em etapas, os diferentes procedimentos que serão realizados no transcorrer do trabalho de campo tendo em vista a redefinição comportamental dos grupos sociais com vistas a estabelecer pactos que estruturem novos laços comunitários em torno do eixo homem/ sociedade/ recursos naturais.
    1ª  Etapa - Do reconhecimento
                Inicialmente, no que diz respeito ao trabalho de campo a ser realizado com as comunidades, identificadas, a partir de uma ‘metodologia participante’ as características das relações que os sujeitos estabelecem  quando da utilização da água, que vai do atendimento às necessidades básicas da vida cotidiana ao lazer, passando pelos processos produtivos, mapeando aí, os impasses, os  conflitos, enfim os valores vividos e atribuídos a este recurso natural.
                A “entrada” na comunidade se dará através de instituições sociais organizadas com o tema em questão, podendo ser Escolas, Sindicatos, Comitês de Gerenciamento, Associações de todos os matizes, etc, além dos órgãos de representação da população (câmara de vereadores, por exemplo).

    2ª  Etapa - Das situações de aprendizagem
                Com o trabalho de análise a ser realizado das informações e observações obtidas na 1ª Etapa, propostas didáticas para intervenção serão elaboradas para o envolvimento da comunidade no seu processo de aprendizagem.
                As atividades didáticas visam, através de eventos coletivos, seminários, exposições itinerantes, circos ambientais, etc., envolver, a partir do reconhecimento de situações locais, os diferentes grupos, na problemática ambiental do lugar em questão.
                              
A metodologia de criação dos processos de aprendizagens dramáticas , passam, em um primeiro momento, por um ritual de aproximação e um reconhecimento das sensibilidades das comunidades em relação aos espaços que habitam, resgatando não só uma memória afetiva e histórica do lugar, como também uma noção de pertencimento, coletividade e responsabilidade por sua construção espaço-temporal.
Utilizando-nos de intervenções com recursos das artes dramáticas e visuais (artes plásticas, fotografia e vídeo), estimularemos as manifestações estéticas da comunidade para que a partir delas formalizem suas representações sobre si mesma, sensibilizando-a , concomitantemente, ao  fato de pertencer e arquitetar a história social/ambiental do lugar onde vive. Ou seja, parte-se do princípio que à autoria « artística »  dos citadinos se tramará   uma autoria do espaço da cidade e da regeneração dos valores que levaram a deterioração do mesmo.

    3ª  Etapa - Das ações comprometidas da comunidade
                Estruturar grupos responsáveis por dar conta da implementação de políticas ambientais locais, onde o critério de participação  em relação a gestão das águas, seja o fio condutor das ações comunitárias.
                Assim, nesta terceira etapa, um trabalho de formação de “agentes” se faz necessário por parte dos técnicos, tanto no que diz respeito aos paradigmas teóricos que suportam as ações dos grupos na sua relação com o meio ambiente, quanto as metodologias necessárias para a intervenção social.
                A ‘passagem’ dos  técnicos na comunidade, implica, obrigatoriamente, que o processo de inter-relação experienciado nas três etapas chegue ao seu termo pragmático.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Segundo a dimensão e implicação política pretendida neste projeto, se faz necessário o acompanhamento de técnicos da Secretaria de Cidadania, Trabalho e Ação Social, tendo em vista a proposta de generalizá-lo para todo o Rio Grande do Sul.
A conclusão deste trabalho, portanto, significa, criar subsídios teóricos-práticos para criação de formas alternativas de implementação de uma política ambiental pelos órgãos competentes do Estado, muito especialmente em relação à lei 10.350/94 que rege a gestão dos recursos hídricos.
Assim, como um ciclo, o término de nossa  tarefa marca o início de uma nova fase de intervenção pública, baseada no contexto das realidades vividas e na aprendizagem de auto-gestão dos recursos hídricos por parte das comunidades em questão.
                              
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                PLANO DE TRABALHO

                O presente plano  descreve, resumidamente, as diferentes fases necessárias para o desenvolvimento e conclusão do projeto, considerando, todavia, a necessidade de flexibilidade quando a tarefa é trabalhar com aprendizagens de grupos humanos. O que segue, portanto, tem o caráter de organização estrutural    para que os saberes éticos-ambientais se efetivem.

I FASE
1° momento - Reconhecimento das regiões (60 dias)
a) Levantamento de dados das Regiões: pesquisa bibliográfica;  fontes primárias, secundárias; mapas; cartografias; IBGE; dados do ecosistema; RIMA.
b) Caracterização documental: mapeamento sócio-econômico, político, cultural, geofísica das comunidades envolvidas no projeto, delimitando área de intervenção.
c) Produção de “cartilha”, folders.
2° momento - Exploração/atuação nas e das vivências comunitárias (45 dias)
a) Levantamento das representações dos grupos no que diz respeito as diferentes relações estabelecidas com a água.
b) Levantamento dos conflitos, problemas, experiências, saberes cotidianos,  a partir das vivências cotidianas onde o referencial é o uso da água.
c) Caracterização etnográfica: construção da proposta de atuação com as comunidades através de eventos com atividades didáticas.

II FASE
Trabalho com a comunidade em torno das aprendizagens ambientais através de produções e programações de eventos.(60 dias)

III FASE
Apresentação pública do relatório final em Seminário com discussão de um  vídeo documentário sobre o trajeto construído pela comunidade quando do envolvimento no projeto. (30 dias)

IV FASE
Trabalho com a formação de ‘agentes’ generalizadores da proposta com cidadania ambiental e gestão das águas. (30 dias)
Esta  fase final é dirigida, especialmente, aos ‘agentes’ responsáveis por generalizar a proposta em âmbito estadual e, compreende, necessariamente, a participação destes em todos os momentos vividos tanto pelo grupo de pesquisadores, quanto pela comunidade envolvida.





                DESTINAÇÃO DOS RECURSOS

- materiais didáticos e de consumo........................ R$  40.000,00
   (vídeo, mostra fotográfica, cadernos didáticos, folders,
    material de consumo, etc.)      
- transporte e diárias.............................................. R$  12.000,00
   (viagens, hotéis e alimentação)
- pagamento por tarefa a técnicos e pesquisadores.. R$ 80.000,00
- organização de atividades de formação.................R$ 13.000,00
                                                                                              Total geral:          R$ l45.00,00

Obs.: Em função dos  custos elevados para a produção de vídeos documentários (R$60.000,00), onde só a locação de 8O horas de trabalho de uma “Ilha de Edição” ficou orçada  em torno de R$15.000,00, assim como, aluguel de equipamento para filmagens (Câmara SVHS, e equipamento de luz) no valor de R$7.500,00 e, em função da importância da produção de vídeos enquanto material didático generalizável para além do “projeto piloto”, consultamos a possibilidade de parceria junto à instituição do Estado (TVE) para a concretização desse item do projeto.  

               


                                                                              

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

A Estrela


ABA


De: Associação Brasileira de Antropologia - ABA [mailto:aba@abant.org.br]
Enviada em: quarta-feira, 19 de abril de 2017 15:26
Para: jacquesja@uol.com.br
Assunto: Lembrete Anuidade/s ABA

Prezado/associado/a Jaques Xavier Jacomini,

Detectamos que o/a senhor/a possui anuidade/s em aberto junto à ABA. Por isso, entramos em contato para lembrá-lo/a que estamos em período de Campanha de desconto. Portanto, é possível ficar em dia com a nossa Associação, que se sustenta fundamentalmente pela contribuição de seus/suas associados/a, com melhores valores.

Seguem as condições da Campanha e caso tenha dúvidas, por favor, entre em contato com a Secretaria Administrativa da ABA (aba@abant.org.br / (0xx (55) (61) 3307-3754):

O pagamento com desconto pode ser feito até o dia 30 de abril de 2017, conforme condições a seguir:
Categoria     Valor da anuidade 2017 Valor da anuidade 2017 com desconto*
Associado/a Efetivo/a, Colaborador/a e Correspondente           R$ 220,00
(duzentos e vinte reais)   R$ 180,00
(cento e oitenta reais)
Associado/a Pós-Graduando/a R$ 110,00
(cento e dez reais) R$ 85,00
(oitenta e cinco reais)
Associado/a Aspirante     R$ 55,00
(cinquenta e cinco reais) R$ 45,00
(quarenta e cinco reais)
* Caso existam anuidades anteriores em aberto é imprescindível quitar e será permitido o valor com desconto.
Categoria     Valor das anuidades 2017 e 2018       Valor das anuidades 2017 e 2018 com desconto**
Associado/a Efetivo/a, Colaborador/a e Correspondente           R$ 440,00
(quatrocentos e quarenta reais)          R$ 340,00
(trezentos e quarenta reais)
(sendo R$ 170,00 cada anuidade)
Associado/a Pós-Graduando/a R$ 220,00
(duzentos e vinte reais)   R$ 150,00
(cento e cinquenta reais)
(sendo R$ 75,00 cada anuidade)
Associado/a Aspirante     R$ 110,00
(cento e dez reais) R$ 70,00
(setenta reais)
(sendo R$ 35,00 cada anuidade)
** Caso existam anuidades anteriores em aberto é imprescindível quitar e será permitido o valor com desconto.
Formas de pagamento:
1.        Cartão de crédito:

1.1. Pay pal, em até 6 vezes sem juros, nos cartões Visa, Mastercard e American Express  - Clique no link http://www.portaladm.abant.org.br/admin/associate/paypal/paypal_aba.php?id=2;

1.2. Visa, Mastercard, Diners Club e American Express, em até 6 vezes sem juros - Informar à secretaria, por telefone (0xx 55 61 3307-3754) ou e-mail (aba@abant.org.br): nº do      cartão, data de validade, código de segurança, valor, nº de parcelas e nome completo);
2.        À vista por meio de Depósito Identificado no Banco do Brasil:

Se você é cliente do Banco do Brasil e deseja fazer o Depósito Identificado utilize os terminais de auto-atendimento com teclado alfanumérico ou pelo acesso ao banco via internet (opção depósito identificado. Baixe o passo a passo do banco para localizar a opção).

Se você não é cliente do Banco do Brasil e deseja fazer o Depósito Identificado utilize o caixa de atendimento nas agências do Banco do Brasil munido do seu CPF, cheque ou dinheiro para depósito no valor estipulado.

Os dados para realização do Depósito Identificado são:
Banco do Brasil – 001
Agência UnB - 3603-X
Conta corrente – 31604-0

Será necessário informar:
Identificador 1: CPF
Identificador 2: Deixe em branco
Identificador 3: Nome completo

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A ABA é mantida com seu apoio e sua atuação decorre da colaboração de antropólogos e antropólogas que dedicam voluntariamente seu tempo a manter, promover e assegurar o exercício livre e amplo da Antropologia.

Portanto, renovar sua anuidade, acompanhar e participar de nossas atividades e colaborar com a manutenção da ABA pode revelar-se uma experiência positiva e recompensadora.

Cordialmente,


Lia Zanotta Machado
Presidenta da ABA
Gestão 2017-2018           Carlos Alexandre Barboza Plínio dos Santos
Tesoureiro da ABA
Gestão 2017-2018