terça-feira, 30 de junho de 2026

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Novela

Verbete

Novela


 Uma novela é um gênero literário de extensão intermediária, maior que um conto, mas menor e mais simples que um romance. Focada em um único conflito central e com poucos personagens, ela prioriza a ação dinâmica e um desfecho impactante.


Novela na Literatura

Historicamente, o termo vem do latim novus (novela), referindo-se a uma "novidade" ou notícia de eventos distantes. 


E. U. A.







 Canção de mim mesmo


Walt Whitman


1.

Eu celebro o eu, num canto de mim mesmo,

E aquilo que eu presumir também presumirás,

Pois cada átomo que há em mim igualmente habita em ti.


Descanso e convido a minha alma,

Deito-me e descanso tranqüilamente, observando uma haste da relva de verão.


Minha língua, todo átomo do meu sangue formado deste solo, deste ar,

Nascido aqui de pais nascidos aqui de pais o mesmo e seus pais também o mesmo,

Eu agora com trinta e sete anos de idade, com saúde perfeita, dou início,

Com a esperança de não cessar até morrer.

(...)



domingo, 28 de junho de 2026

Walt Whitman

 


Tililim

 


Ramil

 Letra de Neve de Papel de Vitor Ramil


verse


Quem se vai ali


Olha, sou eu


Sob a neve de papel


Que cai de um céu


De janelas do ano que foi


Será que vem


Alguma carta pra mim?


Mas de quem virá?


O que irá dizer?


Que surpresa encontrar


Você aqui


São janelas feitas de ar


Todas iguais


Qual delas se abre por mim?


chorus


Que me vou por ali


Que fiquei por aqui


Que me vou por ali


Que fiquei por aqui


verse


Quem ficou ali


Olha, sou eu


Sobre a neve de papel


No chão, ao léu


Folhas brancas, contas, jornais


Onde estará


Aquela carta pra mim?


chorus


Que me vou por aqui


Que fiquei por ali


Que me vou por aqui


Que fiquei por ali


Writer(s): Vitor Hugo Alves Ramil

Inglaterra

 


Creodos





 .

..

...

Chreowdos


sábado, 27 de junho de 2026

Legado

 




Desde Abril de 2012.

https://jacquesja.blogspot.com/2012/04/cem-pes.html

A Deusa (parte II)

 








Texto Didático para a aula número 576
 Teologia Social/Sociologia da Religião.
Título: A Deusa
Base Científica: Obra do mitólogo Joseph CAMPBELL
(especialmente o título: O Poder do Mito)
Parte II






 O primeiro calendário do homem pré-histórico foi mostrado nas mãos da famosa estatueta da Vênus de Laussel, que segura em sua mão um chifre em forma de crescente, com 13 talhos que representam as lunações. Por sua conexão com a Lua e a mulher, a Deusa é cultuada em 3 aspectos: a Donzela, que corresponde à Lua Crescente, a Mãe representada na Lua Cheia e a Anciã, simbolizada na Lua Decrescente, ou seja, Minguante e Nova.
Na tradição da Deusa, a “Donzela” é representada pela cor branca e significa os inícios, tudo o que vai crescer, o apogeu da juventude, as sementes plantadas que começam a germinar, a Primavera, os animais no cio e seu acasalamento. Ela é a Virgem, não só aquela que é fisicamente virgem, mas a mulher que se basta, independente e auto-suficiente.
Como Mãe a Deusa está em sua plenitude. Sua cor é o vermelho, sua época o verão. Significa abundância, proteção, procriação, nutrição, os animais parindo e amamentando, as espigas maduras, a prosperidade, a idade adulta. Ela é a Senhora da Vida, a face mais acolhedora da Deusa.
Por fim, a Deusa é a Anciã, que é a Mulher Sábia, aquela que atingiu a menopausa e não mais verte seu sangue, tornando-se assim mais poderosa por isso. Simboliza a paciência, a sabedoria, a velhice, o anoitecer, a cor preta. A Anciã também é a Deusa em sua face Negra da Ceifeira, a Senhora da Morte. Aquela que precisa agir para que o eterno ciclo dos renascimentos seja perpetuado. Esta é o aspecto com que mais dificilmente nos conectamos, porém, a Senhora da Sombra, a Guardiã das Trevas e Condutora das Almas é essencial em nossos processos vitais. Que seria de nós se não existisse a morte? Não poderíamos renascer, recomeçar...
Desta forma, é fácil compreendermos porque a “Religião da Deusa” postula a reencarnação. Se fazemos parte de um universo em constante mutação, que sentido haveria em crermos que somos os únicos a não participar do processo interminável da vida-morte-renascimento? Essa realidade existe no microcosmo do ciclo das estações, da colheita que tem que ser feita para que se reúnam as sementes e haja novo plantio. É justamente por isso que aqueles que seguem o Caminho da Deusa celebram a chamada Roda do Ano, constituida pelos 8 Sabbats celtas que marcam a passagem das estações. Ao celebrar os Sabbats cremos que estamos ajudando no giro da Roda da Vida, participando assim de um processo de co-criação do mundo.
Ante o exposto, queda translúcido entender porque os caminhos, cultos e tradições centrados na Deusa são religiões naturais, fundamentadas nos ciclos da natureza e no entendimento de seus elementos e ritmos. Estas práticas de magia natural usam a conexão e correlação dos elementos da natureza - Água, Terra, Fogo e Ar, as correspondências astrológicas (signos zodiacais, influências planetárias, dias e horários propícios, pedras minerais, plantas, essências, cores, sons) e a sintonia com os seres elementais (Devas Guardiões dos lugares, Gnomos, Silfos, Ondinas, Salamandras, Duendes e Fadas).
Vamos avançar: A Deusa e o Deu. A questão é a seguinte: Todas as Deusas são uma só Deusa? (todos os Deuses são um só Deus?). Vejam: A Deusa preside a pulsação vital constante do Universo, portanto é imprescindível que entendamos o papel do Deus. Ela é a Senhora da Vida, mas Ele é o Portador da Luz; Ela é o ventre, Ele o falo ereto; Ela gera a vida, Ele é a faísca que inicia o processo, em plena harmonia, sem predomínios nem competições, mas pela completa união. Ambos parceiros no desenrolar da música e dança que criam e recriam o universo ainda hoje... Na Primavera Ela é a Donzela, Ele o Deus Azul do Amor... No verão ela é a Mãe, grávida, ele o Galhudo, o Deus da Vegetação e dos Animais, Cernnunnos... No outono ele desce para o Mundo Subterrâneo, como o Deus Negro do Mundo Inferior, do sacrifício e da Morte e Ela a Anciã que abre os portais e o acolhe durante sua transmutação. No inverno ele renasce do próprio ventre escuro da Deusa, que quase torna, assim, a um só tempo, sua consorte e sua mãe… O que há de novo?
A novidade é que os últimos anos têm assistido o fenômeno chamado "Renascer da Deusa", ou seja, o ressurgimento do arquétipo do divino feminino na cultura, nas artes, na ciência e no psiquismo das pessoas. Fazem parte desse renascimento a preocupação ecológica, as manifestações pela paz, o ressurgimento de religiões baseadas na natureza, pondo em relevo valores femininos: o respeito à Mãe Terra, o reconhecimento dos seres humanos como irmãos dos demais seres, a ênfase na conciliação dos sexos e das pessoas, ao invés da competição, a paz ao invés dos conflitos, as terapias naturais respeitando o corpo e a Terra, a volta dos oráculos (runas, tarot, geomancia) e das práticas xamânicas.
Dentro dessa nova mentalidade, o culto à Grande Mãe pode ser feito em diversos caminhos espirituais. De certa maneira, a própria Igreja Católica participa dessa tendência de várias maneiras, colocando em relevo depois de muitos anos a figura de Maria. As religiões centradas na Deusa geralmente têm em comum o reconhecimento da natureza como a própria e, por isso, são designadas como Cultos ou Tradições Naturais, muitos deles oriundos ou aplicando os princípios do xamanismo. Os cultos à Deusa são religiões xamânicas, no sentido de reunirem prática de magia natural e contatos com outras realidades, além de se basearem na interação dos quatro elementos: Fogo, Água, Terra e Ar, unidos pela quitessência que é o Espírito.
Atualmente existem inúmeros cultos que poderíamos chamar de "centrados na Deusa", ou "A Religião da Deusa". Mas o mais conhecido deles hoje, sem dúvida, é a Tradição Wicca, que influencia de muitas formas todos os demais.
Wicca é uma religião pagã (usada esta palavra tanto no sentido comum de "não cristã", como no sentido etimológico de "oriunda do campo", por ser uma religião de origem rural) que cultua a Deusa Tríplice e seu consoante o Deus Cornífero. Ambos são expressões em polaridades do Ser Supremo, a Divindade, chamado pelos nativos norte americanos de Grande Espírito ou o Grande Mistério, O UNO ou a Fonte Criadora, que se manifesta na realidade concreta nas representações da Deusa e do Deus.
A palavra WICCA se origina do inglês arcaico wicce, significando wise (sábio) e o verbo moldar, dobrar. Portanto, um Wiccan (como são chamados seus adeptos) é um moldador, alguém que dá outra feição à realidade que o cerca.
A Wicca surgiu na primeira metade do século XX, do estudo de alguns pioneiros como Margaret Murray e Gerald Gardner, que procuraram resgatar as raízes da witchcraft (bruxaria) praticada na Inglaterra rural e na Toscana (norte da Itália). Essas práticas eram, na origem, a expressão popular da religião celta, que dominou a Europa Ocidental por séculos. A Wicca, pois, se propõe a ser a versão moderna da Antiga Religião.
Na Tradição Wicca existem diversas vertentes, desde as mais rigidamente estruturadas, seguindo normas e rituais fixos, até aquelas que são predominantemente ecléticas, com adaptações regionais ou pessoais. Entre as mais tradicionais se encontram a Gardeneriana, Alexandrina, Diânica, Celta, Georgiana etc. A Wicca pode ser praticada em grupos chamados covens ou por solitários.
Todas as Deusas são uma única Deusa, múltiplas manifestações da Grande Mãe. Cultuar a Grande Deusa pode se manifestar no culto a um ou mais dos arquétipos que a representem nas diversas culturas do mundo. Assim, sejam as Lilith e a Shequinah judaicas, a babilônia Inanna, a havaiana Pele, a chinesa Kwan-In, a japonesa Amaterasu, a inca Ixchel, as africanas Yemanjá e Oyá, ou as hindus Sarasvati e Kali, sempre se estará prestando culto à mesma e única Deusa. As diferentes mitologias enumeram milhares de nomes de Deusas, correspondendo a aspectos ou atributos diversos. Assim, se escolhemos nos conectar com as Deusas Afrodite ou Ishtar ao procurarmos trabalhar a energia do amor, o fazemos porque essas formas do arquétipos, por disposição de milênios, mais se aproximam dessa energia. Se precisamos tratar de estudos ou escrita, criatividade nas artes, invocamos Atena ou Saravasti, por exemplo.
Muitas bruxas costumam se conectar com Deusas de diferentes mitologias, conforme a necessidade de seus trabalhos. Outras se atém a um panteão determinado e só cultuam as Deusas e Deuses daquela cultura. Ambas as formas de expressão fazem parte dos Caminhos da Deusa. Algumas bruxas preferem se conectar com as Deusas em sua forma mais primitiva, como Mãe Terra, daí utilizarem símbolos das chamadas Vênus pré-históricas, como de Laussel, Willendorf, Deusa serpente de Creta, Deusa do Nilo.



Economia Cultural

 



Título:


 A Invenção da Economia Cultural em Max Weber e sua Convergência com a Crítica Humanista de Fábio Konder Comparato.


Autor:


Jacques Jacomini






RESUMO






O presente trabalho propõe uma revisão historiográfica e conceitual da produção teórica inicial de Max Weber (1864–1920), defendendo a hipótese de que o autor desenvolveu uma matriz teórica de "Economia Cultural" antes da formalização de sua Sociologia Compreensiva. Tomando como ponto de partida o período em que Weber ocupava a cátedra de Economia Política e a publicação de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904-1905), analisa-se como o laboratório existencial de sua infância — cindido entre o pragmatismo jurídico do pai e a teologia social e ascética de sua mãe — moldou sua recusa aos reducionismos do Methodenstreit. O estudo demonstra que a abordagem weberiana inseriu a cultura e a moral como variáveis causais determinantes na gestação das estruturas materiais do capitalismo ocidental. Em um segundo momento, o trabalho conecta o diagnóstico weberiano do aprisionamento da humanidade na "jaula de ferro" burocrática à filosofia jurídica de Fábio Konder Comparato em sua obra Ética: Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno. Conclui-se que a Economia Cultural fornece uma fundamentação epistemológica robusta para o Direito dos Direitos Humanos, ao desmistificar a pretensa neutralidade das leis de mercado e legitimar a reinserção de imperativos éticos e fraternos na governança da economia global contemporânea.


Palavras-chave: Max Weber; Fábio Konder Comparato; Economia Cultural; Jaula de Ferro; Direitos Humanos.


Para saber mais

Visite:

https://jacquesja.blogspot.com/2026/06/max-weber-e-comparato.html


Vale Voa

 


sexta-feira, 26 de junho de 2026

ivan lins

 Um novo tempo

Ivan Lins


https://www.youtube.com/watch?v=auVytLbKXdU

Japão


 




A Mãe da Sociologia existe???



        Encontraram o “Feminino Universal”, mas não encontram a maternidade da sociologia? Por que isso ocorre? O que está acontecendo com a educação superior no Brasil? É necessário pagar  para estudar na universidade pública e gratuíta?

        Gente.

        Veja, nós não temos todas as respostas, mas as questões abertas acompanham todo aquele que se dedica para a filosofia. Senta ao lado. Dialoga. As respostas vão surgindo, na medida que a investigação avança. Ademais, perguntar não ofende.

        A boa nova é que o canal é sobre educação e cultura (segue lendo, pois tem mais novidade). Estamos de férias no curso de “Economia Cultural” e a organização do material segue sendo a prioridade. Essa noite  perdi o sono. Acordei e lembrei de um sonho. Foi incrível (Berlim). Experiência onírica pessoal que não posso compartilhar. Vamos voltar para o livro e a literatura.

        Se é que, efetivamente, estamos diante de uma sociologia (compreenssiva), ela verte muito mais de uma pena feminina do que  masculina. Quem escreveu o livro: Economia e Sociedade? Quem viveu no período pós 1920 para contar a história de Max Weber (filho)? Marianne Weber foi precursora em um movimento de defesa dos direitos das mulheres ainda pouco investigado no Brasil.  Roberto da Matta fez a sua parte e podemos fazer mais?

    Vejam como a própria Mariane fala de uma “nova ordem mundial”:

        “Agora, as primeiras alunas começavam a entrar nos salões de aula da Universidade, embora ainda em números pequenos. Interessavam-se não apenas pelo seu destino como mulheres, mas também pelo seu destino humano em geral. Cada uma tinha consciência de que era pioneira de uma nova ordem mundial e sentia que precisava ajudar a superar a resistência. O novo tipo sujeitava-se ao escárnio e determinada oposição moral e só aos poucos conquistou tolerância e reconhecimento”. 

Página 276

Weber uma biografia

Marianne Weber. 


        Vejam

        É a própria humanidade que no final de século XIX ganha novas feições de direitos humanos, mas até hoje seguimos a referir o pai A, o pai B e o pai C da sociologia moderna. E a mãe? Existiu? Forjou e construiu? (ou vai seguir sendo apenas como uma coadjuvante? Enquanto, na verdade, é a protagonista de uma bela história de resistência humana e humanista na busca de espaço social, conquista de direitos civis e pertencimento nacional a um Estado Nação em processo de consolidação constitucional. 

        Até então, as salas de aula da universidade e as carreiras universitárias eram locais de uso contínuo e restrito ao gênero masculino. Houve resistência e Weber estava lá, par e passo, ombro a ombro com Marianne e suas colegas: lecionando, pesquisando e escrevendo a história da humanidade. Vou repetir o trecho onde leio a referência a uma nova ordem mundial, pois isso é muito forte:

        “Cada uma tinha consciência de que era pioneira de uma nova ordem mundial e sentia que precisava ajudar a superar a resistência. O novo tipo sujeitava-se ao escárnio e determinada oposição moral e só aos poucos conquistou tolerância e reconhecimento”.

        Gente. Vejam. 

        Weber era apaixonado pelos textos de Goethe. Weber lia a bíblia sagrada com a sua mãe que fazia votos para que ele se dedicasse para a teologia e o trabalho social junto a comunidade evangélica. Weber leu Maurice Maeterlinck e o seu “tratado de Moral”. Era um homem muito inteligente e dedicado para o trabalho e para a comunidade científica. Estudava direito comercial, a política agrária e a religião do ocidente e do oriente. Trata-se de um constitucionalista e humanista. Alguns o querem apenas nacionalista e entreguista, em função da sua participação no tratado de Versailles.  Enfim, os dois viveram um conjunto de decisões pessoais que viria a mudar o curso de um "Rio" - Neckar. Segunda a nossa leitura o percurso Berlim - Freiburg - Heidelber foi o motor para o declínio da saúde (Ver capítulo 8 - Esgotamento Nervoso - Weber uma biografia de Marianne Weber).


Veja o que encontramos na referida obra:


"De acordo com os desejos de Weber, sua mulher agora levava uma vida intelectual completa sozinha. Participava das aulas do marido sobre ECONOMIA política, assim como sobre filosofia e absorveu-se num trabalho de pesquisa para o seminário de Paul Hensel. Além disso, assumiu a liderança de uma sociedade recém fundada para a propagação dos ideais feministas modernos. Weber maravilhava-se com a sede de ação da mulher e logo se tornou mais feminista do que ela. Acompanhava a entusiasmados os prós e contras da opinião pública ajudava-a sempre que podia, e ficava por dentro por perto com a espada desembainhada, quando se tratava de rechaçar atos hostis da velha guarda, Após um dos primeiros debates públicos sobre direitos femininos, com uma luz principal da Universidade - um evento emocionante para nova sociedade Mariane, fez o seguinte relato: 



Todo o clima foi dominado por um discurso de Max Weber que durou 15 minutos. Ele procedeu com muita diplomacia e estruturou seus argumentos como se quisesse apenas dar uma interpretação mais detalhada nas opiniões do seu Herr Kollege - colega -, que não havíamos entendido corretamente. Ao fazer isso, claro, deu seu ponto de vista. Esboçou brevemente toda a questão dos direitos femininos e expressou os pensamentos mais íntimos de mulheres que, por enquanto, elas só podem gaguejar indistintamente. Também passou algumas fortes brocas nas mulheres antiquadas que, segundo ele, com sua intolerância em relação ao novo tipo, era adversárias muito mais veementes de todo o movimento que os homens. Comparou-as as galinhas, que dão sem misericórdia, bicadas numa galinha estranha que se extraviou dentro do seu galinheiro. Em suma, foi maravilhoso. Acho que as mulheres gostariam de formar uma profissão de graças para ele”.

Transcrição Literal.

 Página 276

Weber uma biografia

Marianne Weber. 

A conclusão, de forma sintética, é a que segue:



01



A obra do Weber (filho) foi objeto de "violência acadêmica" (muito especialmente no Brasil).

Diz Marianne:

“No apogeu da vida, Weber viu-se expulso do seu campo. (...)

Diz o próprio Weber:

“Simplesmente não encaro minha demissão como coisa trágica, porque me convenci das necessidades disso há anos, e só me sentia oprimido pelo fato de nenhum médico ser franco o bastante para também convencer Marianne. Minha força de trabalho ainda não retornou , mas fora isso estou razoavelmente bem”

página 317 



02



Weber era um jurista que lecionou economia e demonstrava grande apreço pela história; Homem culto, dinâmico e muito especial na vida e na obra que construiu. 

Weber, teria dito, certa feita: 

“Um dia encontrarei um buraco pelo qual sairei mais uma vez zunindo para cima”. 

Ver mais na página 317



03



Marianne Weber é  mãe da sociologia?

Sim ou não?

Por que continuar a referir apenas os três pais da sociologia?

Ver página 667 onde Weber cita Maeterlinck.

Foi uma grata satisfação encontrar M. Maeterlinck dentro do weberianismo. Só tenho a agradecer a maestra X que me oportunizou essa jornada. Na sequência:

 685 muito importante

693 parece conter determinado enigma?

694 eu li e não entendi

695 necessário re ler.

A frase do livro está na página 480.

529 livro e literatura

256

269

Estou aceitando doações para pagar as prestações do livro que ainda vão vencer nos próximos meses. Muito obrigado pela atenção. Eu vou torcer pelo Japão.

Estamos avançando no estudo da matéria. Você está curtindo? (Sim ou não?)


Weber (KD a sociologia)


MAX Weber (filho)

Verbete da enciclopédia eletrônica

(Extrato extemporâneo):

 

        A obra de Weber também foi fortemente influenciada por sua experiência pessoal e por sua família. A influência do seu ambiente familiar — ligado ao comércio internacional e à burguesia industrial — é evidente em seu interesse pelas questões econômicas e em sua análise do capitalismo. Weber cresceu em um ambiente cosmopolita, familiarizado com a dinâmica do comércio e das finanças internacionais, o que o preparou para suas análises profundas sobre o capitalismo e a economia mundial (Roth, 2002).


        Weber também foi marcado por suas vivências acadêmicas e militares. Estudou direito em Heidelberg, onde também foi influenciado pela prática dos duelos, comum entre os estudantes da época. Após um período de serviço militar em Estrasburgo, Weber voltou-se para a academia, desenvolvendo um interesse particular pela história econômica e jurídica. Sua tese de doutorado, defendida em 1889, abordou a história das companhias de comércio na Idade Média, revelando já nessa época seu interesse por como as instituições econômicas e legais moldam a sociedade (Gerth; Wright-Mills, 2010).


Breve Comentário:

01

A obra do Weber (filho) foi objeto de "violência acadêmica" (muito especialmente no Brasil);

02

Weber era um jurista que lecionou economia e demonstrava grande apreço pela história; Homem culto, dinâmico e muito especial na vida e na obra que construiu. 

03

Marianne Weber é  mãe da sociologia?

Por que continuar a referir apenas os três pais da sociologia?

Estamos avançando no estudo da matéria. Você está curtindo? (Sim ou não?)



Destarte

 Destarte

(Ou dessarte?)


D

e

s

a


A

r

t

e.  



Carne,

osso

Humano.

Deveras Humano.

Des osso.

Alteras.

Cria,

compõe,

realidades.

Auto,

alter,

auteridades.

Auto,

autoridades?

Quem és tu?

falso poeta?

Voa,

Vale,

Tapete

voador.

Vela,

vento,

Carnes, vontades, humanidades.




Link complementar:


https://jacquesja.blogspot.com/2013/12/friedrich-nietzsche.html


Veg

 .

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...

Veg


L
E
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A
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Aquele

que

fez

a

Vale 

V O A R.

Não 

V O A

mais:

Vegeta.


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A

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U

R

A



Marianne Weber

Você conhece a enciclopédia Max Weber? 

Veja um extrato do verbete


Lucie Dorette Marianne Schnitger Weber (1870–1954)



Marianne Weber foi uma intelectual proeminente no pensamento sociológico e nos estudos feministas na Alemanha na primeira metade do século XX, com contribuições no campo da história, da filosofia política e no campo ativista. Seus trabalhos apresentam a complexidade das relações de gênero nas sociedades modernas, com ênfase na questão da desigualdade. Neste sentido, a construção social dos papeis masculino e feminino e as estruturas que a possibilitam são seus objetos principais, destacando-se a condição da mulher (social e jurídica) no contexto da união matrimonial. Para além dos estudos sobre o casamento como instituição social, o trabalho de Marianne revelou as barreiras enfrentadas pelas mulheres em ambientes acadêmicos e profissionais, ao mesmo tempo que explorava o impacto das desigualdades sociais nas relações privadas e públicas. Como socióloga, Marianne também contribuiu para os estudos teóricos da sociologia clássica, além de ter sido a curadora do espólio intelectual de seu esposo, Max Weber, garantindo que a relevância das ideias do autor permanecesse por meio da propagação de seu legado à posteridade.


Fonte


https://www.enciclopediamaxweber.org/%C3%ADndice-geral/weber-marianne

Acessada em 26/09/2026

Richthofen

 .

..

...

Else Von Richthofen

08/10/1874

França

22/12/1973

Alemanha

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Rosaebranco




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n

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Carnes.

Vontades.

Humanidades.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Balanço dos últimos doze meses






 .

..

...

Campeões de Bilheteria.

Publicação mais visitada nos últimos doze meses.

Simples transcrição:


https://jacquesja.blogspot.com/2025/03/livro-inteligencia-das-flores-autor.html


Caloi Berlineta

 


Coroa Brastel

 Morre ex-empresário Assis Paim Cunha, pivô do escândalo Coroa-Brastel

Ele teve um ataque cardíaco em casa, em Miguel Pereira.

Corpo está sendo velado em Vassouras, onde também será enterrado.



O escândalo

(extrato da notícia)


O caso Coroa-Brastel foi aberto pela Justiça em 1985, quando uma denúncia chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o empresário e contra dois ministros, Delfim Neto (Planejamento) e Ernane Galvêas (Fazenda).


Os ex-ministros eram acusados de desviar irregularmente recursos públicos na liberação de empréstimo da Caixa Econômica Federal ao empresário em 1981.


O empréstimo de, na moeda da época, cruzeiros - Cr$ 2,5 bilhões -, seria utilizado no reforço de capital de giro do grupo e no plano de expansão da Brastel. Segundo a denúncia, o dinheiro teria servido para quitar dívidas junto ao Banco do Brasil e ao Banespa.


O caso foi a julgamento em 94. A denúncia contra Galvêas foi rejeitada. Já a acusação contra Delfim, então deputado pelo PPR-SP, não chegou a ser examinada. A Câmara negou licença ao STF para processá-lo.



Fonte:

https://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL832463-5606,00.html

Monark Monareta

 



Alvorada Voraz

 










https://jacquesja.blogspot.com/2015/10/a.html


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Reitoria

 




"A história anda muito devagar".

(...)

"A cidade copula, copula e faz artista".


Nelson Coelho de Castro

Ver minutagem 01:54 em diante.


Ver links


https://www.youtube.com/watch?v=_2Iff9RJk7E&t=311s


ou


https://jacquesja.blogspot.com/2016/11/faces-tve-nelson-coelho-de-castro.html




Lodo

 .

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......

L

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Ilha x arquipélago










A Ilha X Arquipélago



                                                                      “A ciência vive

                                                                      na vida

                                                                      do cientista vivo

                                                                     que pulsa letras 

                                                                    jurídicas

                                                                    e não jurídicas”. 

                                                                    (Jacomini, 2024)



01

        A condição socioeconômica dos moradores do arquipélago (Guaybe) mobiliza você (Sim? ou Não?).

    02

        A academia e a sua produção de conhecimento científico está contribuindo com o amparo, proteção e atenção dos que mais precisam de auxílio (cidadãos expostos, moradores dos rincões mais distantes, etc)?

    03

        Os mais aquinhoados, protegidos e afortunados podem contribuir com aqueles que mais necessitam? De que maneira (com o emprego de pecúnia? ou sem pecúnia?) O que os acadêmicos (a academia, os intelectuais, os cientistas) tem a ver com essa tragédia brasileira denominada de “Desigualdade Social”?

        Samba esquema novo (Jorge Ben Jor)

        Vamos cantar?!?!


Chove chuva

chove sem parar.

Chove chuva

Chove sem parar (...)


    A memória inicial, desde “A Casa de Cinema de Porto Alegre” remete ao “produto cultural” conhecido como o documentário “A Ilha das Flores” (Jorge Furtado, 1989). E o “produto intelectual” dos acadêmicos (máquina pública federal) estão a produzir (exatamente) o que?

    Gente.

    Vejam.

    Com a devida vênia.

    O inverno iniciou (em breve vai soar a sétima Lua).

    Você está com os pés aquecidos, a lareira ligada e a despensa repleta de provimentos. Dito de outra forma, se a guerra continuar, não muda muito o cenário para os abastados. E a plebe? E o descamisado? E o Cadúnico? Como estão os que não tiveram a oportunidade de avançar e foram retidos na seleção estatal - “funil furado oficial”?

    A Ilha da Magia produz pérolas (com ou sem a luz do luar). A maior contribuição do momento para pensar a academia e os seus paradoxos surge na pena de um ilhéu. A “Revolução Brasileira” já ocorreu ou vai ocorrer? Como e quando, eu não sei. Vou permanecer na estrita seara do meu próprio curto conhecimento.

    A palestra que eu ouvi (assisti e curti) fala de uma necessária discussão e de um debate urgente a se realizar sobre o ensino superior que nós queremos construir para o próximo período republicano brasileiro. A atual universidade pública é potente o suficiente, a fim de responder às novas questões e os novos desafios da nossa sociedade? O ensino superior está a contribuir com a nação brasileira e as suas demandas fundamentais? A produção científica oriunda do financiamento público apresenta um saldo positivo no contexto das necessidades estratégicas de um país continental, diverso e rico como é o Brasil?

    A palestra do professor Nildo (Federal de Santa Catarina) foi excelente. Claro que o seu viés doutrinário atrapalha um pouco, embaça o entendimento de algumas questões e não é nota dez devido a exclusão do pensamento weberiano que é fundamental para pensar o Brasil, o Estado de Direito brasileiro e a burocracia estatal tutelada pelo Ministério da Educação, etc. Mas a questão que ficou para este modesto pensador que vos tecla é a seguinte: E o RS? Saímos da ilha e acaba o debate? O que os intelectuais do extremo sul do Brasil estão a pensar e a debater nesta virada de chave (eleição geral)? Vamos lotar o ILEA? (O Tempo e o Vento, Érico Veríssimo)

    Eu vou ser bem sincero: na medida em que avançamos para o extremo sul, o frio aumenta, a presença da água líquida solidifica, a neve vira boneco (para quem consegue desfrutar dos benefícios da serra), os corpos afetados pelos músculos contraídos pelo frio, enfim o cenário não favorece a navegação. E o cérebro - as cabeças pensantes - também são afetadas pelas baixas temperaturas? E por falar em gelo, lembrei do Ramil e as suas “janelas de ar”. Se não me engano, foi no “A estética do frio” que ele fala em … Deixa pra lá. Veríssimo.

    A próxima obra a aportar aqui no "Porto Isabel" vai ser solo (de clarineta). Érico Lopes Veríssimo não frequentou os cursos de mestrado e doutorado na federal. Mas quem se importa com Érico? Quem está lendo atualmente o livro: “Gato Preto em campos de Neve? Quem canta com Ramil? (A Canção Joquim?). Guma ainda está no mesmo lugar? E quem se importa com as artes no Vale? Tudo bem! Vamos voltar para os cabedais (ritmo e tom doutoral).

    Gente!

    Presta atenção!

    A palestra do professor (doutor) Nildo é muito importante. Não é importante apenas para A ou para B. É de suma importância para o futuro da nação brasileira. Lembrei do professor (doutor) Gabriel Cohn (USP) dizendo: ah! O (Velho) Weber estava preocupado com o futuro da Alemanha, da unificação do Estado Alemão, de que tipo de cidadão iria contribuir com a hegemonia da cultura alemã no mundo. Tudo isso é verdade, mas ainda há muito silenciamento em relação ao Weber filho. Nada é dito sobre o Weber pai, por exemplo. Nada é dito sobre a Helene Weber (mãe), por exemplo (2). Poderia falar ainda no Otto Baumgartehn (primo) na Ida Baumgartehn (Tia), na orientanda predileta xxxxx (doutorado) e em muito mais do que chega para nós no Brasil sobre essa personalidade acadêmica magnífica, mas vou resumir tudo em uma frase (depois voltamos para a ilha):


“que homem é preciso ser

 para adquirir o direito

 de introduzir os dedos

 entre os raios da roda

 da história” 


(Weber, 1909)

Ciência e Política - duas vocações. Página 105 no nosso exemplar.


        Atenção: para saber mais sobre este ponto, ler a página 264 do livro "Weber - uma biografia" de Marianne Weber. O próprio Weber se declara um "nacionalista econômico" e descreve a política econômica como serva do Estado (nação).

    Aproveitando a sua atenção, nobre maestro (nobre maestra), antes do final do jogo (conclusão da obra). Gostaria de peticionar nos autos do processo, atuando na defesa do noviço (da noviça) das ciências sociais. Vejam. O acadêmico de ciências jurídicas possui uma oportunidade de entrar nas sociais: Sociologia Jurídica. O acadêmico das sociais não tem nenhuma oportunidade de entrar nas jurídicas. Diante do exposto, o reclamante postula pela inserção de uma nova disciplina no currículo de ciências sociais: Introdução ao Direito Constitucional.

    Prezados senhores, esta é a oportunidade do cientista social apanhar a Carta Magna na biblioteca. Colocar em cima da carteira escolar. Abrir o livro e ler o artigo quinto da constituição do Brasil. Conhecer a presunção de inocência, o direito à defesa, o devido processo legal, aprender que a capacidade postulatória do HC não é restrita aos operadores do direito. Enfim, saber que Ulisses Guimarães não morreu (...), pois a “Revolução brasileira” já aconteceu e foi escrita pelo constituinte originário, que Krenak estava lá, subiu na tribuna do Congresso Nacional, pintou o rosto e conseguiu fazer emplacar dois artigos de lei extremamente importantes (231 e 232). Enfim, não podemos negar esse direito aos futuros cientistas sociais brasileiros que nem sequer conseguem ler o artigo 57 da lei 6.001/73 e não sabem o que pensar sobre o “Estatuto do Índio” (ou distinguir direito indígena de direito indigenista). Temos que virar essa página. Por favor. Voltando para a ciência política: 2016 foi golpe ou não foi?

    A Plataforma Lumina (UFRGS) oferece oportunidade singular com a oferta do curso não presencial - O Golpe de 2016. Sinceramente, de próprio punho, posso declarar ser esta uma das oportunidades mais interessantes de construção de conhecimento nesta universidade. Vários pensadores, professores das mais diversas áreas do conhecimento científico, especialistas identificados com doutrinas concorrentes, discutindo e debatendo sobre um dos eventos sócio políticos de maior envergadura no cenário da história do Brasil. De fato, uma experiência especial para todos os partícipes.

    Neste mesmo tom (ou ritmo), seja presencial ou remotamente (on line), por que não auxiliar o professor Nildo e os seus companheiros albergados na Ilha da Magia, através de um grande debate sobre “A Universidade que queremos construir na fração que resta do novo milênio”. Unindo vermelhos e azuis, identitários e não identitários, marxistas e weberianistas, englobando o alto clero e  baixo clero, cristão reformado e não reformado, ateu e demais correntes da religiosidade, pensadores capitalizados e descapitalizados, servidores públicos estáveis e não estabilizados, enfim gregos e troianos. Ampla discussão sobre o futuro do ensino superior no Brasil: acesso de vagas, permanência do alunado, financiamento de pesquisa científica, ranqueamento de produção acadêmica, demandas nacionais afetas ao conhecimento acadêmico.

    A conclusão deste breve “relato de bordo” (nau) deve resgatar aquilo que escrevemos no início deste singelo construto. Transcrevo a sentença completa da frase que abriu o texto:


“A discussão em torno do marco temporal para a demarcação das terras indígenas que ainda está em curso nas três esferas de poder político anima o prosseguimento desta investigação científica. A nossa pesquisa não finda aqui, ou seja, continuaremos com “A Ética Protestante e o espírito do capitalismo” (Weber) em uma conexão com o “Biopoder” (Foucault – Os Anormais), pois sem o primeiro, este último não teria chegado ao “Ubu psiquiátrico-penal” onde fica claro que ambos estão trilhando no “Estudo histórico das tecnologias do poder” (FOUCAULT, 2002). Quiçá avançar (paulatinamente) um pouco mais e chamar Peter Sloterdijk para participar do nosso engenho com a sua antropotécnica e os estudos que chamou de “Parque Humano”? Questões abertas para oportunidades (potencialmente) futuras, pois a ciência vive na vida do cientista vivo que pulsa letras (jurídicas e não jurídicas). Sem mais”. 

(JACOMINI, 2024)


    A chuva continua e Porto Alegre não quer acordar, mas já é in(F)verno e você não pode permanecer (calado) encastelado. Reage, enfrenta, seja honesto e sincero. Leia novamente:



01

A condição socioeconômica dos moradores do arquipélago (Guaybe) mobiliza você (Sim? ou Não?).

02

A academia e a sua produção de conhecimento científico está contribuindo com o amparo, proteção e atenção dos que mais precisam de auxílio (cidadãos expostos, moradores dos rincões mais distantes)?

03

Os mais aquinhoados, protegidos e afortunados podem contribuir com aqueles que mais necessitam? De que maneira (com o emprego de pecúnia? ou sem pecúnia?) O que os acadêmicos (a academia, os intelectuais, os cientistas) tem a ver com essa verdadeira tragédia brasileira denominada de “Desigualdade Social”?



Samba esquema novo (Jorge Ben Jor)



Vamos cantar?!?!



Chove chuva

chove sem parar.

Chove chuva

Chove sem parar (...)



Muito obrigado pela atenção!


Abraço fraterno!





sábado, 20 de junho de 2026

Culturas indígenas (Porto Alegre)

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Este trabalho apresenta um estudo antropológico realizado junto  às Comunidades Indígenas do Rio Grande do Sul. Os dados etnográficos foram tomados a  partir da inserção do pesquisador no universo mítico/cosmológico da Cultura Mbyá  Guarani na Tekoá Kóénju (São Miguel das Missões/RS) e Tekoá Nhundy  (Estiva/Viamão/RS). Foram contemplados ainda os eventos “Semana Cultural” realizado  na Tekoá Pindó Mirim – Itapuã/Viamão/RS e Jeguatá – Caminhada Guarani realizada na  Tekoá Jatai ty/Viamão/RS. A partir da introdução de novos conceitos e experiências  inéditas como a criação de um blog para divulgar as questões relativas à temática,  demonstro que a Cultura Indígena (especialmente a Cultura Mbyá Guarani) representa as  pedras basilares fundamentais de formação daquilo que conhecemos hoje como a Cidade  de Porto Alegre (e região metropolitana de Porto Alegre). Destacando que antes da  chegada dos “Casais Açorianos”, já havia aqui um grupo de indivíduos que “plantou a  semente de Porto Alegre” (Jacomini, 2015). Portanto, antes da fundação do “Porto dos  Casais” (até então o lugar era denominado Porto do Dorneles), houve uma “fundação  primeira” (Jacomini, 2015). Utilizo as ferramentas da antropologia visual para apresentar  junto ao texto uma “alegoria visual indígena” que estuda, investiga e analisa os primórdios  da história de Porto Alegre naquilo que os estudos historiográficos oficiais ainda não  apresentaram. Ao final, o esforço científico empenhado, através de uma nova perspectiva  antropológica, conclui que houve um importante “momento etno-histórico” que é anterior a  fundação oficial de Porto Alegre. Cunhei a denominação “Indianidade Portoalegrense”  para referir todo o processo antropo-fundador da Capital dos Gaúchos que também  apresenta a figura mítica do índio que empresta até a atualidade sua denominação para a  localidade chamada de Parque Índio Jarí. 

Palavras-Chave: Cultura Mbyá Guarani, Etnografia Visual, Antropologia Social.


quinta-feira, 18 de junho de 2026

Thornton Wilder


 



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"A estrela da manhã sempre fica lindamente brilhante um instantinho antes de se sumir".

Wilder

"Nossa Cidade"

Citado por Érico Veríssimo. 

Gato Preto em campo de neve.

páginas 62 e 63

domingo, 14 de junho de 2026

perfume de gardênia


 




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perfume de gardênia

página 42

Gato Preto em campo de Neve

Érico Veríssimo

Max Weber e Comparato








Título:

 A Invenção da Economia Cultural em Max Weber e sua Convergência com a Crítica Humanista de Fábio Konder Comparato.

Autor:

Jacques Jacomini



RESUMO



O presente trabalho propõe uma revisão historiográfica e conceitual da produção teórica inicial de Max Weber (1864–1920), defendendo a hipótese de que o autor desenvolveu uma matriz teórica de "Economia Cultural" antes da formalização de sua Sociologia Compreensiva. Tomando como ponto de partida o período em que Weber ocupava a cátedra de Economia Política e a publicação de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904-1905), analisa-se como o laboratório existencial de sua infância — cindido entre o pragmatismo jurídico do pai e a teologia social e ascética de sua mãe — moldou sua recusa aos reducionismos do Methodenstreit. O estudo demonstra que a abordagem weberiana inseriu a cultura e a moral como variáveis causais determinantes na gestação das estruturas materiais do capitalismo ocidental. Em um segundo momento, o trabalho conecta o diagnóstico weberiano do aprisionamento da humanidade na "jaula de ferro" burocrática à filosofia jurídica de Fábio Konder Comparato em sua obra Ética: Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno. Conclui-se que a Economia Cultural fornece uma fundamentação epistemológica robusta para o Direito dos Direitos Humanos, ao desmistificar a pretensa neutralidade das leis de mercado e legitimar a reinserção de imperativos éticos e fraternos na governança da economia global contemporânea.

Palavras-chave: Max Weber; Fábio Konder Comparato; Economia Cultural; Jaula de Ferro; Direitos Humanos.



ABSTRACT

The Invention of Cultural Economics in Max Weber and its Convergence with the Humanist Critique of Fábio Konder Comparato

This paper proposes a historiographical and conceptual review of Max Weber's (1864–1920) early theoretical production, arguing that the author developed a theoretical framework of "Cultural Economics" prior to the formalization of his Comprehensive Sociology. Taking as a starting point the period when Weber held the chair of Political Economy and the publication of The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism (1904-1905), it analyzes how his childhood existential laboratory — split between his father's legal pragmatism and his mother's social and ascetic theology — shaped his rejection of the reductionisms of the Methodenstreit. The study demonstrates that the Weberian approach inserted culture and morality as causal variables that determined the generation of the material structures of Western capitalism. Subsequently, the paper connects the Weberian diagnosis of humanity's imprisonment within the bureaucratic "iron cage" to the legal philosophy of Fábio Konder Comparato in his book Ethics: Law, Morals, and Religion in the Modern World. It concludes that Cultural Economics provides a robust epistemological foundation for Human Rights Law by demystifying the alleged neutrality of market laws and legitimizing the reinsertion of ethical and fraternal imperatives into the governance of the contemporary global economy.

Keywords: Max Weber; Fábio Konder Comparato; Cultural Economics; Iron Cage; Human Rights.





INTRODUÇÃO



        A historiografia das ciências sociais frequentemente cristaliza Max Weber (1864–1920) como um dos pais fundadores da Sociologia moderna, empurrando sua produção teórica do início do século XX para o campo estrito da análise sociológica. Contudo, essa leitura tradicional obscurece a real identidade intelectual do autor durante o período de gestação de suas obras mais célebres. Quando publicou os ensaios que comporiam A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo entre 1904 e 1905, Weber não ocupava uma cátedra de Sociologia — ciência que ainda buscava autonomia institucional —, mas sim de Economia Política (Nationalökonomik).

        A presente tese de trabalho parte de uma hipótese disruptiva: 

antes de formalizar a sua Sociologia Compreensiva, Max Weber inventou a Economia Cultural. Longe de ser uma mera transição disciplinar, a abordagem weberiana representou uma ruptura epistemológica com os dogmas de sua época. A virada do século XIX para o XX foi marcada pelo Methodenstreit (a Batalha dos Métodos), um embate feroz que dividia a academia de língua alemã entre a abstração matemática e ahistórica da Escola Austríaca de Economia e o acúmulo puramente descritivo e empírico da Escola Histórica Alemã.

     Weber rejeitou ambos os reducionismos. Para ele, a atividade econômica não poderia ser explicada nem por leis naturais imutáveis, nem por forças materiais isoladas. O autor compreendeu que a ação econômica é, fundamentalmente, uma ação social dotada de sentido, moldada por valores, crenças e visões de mundo (Weltanschauungen).

        Essa inflexão metodológica encontra suas raízes mais profundas não apenas no debate acadêmico, mas no laboratório biográfico e existencial do próprio autor. Criado sob a tensão constante entre o pragmatismo jurídico e burguês de seu pai e o ascetismo puritano e intensamente voltado ao trabalho teológico-social de sua mãe, Helene Fallenstein, Weber internalizou o conflito entre o capital e a moral.

         Foi essa sensibilidade biográfica que permitiu ao economista de Freiburg e Heidelberg perceber o que a ciência econômica tradicional negligenciava: a religião e a cultura operam como variáveis causais de primeira ordem na reconfiguração dos mercados.

        Ao propor o conceito de Sozialökonomik (Economia Social) em seu célebre ensaio metodológico de 1904, Weber lançou as bases de uma genuína ciência da cultura aplicada à economia. Ao investigar como o ethos calvinista moldou a conduta de vida necessária para o florescimento do capitalismo moderno, ele demonstrou que o "espírito" precede e condiciona a engrenagem material.

Portanto, este trabalho propõe uma revisão profunda da neutralidade axiológica weberiana à luz de sua trajetória pessoal e intelectual. O objetivo central é demonstrar como a invenção da Economia Cultural em Weber não foi um mero prelúdio para a sociologia, mas sim um modelo teórico robusto e autônomo, capaz de reconectar a economia, o direito e a moral — diálogo que, décadas mais tarde, seria crucial para pensadores humanistas como Fábio Konder Comparato na crítica às crises da modernidade.



CAPÍTULO 1:

 O LABORATÓRIO BIOGRÁFICO –

 A TENSÃO ENTRE O DIREITO BURGUÊS E O ASCETISMO PROTESTANTE

A gênese de uma teoria científica raramente se desvincula das forças existenciais que atravessam a vida de seu criador. No caso de Max Weber, a transição da Economia Política clássica para o que propomos chamar de Economia Cultural não foi um estalo puramente abstrato, mas o subproduto intelectual de uma profunda e dolorosa fratura doméstica. A casa da família Weber, em Berlim, funcionou como o microcosmo de duas visões de mundo conflitantes que disputavam a alma da modernidade ocidental: de um lado, o pragmatismo formal e burocrático do Direito; de outro, a ética intransigente e compassiva da teologia prática protestante.

1.1 Max Weber Senior: O Direito como Aparelho e a Lógica do Capital.

Para compreender a sensibilidade de Weber em relação às estruturas jurídicas e econômicas, é indispensável analisar a figura de seu pai, Max Weber Senior. Jurista de formação, funcionário público de alto escalão e proeminente deputado do Partido Nacional Liberal no Império Alemão, o patriarca personificava o ethos da burguesia guilhermina em plena ascensão.

Na perspectiva do pai, o Direito e a Política eram ferramentas de ordenação prática, desprovidas de idealismos metafísicos. Tratava-se de um positivismo realista e acomodado, onde o Estado e o livre mercado operavam como engrenagens de consolidação do poder e do conforto material.

 A esfera pública, para o velho Weber, era o espaço dos acordos, da estabilidade institucional e da submissão às regras do jogo capitalista.Esse ambiente doméstico imergiu o jovem Max Weber, desde muito cedo, nas discussões sobre a dogmática jurídica e a economia do Estado. Contudo, essa visão puramente técnica e instrumental do Direito e da Economia — que mais tarde Weber diagnosticaria como a face fria da racionalização ocidental — causava-lhe um profundo mal-estar existencial, pois carecia de uma fundação moral legítima.

1.2 Helene Fallenstein:

 A Teologia Prática e o Imperativo do Socorro Social

No polo oposto dessa disputa doméstica encontrava-se a mãe do autor, Helene Fallenstein. Mulher de refinada cultura e intensa devoção religiosa, Helene era uma calvinista convicta, cuja fé não se restringia ao espaço privado do templo, mas se traduzia em uma ativa e incansável teologia social prática.

Inspirada pelos movimentos de reforma interna do protestantismo alemão, Helene dedicou grande parte de sua vida ao trabalho social comunitário, prestando socorro direto aos pobres e marginalizados pela rápida industrialização de Berlim. Para ela, a existência humana era um chamado (Beruf) ao dever moral intransigente e à autonegação (ascese).

 A riqueza material não era um fim em si mesma, nem um troféu burguês, mas uma imensa responsabilidade perante Deus, cujo excesso devia ser severamente combatido em prol do bem comum.Helene tentou, de forma persistente, conduzir o filho mais velho pelo caminho dessa sensibilidade espiritual e comunitária. Embora o jovem Weber tenha rejeitado o dogmatismo teológico em termos confessionais literais, ele internalizou profundamente a estrutura psicológica desse protestantismo materno. O imperativo de que a vida humana deve ser guiada por valores últimos e que o trabalho exige uma disciplina quase religiosa tornou-se a espinha dorsal de sua conduta pessoal e, posteriormente, de sua matriz teórica.

1.3 A Síntese Metodológica:

 A Economia Cultural como Resolução de um Conflito Existencial

O conflito entre o pai jurista-burguês e a mãe protestante-social eclodiu de forma dramática na biografia de Weber. A famosa ruptura de 1897 — quando Weber enfrentou violentamente o pai para defender a dignidade e a autonomia da mãe, seguida pela morte repentina do patriarca semanas depois — mergulhou o autor em um colapso nervoso que o afastou das salas de aula por anos.

 Esse colapso, longe de ser um mero dado biográfico (ou anedótico), sinaliza o ponto de saturação em que as duas forças internas já não podiam coexistir sem uma reorganização estrutural.Quando Weber retorna à produção intelectual na virada do século, ele resolve essa equação existencial transformando-a em método científico.

 A formulação de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904-1905) nada mais é do que o encontro científico entre a economia de seu pai e a cultura de sua mãe. Ao cunhar o conceito de "Espírito do Capitalismo", Weber demonstra que a engrenagem material da economia e o arcabouço formal do Direito (o universo paterno) foram historicamente gerados e sustentados por uma força invisível: a conduta de vida orientada por valores morais e religiosos (o universo materno).

 O autor conclui que a economia política clássica falhava justamente por ignorar o fator cultural que alimenta a máquina. Portanto, a “Economia Cultural” weberiana nasce nessa encruzilhada biográfica. Ela surge como uma ciência compreensiva capaz de provar que a acumulação de riqueza e as leis do mercado não operam no vácuo; elas dependem estruturalmente dos sentidos subjetivos, das dores existenciais e da teologia social prática que sua mãe, Helene, tão bem testemunhou.



CAPÍTULO 2:

 O ENCONTRO DOS DIAGNÓSTICOS – 

A "JAULA DE FERRO" PATERNA E A CRÍTICA HUMANISTA DE COMPARATO

A "Economia Cultural" de Max Weber não se encerra no diagnóstico histórico de como o espírito religioso gerou o capitalismo moderno. Sua conclusão mais sombria reside no desenlace desse processo: o "desencantamento do mundo" (Entzauberung der Welt) e o aprisionamento da humanidade naquilo que o autor chamou de jaula de ferro (Stahlhartes Gehäuse).

 É precisamente nesse ponto de saturação da modernidade que a sociologia compreensiva de Weber encontra a filosofia jurídica de Fábio Konder Comparato em Ética: Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno.

2.1 A "Jaula de Ferro" como a Vitória Póstuma do Pai de Weber

Para compreender a ponte entre os dois autores, deve-se resgatar o conflito doméstico weberiano analisado no capítulo anterior. Weber demonstrou que, uma vez consolidado o capitalismo industrial, a mola propulsora da fé protestante (a ética da mãe) foi descartada como um andaime desnecessário. O sistema econômico passou a se reproduzir de forma puramente mecânica, fria e racionalizada.

A "jaula de ferro" representa a vitória histórica da mentalidade de Max Weber Senior: um mundo governado por burocratas técnicos, juristas formais e agentes de mercado focados na eficiência e no acúmulo material, desprovidos de qualquer sentido ético transcendente ou preocupação com o socorro social.

 O Direito, nesse cenário, deixa de ser a busca pela justiça e transforma-se em um regulamento técnico de proteção ao capital e aos contratos burgueses. Weber encerra sua obra clássica com um aviso quase profético: o ápice desse processo produziria "especialistas sem espírito, hedonistas sem coração".

2.2 O Diagnóstico de Comparato:

 O Descolamento do Direito e da Economia face à Ética

É exatamente dessa "jaula de ferro" legislada pelo positivismo jurídico e pelo mercado que Fábio Konder Comparato parte para construir sua crítica à modernidade. Em sua obra estrutural, Comparato realiza uma anatomia histórica idêntica à de Weber, porém sob o olhar de um jurista engajado na dignidade humana.

Comparato diagnostica que a grande tragédia do mundo moderno foi a fragmentação de sistemas de "dever-ser" que outrora caminhavam juntos: o Direito, a Moral e a Religião. Ao secularizar-se e se isolar em um tecnicismo cego (o chamado "capitalismo corporativo globalizado"), o sistema jurídico ocidental aliou-se ao poder econômico e militar, esquecendo-se do ser humano.

 O que Weber chamou de racionalização instrumental e burocrática, Comparato define como a submissão da ética global aos imperativos do lucro e do poder estatal.

2.3 A Convergência e a Divergência Metodológica entre Weber e Comparato

A conexão entre a tese da Economia Cultural em Weber e a Crítica Humanista em Comparato dá-se por afinidade diagnóstica, mas resolve-se em uma bifurcação terapêutica:O Ponto de Encontro (O Diagnóstico).

 Ambos os autores enxergam o capitalismo moderno como uma engrenagem desumanizadora que mercantilizou a vida. Ambos entendem que o Direito contemporâneo age como o vigia dessa jaula de ferro, blindando a propriedade privada e os fluxos financeiros internacionais em detrimento das necessidades humanas fundamentais.

O Ponto de Ruptura (A Solução):

 Enquanto Max Weber assume uma postura de realismo melancólico (por força de sua neutralidade axiológica metodológica), limitando-se a constatar o aprisionamento na jaula, Comparato assume uma postura ativa e normativa. Ele recusa o fatalismo weberiano.

2.4 A Solução de Comparato:

 Reintroduzir a Mãe de Weber no Direito Moderno

Em termos teóricos, a proposta de Comparato para superar a crise da modernidade consiste em uma tentativa de reabrir a jaula de ferro reintroduzindo o princípio esquecido de Helene Fallenstein (a mãe de Weber) no coração do ordenamento jurídico global.

Comparato argumenta que o Direito não pode sobreviver de forma puramente formal (como queria Weber Senior). Ele exige o retorno dos valores universais da Moral e o senso de compaixão e fraternidade originalmente propostos pelas grandes Religiões humanistas (a Doutrina Social da Igreja, o humanismo profético, o ascetismo solidário).

 Para Comparato, a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 é o primeiro grande esboço jurídico dessa fusão: um Direito que se curva à Moral universal para proteger o homem contra a voracidade do mercado.

Assim, enquanto a Economia Cultural de Weber explica como a ética virou mercadoria e jaula, o Direito Humanista de Comparato propõe o caminho inverso: como a ética universal deve reassumir o controle da economia para libertar o ser humano de sua própria prisão institucional.



CONCLUSÃO

A investigação desenvolvida nesta “tese” permitiu descortinar uma camada subestimada da história do pensamento social: a existência de uma autêntica “Economia Cultural” formulada por Max Weber na virada do século XX, muito antes de sua consolidação como pai fundador da Sociologia. 

Ao resgatar a identidade de Weber como economista político e ao iluminar o laboratório existencial de sua infância — cindido entre o formalismo jurídico do pai e a teologia prática da mãe —, compreende-se que sua obra máxima, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, não foi um mero estudo sociológico isolado, mas uma revolução metodológica que inseriu a cultura e a moral como variáveis explicativas determinantes das estruturas materiais.

A relevância contemporânea dessa Economia Cultural weberiana revela-se plenamente, quando conectada à filosofia jurídica de Fábio Konder Comparato. Weber demonstrou que o avanço desmedido da racionalização instrumental e do capitalismo de mercado gerou uma "jaula de ferro" — um cenário onde o Direito foi reduzido a uma técnica fria de proteção ao capital, esvaziado de sentido humanista.

 O mérito de Comparato foi o de recusar o fatalismo desse diagnóstico. Ao propor que o Direito, a Moral e a Religião devem voltar a convergir, Comparato desenhou a rota de fuga dessa prisão institucional através do fortalecimento do Direito dos Direitos Humanos.

É precisamente nesse ponto de encontro que a Economia Cultural oferece sua maior contribuição teórica à fundamentação dos Direitos Humanos. Ela destrói o mito liberal de que a economia e o mercado são esferas neutras e autorreguladas, regidas por leis naturais imutáveis. 

Ao provar que a própria engrenagem econômica do Ocidente foi gerada por escolhas morais e religiosas no passado, a Economia Cultural weberiana legitima a intervenção da ética no presente. Ela demonstra que se a economia é um produto da cultura e das decisões humanas, ela pode — e deve — ser reorientada por novos imperativos éticos.

Fundamentar os Direitos Humanos a partir da Economia Cultural significa compreender que a dignidade da pessoa humana não pode ser protegida apenas por belas declarações jurídicas formais, se a infraestrutura econômica continuar operando sob a lógica da exclusão e da mercantilização da vida. Os Direitos Humanos, sob esta ótica, deixam de ser uma abstração filosófica e passam a ser o instrumento jurídico concreto para submeter os fluxos econômicos mundiais aos valores universais da fraternidade e do socorro social, resgatando na esfera global o compromisso ético que a mãe de Weber praticava na esfera comunitária.

Em suma, a articulação entre Max Weber e Fábio Konder Comparato proposta por este trabalho demonstra que a superação das crises da modernidade exige uma ciência que compreenda o passado e um Direito que projete o futuro. A Economia Cultural de Weber fornece o diagnóstico preciso de como o espírito se perdeu na máquina; o Direito Humanista de Comparato oferece o remédio para que a dignidade humana volte a governar a técnica, transformando a jaula de ferro na casa universal de uma humanidade fraterna.



REFERÊNCIAS



COMPARATO, Fábio Konder. Ética: direito, moral e religião no mundo moderno. 3. ed. rev. pelo autor. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 718 p.



WEBER, Marianne. Max Weber: uma biografia. Tradução de Lúcia Mathilde Endlich Orth. Rio de Janeiro: Casa Jorge Editorial, 2003. 742 p.



WEBER, Max. A ética protestante e o "espírito" do capitalismo. Edição crítica e introdução de Antônio Flávio Pierucci. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. 335 p.