A Mãe da Sociologia existe???
Encontraram o “Feminino Universal”, mas não encontram a maternidade da sociologia? Por que isso ocorre? O que está acontecendo com a educação superior no Brasil? É necessário pagar para estudar na universidade pública e gratuíta?
Gente.
Veja, nós não temos todas as respostas, mas as questões abertas acompanham todo aquele que se dedica para a filosofia. Senta ao lado. Dialoga. As respostas vão surgindo, na medida que a investigação avança. Ademais, perguntar não ofende.
A boa nova é que o canal é sobre educação e cultura (segue lendo, pois tem mais novidade). Estamos de férias no curso de “Economia Cultural” e a organização do material segue sendo a prioridade. Essa noite perdi o sono. Acordei e lembrei de um sonho. Foi incrível (Berlim). Experiência onírica pessoal que não posso compartilhar. Vamos voltar para o livro e a literatura.
Se é que, efetivamente, estamos diante de uma sociologia (compreenssiva), ela verte muito mais de uma pena feminina do que masculina. Quem escreveu o livro: Economia e Sociedade? Quem viveu no período pós 1920 para contar a história de Max Weber (filho)? Marianne Weber foi precursora em um movimento de defesa dos direitos das mulheres ainda pouco investigado no Brasil. Roberto da Matta fez a sua parte e podemos fazer mais?
Vejam como a própria Mariane fala de uma “nova ordem mundial”:
“Agora, as primeiras alunas começavam a entrar nos salões de aula da Universidade, embora ainda em números pequenos. Interessavam-se não apenas pelo seu destino como mulheres, mas também pelo seu destino humano em geral. Cada uma tinha consciência de que era pioneira de uma nova ordem mundial e sentia que precisava ajudar a superar a resistência. O novo tipo sujeitava-se ao escárnio e determinada oposição moral e só aos poucos conquistou tolerância e reconhecimento”.
Página 276
Weber uma biografia
Marianne Weber.
Vejam
É a própria humanidade que no final de século XIX ganha novas feições de direitos humanos, mas até hoje seguimos a referir o pai A, o pai B e o pai C da sociologia moderna. E a mãe? Existiu? Forjou e construiu? (ou vai seguir sendo apenas como uma coadjuvante? Enquanto, na verdade, é a protagonista de uma bela história de resistência humana e humanista na busca de espaço social, conquista de direitos civis e pertencimento nacional a um Estado Nação em processo de consolidação constitucional.
Até então, as salas de aula da universidade e as carreiras universitárias eram locais de uso contínuo e restrito ao gênero masculino. Houve resistência e Weber estava lá, par e passo, ombro a ombro com Marianne e suas colegas: lecionando, pesquisando e escrevendo a história da humanidade. Vou repetir o trecho onde leio a referência a uma nova ordem mundial, pois isso é muito forte:
“Cada uma tinha consciência de que era pioneira de uma nova ordem mundial e sentia que precisava ajudar a superar a resistência. O novo tipo sujeitava-se ao escárnio e determinada oposição moral e só aos poucos conquistou tolerância e reconhecimento”.
Gente. Vejam.
Weber era apaixonado pelos textos de Goethe. Weber lia a bíblia sagrada com a sua mãe que fazia votos para que ele se dedicasse para a teologia e o trabalho social junto a comunidade evangélica. Weber leu Maurice Maeterlinck e o seu “tratado de Moral”. Era um homem muito inteligente e dedicado para o trabalho e para a comunidade científica. Estudava direito comercial, a política agrária e a religião do ocidente e do oriente. Trata-se de um constitucionalista e humanista. Alguns o querem apenas nacionalista e entreguista, em função da sua participação no tratado de Versailles. Enfim, os dois viveram um conjunto de decisões pessoais que viria a mudar o curso de um "Rio" - Neckar. Segunda a nossa leitura o percurso Berlim - Freiburg - Heidelber foi o motor para o declínio da saúde (Ver capítulo 8 - Esgotamento Nervoso - Weber uma biografia de Marianne Weber).
Veja o que encontramos na referida obra:
"De acordo com os desejos de Weber, sua mulher agora levava uma vida intelectual completa sozinha. Participava das aulas do marido sobre ECONOMIA política, assim como sobre filosofia e absorveu-se num trabalho de pesquisa para o seminário de Paul Hensel. Além disso, assumiu a liderança de uma sociedade recém fundada para a propagação dos ideais feministas modernos. Weber maravilhava-se com a sede de ação da mulher e logo se tornou mais feminista do que ela. Acompanhava a entusiasmados os prós e contras da opinião pública ajudava-a sempre que podia, e ficava por dentro por perto com a espada desembainhada, quando se tratava de rechaçar atos hostis da velha guarda, Após um dos primeiros debates públicos sobre direitos femininos, com uma luz principal da Universidade - um evento emocionante para nova sociedade Mariane, fez o seguinte relato:
Todo o clima foi dominado por um discurso de Max Weber que durou 15 minutos. Ele procedeu com muita diplomacia e estruturou seus argumentos como se quisesse apenas dar uma interpretação mais detalhada nas opiniões do seu Herr Kollege - colega -, que não havíamos entendido corretamente. Ao fazer isso, claro, deu seu ponto de vista. Esboçou brevemente toda a questão dos direitos femininos e expressou os pensamentos mais íntimos de mulheres que, por enquanto, elas só podem gaguejar indistintamente. Também passou algumas fortes brocas nas mulheres antiquadas que, segundo ele, com sua intolerância em relação ao novo tipo, era adversárias muito mais veementes de todo o movimento que os homens. Comparou-as as galinhas, que dão sem misericórdia, bicadas numa galinha estranha que se extraviou dentro do seu galinheiro. Em suma, foi maravilhoso. Acho que as mulheres gostariam de formar uma profissão de graças para ele”.
Transcrição Literal.
Página 276
Weber uma biografia
Marianne Weber.
A conclusão, de forma sintética, é a que segue:
01
A obra do Weber (filho) foi objeto de "violência acadêmica" (muito especialmente no Brasil).
Diz Marianne:
“No apogeu da vida, Weber viu-se expulso do seu campo. (...)
Diz o próprio Weber:
“Simplesmente não encaro minha demissão como coisa trágica, porque me convenci das necessidades disso há anos, e só me sentia oprimido pelo fato de nenhum médico ser franco o bastante para também convencer Marianne. Minha força de trabalho ainda não retornou , mas fora isso estou razoavelmente bem”
página 317
02
Weber era um jurista que lecionou economia e demonstrava grande apreço pela história; Homem culto, dinâmico e muito especial na vida e na obra que construiu.
Weber, teria dito, certa feita:
“Um dia encontrarei um buraco pelo qual sairei mais uma vez zunindo para cima”.
Ver mais na página 317
03
Marianne Weber é mãe da sociologia?
Sim ou não?
Por que continuar a referir apenas os três pais da sociologia?
Ver página 667 onde Weber cita Maeterlinck.
Foi uma grata satisfação encontrar M. Maeterlinck dentro do weberianismo. Só tenho a agradecer a maestra X que me oportunizou essa jornada. Na sequência:
685 muito importante
693 parece conter determinado enigma?
694 eu li e não entendi
695 necessário re ler.
A frase do livro está na página 480.
529 livro e literatura
256
269
Estou aceitando doações para pagar as prestações do livro que ainda vão vencer nos próximos meses. Muito obrigado pela atenção. Eu vou torcer pelo Japão.
Estamos avançando no estudo da matéria. Você está curtindo? (Sim ou não?)

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