quinta-feira, 21 de maio de 2026

Cesar Beras

 




Elementos iniciais para uma sociologia do rock: em busca de um conceito.


Google Livros

sociologia do rock

 


Link para você ler

A obra de Cesar Beras

Sociologia do Rock


https://books.google.com.br/books/about/Sociologia_do_rock.html?id=iS-VBwAAQBAJ&source=kp_book_description&redir_esc=y

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Alcides Martins Ribeiro Filho

 

Corpo localizado.


Desembargador federal desaparecido há um mês é encontrado morto no Rio de Janeiro.


Notícia veiculado no site Migalhas.

Cadeia do índio

 




Quatro indígenas são presos em operação contra homicídio, tortura e cárcere privado em reserva indígena no Norte do RS

Polícia Federal, a Brigada Militar e o Exército cumpriram 14 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão na Reserva do Votouro, em Benjamin Constant do Sul, no Norte do Rio Grande do Sul.


Reportagem veiculada em 02/08/2018.



        A Polícia Federal, a Brigada Militar e o Exército prenderam quatro indígenas, três por mandado de prisão preventiva e um em flagrante por posse de arma, na Reserva do Votouro, em Benjamin Constant do Sul, no Norte do Rio Grande do Sul, na quinta-feira (2). Foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão.


        As investigações iniciaram em março quando um conflito na reserva deixou um índio morto e outras oito pessoas feridas. Em maio, Natan Hochmann, de 21 anos, sobrinho do prefeito da cidade, Itacir Hochmann, foi morto quando passava de carro pela Reserva do Votouro. Segundo a polícia, o prefeito foi até o local depois do fato e foi mantido em cárcere privado e torturado por indígenas.


        Na aldeia, a polícia encontrou celas que foram usadas para fazer o prefeito de refém e possivelmente outras pessoas. Os casos estão sendo investigados.


        O Operação Terra Sem Lei investiga crimes de homicídio, tentativa de homicídio, incêndio criminoso, rixa qualificada, organização criminosa, cárcere privado e tortura. Participam da operação mais de 200 homens da Polícia Federal, da Brigada Militar e do Exército Brasileiro.




Fonte:

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2018/08/02/pf-brigada-militar-e-exercito-cumprem-mandados-de-prisao-em-reserva-indigena-no-norte-do-rs.ghtml


Acessado em vinte de maio de 2026.


terça-feira, 19 de maio de 2026

Estatuto do Índio (lei 6.001/73)

 



Estatuto do índio: tensões, permanências e temporalidades


Tópicos 


        A promulgação da Constituição Cidadã de 1988 inaugura um período de inovações legislativas importantes no país. Verificamos a edição, apresentação e criação de diplomas jurídicos mui significativos como, por exemplo, a criação do Código de defesa do consumidor, o código brasileiro de trânsito, e Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Estatuto da Igualdade Racial, entre outros. No entanto, a criação, discussão e tramitação do novo Estatuto do Índio (indígenas) não avançou no parlamento neste mesmo período.

     Diante do exposto, cabe questionar sobre as razões e contexto político desta tomada de decisão do legislador pátrio. Dito de outra forma: Existe uma cultura política que está relacionada ao evento supra citado? A pesquisa científica aqui exposta busca investigar a força (ou poder político) que atua para a permanência da Lei 6.001/73 como o atual e ainda (válido) Estatuto do Índio? 

        A pesquisa iniciou com a análise e estudo de um fato sócio-jurídico determinado veiculado na mídia, através de informação não especializada. Ou seja, o nosso primeiro contato com a matéria objeto deste estudo aconteceu com a leitura de matéria jornalística veiculada em meio digital (Portal G1).

        Recentemente foi publicada matéria jornalística com o título: “Quatro indígenas são presos em operação contra homicídio, tortura e cárcere privado em reserva indígena no norte do RS.” No mesmo veículo de comunicação estava estampado o subtítulo: “Polícia Federal, a Brigada Militar e o Exército cumpriram 14 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão na Reserva do Votouro, em Benjamin Constant do Sul, no Norte do Rio Grande do Sul”. 

Desde então, passamos a investigar o princípio geral da autonomia dos povos originários da nação brasileira, que versa desde 1998 com a promulgação da Carta Cidadã, bem como a legislação infraconstitucional editada em 1973 (Estatuto do Índio). Seguimos avaliando, sob o ponto de vista da hermenêutica jurídica os artigos 231 e 232 da constituição federal, mas o centro de análise é o estatuto do índio (Lei 6.001/1973). Muito especialmente o segmento específico da referida legislação: Título VI – Das Normas Penais/Capítulo I Dos Princípios onde versa: “Será tolerada a aplicação, pelos grupos tribais, de acordo com as instituições próprias, de sanções penais ou disciplinares contra os seus membros, desde que não revistam caráter cruel ou infamante, proibida em qualquer caso a pena de morte”. (Artigo 57)

Face ao exposto, cabe destacar, desde já, que o nosso objeto de estudo no presente momento é a cultura política que verte do Estatuto do Índio. Os dados empíricos surgem da leitura de reportagem jornalística, avaliação de dados estatísticos, informação de parlamentares, notícias de sites oficiais do governo, entre outros. A leitura, análise e interpretação dos dados são realizadas sob a perspectiva das ciências sociais, muito especialmente das ciências políticas. De ante mão, verificamos que o tema de pesquisa está diretamente relacionado e presente no universo do Direito Indígena brasileiro atual, bem como presente nos debates que envolvem o Estado Democrático de Direito e as comunidades tradicionais (povos originários das terras baixas da América do Sul). De ante não, é possível observar a existência de debates acalorados e envolventes que ocorrem quase que diuturnamente no parlamento, na academia e na sociedade em geral. Pois são muitos os entes humanos envolvidos (brancos e não brancos), bem como muitos os interesses sociais, políticos e econômicos relacionados (regularização fundiária, garimpos em terras indígenas, avanço na demarcação de reservas indígenas, educação indígena, preservação da floresta, sançoes penais impostas aos indígenas, entre outros aspectos). 

Na medida do possível, buscaremos ainda trabalhar com aspectos históricos que apontam para a existência de um panorama sócio-jurídico etno-centrado e euro-referenciado que permeia o debate e orienta as políticas públicas e/ou encaminhamentos/decisões legislativas a nível federal no Brasil. Ao que sugere uma prévia de aprofundamento da pesquisa: “Estudo Científico sobre a Cultura Política impressa no Estatuto do Índio: tensões, permanências e temporalidades na ciência política contemporânea brasileira”, verifica-se que o debate em tela poderá ser lido também nos termos da existência de dilemas e antecedentes sócio-políticos e antropo-jurídicos brasileiros, onde a norma jurídica vigente dialoga com um caso inédito de lacuna no monopólio do poder de punir estatal brasileiro e/ou “Direito Negativo”.

A principal questão que nos ocupa (Hipótese de trabalho) é a que segue: A Cultura Política de viés desenvolvimentista (saberes e fazeres da Sociedade Contemporânea Capitalista) exerce força para a permanência da Lei nº 6.001/73 (Estatuto do Índio)? Há ainda outra questão: Existe uma tensão antropo-jurídica entre o preservar e o desenvolver economicamente o país? Ainda podemos inquerir: Existe relação de causa e efeito entre a investigada tensão (citada acima) e a recepção parcial da referida lei pela Constituição Federal de 1988?


Ainda sobre as questões que buscamos investigar, ao referir a existência de uma “Cultura Política de viés desenvolvimentista”, é correto afirmar que o ideário da Doutrina Positivista difundida por Auguste Comte seria a base desta cultura? 

Buscamos auscultar o nosso dado empírico, a fim de entender essa referida força (Poder Político) que provoca a permanência da Lei nº 6.001/73 (Estatuto do Índio) no ordenamento jurídico brasileiro. Diria o positivista mor que a ordem consiste na conservação e manutenção de tudo o que é bom, belo e positivo. Enquanto que o progresso é a consequência do desenvolvimento e aperfeiçoamento da ordem. Portanto, cabe indagar, se este seria o contexto da referida tensão antropo-jurídica entre as ações necessárias de preservação combinadas com o pretendido desenvolvimento econômico do país, fato que provoca a recepção parcial da referida lei pela Constituição Federal de 1988?

A hipotese acessória ou secundária vai expressa sobre o tema do monopólio da violência estatal. Considerando que outrora realizamos um estudo jurídico (de viés antropo-jurídico) sobre o monopólio do poder de punir estatal e a disposição legal prevista no estatuto do índio onde o legislador reverbera a norma, segundo a qual “será tolerada a aplicação, pelos grupos tribais, de acordo com as instituições próprias, de sanções penais ou disciplinares contra os seus membros, desde que não revistam caráter cruel ou infamante, proibida em qualquer caso a pena de mote” (Art. 57 da Lei 6.001/1973); Considerando que a regra do direito positivo é o “monopólio da violência estatal” (WEBER, 1918), É possível (?) afirmar, através desta investigação científica, que o artigo 57 do Estatuto do Índio é materia legislativa classicamente abordada como “Direito Negativo”?

A hipótese terciária toca mais ao arcabouço teórico da nossa investigação científica, pois questiona sobre provavel e/ou possível contribuição de John Rawls (direta e/ou indireta), através da obra “Uma teoria da justiça” na matéria legislativa em tela (Estatuto do Índio). Portanto, a terceira hipótese, pode ser expressa com o enunciado: A chegada da teoria da Rawls na academia brasileira provoca reação no poder legislativo a ponto de influenciar a edição do Estatuto do Índio?

Focando a investigação no Poder Judiciário, podemos ainda inquerir (quarta hipótese de trabalho), sobre a decisão jurídica recentemente exposta do Supremo Tribunal Federal acerca da matéria legislativa conhecida popularmente com o binômio “Marco Temporal”. Neste sentido, elaboramos a seguinte questão: Existe alguma relação entre o processo sócio político iniciado com a edição da Lei 6.001/73 e a atual decisão do STF sobre o futuro das terras indígenas?

Pode-se questionar também sobre a decisão do legislador em não colocar em debate e votação o novo Estatuto dos povos originários e suas consequências sociais, políticas, econômicas e antropológicas. Dito de outra forma, a lei 6.001/73 ainda é válida? ou então a lei 6.001/73 é constitucional?


zeferino_brasil

 





Helena II

 



Vide

Página:

https://jacquesja.blogspot.com/2026/05/helena.html


23

 



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..

...

A cortina não fecha 

a cena perdura

eu

literatura.

a bailarina

erra o passo

o técnico

convoca

jogador falido

eu 

vencido?

Nao!

Enquanto houver

AR

digo

enquanto houver

DIGNIDADE

resisto

insisto

Livro_e_literatura.

Se as tuas pernas dependem da tua "bolsa",

sinto muito

por sentir tão pouco.

vamos cantar?

ou vai seguir?

Contando:

vinte e três, vente e dois, vinte e um, ...

Estúpido (a).

Mais um estampido,

mais um corpo ao solo

e a nação vibra:

Verde amarelo.

Pra quem não leu,

aquele que não viveu,

sinto muito,

curti a tua janela

de aço (alumínio) e vidro.

Sigo protegido:

livro e literatura.


janela_de_ar

 



.

..

...


- janela de ar -




segunda-feira, 18 de maio de 2026

USP

 



Professor Paschoal Ernesto Américo Senise

Pensando a Pós-Graduação

Criada no final do ano passado, a Cátedra Paschoal Senise tem como propósito refletir sobre a pós-graduação da Universidade e propor inovações na área. Para isso, a cada ano, a cadeira terá como titular uma personalidade do mundo acadêmico, externa à USP, que promoverá debates e conferências com professores, pesquisadores e alunos.


A cátedra homenageia o professor Paschoal Ernesto Américo Senise, considerado como um dos principais responsáveis pela regulamentação da pós-graduação na USP. Em 2019, a Universidade comemorou os 50 anos da implantação dessa modalidade de ensino.

Uma bailarina decadente

 .

..

...


Extrato do livro:


Gato Preto em campo de neve


Érico veríssimo


Passo a transcrever o texto que leio do original (páginas 18 e 19 no nosso exemplar)



Romance (subtítulo)


    Depois do jantar oferece-nos um show. Reunimo-nos de novo no salão nobre. A orquestra rompe numa pomposa marcha. John ny de Vant, um americano alto, com cara de gurisão, faz o mestre de cerimônias. Um casal de bailarinos apresenta uma cavalcade de dança, desde o minueto até a Conga e o swing. Uma senhora, com aspecto de prima dona aposentada, canta duas árias de ópera. E ao som de um fox saltitante surge no centro do círculo de luz azulada que se projeta no chão da sala uma silhueta que me é vagamente familiar. Operadores postados nas duas extremidades do salão, manejam holofotes, fazendo cruzar-se no ar feixes de luz colorida. Quando um jorro de luz clareia o rosto da artista,  reconheço num doce e choque a loura misteriosa que no fim de contas não é turista rica, nem escritora, nem missionária evangélica, mas simplesmente Miss Kay, dançarina acrobática.

    vestida de odalisca, mais loura que nunca, lá está ela a atirar as pernas para o ar, a virar cambalhotas, a contorcer o corpo como uma bruxa de pano. A orquestra estertora num final grandioso e a bailarina rodopia como uma piorra. Estronda o bombo acompanhado pelo tinir rachado e metálico dos pratos, Miss Kay tomba de pernas abertas e braços erguidos. Palmas.

    Johnnie de Vant conta anedotas e faz mágicas. E com uma nova exibição dos bailarinos termina o show. 

    Agora são os passageiros que dançam. Continuando o seu trabalho de good -willsta, a orquestra toca o samba “Diz que tem". O bar está fervilhante de gente. Garçons passam com bandejas com laranjada, garrafas de whisky e coca-cola. E ainda que pareça invenção de romancista, a bailarina acrobática toma cerveja com o capelão de bordo. A um canto do bar um brasileiro descabelado puxa frenético a alavanca da máquina caça-níqueis.

    Saio para o promenade-deck. A noite está pesada de estrelas. Debruçado a amurada Malazarte procura liricamente o Cruzeiro do Sul. As ondas batem no costado do barco. A orquestra agora toca o St. Louis Blues. Os pares passam. Começam os romances. Vislumbro  vultos pelos cantos sombrios. O vento do mar é morno e perfumado.

    Pensa vagamente numa novela cuja ação se passa num vapor. Neste, por exemplo. O drama dos refugiados. Um milionário metido em qualquer complicação financeira. Um agente da gestapo. Uma  bailarina decadente. Um criminoso a fugir da Justiça. Um espião japonês. Um scroc internacional … As histórias de sempre.

    E mais um brasileiro tolo como você acrescenta Malazarte ao meu ouvido. Tão tolo que não compreende que esta é uma viagem de recreio em que há lugar para tudo, menos para o trabalho.

    Baixo a cabeça vencido e fico a olhar para o oceano escuro e misterioso.



(...)

Texto em construção.

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..

...


Código Penal


 



Decreto Lei Número 2.848/1940

Artigo 217

Revogado

domingo, 17 de maio de 2026

Tenho Dito

 


“A teoria tridimensional do silêncio estuda a relação do ser humano com a sua essência mais íntima. A subjetividade humana não cabe em si e extrapola os limites da matéria densa, quando não plasmada em palavras, silencia. Mas mesmo em silêncio comunica, interage e produz “provas”. Relação, intenção, potência criativa muito conhecida na poesia” (JACOMINI, 2024).





A Teoria tridimensional do Silêncio



 (T. T. S.) 



Acompanhe a nova versão do texto:







    A intimidade subjetiva mais pura é profundamente silenciosa e desprovida de qualquer tipo de sonoridade, pois parte de instante uno, inédito e não cognitivo. Esse conjunto inicial de fatores se expande culturalmente e acaba por se desdobrar em sinais sonoros.



    Ah sociologia. Coitado do Weber. Atirou um “bote salva vidas” no rio, agonizante, quase sem ar, última janela de ar da sua vida e chamaram isso de sociologia. Maldade de algum burocrata carreirista (sentado), aguardando o próximo quinquênio. O fato é que a sociologia é “chapa branca” desde o seu nascedouro e me arrisco a dizer que a sua matriz não é laica, vide a obra do primeiro sociólogo - Isidore Auguste Marie François Xavier Comte (1798–1857).



    Voltando para a civilização que a Europa inventou, necessário lembrar que vivemos o império da letra e o letramento é uma necessidade social imposta pelo ordenamento jurídico. De um lado as sagradas escrituras e de outro a constituição (ordenamento jurídico). Detalhe a se requerer lembrança está posto nas inovações que Lutero impôs ao texto sagrado primeiro, iniciando o evento social conhecido como reforma protestante.



    O direito ao silêncio é matéria constitucional, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo (vide o código de processo penal). Devemos lembrar ainda que o jargão popular diz: quem cala, consente. Aqui é como se ocultar-se seja sinônimo de romper regra do sistema. No entanto, o silêncio na situação de depoimento do réu não pode ser interpretado como confissão. Mais do que isso, pois confissão não é prova, ou seja, a produção de prova (processo penal) não se encerra com a confissão do acusado.



    Na fase do inquérito policial, por exemplo. Mesmo que o investigado assuma a autoria do delito, durante o processo de investigação policial, a regra é seguir o curso da investigação. Pois uma confissão abrupta pode estar sendo objeto de uma estratégia de encobrimento do verdadeiro autor da atividade criminosa. Não é o caso de aprofundar este debate, apenas exposto aqui para dizer que a palavra (verbo) pode ser instrumento das mais diversas estratagemas humanas (para o bem ou para o mal, mais coluna do meio).



     E por falar em sistema de justiça criminal, todos os documentos devem ser produzidos na língua oficial: portugues (Brasil). Sempre que houver a necessidade de transladar para outros sistemas de língua (estrangeira), é necessário a inclusão de tradutor juramentado previamente inscrito no tribunal. Ou seja, verifica-se que o ordenamento jurídico possui norma para a palavra e para o silêncio, mas isso não é tudo. A lei controla tudo, portanto a liberdade de expressão não é um direito absoluto. Dentro do sistema, há regras para falar e para calar. 



Vejam:



    Esse trabalho é inédito. Pesquisa científica recente, autoral e autêntica da pena de jacquesja. A inteligência artificial não sabe o que é a “Teoria Tridimensional do Silêncio” (T. T. S.), portanto nós temos que abastecer o sistema informatizado com o conceito que segue:











“A teoria tridimensional do silêncio estuda a relação do ser humano com a sua essência mais íntima. A subjetividade humana não cabe em si e extrapola os limites da matéria densa, quando não plasmada em palavras, silencia. Mas mesmo em silêncio comunica, interage e produz “provas”. Relação, intenção, potência criativa muito conhecida na poesia” (JACOMINI, 2024).











Detalhamento:



    O conceito de poesia já está gravado no sistema literário. Falta gravar o conceito de “Não Poesia” e o conceito de “Poesia Residual”. Esse é o nosso engenho no presente momento: demonstrar que a poesia é chão e a poesia residual é fruto, enquanto a não poesia é aroma. O livro e a literatura passam a ser lidos como uma linda árvore que merece ser abraçada, amada e vivida em sua plenitude, pois possui vida própria.



    Não estamos a propor apenas mais um “enlevo de poeta". Eles são importantes, mas neste momento promovemos um estudo que tem a finalidade de auxiliar as pessoas que estão vivendo algo análogo ao crime de prisão ao letramento e não percebem que pode haver “uma luz no final do túnel”. O letramento não é tudo e a ditadura da palavra pode ser abolida (ou reformada), a depender das possibilidades de vivências existenciais que pretendem vencer o convencional.







Avançando um pouco:







    O certo é que a academia está intoxicada de economia política e estamos a escrever uma nova página: Economia Cultural (assim como nos ensinou Max Weber filho). O exercício do poder político deságua na pena de prisão, fulcro do sistema de justiça criminal. O exercício da potência criativa, através da literatura deságua na poesia que acrescida da poesia residual e da não poesia dá origem a um novo sistema que pode ser apreciado através da teoria tridimensional do silêncio (T. T. S.).



    Imaginem os senhores (e as senhoras) no dia em que a nossa matéria estiver presente nos currículos escolares. O estudante vai respirar mais aliviado, pois vai silenciar sem culpa. Vai conseguir entender que o inocente não precisa participar do processo inquisitorial presente na educação formal. Sabe aquela cena constrangedora e triste: O professor aponta o dedo para o aluno (geralmente o mais exposto, inadaptado, humilde e pessoa especial), fuzilando com uma pergunta que é instrumento de dominação (institucional legal).



    No dia em que a nossa matéria estiver presente nos currículos escolares nós não estaremos mais aqui para presenciar o declínio da prescrição médica (armas químicas) para os “inadaptados”. Sendo honesto e sincero, você deve admitir que este sistema que está a operar é voltado para uma necessidade de mercado. Digo, possui uma finalidade econômica que drena o sistema econômico vigente (capitalismo) com mão de obra barata. O licenciado e o bacharel, ao final do curso, coloca o diploma na parede e vai ser mais um trabalhador precarizado (ou uberizado). 



    O atual sistema de ensino formal, não permite o ato criativo como regra, pois é exercício de poder (institucional legal) o tempo todo. A autoridade transborda na pessoa coatora (ato coator - direito) e gera o autoritarismo que virou regra, assim como o Estado de Exceção virou regra (golpe de Estado que se sucede o tempo todo). Para tanto é mais fácil a declaração: não houve golpe!



    Contudo, existe disposição de vontade para criar uma nova página na educação brasileira. Essa inovação passa por aqui e o estudo que propomos vem no auxílio do “inocente” que ainda não possui consciência do seu potencial criativo. Ele quer ser pleno e não consegue devido à repressão (maquinaria de poder institucional legal oficial). Se sair da linha vem a “palmatória”, a reprovação e na sequência a sentença penal condenatória. Primeiro reprime, cerceia a liberdade de expressão e a sentença penal condenatória aguarda quem avança na insubmissão. A regra é ser submisso e a exceção à regra é ser criativo.  Nós queremos inverter este quadro, através da educação.



    A liberdade de expressão está sendo filtrada por novos dispositivos tecnológicos que monitoram o cidadão e as suas opiniões na rede social, por exemplo, quando da emissão de declarações potencialmente lesivas ao sistema. Estamos saindo da fase dos “corpos dóceis" (FOUCAULT, 1974) para a fase das “consciências dóceis” (JACOMINI, 2026). Não podemos expressar opiniões que questionem o sistema em áreas sensíveis. Há um crescente processo repressivo em curso, a fim de salvar “as jóias da Coroa”. A sucessão de novos “Tipos Penais” surge neste contexto de controle social. Tudo se renova, menos o Estatuto do Índio (Lei 6.001/73). Por quê?







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Europa







    O verão na América do Sul foi penoso. Sofri muito com este cenário de aquecimento atmosférico. Segui trabalhando, mas sofrendo muito, pois o orçamento doméstico também esfola a nossa sensibilidade. Enfim, apenas uma breve nota biográfica.



    A nossa vida transcorre aqui no extremo sul do Brasil. A nossa cultura é muito distinta das demais, inclusive da européia. Portanto, vejo que é impossível entrar na matéria e seguir desenvolvendo o estudo da "economia cultural", sem entrar em aspectos centrais da cultura em que Weber vivia na época em que escreveu a ética protestante e o espírito do capitalismo, por exemplo.



    A nossa meta é entrar na cena weberiana e o Rio Neckar parece ser uma oportunidade impar para realizar o intento. O que ocorria ali no século dezenove? Como Weber se movimentava neste cenário tão diferente deste em que nós estamos vivendo aqui na periferia de Porto Alegre?



    A nossa pesquisa retornou a informação de que o Rio Neckar, o seu leito, seu entorno e a sua cultura remete para uma imagem clássica e muito significativa para a história das Ciências Sociais. inferimos ainda que a relação de Max Weber com o Rio Neckar, em Heidelberg, não é apenas biográfica, pois ela é o cenário geográfico de um dos períodos mais produtivos e intelectuais da virada do século XX. Como assim?



    Heidelberg é uma cidade histórica e universitária localizada no sudoeste da Alemanha, no estado de Baden-Württemberg. Famosa por sua arquitetura e sociabilidade que sugerem uma atmosfera urbana diferenciada (menos financista e mais romântica que as demais), abriga a universidade mais antiga do país e o icônico Castelo de Heidelberg.



    Porto Alegre possui o Lago Guaíba e Heidelberg possui relação com o seu rio, Rio Neckar. A capital gaúcha já formou muitas personalidades intelectuais importantes e Heidelberg foi a época de Weber o epicentro do pensamento alemão. O Porto Alegrense possui a Usina do Gasometro e a expressão: Vamos passear no Gasometro perdeu lugar para os embalos da orla (do Guaíba). E a residência de Weber?



    A famosa Haus Weber, na Ziegelhäuser Landstraße ficava exatamente às margens do rio Neckar, com uma vista privilegiada para o Castelo de Heidelberg. Foi neste lugar que surgiu o tão citado e comentado "Circulo de Weber". Nas margens do Neckar, Weber recebia a elite intelectual da época. Esse grupo foi muito importante para a produção científica do próprio Weber, bem como dos seus pares. Extensos debates, ricas discussões e profícuas investigações de teses científicas, enfim toda essa dinâmica social e intelectual ficou conhecida como o "Círculo de Weber". Ali, a filosofia e a ciência se misturavam em conversas de domingo à tarde.



    A presença de nomes como Georg Simmel, György Lukács, Ernst Bloch, dentre outros é citada pelas fontes consultadas na nossa pesquisa. Mas isso não é tudo, pois estavam presentes também jovens estudantes que acompanhavam os seus mestres e que representavam o futuro das idéias, projetos e estudos da época. O rio servia de pano de fundo para o que Weber chamava de "atmosfera de responsabilidade intelectual".



    Hamburgo Velho é o centro histórico e um bairro da cidade brasileira de Novo Hamburgo. Em seu redor a cidade cresceu, e ainda conserva um significativo acervo arquitetônico relativo à imigração alemã. O Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista é importante para conhecermos a cultura da Inglaterra que aportou na capital gaúcha. Frequentando o lugar, cunhei o termo "Templo-Escola", a fim de referir um lugar singular na minha formação acadêmica. Trata-se apenas de paisagens e as impressões que carregamos delas? A economia cultural ensina que não. 



    Não são apenas paisagens, pois trata-se de vidas humanas produzindo cultura: valores, princípios, crenças e doutrinas acadêmicas. A cidade e a sua paisagem influenciava Weber, enquanto ele escrevia sobre a frieza da burocracia e a mecanização da vida (Jaula de ferro - carapaça de aço)? Acredito que sim e também acredito que a própria expressão "economia cultural" esteve presente a sua pena, mas ele não escreveu porque buscava referencia nos clássicos da economia que já investigavam a "economia política" (A riqueza das nações, Adam Smith, por exemplo).



    É possível falar de um determinado conflito aqui? Ou seja, a vista do Neckar representava a natureza e o "encantamento" que a modernidade capitalista (que ele estudava com tanto rigor científico) estava destruindo. Sim? ou Não? (Vamos deixar a questão em aberto e passar para o próximo ponto, philosophenweg).



    Você já ouviu falar no "Caminho dos Filósofos"? (Philosophenweg). Veja, do outro lado do rio, existia uma trilha famosa onde os intelectuais caminhavam para refletir. Weber usava esse contato com a paisagem para "processar" as tensões entre a sua paixão política e sua neutralidade científica. Enfim, estamos aqui especialmente para conectar o nosso estudo inicial (A Teoria tridimensional do silêncio) com o contexto em que Weber vivia. O Silêncio no Neckar pode nos proporcionar uma experiência que alia a teoria e a prática? Podemos aplicar a Teoria Tridimensional do Silêncio a esse momento da vida de Weber?



Vamos investigar:



01



Silêncio Fundante:



 Após seu colapso nervoso (1898), Weber passou anos em um silêncio produtivo, quase sem conseguir lecionar. Esse hiato de fala foi o "vazio" necessário para que ele gestasse suas maiores obras, como A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.



02



Silêncio Constitutivo:



 Ao escolher focar na "neutralidade axiológica" (não deixar seus valores pessoais interferirem na ciência), Weber silenciava suas próprias paixões políticas para que a objetividade científica pudesse falar mais alto.



03



Censura e opressão:



 As tensões da Alemanha pré-Guerra e as pressões acadêmicas muitas vezes impunham limites ao que podia ser dito no debate público, algo que ele combatia defendendo a liberdade acadêmica.



04



Síntese (O Significado Simbólico)



Inferimos que o nosso autor predileto era um homem especial. Neste sentido, observar o fluxo do rio ajudava Weber a pensar na fluidez da história. O estudo da história (das nações) foi motivação para o seu trabalho desde a juventude. Para ele, a sociedade não era uma estrutura fixa, mas um processo de ações humanas individuais que, juntas, formavam grandes correntes (como o capitalismo).



    Estar nas margens do Neckar permitia a Weber ser, ao mesmo tempo, o cientista rigoroso que analisava as engrenagens do Estado e o filósofo sensível que entendia o drama da existência humana em um mundo que perdia seu sagrado. Enfim, a vida de um intelectual que não se deixa abater pela especialização estreita é como o Neckar: tem um leito definido pela ciência, mas suas águas refletem a poesia e o mistério de tudo o que ainda não foi explicado. Tenho dito.


sexta-feira, 15 de maio de 2026

Vernáculo

 

Vernáculo


Ainda

ontem,

era verão.


Veremos,

próximo,

passado, (...)


verão,

vós 

v


passando

na estação

das letras.


Biguá trilha o ar.

bebe em silêncio.

blz do vale.


Sigo,(portanto)

portando,(pondo)

base física papel.


¬¹²³£¢¬{[]}\§



Cobre

 



- Cobre -



(...)

Peter Haberle

 



Verbete

Peter Haberle



Peter Häberle (Göppingen, 13 de maio de 1934 – 6 de outubro de 2025) foi um jurista alemão, especialista em direito constitucional.



Biografia

Häberle estudou direito em Tübingen, Bonn, Freiburg im Breisgau e Montpellier. Em 1961, recebeu o título de doutor em direito sob a orientação de Konrad Hesse, na faculdade de direito da Universidade de Freiburg, com a tese Die Wesensgehaltgarantie des Art. 19 Abs. 2 Grundgesetz (título em alemão).



Em 1970, Häberle obteve sua habilitação em Freiburg im Breisgau, com o trabalho Öffentliches Interesse als juristisches Problem (título em alemão), que pode ser traduzido como Interesse público como um problema jurídico. Foi professor substituto em Tübingen e professor de direito em Marburg. Posteriormente se transferiu para as universidades de Augsburg e Bayreuth. Também atuou como professor visitante na Universidade de St. Gallen (de 1982 a 1999).



As obras de Häberle receberam traduções em 18 línguas e seu 70º aniversário foi celebrado com a publicação de um Festschrift.





Peter Häberle dedicou-se a estudos sobre um direito constitucional comum latino-americano, com obra traduzida e publicada no México sob o título De la soberanía al derecho constitucional común: palabras clave para un diálogo europeo-latinoamericano (2003). No Brasil, o pensamento de Häberle encontrou eco na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e na legislação sobre o instituto do amicus curiae, enquanto na doutrina é adotada por muitos a formulação da "sociedade aberta de intérpretes da constituição", segundo a qual "o círculo de intérpretes da lei fundamental deve ser alargado para abarcar não apenas as autoridades públicas e as partes formais nos processos de controle de constitucionalidade, mas todos os cidadãos e grupos sociais que, de uma forma ou de outra, vivenciam a realidade constitucional".



A publicação em português de sua obra A sociedade aberta dos intérpretes da Constituição: contribuição para a interpretação pluralista e "procedimental" da Constituição, em 1997, é considerada de grande importância para o desenvolvimento do sistema brasileiro de controle de constitucionalidade.



quinta-feira, 14 de maio de 2026

M


Antônio Risério

 




Verbete

Antonio Risério


Nascimento 21 de novembro de 1953 (72 anos)

Salvador

Nacionalidade brasileiro

Alma mater Universidade Federal da Bahia

Ocupação antropólogo, poeta, ensaísta e historiador

Gênero literário Romance, conto, ensaio

Movimento literário Tropicalismo

Magnum opus A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros


Heidelberg

 




Verbete

Heidelberg


Heidelberg é uma cidade no sudoeste da Alemanha, localizada no estado de Baden-Württemberg, às margens do rio Neckar. Famosa por sua história longevula.

Alguns especialistas referem ainda uma certa atmosfera romântica no lugar. Fato que a distinguiria das demais na sua região (Europa).

Centro de educação e cultura, abriga a universidade mais antiga do país e um dos castelos medievais mais icônicos da Europa. 


quarta-feira, 13 de maio de 2026

Fátima

 



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Você já leu: 

?

- As Festas  Populares  Religiosas  de  Santa  Isabel  e  de  Nossa Senhora  da  Imaculada  Conceição: uma análise  comparativa  entre  os  dois  maiores  festejos  católicos  da  Cidade  de  Viamão  -   


Escrito Por

Jacques  Jacomini



Veja a estrutura da obra:


INDICE

Introdução 

1. Os traços identitários formadores das santidades em debate

1.1 Santa Isabel 

1.2 Nossa Senhora da Imaculada Conceição


2. Os festejos populares religiosos pesquisados

      2.1 A Festa de Santa Isabel 

      2.2 A Festa de Nossa Senhora da Imaculada Conceição 


3. Dados históricos sobre as comunidades estudadas 


4. Análise comparativa entre as duas festas populares religiosas pesquisadas


Conclusão 


Bibliografia 


Anexos 


A versão completa está disponível na página: 

Trabalhos acadêmicos (aqui no blog)




https://jacquesja.blogspot.com/p/trabalhos-acadmicos.html



Old School




 



Era uma vez uma Old School


    Ouvi uma estória da boca de determinado narrador.

Passo a transcrever, conforme o edito:

    Ah Bibliotecah

Havia um setor da biblioteca que era pouco acessado. Luz rara e frequentado esporadicamente pelos pares acadêmicos. Estava a me dedicar para o curso de letras jurídicas. Assoberbado de novidades normativas, me afastei um pouco da literatura. Certa feita, não resisti. Cheguei antes do horário regulamentar e decidi “arriscar tudo". Às favas com os códigos comentados, estou farto de artigo de lei com seus artigos, incisos, alíneas e que tais.

Caminhei devagar, como quem pisa em ovos, explorando o silêncio da biblioteca. Aquele setor era praticamente abandonado pelos frequentadores do lugar. Sentia um misto de saudade, medo e satisfação. Não sabia o que ia encontrar, mas existia uma força magnética naquele lugar especial. Deixei a minha companheira de leitura, sozinha, no salão principal, lendo os códigos (atualmente excelente advogada) e fui ao encontro do encanto vestido de arte literária.

Final de tarde, cheio de poente, burburinho na cidade, transito de veículos fluindo tensamente. A biblioteca seguia o seu ritmo, como se fosse um mundo a parte do turbilhão urbano. Prédio de destaque na sua arquitetura externa. No seu interior, faltava desumificador de ambiente. Abre-se a janela e segue o cheiro de mofo leve, poeira, temperado com certa bibliosmia. Enfim, local singular, lúgubre e encantador. Verdadeiro desafio, pois aquele movimento era análogo a uma transgressão disciplinar. Parecia que alguém dizia muito leve no meu ouvido: o que você está fazendo ai? Volta para as letras jurídicas (imediatamente). Fiz de conta que não estava ouvindo nada. Vá te reto, mandamento absurdo, castrador e limitado. Eu sou dono do meu destino e quero avançar (ser feliz).

Movimento lento e decidido. Cada passo era como se fosse uma vida. Nem tanto, apenas uma nova janela de ar (denso?). Mas era bom, desafiador e encantador, pois eu não sabia o que iria encontrar. Se estava sentado ou de pé. Se era fêmea ou macho (transgenero). Se vestia calça jeans e camiseta ou traje elegante (terno completo). Espécie de penumbra (estantes e livros). Traços pouco definidos em meio à bruma. Não fui até ao fundo, pois era ainda mais escuro, tons olfativos mais fortes e os traços nas cores ocres mais desenvolvidos.

A cena não anunciada era mágica: doce e meiga. Ele estava ali como se fosse dono do lugar: Sorriso largo e ar contemplativo que comunicava sem palavras. Cálida presença de um amigo que não via há séculos. Não sei se ele disse, também não sei se ouvi ou se li a frase: que bom te ver aqui. Relaxa, você parece tenso, emendou. Na sequência surge a proposta: Apanha um livro na estante. Senta! As cadeiras estão disponíveis. Não vou atrapalhar a tua leitura. Seja bem vindo! Ao nosso clube do livro e da literatura. Fiquei sem palavras. Estava feliz. Agradeci a acolhida apenas com um sorriso e arremedo de gesto meigo (sem palavras).

Sentei. Acomodei a cadeira. Fiquei em silêncio. Agradeci a Deus pela oportunidade. Abri o livro e li:


Poeminho do Contra

"Todos esses que aí estão

Atravancando meu caminho,

Eles passarão...

Eu passarinho!"


    Dia inesquecível. Após longo instante. Em silêncio voltei para o salão principal. A colega que ficara entre as normas jurídicas, permanecia no mesmo lugar, concentrada. Caderno, códigos, vade mecum, cola lícita, lápis, caneta e borracha. Focando nas metas do curso de letras jurídicas e estudando para a prova. Ela era muito inteligente e dedicada para o "mundo do direito". Atualmente, excelente profissional (Operadora do Direito: Sistema de justiça criminal).

    O narrador, empolgado com a sua narrativa, ainda disse que não sabe outros detalhes, mas pesquisou sobre e descobriu que o poeta era famoso. E o poema (citado acima) é muito conhecido como "Poeminho do Contra" de Mário Quintana (1973), publicado no Caderno H (Jornal Correio do Povo). A obra utiliza rimas em -ão e diminutivos para contrastar a transitoriedade dos obstáculos com a leveza e permanência do eu lírico. 



segunda-feira, 11 de maio de 2026

Heidelberg

 



Heidelberg, banhada pelo Neckar, era o epicentro do pensamento alemão, e a residência de Weber (a famosa Haus Weber, na Ziegelhäuser Landstraße) ficava exatamente às margens do rio, com uma vista privilegiada para o Castelo de Heidelberg.

Silêncio (nova versão)

 






A Teoria tridimensional do Silêncio

 (T. T. S.) 

Acompanhe a nova versão do texto:


    A intimidade subjetiva mais pura é profundamente silenciosa e desprovida de qualquer tipo de sonoridade, pois parte de instante uno, inédito e não cognitivo. Esse conjunto inicial de fatores se expande culturalmente e acaba por se desdobrar em sinais sonoros.

    Ah sociologia. Coitado do Weber. Atirou um “bote salva vidas” no rio, agonizante, quase sem ar, última janela de ar da sua vida e chamaram isso de sociologia. Maldade de algum burocrata carreirista (sentado), aguardando o próximo quinquênio. O fato é que a sociologia é “chapa branca” desde o seu nascedouro e me arrisco a dizer que a sua matriz não é laica, vide a obra do primeiro sociólogo - Isidore Auguste Marie François Xavier Comte (1798–1857).

    Voltando para a civilização que a Europa inventou, necessário lembrar que vivemos o império da letra e o letramento é uma necessidade social imposta pelo ordenamento jurídico. De um lado as sagradas escrituras e de outro a constituição (ordenamento jurídico). Detalhe a se requerer lembrança está posto nas inovações que Lutero impôs ao texto sagrado primeiro, iniciando o evento social conhecido como reforma protestante.

    O direito ao silêncio é matéria constitucional, pois ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo (vide o código de processo penal). Devemos lembrar ainda que o jargão popular diz: quem cala, consente. Aqui é como se ocultar-se seja sinônimo de romper regra do sistema. No entanto, o silêncio na situação de depoimento do réu não pode ser interpretado como confissão. Mais do que isso, pois confissão não é prova, ou seja, a produção de prova (processo penal) não se encerra com a confissão do acusado.

    Na fase do inquérito policial, por exemplo. Mesmo que o investigado assuma a autoria do delito, durante o processo de investigação policial, a regra é seguir o curso da investigação. Pois uma confissão abrupta pode estar sendo objeto de uma estratégia de encobrimento do verdadeiro autor da atividade criminosa. Não é o caso de aprofundar este debate, apenas exposto aqui para dizer que a palavra (verbo) pode ser instrumento das mais diversas estratagemas humanas (para o bem ou para o mal, mais coluna do meio).

     E por falar em sistema de justiça criminal, todos os documentos devem ser produzidos na língua oficial: portugues (Brasil). Sempre que houver a necessidade de transladar para outros sistemas de língua (estrangeira), é necessário a inclusão de tradutor juramentado previamente inscrito no tribunal. Ou seja, verifica-se que o ordenamento jurídico possui norma para a palavra e para o silêncio, mas isso não é tudo. A lei controla tudo, portanto a liberdade de expressão não é um direito absoluto. Dentro do sistema, há regras para falar e para calar. 

Vejam:

    Esse trabalho é inédito. Pesquisa científica recente, autoral e autêntica da pena de jacquesja. A inteligência artificial não sabe o que é a “Teoria Tridimensional do Silêncio” (T. T. S.), portanto nós temos que abastecer o sistema informatizado com o conceito que segue:



“A teoria tridimensional do silêncio estuda a relação do ser humano com a sua essência mais íntima. A subjetividade humana não cabe em si e extrapola os limites da matéria densa, quando não plasmada em palavras, silencia. Mas mesmo em silêncio comunica, interage e produz “provas”. Relação, intenção, potência criativa muito conhecida na poesia” (JACOMINI, 2024).



Detalhamento:

    O conceito de poesia já está gravado no sistema literário. Falta gravar o conceito de “Não Poesia” e o conceito de “Poesia Residual”. Esse é o nosso engenho no presente momento: demonstrar que a poesia é chão e a poesia residual é fruto, enquanto a não poesia é aroma. O livro e a literatura passam a ser lidos como uma linda árvore que merece ser abraçada, amada e vivida em sua plenitude, pois possui vida própria.

    Não estamos a propor apenas mais um “enlevo de poeta". Eles são importantes, mas neste momento promovemos um estudo que tem a finalidade de auxiliar as pessoas que estão vivendo algo análogo ao crime de prisão ao letramento e não percebem que pode haver “uma luz no final do túnel”. O letramento não é tudo e a ditadura da palavra pode ser abolida (ou reformada), a depender das possibilidades de vivências existenciais que pretendem vencer o convencional.


Avançando um pouco:


    O certo é que a academia está intoxicada de economia política e estamos a escrever uma nova página: Economia Cultural (assim como nos ensinou Max Weber filho). O exercício do poder político deságua na pena de prisão, fulcro do sistema de justiça criminal. O exercício da potência criativa, através da literatura deságua na poesia que acrescida da poesia residual e da não poesia dá origem a um novo sistema que pode ser apreciado através da teoria tridimensional do silêncio (T. T. S.).

    Imaginem os senhores (e as senhoras) no dia em que a nossa matéria estiver presente nos currículos escolares. O estudante vai respirar mais aliviado, pois vai silenciar sem culpa. Vai conseguir entender que o inocente não precisa participar do processo inquisitorial presente na educação formal. Sabe aquela cena constrangedora e triste: O professor aponta o dedo para o aluno (geralmente o mais exposto, inadaptado, humilde e pessoa especial), fuzilando com uma pergunta que é instrumento de dominação (institucional legal).

    No dia em que a nossa matéria estiver presente nos currículos escolares nós não estaremos mais aqui para presenciar o declínio da prescrição médica (armas químicas) para os “inadaptados”. Sendo honesto e sincero, você deve admitir que este sistema que está a operar é voltado para uma necessidade de mercado. Digo, possui uma finalidade econômica que drena o sistema econômico vigente (capitalismo) com mão de obra barata. O licenciado e o bacharel, ao final do curso, coloca o diploma na parede e vai ser mais um trabalhador precarizado (ou uberizado). 

    O atual sistema de ensino formal, não permite o ato criativo como regra, pois é exercício de poder (institucional legal) o tempo todo. A autoridade transborda na pessoa coatora (ato coator - direito) e gera o autoritarismo que virou regra, assim como o Estado de Exceção virou regra (golpe de Estado que se sucede o tempo todo). Para tanto é mais fácil a declaração: não houve golpe!

    Contudo, existe disposição de vontade para criar uma nova página na educação brasileira. Essa inovação passa por aqui e o estudo que propomos vem no auxílio do “inocente” que ainda não possui consciência do seu potencial criativo. Ele quer ser pleno e não consegue devido à repressão (maquinaria de poder institucional legal oficial). Se sair da linha vem a “palmatória”, a reprovação e na sequência a sentença penal condenatória. Primeiro reprime, cerceia a liberdade de expressão e a sentença penal condenatória aguarda quem avança na insubmissão. A regra é ser submisso e a exceção à regra é ser criativo.  Nós queremos inverter este quadro, através da educação.

    A liberdade de expressão está sendo filtrada por novos dispositivos tecnológicos que monitoram o cidadão e as suas opiniões na rede social, por exemplo, quando da emissão de declarações potencialmente lesivas ao sistema. Estamos saindo da fase dos “corpos dóceis" (FOUCAULT, 1974) para a fase das “consciências dóceis” (JACOMINI, 2026). Não podemos expressar opiniões que questionem o sistema em áreas sensíveis. Há um crescente processo repressivo em curso, a fim de salvar “as jóias da Coroa”. A sucessão de novos “Tipos Penais” surge neste contexto de controle social. Tudo se renova, menos o Estatuto do Índio (Lei 6.001/73). Por quê?


=====


Europa


    O verão na América do Sul foi penoso. Sofri muito com este cenário de aquecimento atmosférico. Segui trabalhando, mas sofrendo muito, pois o orçamento doméstico também esfola a nossa sensibilidade. Enfim, apenas uma breve nota biográfica.

    A nossa vida transcorre aqui no extremo sul do Brasil. A nossa cultura é muito distinta das demais, inclusive da européia. Portanto, vejo que é impossível entrar na matéria e seguir desenvolvendo o estudo da "economia cultural", sem entrar em aspectos centrais da cultura em que Weber vivia na época em que escreveu a ética protestante e o espírito do capitalismo, por exemplo.

    A nossa meta é entrar na cena weberiana e o Rio Neckar parece ser uma oportunidade impar para realizar o intento. O que ocorria ali no século dezenove? Como Weber se movimentava neste cenário tão diferente deste em que nós estamos vivendo aqui na periferia de Porto Alegre?

    A nossa pesquisa retornou a informação de que o Rio Neckar, o seu leito, seu entorno e a sua cultura remete para uma imagem clássica e muito significativa para a história das Ciências Sociais. inferimos ainda que a relação de Max Weber com o Rio Neckar, em Heidelberg, não é apenas biográfica, pois ela é o cenário geográfico de um dos períodos mais produtivos e intelectuais da virada do século XX. Como assim?

    Heidelberg é uma cidade histórica e universitária localizada no sudoeste da Alemanha, no estado de Baden-Württemberg. Famosa por sua arquitetura e sociabilidade que sugerem uma atmosfera urbana diferenciada (menos financista e mais romântica que as demais), abriga a universidade mais antiga do país e o icônico Castelo de Heidelberg.

    Porto Alegre possui o Lago Guaíba e Heidelberg possui relação com o seu rio, Rio Neckar. A capital gaúcha já formou muitas personalidades intelectuais importantes e Heidelberg foi a época de Weber o epicentro do pensamento alemão. O Porto Alegrense possui a Usina do Gasometro e a expressão: Vamos passear no Gasometro perdeu lugar para os embalos da orla (do Guaíba). E a residência de Weber?

    A famosa Haus Weber, na Ziegelhäuser Landstraße ficava exatamente às margens do rio Neckar, com uma vista privilegiada para o Castelo de Heidelberg. Foi neste lugar que surgiu o tão citado e comentado "Circulo de Weber". Nas margens do Neckar, Weber recebia a elite intelectual da época. Esse grupo foi muito importante para a produção científica do próprio Weber, bem como dos seus pares. Extensos debates, ricas discussões e profícuas investigações de teses científicas, enfim toda essa dinâmica social e intelectual ficou conhecida como o "Círculo de Weber". Ali, a filosofia e a ciência se misturavam em conversas de domingo à tarde.

    A presença de nomes como Georg Simmel, György Lukács, Ernst Bloch, dentre outros é citada pelas fontes consultadas na nossa pesquisa. Mas isso não é tudo, pois estavam presentes também jovens estudantes que acompanhavam os seus mestres e que representavam o futuro das idéias, projetos e estudos da época. O rio servia de pano de fundo para o que Weber chamava de "atmosfera de responsabilidade intelectual".

    Hamburgo Velho é o centro histórico e um bairro da cidade brasileira de Novo Hamburgo. Em seu redor a cidade cresceu, e ainda conserva um significativo acervo arquitetônico relativo à imigração alemã. O Instituto Porto Alegre da Igreja Metodista é importante para conhecermos a cultura da Inglaterra que aportou na capital gaúcha. Frequentando o lugar, cunhei o termo "Templo-Escola", a fim de referir um lugar singular na minha formação acadêmica. Trata-se apenas de paisagens e as impressões que carregamos delas? A economia cultural ensina que não. 

    Não são apenas paisagens, pois trata-se de vidas humanas produzindo cultura: valores, princípios, crenças e doutrinas acadêmicas. A cidade e a sua paisagem influenciava Weber, enquanto ele escrevia sobre a frieza da burocracia e a mecanização da vida (Jaula de ferro - carapaça de aço)? Acredito que sim e também acredito que a própria expressão "economia cultural" esteve presente a sua pena, mas ele não escreveu porque buscava referencia nos clássicos da economia que já investigavam a "economia política" (A riqueza das nações, Adam Smith, por exemplo).

    É possível falar de um determinado conflito aqui? Ou seja, a vista do Neckar representava a natureza e o "encantamento" que a modernidade capitalista (que ele estudava com tanto rigor científico) estava destruindo. Sim? ou Não? (Vamos deixar a questão em aberto e passar para o próximo ponto, philosophenweg).

    Você já ouviu falar no "Caminho dos Filósofos"? (Philosophenweg). Veja, do outro lado do rio, existia uma trilha famosa onde os intelectuais caminhavam para refletir. Weber usava esse contato com a paisagem para "processar" as tensões entre a sua paixão política e sua neutralidade científica. Enfim, estamos aqui especialmente para conectar o nosso estudo inicial (A Teoria tridimensional do silêncio) com o contexto em que Weber vivia. O Silêncio no Neckar pode nos proporcionar uma experiência que alia a teoria e a prática? Podemos aplicar a Teoria Tridimensional do Silêncio a esse momento da vida de Weber?

Vamos investigar:

01

Silêncio Fundante:

 Após seu colapso nervoso (1898), Weber passou anos em um silêncio produtivo, quase sem conseguir lecionar. Esse hiato de fala foi o "vazio" necessário para que ele gestasse suas maiores obras, como A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.

02

Silêncio Constitutivo:

 Ao escolher focar na "neutralidade axiológica" (não deixar seus valores pessoais interferirem na ciência), Weber silenciava suas próprias paixões políticas para que a objetividade científica pudesse falar mais alto.

03

Censura e opressão:

 As tensões da Alemanha pré-Guerra e as pressões acadêmicas muitas vezes impunham limites ao que podia ser dito no debate público, algo que ele combatia defendendo a liberdade acadêmica.

04

Síntese (O Significado Simbólico)

Inferimos que o nosso autor predileto era um homem especial. Neste sentido, observar o fluxo do rio ajudava Weber a pensar na fluidez da história. O estudo da história (das nações) foi motivação para o seu trabalho desde a juventude. Para ele, a sociedade não era uma estrutura fixa, mas um processo de ações humanas individuais que, juntas, formavam grandes correntes (como o capitalismo).

    Estar nas margens do Neckar permitia a Weber ser, ao mesmo tempo, o cientista rigoroso que analisava as engrenagens do Estado e o filósofo sensível que entendia o drama da existência humana em um mundo que perdia seu sagrado. Enfim, a vida de um intelectual que não se deixa abater pela especialização estreita é como o Neckar: tem um leito definido pela ciência, mas suas águas refletem a poesia e o mistério de tudo o que ainda não foi explicado. Tenho dito.

    Para a próxima aula (tema de casa): Você sabia que a casa de Weber ainda existe em Heidelberg e é um local de peregrinação para intelectuais do mundo todo? 




Arte e Ciência

 


Wim Wenders no Iphan


https://app.docvirt.com/reviphan/pageid/8512

domingo, 10 de maio de 2026

Neckar




 

O Rio Neckar


    O rio Neckar é um dos rios mais icônicos da Alemanha, famoso por cortar paisagens repletas de castelos, vinhedos e cidades históricas no sudoeste do país. Ele é o principal afluente da margem direita do rio Reno, onde deságua na cidade de Mannheim. 


Dados Geográficos e Percurso


Comprimento:

 Aproximadamente 367 km.


Nascente:

 Localizada na Floresta Negra, perto de Villingen-Schwenningen.


Foz:

 Deságua no Reno, em Mannheim.


Bacia Hidrográfica:

 Abrange cerca de 13.960 km². 


Principais Cidades e Atrações

O rio flui através de importantes centros culturais e industriais do estado de Baden-Württemberg.


Heidelberg: 

Conhecida por sua universidade e o majestoso Castelo de Heidelberg, que oferece vistas espetaculares do rio e da Ponte Velha (Alte Brücke).


Stuttgart:

 A capital do estado, onde o rio atravessa áreas industriais e vinhedos nas encostas.


Tübingen e Esslingen:

 Cidades universitárias e medievais preservadas que mantêm um charme romântico às margens das águas. 


Economia e Lazer

O Neckar é fundamental para a logística europeia, sendo uma hidrovia importante para o transporte de mercadorias até o Porto de Mannheim. No turismo, é muito procurado para: 


Passeios de Barco:

 Cruzeiros fluviais que passam por castelos e colinas de vinhos.


Atividades ao Ar Livre:

 Muito popular para caiaque, ciclismo em ciclovias ribeirinhas e cervejarias (Biergartens) ao pôr do sol. 





sábado, 9 de maio de 2026

Wim Wender

 



Extrato de trabalho acadêmico de outrora.


2.2 - A Vida nas Cidades Pós-Modernas e a Construção das Novas Formas de Sociabilidades Urbanas.



“Não é mais necessário deixar a casa, entrar na fila e se instalar em meio a estranhos para viver uma experiência comunitária, ou seja, social”.  

 Wim Wender[38]



    Acabamos de discutir algumas concepções teóricas sobre a noção temporal modernidade e pós-modernidade,  proponho agora a reflexão sobre as cidades que se originaram desta lógica do tempo pós-moderno e das novas sociabilidades que estão sendo elaboradas neste novo contexto social.

    Para esta reflexão, chamaria algumas elaborações, quase poéticas, que Wim Wenders constroe no  artigo “A paisagem urbana”,  publicado em “La Verité, Des Images, Paris, L` Arche , 1992.  Trata-se de um cineasta falando da cidade de uma forma muito antropológica e arqueológica. No final do artigo, no qual privilegia o debate da imagem, enquanto elemento de uma nova lógica e de uma nova estética urbana, fazendo analogias com o seu campo de atuação profissional, o cinema, Wenders afirma:



“Em muitas cidades não se pode mais tocar a terra, nem sentir a pedra. Se pusesse um aborígine numa dessas cidades, ele morreria. As cidades estão lotadas, elas varreram o essencial, elas ficaram vazias. Por  outro lado, o deserto e tão vazio que está  completamente pleno do essencial.” [39]



 O artigo, no seu todo, é muito interessante, especialmente pelo seu viés antropológico, mas centrando sobre estas poucas frases, já e possível perceber a contemporaneidade e a cientificidade das reflexos deste importante cineasta sobre as cidades urbanas contemporâneas.

O distanciamento dos indivíduos de seus ambientes, até então, naturais  - não se pode mais tocar a terra, nem sentir a pedra - e a conseqüente inserção em novos ambientes (cidades urbanas) com outras formas, cores, texturas e natureza é uma tendência da pós-modernidade.  

A mudança do locus de sociabilidade e interatividade com o meio ambiente nos remetem à formação das novas texturas sociais (onde temos as cidades lotadas de pessoas e vazias de subjetividade como afirma Wenders) onde está sendo encenado [40] (e, posteriormente  reencenado) o contexto social das cidades urbanas, a exemplo de Porto Alegre, universo da nossa pesquisa, onde observamos que  as feições do medo e das crises e as sociabilidades urbanas estão mostrando que o “viver na cidade infere sobre formas culturais dinamizadas igualmente por sentimentos de medo, insegurança, solidão, mapeando a cidade como um grande depositário de vítimas de um contexto urbano ameaçado pelas crises, violência, fragmentações, esquecimentos, etc.” [41].

Dentre os inúmeros tipos e contornos do medo pós-moderno, estão os medos vivenciado pelas pessoas, em função da simples condição de atores sociais do novo locus urbano contemporâneo, as metrópoles ou cidades urbanas de grande porte.  Dentre eles, “O Medo do Medo” [42] (Rossi, 1995) que está relacionado com estados de ansiedade, fobias  e pânico, podendo ser de origem associativa a lugares e situações que produzem medo ou aprendido através de experiências pessoais; Ou ainda, medo de não poder mais tocar a terra, medo de não poder mais  sentir a pedra, ou ainda medo de não dispor de uma quantidade suficiente de água potável para saciar a sua sede, ou mesmo, o medo, mais tragicamente pensado,  de não dispor de oxigênio em quantidade e qualidade suficiente par a perpetuação da espécie humana, dado o avanço da degradação do ar e do meio ambiente que atemoriza as grandes cidades urbanas.  São medos colocados dentro de um campo  da pós-modernidade que conhecemos como tecnociência [43] que já foi aqui referido anteriormente. 

Campo de intervenção cientifica capaz de, por vezes, contabilizar, esclarecer ou diminuir estes medos, apresentando sugestões e alternativas práticas para os problemas, duvidas e incertezas deste novo mundo (mundo pós-moderno), a tecnociência pode trabalhar para um efeito contrário a este. Ou seja, a mesma tecnociência é capaz de fomentar estes mesmo medos, através da divulgação de estudos incipientes ou inacabados, ou ainda mal intencionados que acabam por reproduzir, aumentar e propagar os medos, apreensões e ansiedades coletivos contemporâneos. Basicamente, poderíamos afirmar que estes aspectos do reordenamento do capital científico são produzidos, entre outros motivos, pelo fato de que “a tecnociência não visa mais a conhecer o real, espelhando-o em números e leis, mas atende antes a acelerar informações para a indústria e os serviços produzirem novas realidades a um ritmo mais rápido e a um custo mais baixo.” [44]

Sobre um outro aspecto, neste artigo de Wenders encontramos uma outra discussão que é central para o estudo e análise da  nossa contemporaneidade. Refiro-me a tendência pós-moderna de privilegiar o imagético  em detrimento do físico ou real.

Jair Ferreira dos Santos [45] sugere um exemplo bem interresante para este debate do simulacro (simulações através de imagens e / ou recursos informáticos) como uma forte tendência social da pós-modernidade. O autor cita o caso de Roberto Close / Luís Roberto:



“Mas recentemente fulgurou na Belindia uma verdadeira diva pós-moderna: o travesti Roberta Close. Pôr que pós moderna? Primeiro porque ela, para nos, é informação: só passou a existir depois de produzida pelo mass media. Depois, porque ela é um ardil bem sucedido de simulação: a bioestética, com o silicone, fez dela uma hipermulher (repare como close, um simulacro, é mais mulher que as mulheres), e o referente Luís Roberto dançou.” [46]  



Voltando ao Wenders, profissional da área da imagem, é interessante ressaltar a forma como ele mapeia a evolução desta escalada da imagem a partir da invenção da fotografia.

A invenção da fotografia inaugura uma nova era da relação entre a realidade  e a sua representação, pois a partir de então, temos a “realidade de segunda mão.” [47] Em um segundo momento, “as imagens fotográficas apreenderam a andar” [48] e surgia então o filme, imagem em movimento. Trinta ou quarenta anos mais tarde o filme e a fotografia ganhavam um forte concorrente, a imagem eletrônica, ou seja, a televisão (Visão a distância).



“A televisão instaurou ao mesmo tempo uma proximidade e uma distância. Suas imagens eram frias, menos emotivas que as do cinema; e além disso ela nos afastou da idéia de que uma imagem pudesse possuir uma ligação direta com a ‘realidade’. Não há mais uma ‘imagem única’, um negativo único, como no procedimento fotográfico.” [49]

  

Para esta discussão de realidade e virtualidade, os limites do real e do virtual, Pierre Lévy (1996) traz significativas contribuições. Em “O Que é o Virtual ? ”, Lévy tematiza o que denomina de “um movimento geral de virtualização”, onde debate com autores como Jean Baudrillard e Paul Virílio sobre as tendências possíveis deste movimento de virtualização. Para este artigo, no entanto, gostaria de centrar sobre a denominação de Virtual trabalhada por  Lévy no capítulo 1 - “O Que é Virtualização” (Lévy, 1996).

O autor destaca o perigo das armadilhas de noções de senso comum, ao delimitarmos o real do virtual, salietando que a palavra Virtual vem do latim medieval “Virtualis”, derivada por sua vez de “Virtus” que significa força e potência.



“Na filosofia escolástica, é virtual o que existe em potência e não em ato. O virtual tende a atualizar-se, sem ter passado, no entanto à concretização efetiva ou formal. A árvore está virtualmente presente na semente. Em termos rigorosamente filosóficos, o virtual não se opõe ao real mas ao atual: virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes.” [50]



Realizadas estas breves reflexões a cerca das cidades e das sociabilidades contemporâneas, universo de estudo do projeto de pesquisa no qual estou inserido,  passarei a contemplar uma outra dimensão deste novo locus urbano, a construção do conhecimento e a interatividade homem / informação na cultura imagética digital. Dessa  forma, encaminho este artigo para a sua parte final onde tento elaborar  algumas reflexões sobre a parte da pesquisa antropológica na qual estou mais envolvido neste momento: a construção de Bancos de Dados e Banco de Imagens.