quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Os sambaquis - HD

Guarani - Cacique Vherá Po...

https://www.ufrgs.br/cinema-cienciapolitica/

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LAE


Descartes


Jacques


LACVET


Alcance do Tema


EVANS-PRITCHARD, E.E. "Alcance do Tema". In: Antropologia Social. Lisboa, Ed. 70, 1972.

p. 12. - A Antropologia Social tem um vaocabulário técnico muito limitado e vê-se obrigada a recorrer à linguagem comum, que, como todos sabem, näo é muito exata. Os termos SOCIEDADE, CULTURA, COSTUME, RELIGIAO, SANÇAO, ESTRUTURA, FUNÇAO, POLITICO, DEMOCRATICO, nem sempre comportam o mesmo significado, quer para diferentes pessoas, quer em diferentes contextos. Soluçöes?...
ANTROPOLOGIA, DEFINIÇÖES???
p. 12/13 - Em Inglaterra e, ainda que em menor grau, nos Estados Unidos, a expressäo Antropologia Social é utilizada para desginar uma parte de uma matéria mais vasta que é a Antropologia, isto é, o estudo do homem num certo número de aspectos. O seu objeto está ligado às culturas e sociedades humanas.
p. 13. Na Europa continental prevalece a definiçäo "o estudo completo do homem (Antropologia Fisica ou estudo biologico do homem).
INGLATERRA - ANTROPOLOGIA SOCIAL
FRANÇA - Etnologia ou Sociologia
p. 13. Primeira cátedra oficialmente designaçäo de Antropologia Social - Frazer 1908 em Liverpool.
p. 13. Inglaterra: Antropologia Social   Antropologia Fisica
p. 14 Caracteriza o que é Etnologia... estudo preliminar para as comparaçöes que fazm os antropólogos sociais entre sociedades primitivas, porque é altamente conveniente, e até mesmo necessário, principiar o trabalho comparativo com as do mesmo nível cultural ... A Arqueologia Pré-Histórica...
p. 15. O objeto da Antropologia Social é estudar o comportamento social, geralmente em formas institucionalizadas, como a familia, sistemas de parentesco, organizaçäo politica, procedimentos legais, ritos religiosos, e assim por diante, além das relaçöes entre tais instituiçöes, estuda-se em sociedades contemporâneas ou naquelas comunidades históricas sobre as quais existe uma informaçäo adequada para a realizaçäo de tais investigaçöes.
p. 19. A Antropologia Social é o estudo de todas as sociedades humanas e näo só das sociedades primitivas, apesar de na prática e por conveniência se ocupar atualmente em analisar preferentemente as instituiçöes dos povos mais simples. É evidente que näo pode haver uma disciplina independente consagrada inteiramente ao estudo destas sociedades. Quando um antropólogo se dedica à investigar um povo primitivo, o que estuda é a linguagem, a religiäo, as leis, as instituiçöes politicas, a economia politica.... depara-se com os mesmos problemas gerais que o estudioso destas matérias nas grandes civilizaçöes do mundo. ... o antropólogo sempre compara as sociedades.
Entäo, na época, para Evans-Pritchard: A ANTROPOLOGIA SOCIAL, RAMO DOS ESTUDOS SOCIOLOGICOS QUE SE DEDICA PRINCIPALMENTE AS SOCIEDADES PRIMITIVAS enquanto que SOCIOLOGIA - ESTUDO DE DETERMINADOS PROBLEMAS EM SOCIEDADES CIVILIZADAS.
p. 16 "primitivo" - termo técnico
p. 17. Tarefa da Antropologia Social - estudo sociedades primitivas? Por que? Razöes?
p. 17 O estudo sociedades primitivas como estudo das instituiçöes enquanto partes dos sistemas sociais. Sociedades primitivas aparecem como objeto privilegiado pois säo estruturalmente simples e culturalmente homogêneas, podem ser diretamente observadas como um todo, antes de tentar estudar sociedades civilizadas complexas, onde isto näo é possível.
p. 17. Outra razäo, elas estäo a transforma-se rapidamente e, portanto, torna-se necessário investigá-las o mais depressa possível... p. 18. Estes sistemas sociais em vias de desaparecer constituem variantes estruturais únicas, cuja análise nos ajuda consideravelmente a compreender a natureza da sociedade humana, porque, num estudo comparativo de instituiçöes, o número de sociedades com que se trabalha é menos significativos que o seu grau de variaçäo.
p. 18 Outra razäo: valor intrínseco: Estas sociedades säo interessantes em si mesmas, porque nos oferecem uma descriçäo da forma de vida, dos valores e das crenças dos povos que vivem privados daquilo que estamos habituados a considerar como os requisitos mínimos do conforto e da civilizaçäo.
p. 18/19. Outros grupos estudados pela Antropologia Social: comunidades rurais, vida urbana, aldeias e sociedades históricas.
Questöes de METODO
p. 19. ANTROPOLOGIA SOCIAL - estuda diretamente os povos primitivos vivendo entre eles durantes meses ou anos. Ocupa-se da sociedade como um todo: estuda a ecologia, economia politica, instituiçöes legais e politicas, a religiäo, a tecnologia, a organizaçäo da familia e o parentesco, a ganadaria e a agricultura, a arte, etc... como partes dos sistemas sociais gerais.
SOCIOLOGIA - estudo baseado em documentos e estatísticas. Trabalho especializado, investiga problemas isolados. Ligado a Filosofia social e ao planejamento social. Mas tb. (p. 20) um corpo geral de conhecimentos teóricos sobre as sociedades humanas.
p. 20. OBJETO DA ANTROPOLOGIA SOCIAL: relaçäo entre sociologia (corpo geral teorico) e a vida social primitiva.
quer dizer... (p. 21) A ANTROPOLOGIA SOCIAL REALIZA UM CONJUNTO DE ESTUDOS DIFERENTES NUMA SERIE DE SOCIEDADES DISTRIBUIDAS POR TODO O MUNDO. (p. 23) Estuda o conjunto de relaçöes sociais, relaçöes entre memebros de uma sociedade e entre grupos sociais, enfatiza mais o estudo da sociedade que o estudo da cultura (aqui no sentido de costume).
p. 23. A Antropologia Social pode generalizar com mais facilidade que a Historia... pela análise comparativa das estruturas sociais
p. 24 Crítica a Morgan, Spencer, Durkheim, Tylor...
p. 25/26. O que antropólogo social, ao contrário dos evolucionistas e funcionalistas anteriores busca ao estudar uma sociedade primitiva? O que ele descreve é a realidade, o comportamento básico, em que ambos os conceitos (sociedade e cultura) se encontram incorporados... näo säo entidades separadas mas classes de abstraçöes distintas..., na antropologia atual (trata-se da atualidade para Evans-Pritchard) os estudos antropológicos especializam-se sobre instituiçöes pensadas como elementos de uma estrutura social mais ampla e complexa.
p. 26 Mas o que é estrutura social para Evans-Pritchard?
Cada sociedade tem uma forma ou padräo caracteristico que nos permite considerá-la como um sistema ou estrutura, no seio da qual os seus memebros desenvolvem as suas atividades em concordância com ela. O uso do termo "estrutura" com este significado supöe um certo grau de compatibilidade entre as partes, pelo menos suscetivel de evitar contradiçöes abertas e conflitos. Significa também que tem uma duraçäo maior que a generalidade das coisas passageiras da vida humana. As pessoas que vivem numa sociedade podem näo se dar conta de que esta possui uma estrutura, ou capta-la apenas de uma forma vaga.
p. 27 A TAREFA DO ANTROPOLOGO SOCIAL É REVELAR A EXISTENCIA DE UMA ESTRUTURA. Uma estrutura social total, isto é, a estrutura completa de uma sociedade determinada, compöe-se de um certo número de estruturas ou sistemas subsidiários, e é por isso que podemos falar de sistemas de parentesco, sistemas econômicos, religiosos ou politicos...
Assim, quando falamos das funçöes das instituiçöes, estamos a referir-nos à parte que lhes corresponde na manutençäo da estrutura da estrutura social.


EVANS-PRITCHARD, E.E.



EVANS-PRITCHARD, E.E. "Algumas reminiscências e reflexöes sobre o trabalho de campo". In: Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande. Rio, Zahar, 1978. Apêndice IV.

EVANS-PRITCHARD


Segundo Evans-Pritchar, percebemos que  é essencial percebermos que os fatos, em si, näo têm significado. Para que o possuam, devem ter certo grau de generalidade. É preciso saber exatamente o que se quer saber, e isso só pode ser conseguido graças a um treinamento sistematico em antropologia social acadêmica. Além disso, nele está muito presente a importância de uma revisäo bibliografica sobre o tema, e estudos de informaçäo teorico-metodologico como instrumentos que problematizem a realidade a ser estudada.
OBJETO
O objeto de estudo: säo seres humanos, o trabalho de campo envolve a nossa personalidade - cabeça e coraçäo; e que, assim, tudo aquilo que moldou essa personalidade esta envolvido, näo só a formaçäo acadêmica: sexo, idade, classe social, nacionalidade, familia, escola, igreja, amizades. Tudo que desejo sublinhar é que o que se traz de um estudo de campo depende muito do que se lava para ele.
É possível ir a campo com idéias pré concebidas, mas o treinamento cientifico permite o exercicio de apreendê-las e relativiza-las (importância da teoria).
ESTUDO RELACIONAL - estudar mais de uma sociedade quando possivel
- o contraste: idéias, valores desse povo com os de sua propria cultura, e isso apesar de todo esforço corretivo implicito em seu conhecimento da literatura antropologica... perceber linhas de pesquisa
- o estudo de uma segunda sociedade possui também a vantagem de tornar o investigador mais experiente: ele ja sabe que erros evitar, como iniciar mais rapidamente suas observaçöes, como cortar caminho na investigaçäo e como descernir sem muito esforço o que é relevante - pois pode ver os problemas fundamentais mais depressa.
MÉTODO / TÉCNICAS
- Realizar a observação participante na medida do possivel e do conveniente, pois assim o pesquisador vive a vida do povo que esta estudando.
- Sugere experimentar coisas, hábitos da outra cultura, mas isto também teu um lado perigoso, pois nem sempre pode ser bem recebido pelo grupo, e o pesquisador pode querer fingir sem se dar conta disto... melhor dizer que o antropólogo vive simultaneamente em dois mundos mentais diferentes, que se constroem segundo categorias e valores muitas vezes de dificil conciliaçäo. Tornamo-nos, ao menos temporariamente, uma espécie de duplo marginal, alienado de dois mundos.
-    o problema fica mais evidente quando somos confrontados por noçöes inexistentes em nossa cultura atual e, portanto, näo-familiares. Exemplifica com a dificuldade de entender idéias sobre bruxaria dos Azande
Falando  da diferença ente a sociologia e a antropologia social, questiona: quais as tecnicas, entrevista fechada ou aberta, depende da situaçäo, tomar nota, em que situaçäo? depende tem que ter sensibilidade para isto.
Destaca a importância dos informantes, sobretudo informantes chave, também, pessoa sensivel para entender o modo de vida de seu povo, mas é fundamental falar a lingua nativa. Acredita que é sempre possivel verificar e reverificar a informaçäo quando conhece-se a lingua nativa. A mentira pode secretar informaçöes profundas. Relacionar os informantes com o status e o papel dele na sociedade, também é uma técnica defendida por Evans-Pritchard.




EVANS-PRITCHARD, E.E. "Alcance do Tema". In: Antropologia Social. Lisboa, Ed. 70, 1972.
p. 12. - A Antropologia Social tem um vaocabulário técnico muito limitado e vê-se obrigada a recorrer à linguagem comum, que, como todos sabem, näo é muito exata. Os termos SOCIEDADE, CULTURA, COSTUME, RELIGIAO, SANÇAO, ESTRUTURA, FUNÇAO, POLITICO, DEMOCRATICO, nem sempre comportam o mesmo significado, quer para diferentes pessoas, quer em diferentes contextos. Soluçöes?...
ANTROPOLOGIA, DEFINIÇÖES???
p. 12/13 - Em Inglaterra e, ainda que em menor grau, nos Estados Unidos, a expressäo Antropologia Social é utilizada para desginar uma parte de uma matéria mais vasta que é a Antropologia, isto é, o estudo do homem num certo número de aspectos. O seu objeto está ligado às culturas e sociedades humanas.
p. 13. Na Europa continental prevalece a definiçäo "o estudo completo do homem (Antropologia Fisica ou estudo biologico do homem).
INGLATERRA - ANTROPOLOGIA SOCIAL
FRANÇA - Etnologia ou Sociologia
p. 13. Primeira cátedra oficialmente designaçäo de Antropologia Social - Frazer 1908 em Liverpool.
p. 13. Inglaterra: Antropologia Social   Antropologia Fisica
p. 14 Caracteriza o que é Etnologia... estudo preliminar para as comparaçöes que fazm os antropólogos sociais entre sociedades primitivas, porque é altamente conveniente, e até mesmo necessário, principiar o trabalho comparativo com as do mesmo nível cultural ... A Arqueologia Pré-Histórica...
p. 15. O objeto da Antropologia Social é estudar o comportamento social, geralmente em formas institucionalizadas, como a familia, sistemas de parentesco, organizaçäo politica, procedimentos legais, ritos religiosos, e assim por diante, além das relaçöes entre tais instituiçöes, estuda-se em sociedades contemporâneas ou naquelas comunidades históricas sobre as quais existe uma informaçäo adequada para a realizaçäo de tais investigaçöes.
p. 19. A Antropologia Social é o estudo de todas as sociedades humanas e näo só das sociedades primitivas, apesar de na prática e por conveniência se ocupar atualmente em analisar preferentemente as instituiçöes dos povos mais simples. É evidente que näo pode haver uma disciplina independente consagrada inteiramente ao estudo destas sociedades. Quando um antropólogo se dedica à investigar um povo primitivo, o que estuda é a linguagem, a religiäo, as leis, as instituiçöes politicas, a economia politica.... depara-se com os mesmos problemas gerais que o estudioso destas matérias nas grandes civilizaçöes do mundo. ... o antropólogo sempre compara as sociedades.
Entäo, na época, para Evans-Pritchard: A ANTROPOLOGIA SOCIAL, RAMO DOS ESTUDOS SOCIOLOGICOS QUE SE DEDICA PRINCIPALMENTE AS SOCIEDADES PRIMITIVAS enquanto que SOCIOLOGIA - ESTUDO DE DETERMINADOS PROBLEMAS EM SOCIEDADES CIVILIZADAS.
p. 16 "primitivo" - termo técnico
p. 17. Tarefa da Antropologia Social - estudo sociedades primitivas? Por que? Razöes?
p. 17 O estudo sociedades primitivas como estudo das instituiçöes enquanto partes dos sistemas sociais. Sociedades primitivas aparecem como objeto privilegiado pois säo estruturalmente simples e culturalmente homogêneas, podem ser diretamente observadas como um todo, antes de tentar estudar sociedades civilizadas complexas, onde isto näo é possível.
p. 17. Outra razäo, elas estäo a transforma-se rapidamente e, portanto, torna-se necessário investigá-las o mais depressa possível... p. 18. Estes sistemas sociais em vias de desaparecer constituem variantes estruturais únicas, cuja análise nos ajuda consideravelmente a compreender a natureza da sociedade humana, porque, num estudo comparativo de instituiçöes, o número de sociedades com que se trabalha é menos significativos que o seu grau de variaçäo.
p. 18 Outra razäo: valor intrínseco: Estas sociedades säo interessantes em si mesmas, porque nos oferecem uma descriçäo da forma de vida, dos valores e das crenças dos povos que vivem privados daquilo que estamos habituados a considerar como os requisitos mínimos do conforto e da civilizaçäo.
p. 18/19. Outros grupos estudados pela Antropologia Social: comunidades rurais, vida urbana, aldeias e sociedades históricas.
Questöes de METODO
p. 19. ANTROPOLOGIA SOCIAL - estuda diretamente os povos primitivos vivendo entre eles durantes meses ou anos. Ocupa-se da sociedade como um todo: estuda a ecologia, economia politica, instituiçöes legais e politicas, a religiäo, a tecnologia, a organizaçäo da familia e o parentesco, a ganadaria e a agricultura, a arte, etc... como partes dos sistemas sociais gerais.
SOCIOLOGIA - estudo baseado em documentos e estatísticas. Trabalho especializado, investiga problemas isolados. Ligado a Filosofia social e ao planejamento social. Mas tb. (p. 20) um corpo geral de conhecimentos teóricos sobre as sociedades humanas.
p. 20. OBJETO DA ANTROPOLOGIA SOCIAL: relaçäo entre sociologia (corpo geral teorico) e a vida social primitiva.
quer dizer... (p. 21) A ANTROPOLOGIA SOCIAL REALIZA UM CONJUNTO DE ESTUDOS DIFERENTES NUMA SERIE DE SOCIEDADES DISTRIBUIDAS POR TODO O MUNDO. (p. 23) Estuda o conjunto de relaçöes sociais, relaçöes entre memebros de uma sociedade e entre grupos sociais, enfatiza mais o estudo da sociedade que o estudo da cultura (aqui no sentido de costume).
p. 23. A Antropologia Social pode generalizar com mais facilidade que a Historia... pela análise comparativa das estruturas sociais
p. 24 Crítica a Morgan, Spencer, Durkheim, Tylor...
p. 25/26. O que antropólogo social, ao contrário dos evolucionistas e funcionalistas anteriores busca ao estudar uma sociedade primitiva? O que ele descreve é a realidade, o comportamento básico, em que ambos os conceitos (sociedade e cultura) se encontram incorporados... näo säo entidades separadas mas classes de abstraçöes distintas..., na antropologia atual (trata-se da atualidade para Evans-Pritchard) os estudos antropológicos especializam-se sobre instituiçöes pensadas como elementos de uma estrutura social mais ampla e complexa.
p. 26 Mas o que é estrutura social para Evans-Pritchard?
Cada sociedade tem uma forma ou padräo caracteristico que nos permite considerá-la como um sistema ou estrutura, no seio da qual os seus memebros desenvolvem as suas atividades em concordância com ela. O uso do termo "estrutura" com este significado supöe um certo grau de compatibilidade entre as partes, pelo menos suscetivel de evitar contradiçöes abertas e conflitos. Significa também que tem uma duraçäo maior que a generalidade das coisas passageiras da vida humana. As pessoas que vivem numa sociedade podem näo se dar conta de que esta possui uma estrutura, ou capta-la apenas de uma forma vaga.
p. 27 A TAREFA DO ANTROPOLOGO SOCIAL É REVELAR A EXISTENCIA DE UMA ESTRUTURA. Uma estrutura social total, isto é, a estrutura completa de uma sociedade determinada, compöe-se de um certo número de estruturas ou sistemas subsidiários, e é por isso que podemos falar de sistemas de parentesco, sistemas econômicos, religiosos ou politicos...
Assim, quando falamos das funçöes das instituiçöes, estamos a referir-nos à parte que lhes corresponde na manutençäo da estrutura da estrutura social.











EVANS-PRITCHARD, E.E. "Algumas reminiscências e reflexöes sobre o trabalho de campo". In: Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande. Rio, Zahar, 1978. Apêndice IV.



Paulo Oddi





UFRGS  -  IFCH  -  PPGAS
ESTUDO  ANTROPOLÓGICO  DE  UM  ESPAÇO  URBANO  SINGULAR: CAIS  DO  PORTO  DE  PORTO  ALEGRE  (OU  DA  CIDADE  QUE  TEM  PORTO  ATÉ  NO  NOME)


ENTREVISTA  No. 05

DADOS  DE  IDENTIFICAÇÃO
BAIRRO:
SOBRENOME  DO  ENTREVISTADO: Oddi
NOME  DO  ENTREVISTADO: Paulo
NOME  CARACTERÍSTICO (se houver):
DATA  DA  REALIZAÇÃO  DA  ENTREVISTA:  21 / 07 / 98.
ENDEREÇO:  Av. Mauá. / Cais Mauá.
FONE:
HORÁRIO   REALIZAÇÃO  DA  ENTREVISTA:  9 H 30 min
DURAÇÃO  DA  ENTREVISTA: 1 h 30 min


ENTREVISTADOR: Jaques
INDICAÇÃO: ......................................................................................................................




DESCRIÇÃO  DO  CONTEXTO:

       
Fui recebido no escritório do Dr. Paulo Oddi, administrador do Cais Mauá / Cais do Porto de Porto Alegre no horário combinado para a entrevista. O encontro foi acompanhado por uma funcionária administrativa que desempenha funções de assessora de imprensa junto a este órgão.
        A entrevista foi pautada pela praticidade e tecnicidade do Engenheiro Oddi que destacou na sua fala, essencialmente, os aspectos administrativos do Caís, bem como os aspectos de controle, normalização, segurança e contenção deste (e neste) espaço urbano.
        Chamou a minha atenção, uma pergunta formulada pelo entrevistado, no final da entrevista, sobre a opção dos portalegrenses em estarem constantemente presentes no cais do porto contemplando-o, curtindo o por do sol, etc. Ele indagava sobre porque não contemplar o por do sol de qualquer outro lugar da cidade que não o porto. Ficou claro o tom inquisitivo e, de certa forma, arrogante, na pergunta do administrador sobre o nosso nível de conhecimento sobre aquele espaço urbano e as suas relações com os cidadãos desta cidade. Utilizei os nossos conhecimentos históricos da formação da própria cidade, resgatando aspectos da chagada dos Casais Açorianos, relacionados com a história atual da cidade para respondera esta indagação.
        De um modo geral, a entrevista foi bastante interessante. Ao final da entrevista, o administrador se colocou a disposição para colaborar com o nosso projeto de pesquisa no que fosse necessário e sugeriu que visitássemos a biblioteca do Cais do Porto onde estão vários documentos históricos que remontam várias épocas da existência deste importante espaço urbano.  
                                                      

TRANSCRIÇÃO  DA  FITA


Jaques – O Sr. Trabalha para o  DEPREC ?
Paulo – Estou vinculado a secretaria de transportes, administro os portos e hidrovias, portos  interiores, porto de Porto Alegre, de Pelotas, porto de Cachoeira e mais 700 quilômetros de hidrovias navegáveis. Essa é a função principal da superintendência de portos e hidrovias que é constituído de três diretorias básicas: uma de grande porte interiores, uma diretoria de hidrovias e uma diretoria financeira-administrativa, tudo isso coordenado por uma superintendente que executa as atividades (como autarquia estadual).

Jaques – Vejo nos muros do porto a inscrição DNOS. Ainda existe este departamento ?
Paulo  - Foi extinto na era Color. Foi o que fez a cortina da Mauá, é uma das obras do DNOS que mais chama a tenção, mas este órgão foi instinto não tem mais.

Jaques – Então a administração do porto está somente a nível estadual ?
Paulo – A administração portuária é estadual, a superintendência é uma autarquia estadual que administra sob concessão da união que concede ao estado o gerenciamento dos portos e hidrovias. Tudo isso é patrimônio da união e o estado criou uma autarquia para gerenciar esta concessão em nome da união.

Jaques – Quanto a operacionalidade do cais de Porto Alegre ?
Paulo – Antes da lei 8.630, a lei de modernização dos portos, de 1993, toda a movimentação do cais do porto era feita pela própria autarquia, a partir daí, então os serviços de operação no cais, movimentação horizontal de carga, operação de carga e descarga, recebimento e entrega de carga nos armazéns, foi sendo terceirizado gradativamente. Hoje todo movimento de carga é feito por terceiros (serviço privado). Os serviços, o gerenciamento, o monitoramento, disciplinamento ainda é feito pela autoridade portuária, pela administração do porto, mas a execução dele é feita por operadores portuários privados. Isso vem de 1993 para cá, gradativamente vai sendo mudado o modelo. Parte dos investimentos, equipamentos, tudo é feito pelo privado no sentido de melhorar e  aperfeiçoar a operação.

Jaques – Estes funcionários, pessoas que vejo carregando e descarregando os navios são funcionários do porto ?
Paulo – não são funcionários do porto, são funcionários de portuários privados. Nosso pessoal trabalha somente na coordenação das atividades, no monitoramento e no disciplinamento das atividades.

Jaques – A parte da segurança ... ?
Paulo – segurança, normalização, tarifas, horário, enfim tudo que envolva a organização da operação como um todo é feita pela administração que executa os serviços. Nas empresas portuárias privadas nós não interferimos neste processo, isso é no Brasil inteiro, alguns portos são mais avançados, outros menos, mas todos caminham para isso, e tudo começou em 1993 com a lei de modernização dos portos. Está mudando radicalmente o perfil operacional dos portos de Rio Grande, por exemplo, que já está com toda a sua operação feita por privados, gradativamente estão se adaptando a nova legislação.

Jaques – Então o quadro de pessoal não é muito grande hoje ?
Paulo – É muito reduzido. É mais a parte administrativa e manutenção. Temos uma equipe mínima de manutenção das instalações que é o patrimônio do porto, mas reduziu bastante o número de funcionáros, eu diria drasticamente.

Jaques – Aproximadamente, quantos funcionários?
Paulo – Hoje a superintendência que envolve Porto Alegre, Pelotas, Cachoeira, Rio Pardo e as hidrovias, entre pessoal de manutenção e pessoal administrativo são uns 200, no máximo e tende a diminuir cada vez mais. Isso a superintendência de portos e hidrovias, nada a ver com o porto de Rio Grande, porto de Rio Grande separado, eu falo Pelotas, Porto Alegre, e hidrovias interiores, pessoal carregado de fazer a manutenção da dragagem, sinalização, isto é,  para garantir a segurança da navegação.

Jaques – Sobre as mudanças que estão previstas dentro do projeto Porto dos Casais, como o senhor vê estas mudanças?
Paulo – Eu diria que o porto de Porto Alegre vai se transformar enormemente com o advento do porto dos casais. A vinda da GM e da Ford vai trazer uma transformação tão grande como foi na década  de 1970 com o complexo de soja que revolucionou o sistema portuário gaúcho, tanto que Porto Alegre, como Rio Grande, isto na parte dos granéis da época, (...) Hoje eu diria que o porto de Porto Alegre passa por uma explosão, uma transformação de atividades dentro de um complexo das cargas, em geral manufaturados (...). Eu diria, me atrevo a dizer que é a maior  transformação que Porto Alegre vai enfrentar nestes próximos anos a partir destes investimentos grandes maciços. Vai ser fantástico ! Nós não conseguimos nem imaginar, é imaginável o volume de carga, o volume de carga que pode representar para o porto, eu diria até que nos próximos 20 anos o porto vai ser insuficiente para atender toda a demanda de carga gerada,  decorrente destes investimentos nas cidades vizinhas do porto: GM, FORD, GODYEAR,  PYRELE e outras inúmeras empresas que vão se instalar aqui decorrente destes movimentos mais a transformação visual que  o porto dos casais vai causar, também vai ser um atrativo comercial de grande circulação e demanda de negócios que nós hoje nem conseguimos imaginar.


João Alves

#novela

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Chatô, o Rei do Brasil

Anton Pavlovich Tchekhov

Tchekhov, Anton Pavlovich. A dama do cachorrinho : e outros contos.  São Paulo : Ed. 34, 2011. 367 p..

Teoria Antropológica

PPGAS/IFCH/UFRGS


PROVA  2  -  Teoria  Antropológica 1

 

Questão 1

Enquanto Malinowski enfatiza a cultura como conceito explicativo das sociedades primitivas, Radcliffe-Brown elege o conceito de estrutura.  A partir do sentido que estes conceitos tem para cada um dos autores, procure estabelecer os pontos de continuidade e ruptura entre eles.

MALI

Cultura = Herança social (lingua, hábitos, idéias e crenças), herdados pelos indivíduos que nascem em uma determinada cultura. Portanto Herança Social é um conceito chave para a antropologia e é chamada nesse ramo da ciência por CULTURA.

A CULTURA é uma unidade bem organizada que se divide em dois aspectos fundamentais: I – Um conjunto de artefatos e II – Um sistema de costumes, também possui outras subdivisões ou unidades.

Todos os Elementos da Cultura dever estar funcionando, serem ativos e eficazes. O caráter dinâmico dos elementos da cultura e suas relações sugere que a tarefa mais importante da antropologia consiste no estudo da função de cultura.

AS NECESSIDADES ORGÂNICAS DO HOMEM constituem os imperativos básicos que conduzem ao desenvolvimento da cultura, na medida em que obriga a toda a comunidade a levar a cabo certo número de atividades organizadas.


RADICLIFF-BROWN


A CULTURA e a tradição Cultural se constituem em aspectos do processo da vida social.
Em R B o importante é observar este PROCESSO da vida social que é a sua unidade de investigaçào.
O PROCESSO consiste numa enorme multidão de ações e interações de seres humanos, agindo como indivíduos em combinação.
O Processo de MUDANÇA SOCIAL também é preocupação do autor.
A Cultura se constituem em aspectos do processo da vida social.
R B introduz a noção de SISTEMA SOCIAL.

 



Questão 7

Qual a contribuição de Marx para a antropologia segundo Firth e Godelier, tendo como referência os textos da sessão 14 ?
Tendo como ponto de partida a noção de mercadoria, Godelier propõe pensar a contribuição de Marx para as investigações antropológicas. Segundo o meu entendimento deste texto, o autor consegue trazer, de uma forma resumida, alguns dos principais pressupostos de “El Capital”, a partir desta primeira noção de mercadoria.
Para Godelier, a contribuição de Marx para a antropologia é positiva e complementar para que os pesquisadores, de um modo geral, consigam perceber a “essência” das relações econômicas e sociais. Ele afirma “la apariencia de las relaciones económicas dissimula y contradice su esencia”. (Pg. 314)
Ao referir a significativa contribuição de Marx para a definição da idéia de que o trabalho humano tem um duplo caráter representado na mercadoria: um concreto e outro abstrato, Godelier destaca que Marx havia realizado “um grande salto” em relação aos pensadores que o antecederam e que problematizavam esta mesma questão (cita William Petty e Adam Smith) sem haver percebido este caráter duplo do trabalho representado na mercadoria. Ele lembra ainda que Marx consegui realizar o que a economia burguesa sequer havia tentado realizar: colocar de forma clara as distinções da gênesis e da forma na noção da categoria dinheiro.
Godelier cita Marx inserido no rol dos grandes gênios do pensamento humano, ao lado de Freud e Aristóteles. De Freud ele argumenta que, a exemplo de Marx, este pensador conseguiu realizar o movimento em direção a “essência” da psique humana, ou seja, para trabalhar com as enfermidades mentais descobre  o inconsciente, fato que iria revolucionar toda a construção de conhecimento desta área. Quanto a Aristóteles, Godelier lembra uma passagem que o próprio Marx cita Aristóteles como um pensador que teve uma importante contribuição na sua definição de alguns elementos essenciais para a sua análise do capitalismo. A proposta de Aristóteles em definir que existia uma relação de igualdade nas expressões de valor das mercadorias, foi uma desta contribuições que levariam o próprio Marx a definir o caráter dual da mercadoria (valor de uso e valor de troca). Só faltou Godelier afirmar que Marx “relativizou” os pressupostos de Aristóteles para definir os seus próprios pressupostos, de qualquer forma, para este autor, Marx traz uma significativa (ou talvez decisiva) contribuição para a antropologia no sentido de aprender a superar os limites da própria ciência social, em um movimento rumo ao desvendamento das “essências” ou dos elementos que extrapolam as superfícies cognitivas do pensamento humano.

Questão 6
Estabeleça pontos de contato e de diferenciação no conceito de liminalidade conforme ele aparece no texto de Mary Douglas e de Victor Turner
Em Mary Douglas temos uma preocupação do tipo higienizadora para pensar a organização social. O corpo, com seus orifícios (entradas e saídas) é tomado como “modelo” para se investigar as estruturas sociais, onde as aberturas corporais representam, além de passagens, perigos e medos. “O Corpo é uma estrutura complexa”. Precisamos “ver no corpo um símbolo da sociedade, e os poderes e perigos creditados à estrutura social reproduzidos em miniatura no corpo humano.” (pg. 142)
“A idéia de sociedade é uma imagem poderosa. Ela é potente no seu próprio direito de controlar ou estimular homens à ação. Esta imagem tem forma, limites externos, margens e estrutura interna. Seus contornos encerram poder de recompensar a conformidade e repelir o ataque. Há energia em suas margens e áreas desestruturadas. Pelos símbolos da sociedade qualquer experiência humana de estruturas, margens e limites, está ao alcance da mão.”
Aqui “Os limiares simbolizam inícios de novos status” já em Turner a “liminaridade frequentemente é comparada à morte, ao estar no útero, à invisibilidade, à escuridão, à bissexualidade, às regiões selvagens e a um eclipse do sol ou da lua” (pg. 117), ou seja, como seres liminares não possuem status.
Para M. Douglas “qualquer cultura é uma série de estruturas relacionadas que abrangem formas sociais, valores, cosmologia, o todo do conhecimento e, através da qual toda a experiência é mediada. Em V. Turner temos dois elementos constituindo o tecido social: a estrutura e a comunitas. Na estrutura estão as relações sociais, o cotidiano, enquanto na communitas temos um tipo de desordem, onde as regras são desfeitas e ocorre algumas inversões de valores pré-estabelecidos. Sempre que uma communitas se estrutura deixa de ser communitas e abre espaço para uma nova communitas. Neste caso, a maneira que as pessoas utilizam para resolver os seus problemas é através da dramatização (ou dramaticidade), ou seja, soluciona-se uma crise organizando ou realizando um momento ritual.
Em V. Turner temos a noção de que “Os atributos de liminaridade, ou de pessoas liminares são necessariamente ambíguos, uma vez que esta condição e estas pessoas furtam-se ou escapam à rede de classificações que normalmente determinam a localização de estados e posições num espaço cultural. As entidades liminares não se situam aqui nem lá, estão no meio e entre as posições atribuídas e ordenadas pela lei, pelos costumes, convenções e cerimonial.





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terça-feira, 27 de outubro de 2015

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Dumont

LOUIS DUMONT

Sociólogo e etnólogo francês, nascido em 1911. Doutor em Letras. Diretor de estudos à L'EHESS.
Linha de Pesquisa: Estudo comparativo do sistema de idéias e de valores característicos das sociedades modernas.
O essencial dos trabalhos de Louis Dumont tem por fulcro a sociedade indiana, e mais particularmente, os problemas do parentesco, das castas, da religião e das mudanças sociais.
A teoria da hierarquia de Dumont nasce tanto do esforço de compreender o sistema de castas indiano quanto compará-lo com o modelo de PESSOA da sociedade ocidental moderna, a qual supõe culturalmente estruturada a partir do valor axial INDIVÍDUO. A categoria “indivíduo” passa a ser posta em perspectiva a partir deste estudo do sistema de castas hindu (H.H). Neste sistema, segundo Dumont, o indivíduo (na acepção ocidental de sujeito moral, dotado dos atributos de igualdade e livre autonomia da vontade)não tem um valor hierarquicamente preeminente mas sim a totalidade social e cósmica em que os indivíduos empíricos se inserem. Dumont conclui que subjaz ao sistema de castas hindu uma lógica hierárquica em operação cuja face mais visível é o chamado holismo ou ideologia da preeminência do todo sobre as partes e não uma lógica igualitária, cujo modelo ideológico mais acabado coincide, a seu juízo, com o individualismo ocidental moderno.
A hierarquia é a operação lógica de juntar os diferentes, sendo lógica e ontológicamente anterior aos modelos sociais concretos que a ilustram, estes comprometidos com um plano descritivo remetido a uma ordem ideo-lógica (no sentido dumontiano de uma lógica das idéias e não no sentido de falsa consciência, derivado da tradição marxista).
Esta ontologia se explicita numa espécie de lógica inconsciente de ordenação hierárquica da relação entre o todo e as partes, para então funcionar como um modelo cuja serventia é nortear as descrições e interpretações etnográficas.
Duarte aponta os dois grandes núcleos polêmicos da reflexão de Dumont, a distinção holismo/individualismo e a teoria da hierarquia.
Os três postulados:
1) Oposição entre todo e parte: supõe uma relação básica entre pólo englobante e pólo englobado da oposição.
2) Bidimensionalidade: para haver hierarquia é preciso haver uma distinção mínima entre dois níveis, o superior (unidade) e o inferior (distinção), sendo que os níveis só fazem sentido no interior de uma totalidade.
3) Hierarquia de níveis: cada totalidade só faz sentido no interior da vida social.
Contrariamente à tradição aristotélica, em que os termos das oposições são dotados de igual valor, a chamada oposição hierárquica prevê que os termos das oposições se diferenciem justamente pelo valor, funcionando como pólos simbólicos diferenciais no seio de uma totalidade determinada.
Exemplo: O mito bíblico de Adão e Eva. Eva nasce de uma parte de Adão, fundando-se a oposição entre masculino e feminino como hierárquica. Nesta totalidade a oposição Adão/masculino X Eva/feminino (nível inferior-distinção) é englobada pelo nível superior em que Adão/masculino se identifica com o conjunto da humanidade, ou seja é o valor que representa a totalidade.
A preeminência do todo sobre as partes, no âmbito desta dinâmica de níveis é complementada pelas temáticas do valor e da situação. O valor representa o elemento simbólico que funda a oposição hierárquica, em nome do qual se realiza o englobamento das partes. Este tem seu modelo abstrato na preeminência hierárquica da totalidade como valor no sistema de castas indiano, o qual desemboca na supracitada ideologia holista. Não só o todo pode ser um valor mas também o Indivíduo, a Família, o Trabalho, a Nação, a Revolução, etc. dependendo da contextualização etnográfica em consideração.
Situação significa que uma totalidade, assim como os próprios valores que a instauram, é acionada em contextos determinados e, nesse sentido, que o próprio recorte do antropólogo não escapa a esta propriedade de situação. Segundo Duarte, situação se opõe à substância, servindo para dessubstantivar as totalidades vividas como naturais ou substantivas pelos sujeitos sociais através da remessa analítica a uma origem simbólico-valorativa. Desse modo, a “propriedade de situação” implica que os objetos sociológicos eleitos para a análise (classes, grupos, família, nações, e assim por diante) devam sua concretude mais a efeitos de substantividade ensejados pelas atualizações de sistema simbólico-valorativos que a algum tipo de realidade ontológica natural.
Para Dumont o fenômeno hierárquico é universal. Mesmo em sociedades em que predomina a configuração individualista de valores, o princípio hierárquico de ordenação é predominante, ainda que inconsciente. Neste último caso, duas características são ressaltadas por Dumont: uma, que a sociedade ocidental moderna é a única que dissocia FATOS e VALORES, outra, que nesta sociedade se constata um paradoxo: no plano de sua ideo-logia, a PARTE (indivíduo erigido em valor axial) engloba o TODO (a sociedade como totalidade) fundando o que Dumont denomina de ideologia anti-sociológica.
Louis Dumont interpreta a sociedade indiana como fundamentalmente tributária da ideologia. É na referência aos dados ideológicos, à religião, ao sistema de crenças, que se organiza a vida social e se constitui os grupos. Neste sentido, Louis Dumont opõem-se à explicação marxista pelo econômico. A sua obra la Civilisation indienne et nous (Paris, Colin, 1964) apresenta-se assim como um ensaio de refutação da teoria de Marx que ele considera inadequada para entender a sociedade indiana. A casta é aí definida não numa perspectiva econômica, mas enquanto sistema de idéias e de valores.
Retomando os três princípios de Célestin Bouglé que regem o sistema das castas - separação, hierarquia e interdependência dos grupos sociais -, Dumont redu-los a um princípio organizador geral: a oposição religiosa do puro e do impuro. Semelhante discriminação, fundadora, no plano social, da desigualdade dos grupos, não constitui estes num estilo antagônico que define para numerosos sociólogos a natureza das sociedades industriais, mas no de uma complementaridade funcional. A sociedade indiana é assim feita de duas metades desiguais mas complementares. Com efeito, os intocáveis não estão situados fora da sociedade religiosa na medida em que a execução das tarefas impuras por eles levada a cabo é necessária à manutenção da pureza nas outras castas.
Ilustrando o método de Lévi-Strauss aplicado ao estudo dos sistemas de parentesco, Dumont estabelece igualmente o primeiro sistema de explicação do parentesco na Índia Meridional cuja coerência quase matemática ele revela.
Esta abordagem estruturalista estende-se à captação da sociedade indiana no seu todo: o puro e o impuro dividem-na em castas, quer dizer, num grande número de grupos permanentes que são ao mesmo tempo especializados, hierarquizados e separados uns relativamente aos outros (em matéria de casamento, de alimentação, de contato). Esta oposição fundamental segmenta-se indefinidamente constituindo subcastas, mas a realidade conceptual do sistema reside na oposição em si mesma e não nos grupos que ela opõe. Sendo assim, não se pode afirmar estar diante de seres ou de essências, mas, em verdade, de sistema de relações.
CASTA: O termo casta, de origem ibérica, é empregue pelos espanhóis no sentido de raça, pelos portugueses no sentido de tribo, e designa "algo não misturado". Littré mantém a mesma confusão definindo as castas indianas como "cada uma das tribos nas quais a sociedade da Índia esta repartida". () A realidade é mais complexa. Na Índia, a palavra casta designa varias coisas:
- as quatro categorias (varnas) sobre as quais assenta a hierarquia tradicional: sacerdotes (brâmanes), guerreiros (chátrias), mercadores e cultivadores (vaisias), seroctores (sudras; artifices-operarios);
- os conjuntos de indivíduos que se dedicam a uma mesma ocupação tradicional e são muitas vezes nomeados pelo mesmo patronímico;
- os grupos profissionais (muitos deles são modernos) que se consideram eles próprios como castas;
- Enfim, os jati, castas no sentido próprio, também chamados subcastas, que formam grupos hereditários, endógamos, localizados, hierarquizados e se consagram a uma atividade definida. Bouglé foi um dos primeiros a ter o mérito de caracterizar a noção de casta: "repulsão, hierarquia, especialização hereditária, o espírito de casta reúne estas três tendências. Convém retê-las todas se quisermos obter uma definição completa do regime das castas. Diremos que uma sociedade se acha submetida a tal regime se ela estiver dividida num grande número de grupos hereditariamente especializados, hierarquicamente sobrepostos e mutuamente opostos, se ela não tolerar, em principio, nem filhos da fortuna, nem mestiços, nem trânsfugas da profissão, se ela se opuser ao mesmo tempo às misturas de sangue, às conquistas de posição e às mudanças de ofícios".
Aplicam-se aos jati dois princípios de hierarquia. Por um lado, eles ordenam-se segundo o seu grau de pureza ritual. A oposição 'puro' (castas superiores), 'impuro' (castas inferiores) é efetivamente, segundo a expressão de Dumont, "o principio ideológico do sistema"; a hierarquia é portanto de natureza religiosa, não esquecendo, porém, que as castas impuras são, além disso, reputadas 'bárbaras' e congregam pessoas sem qualidade ("malnascidas"), sendo as castas superiores, ao invés, as que agrupam indivíduos 'civilizados' e 'bem-nascidos'.
Por outro lado, os jati são classificados, em harmonia com o seu estatuto político-econômico, segundo a ordem decrescente dos estatutos; Leach distingue os grandes proprietários fundiários (inviasdar), os rendeiros livres, os rendeiros adstritos à terra, os camponeses sem terra. Os camponeses sem terra e os rendeiros adstritos recrutam-se sobretudo entre os intocáveis, ao passo que os ricos proprietários pertencem às castas puras. Existe por conseguinte uma certa correspondência entre os dois princípios de estratificação.
Leach mostrou igualmente que a distribuição das castas podia apreender-se através de um esquema binário, principio de inclusäo-exclusäo (não é possível pertencer senão a uma única casta); principio de superioridade (oposição dos superiores, ou "duas vezes nascidos", e dos inferiores); principio de pureza (oposição sacerdotes-laicos); principio de especialização funcional (oposição principe-mercador)... A desigualdade inata e definitiva das castas, a aceitação inevitável da vodaçäo de casta (britti), a submissão ao destino (karma), fazem deste sistema o modelo da pura hierarquia.     (AKOUN,A. Dic. Antropologia. Lisboa, Verbo).

DUMONT, Louis. O Individualismo

A sociedade ocidental moderna é a única que dissocia FATOS E VALORES
nesta sociedade se constata um paradoxo: no plano de sua ideo-logia a parte (o indivíduo erigido em valor axial) engloba o todo (a sociedade como totalidade) fundando o que Dumont denomina de Ideologia anti-sociológica.
TEORIA DA HIERARQUIA  é um fenômeno universal
Dumont - influência na Antropologia Brasileira: Da Matta, Gilberto Velho, Duarte
Estudo do sistema de castas hindu - Indivíduo - não tem valor hierarquicamente preeminente mas sim a totalidade social e cósmica em que os indivíduos empíricos se inserem. Subjaz uma lógica hierárquica em operação.
Holismo - ideologia da preeminência do todo sobre as partes
Modelo da pessoa na sociedade ocidental - Indivíduo - sujeito moral do todo de atributos de igualdade e livre autonomia da vontade - lógica igualitária - ideologia da sociedade moderna
DUMONT, Louis  (1911)
Doutor em letras. Diretor de estudos à EHESS
Estudo comparativo do sistema de idéias e de valores característicos das sociedades modernas.
Sociólogo e etnólogo francês, nascido em 1911. O essencial dos trabalhos de Louis Dumont tem por fulcro a sociedade indiana e, mais particularmente, os problemas do parentesco, das castas, da religião e das mudanças sociais.
Luis Dumont interpreta a sociedade indiana como fundamentalmente tributária da ideologia. É na referência aos dados ideológicos, à religião aos sistema de crenças, que se organiza a vida social e se constituem os grupos. Neste sentido, Louis Dumont opõe à explicação marxista pelo econômico. A sua obra la civilisation indienne et nous: esquisse de sociologi comparée (Paris, Colin, 1964) apresenta-se assim como um ensaio de refutação da teoria de Marx que ele considera inadequada para entender a sociedade indiana. A casta é aí definida não numa perspectiva econômica, mas enquanto sistema de idéias e de valores.
Retomando os três princípios de Célestin Bouglé que regem o sistema das castas - separação, hierarquia e interdependência dos grupos sociais -, Dumont redu-los a um princípio organizador geral: a oposição religiosa do puro e do impuro. Semelhante discriminação, fundadora, no plano social, da desigualdade dos grupos, não constitui estes num estilo antagônico como essoutro que define para numerosos sociólogos a natureza das sociedades industriais, mas no de uma complementaridade funcional. A sociedade indiana é assim feita de "duas metades desiguais mas complementares". Com efeito, os intocáveis (na Índia, fora de casta, pária; o fato de o tocar constitui mácula) não estão situados fora da sociedade religiosa na medida em que a execução das tarefas impuras Po eles levada a cabo é necessária à manutenção da pureza nas outras castas.
Ilustrando o método de Lévi-Strauss aplicado ao estudo dos sistemas de parentesco, Dumont restabelece igualmente o primeiro sistema de explicação do parentesco na Índia Meridional cuja coerência quase matemática ele revela.
Esta abordagem estruturalista estende-se à captação da sociedade indiana no seu todo: o puro e o impuro dividem-na em castas, quer dizer, num grande número de grupos permanentes que são ao mesmo passo especializados, hierarquizados e separados uns relativamente aos outros (em matéria de casamento, de alimentação, de contato...). Esta oposição fundamental segmenta-se indefinidamente constituindo subcastas, mas a realidade conceptual do sistema reside na oposição em si mesma e não nos grupos que ela opõe. Sendo assim, não se pode afirmar estar diante de seres ou de essências, mas, em verdade, de sistemas de relações.
CASTA
O temo casta, de origem ibérica, é empregue pelos espanhóis no sentido de raça, pelos portugueses no sentido de tribo, e designa "algo não misturado". Littré mantém a mesma confusão definindo as castas indianas como "cada uma das tribos nas quais a sociedade da Índia esta repartida". () A realidade é mais complexa. Na Índia, a palavra casta designa varias coisas:
- as quatro categorias (varnas) sobre as quais assenta a hierarquia tradicional: sacerdotes (brâmanes), guerreiros (chátrias), mercadores e cultivadores (vaisias), seroctores (sudras; artifices-operarios);
- os conjuntos de indivíduos que se dedicam a uma mesma ocupação tradicional e são muitas vezes nomeados pelo mesmo patronímico;
- os grupos profissionais (muitos deles são modernos) que se consideram eles próprios como castas;
- Enfim, os jati, castas no sentido próprio, também chamados subcastas, que formam grupos hereditários, endógamos, localizados, hierarquizados e se consagram a uma atividade definida. Bouglé foi um dos primeiros a ter o mérito de caracterizar a noção de casta: "repulsão, hierarquia, especialização hereditária, o espirito de casta reúne estas três tendências. Convém retê-las todas se quisermos obter uma definição completa do regiem das castas. Diremos que uma sociedade se acha submetida a tal regime se ela estiver dividida num grande número de grupos hereditariamente especializados, hierarquicamente sobrepostos e mutuamente opostos, se ela não tolerar, em principio, nem filhos da fortuna, nem mestiços, nem trânsfugas da profissão, se ela se opuser ao mesmo tempo às misturas de sangue, às conquistas de posição e às mudanças de ofícios".
Aplicam-se aos jati dois princípios de hierarquia. Por um lado, eles ordenam-se segundo o seu grau de pureza ritual. A oposição 'puro' (castas superiores), 'impuro' (castas inferiores) é efetivamente, segundo a expressão de Dumont, "o principio ideológico do sistema"; a hierarquia é portanto de natureza religiosa, não esquecendo, porém, que as castas impuras são, além disso, reputadas 'bárbaras' e congregam pessoas sem qualidade ("malnascidas"), sendo as castas superiores, ao invés, as que agrupam indivíduos 'civilizados' e 'bem-nascidos'.
Por outro lado, os jati são classificados, em harmonia com o seu estatuo politico-econômico, segundo a ordem decrescendo dos estatutos; Leach distingue os grandes proprietários fundiários (inviasdar), os rendeiros livres, os rendeiros adstritos à terra, os camponeses sem terra. Os camponeses sem terá e os rendeiros adstritos recrutam-se sobretudo entre os intocáveis, ao passo que os ricos proprietários pertencem às castas puras. Existe por conseguinte uma certa correspondência entre os dois princípios de estratificação.
Leach mostrou igualmente que a distribuição das castas podia apreender-se através de um esquema binário, principio de inclusäo-exclusäo (não é possível pertencer senão a uma única casta); principio de superioridade (oposição dos superiores, ou "duas vezes nascidos", e dos inferiores); principio de pureza (oposição sacerdotes-laicos); principio de especialização funcional (oposição principe-mercador)... A desigualdade inata e definitiva das castas, a aceitação inevitável da vodaçäo de casta (britti), a submissão ao destino (karma), fazem deste sistema o modelo da pura hierarquia.
DA INDIA A AFRICA
Reencontramos o sistema das castas, embora com uma sistematização menos aprofundada, em certas populações da África Negra. Assim, o toucouleur do Senegal opõe os rimbe ou homens livres, que incluem os gorobbe (aristocracia religiosa), os jaawambe (cortesão, conselheiros, comerciantes), os sebbe (agricultores, criadores de gado), os subalbe (pescadores), aos nyeenybe (ou artífices, tecelões, sapateiros, ferreiros, ourives, trabalhadores da madeira) e griots (cantadores, músicos, trovadores) e aos jyaabe que agrupam os soottiibe libertos e os halfaabe ou dependentes (escravos, servidores).