sábado, 23 de maio de 2026

Franz Von Papen (1879 -1969)

 






Verbete


Franz von Papen


    Papen foi um político, diplomata e nobre conservador alemão que desempenhou um papel crucial na queda da República de Weimar e na ascensão de Adolf Hitler ao poder. Ele serviu brevemente como Chanceler da Alemanha em 1932 e, posteriormente, como Vice-Chanceler no primeiro gabinete de Hitler entre 1933 e 1934. Historicamente, Papen é lembrado pela desastrosa e arrogante suposição de que conseguiria "enquadrar" e manipular Hitler ao colocá-lo no governo. 


    Nascido em uma família nobre católica, iniciou sua trajetória como oficial militar antes de ingressar na política pelo partido católico de centro (Zentrum).  Em junho de 1932, o presidente Paul von Hindenburg o nomeou Chanceler. Seu gabinete autoritário ficou conhecido como "Governo dos Barões" devido à forte presença de aristocratas e à falta de apoio popular e parlamentar. Durante seu curto mandato, Papen suspendeu a proibição das milícias nazistas (como as SA) e depôs o governo social-democrata da Prússia, o que aprofundou a crise política e aumentou a violência nas ruas. Após ser substituído na chancelaria por seu rival Kurt von Schleicher, Papen buscou vingança política. Ele negociou secretamente com Adolf Hitler e grandes industriais alemães.

    Papen convenceu o idoso presidente Hindenburg a nomear Hitler como Chanceler em janeiro de 1933. O plano de Papen consistia em assumir o posto de Vice-Chanceler, cercando o líder nazista com ministros conservadores tradicionais. Papen declarou publicamente que, em dois meses, teria "empurrado Hitler para um canto" até que ele estivesse "implorando". O plano falhou imediatamente. Hitler ignorou as amarras constitucionais e assumiu o controle absoluto do Estado. Durante o sangrento expurgo interno nazista, vários assessores próximos de Papen foram assassinados e ele próprio foi colocado sob prisão domiciliar. Percebendo o perigo real, ele renunciou ao cargo de Vice-Chanceler. Para afastá-lo de Berlim, Hitler o enviou como embaixador para a Áustria (onde ajudou a preparar o Anschluss) e, posteriormente, para a Turquia durante a Segunda Guerra Mundial. 


    Após a derrota alemã, Papen foi um dos réus nos Julgamentos de Nuremberg. O tribunal o absolveu das acusações de crimes de guerra, argumentando que, embora suas manobras políticas fossem moralmente condenáveis, elas não configuravam conspiração legal para iniciar uma guerra agressiva. Posteriormente, um tribunal de desnazificação alemão o condenou a oito anos de trabalhos forçados como "principal culpado", mas ele foi libertado em 1949 após recursos judiciais. Ele passou o resto da vida tentando justificar suas ações em memórias até sua morte em 1969. 





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