A Ilha X Arquipélago
“A ciência vive
na vida
do cientista vivo
que pulsa letras
jurídicas
e não jurídicas”.
(Jacomini, 2024)
01
A condição socioeconômica dos moradores do arquipélago (Guaybe) mobiliza você (Sim? ou Não?).
02
A academia e a sua produção de conhecimento científico está contribuindo com o amparo, proteção e atenção dos que mais precisam de auxílio (cidadãos expostos, moradores dos rincões mais distantes, etc)?
03
Os mais aquinhoados, protegidos e afortunados podem contribuir com aqueles que mais necessitam? De que maneira (com o emprego de pecúnia? ou sem pecúnia?) O que os acadêmicos (a academia, os intelectuais, os cientistas) tem a ver com essa tragédia brasileira denominada de “Desigualdade Social”?
Samba esquema novo (Jorge Ben Jor)
Vamos cantar?!?!
Chove chuva
chove sem parar.
Chove chuva
Chove sem parar (...)
A memória inicial, desde “A Casa de Cinema de Porto Alegre” remete ao “produto cultural” conhecido como o documentário “A Ilha das Flores” (Jorge Furtado, 1989). E o “produto intelectual” dos acadêmicos (máquina pública federal) estão a produzir (exatamente) o que?
Gente.
Vejam.
Com a devida vênia.
O inverno iniciou (em breve vai soar a sétima Lua).
Você está com os pés aquecidos, a lareira ligada e a despensa repleta de provimentos. Dito de outra forma, se a guerra continuar, não muda muito o cenário para os abastados. E a plebe? E o descamisado? E o Cadúnico? Como estão os que não tiveram a oportunidade de avançar e foram retidos na seleção estatal - “funil furado oficial”?
A Ilha da Magia produz pérolas (com ou sem a luz do luar). A maior contribuição do momento para pensar a academia e os seus paradoxos surge na pena de um ilhéu. A “Revolução Brasileira” já ocorreu ou vai ocorrer? Como e quando, eu não sei. Vou permanecer na estrita seara do meu próprio curto conhecimento.
A palestra que eu ouvi (assisti e curti) fala de uma necessária discussão e de um debate urgente a se realizar sobre o ensino superior que nós queremos construir para o próximo período republicano brasileiro. A atual universidade pública é potente o suficiente, a fim de responder às novas questões e os novos desafios da nossa sociedade? O ensino superior está a contribuir com a nação brasileira e as suas demandas fundamentais? A produção científica oriunda do financiamento público apresenta um saldo positivo no contexto das necessidades estratégicas de um país continental, diverso e rico como é o Brasil?
A palestra do professor Nildo (Federal de Santa Catarina) foi excelente. Claro que o seu viés doutrinário atrapalha um pouco, embaça o entendimento de algumas questões e não é nota dez devido a exclusão do pensamento weberiano que é fundamental para pensar o Brasil, o Estado de Direito brasileiro e a burocracia estatal tutelada pelo Ministério da Educação, etc. Mas a questão que ficou para este modesto pensador que vos tecla é a seguinte: E o RS? Saímos da ilha e acaba o debate? O que os intelectuais do extremo sul do Brasil estão a pensar e a debater nesta virada de chave (eleição geral)? Vamos lotar o ILEA? (O Tempo e o Vento, Érico Veríssimo)
Eu vou ser bem sincero: na medida em que avançamos para o extremo sul, o frio aumenta, a presença da água líquida solidifica, a neve vira boneco (para quem consegue desfrutar dos benefícios da serra), os corpos afetados pelos músculos contraídos pelo frio, enfim o cenário não favorece a navegação. E o cérebro - as cabeças pensantes - também são afetadas pelas baixas temperaturas? E por falar em gelo, lembrei do Ramil e as suas “janelas de ar”. Se não me engano, foi no “A estética do frio” que ele fala em … Deixa pra lá. Veríssimo.
A próxima obra a aportar aqui no "Porto Isabel" vai ser solo (de clarineta). Érico Lopes Veríssimo não frequentou os cursos de mestrado e doutorado na federal. Mas quem se importa com Érico? Quem está lendo atualmente o livro: “Gato Preto em campos de Neve? Quem canta com Ramil? (A Canção Joquim?). Guma ainda está no mesmo lugar? E quem se importa com as artes no Vale? Tudo bem! Vamos voltar para os cabedais (ritmo e tom doutoral).
Gente!
Presta atenção!
A palestra do professor (doutor) Nildo é muito importante. Não é importante apenas para A ou para B. É de suma importância para o futuro da nação brasileira. Lembrei do professor (doutor) Gabriel Cohn (USP) dizendo: ah! O (Velho) Weber estava preocupado com o futuro da Alemanha, da unificação do Estado Alemão, de que tipo de cidadão iria contribuir com a hegemonia da cultura alemã no mundo. Tudo isso é verdade, mas ainda há muito silenciamento em relação ao Weber filho. Nada é dito sobre o Weber pai, por exemplo. Nada é dito sobre a Helene Weber (mãe), por exemplo (2). Poderia falar ainda no Otto Baugartehm (primo) na Ida Baugartehm (Tia), na orientanda predileta xxxxx e em muito mais do que chega para nós no Brasil sobre essa personalidade acadêmica magnífica, mas vou resumir tudo em uma frase (depois voltamos para a ilha):
“que homem é preciso ser para adquirir o direito de introduzir os dedos entre os raios da roda da história” (Weber, 1909)
Ciência e Política - duas vocações. Página 105 no nosso exemplar.
Atenção: para saber mais sobre este ponto, ler a página 264 do livro "Weber - uma biografia" de Marianne Weber. O próprio Weber se declara um "nacionalista econômico" e descreve a política econômica como serva do Estado (nação).
Aproveitando a sua atenção, nobre maestro (nobre maestra), antes do final do jogo (conclusão da obra). Gostaria de peticionar nos autos do processo, atuando na defesa do noviço (da noviça) das ciências sociais. Vejam. O acadêmico de ciências jurídicas possui uma oportunidade de entrar nas sociais: Sociologia Jurídica. O acadêmico das sociais não tem nenhuma oportunidade de entrar nas jurídicas. Diante do exposto, o reclamante postula pela inserção de uma nova disciplina no currículo de ciências sociais: Introdução ao Direito Constitucional.
Prezados senhores, esta é a oportunidade do cientista social apanhar a Carta Magna na biblioteca. Colocar em cima da carteira escolar. Abrir o livro e ler o artigo quinto da constituição do Brasil. Conhecer a presunção de inocência, o direito à defesa, o devido processo legal, aprender que a capacidade postulatória do HC não é restrita aos operadores do direito. Enfim, saber que Ulisses Guimarães não morreu (...), pois a “Revolução brasileira” já aconteceu e foi escrita pelo constituinte originário, que Krenak estava lá, subiu na tribuna do Congresso Nacional, pintou o rosto e conseguiu fazer emplacar dois artigos de lei extremamente importantes (231 e 232). Enfim, não podemos negar esse direito aos futuros cientistas sociais brasileiros que nem sequer conseguem ler o artigo 57 da lei 6.001/73 e não sabem o que pensar sobre o “Estatuto do Índio” (ou distinguir direito indígena de direito indigenista). Temos que virar essa página. Por favor. Voltando para a ciência política: 2016 foi golpe ou não foi?
A Plataforma Lumina (UFRGS) oferece oportunidade singular com a oferta do curso não presencial - O Golpe de 2016. Sinceramente, de próprio punho, posso declarar ser esta uma das oportunidades mais interessantes de construção de conhecimento nesta universidade. Vários pensadores, professores das mais diversas áreas do conhecimento científico, especialistas identificados com doutrinas concorrentes, discutindo e debatendo sobre um dos eventos sócio políticos de maior envergadura no cenário da história do Brasil. De fato, uma experiência especial para todos os partícipes.
Neste mesmo tom (ou ritmo), seja presencial ou on line, por que não auxiliar o professor Nildo e os seus companheiros albergados na Ilha da Magia, através de um grande debate sobre “A Universidade que queremos construir na fração que resta do novo milênio”. Unindo vermelhos e azuis, identitários e não identitários, marxistas e weberianistas, englobando o alto clero e baixo clero, cristão reformado e não reformado, ateu e demais correntes da religiosidade, pensadores capitalizados e descapitalizados, servidores públicos estáveis e não estabilizados, enfim gregos e troianos. Ampla discussão sobre o futuro do ensino superior no Brasil: acesso de vagas, permanência do alunado, financiamento de pesquisa científica, ranqueamento de produção acadêmica, demandas nacionais afetas ao conhecimento acadêmico.
A conclusão deste breve “relato de bordo” (nau) deve resgatar aquilo que escrevemos no início deste singelo construto. Transcrevo a sentença completa da frase que abriu o texto:
“A discussão em torno do marco temporal para a demarcação das terras indígenas que ainda está em curso nas três esferas de poder político anima o prosseguimento desta investigação científica. A nossa pesquisa não finda aqui, ou seja, continuaremos com “A Ética Protestante e o espírito do capitalismo” (Weber) em uma conexão com o “Biopoder” (Foucault – Os Anormais), pois sem o primeiro, este último não teria chegado ao “Ubu psiquiátrico-penal” onde fica claro que ambos estão trilhando no “Estudo histórico das tecnologias do poder” (FOUCAULT, 2002). Quiçá avançar (paulatinamente) um pouco mais e chamar Peter Sloterdijk para participar do nosso engenho com a sua antropotécnica e os estudos que chamou de “Parque Humano”? Questões abertas para oportunidades (potencialmente) futuras, pois a ciência vive na vida do cientista vivo que pulsa letras (jurídicas e não jurídicas). Sem mais”. (JACOMINI, 2024)
A chuva continua e Porto Alegre não quer acordar, mas já é in(F)verno e você não pode permanecer (calado) encastelado. Reage, enfrenta, seja honesto e sincero. Leia novamente:
01
A condição socioeconômica dos moradores do arquipélago (Guaybe) mobiliza você (Sim? ou Não?).
02
A academia e a sua produção de conhecimento científico está contribuindo com o amparo, proteção e atenção dos que mais precisam de auxílio (cidadãos expostos, moradores dos rincões mais distantes)?
03
Os mais aquinhoados, protegidos e afortunados podem contribuir com aqueles que mais necessitam? De que maneira (com o emprego de pecúnia? ou sem pecúnia?) O que os acadêmicos (a academia, os intelectuais, os cientistas) tem a ver com essa verdadeira tragédia brasileira denominada de “Desigualdade Social”?
Samba esquema novo (Jorge Ben Jor)
Vamos cantar?!?!
Chove chuva
chove sem parar.
Chove chuva
Chove sem parar (...)
Muito obrigado pela atenção!

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