sábado, 3 de janeiro de 2026

América Latina


 


Dante Ramon Ledesma cantando América Latina

"América Latina" é uma das canções mais emblemáticas de Dante Ramon Ledesma, cantor argentino naturalizado brasileiro e figura central da música nativista no Rio Grande do Sul. Composta por Humberto Zanatta e Francisco Alves, a música é um hino de protesto e esperança que aborda as lutas sociais, a união dos povos e a identidade latino-americana. 

A letra destaca o desejo por um continente sem fronteiras ("aramados") e homenageia figuras como o índio, o camponês e o peão, mesclando versos em português e espanhol. 


Segue 

a transcrição da letra:


Talvez um dia não existam aramados

E nem cancelas nos limites das fronteiras

Talvez um dia milhões de vozes se erguerão

Numa só voz desde o mar às cordilheiras

Da mão do índio, explorado, aniquilado

Ao camponês, mãos calejadas e sem terra

Do peão rude que humilde anda changueando

E dos jovens, que sem saber morrem nas guerras

América Latina, Latinoamérica

Amada América de sangue e suor

América Latina, Latinoamérica

Amada América de sangue e suor

Talvez um dia os gemidos das masmorras

E o suor dos operários e mineiros

Vão se unir à voz dos fracos e oprimidos

E às cicatrizes de tantos guerrilheiros

Talvez um dia o silêncio dos covardes

Nos desperte da inocência destes anos

E o grito do Sepé na voz do povo

Vai nos lembrar que esta terra ainda tem dono

Y las sesmarias de campos y riquezas

Que se concentran en las manos de poca gente

Serán labradas por el arado de la justicia

De norte a sur del latino continente

América Latina, Latinoamérica

Amada América de sangue e suor

América Latina, Latinoamérica

Amada América de sangue e suor

América Latina, Latinoamérica

Amada América de sangue e suor

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Machado de Assis

 





15 de Março de 1887 I Mais dia, menos dia, demito-me deste lugar. Um historiador de quinzena, que passa os dias no fundo de um gabinete escuro e solitário, que não vai às touradas, às câmaras, a rua do Ouvidor, um historiador assim é um puro contador de histórias. E repare o leitor como a língua brasileira é engenhosa. Um contador de histórias é justamente o contrário de historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias. Por que essa diferença? Simples, leitor, nada mais simples. O historiador foi inventado por ti, homem culto, letrado, humanista. O contador de histórias foi inventado pelo povo, que nunca leu Tito Lívio e entende que contar o que se passou é só fantasiar. O certo é que se eu quiser dar uma descrição verídica da tourada de domingo passado, não poderei, porque não a vi. Não sei se já disse alguma vez que prefiro comer o boi a ve-lo na praça. Não sou homem de touradas; e se é preciso dizer tudo, detesto-as. Um amigo costuma dizer-me: Mas já as viste? Nunca! E julgas do que nunca viste? Respondo a esse amigo, lógico mas inadvertido, que eu não preciso ver a guerra para detesta-la, que nunca fui ao xilindró, e todavia não o estimo. Há coisas que se pré-julgam e as touradas estão nesse caso. E querem saber por que detesto as touradas? Pensam que é por causa do homem? Iche! É por causa do boi, unicamente do boi. Eu sou socio (sentimentalmente falando) de todas as sociedades protetoras dos animais. O primeiro homem que se lembrou de criar uma sociedade protetora dos animais lavrou um grande tento em favor da humanidade. Mostrou que este galo sem penas, de Platão, pode comer os outros galos seus colegas, mas não os quer afligir nem mortificar. Não digo que façamos nesta corte uma sociedade protetora dos animais, seria perder tempo. Em primeiro lugar, porque as ações não dariam dividendo e ações que não dão dividendo … Em segundo lugar, haveria logo contra a sociedade uma confederação de carroceiros e brigadores de galos. Em ultimo lugar, era ridiculo. Pobre iniciador! já estou a ver a cara larga e amarela com que havia de ficar, quando visse o efeito da proposta. Pobre iniciador! Interessar-se por um burro! Naturalmente são primos? Não! É uma maneira de chamar a atenção sobre si. Há de ver que quer ser vereador da camara: está se fazendo conhecido. Um charlatão. Pobre iniciador! II Segue o texto de Machado de Assis. Transcrição em breve nesse canal.


15 de Março de 1887

I

Mais dia, menos dia, demito-me deste lugar. Um historiador de quinzena, que passa os dias no fundo de um gabinete escuro e solitário, que não vai às touradas, às câmaras, a rua do Ouvidor, um historiador assim é um puro contador de histórias.

E repare o leitor como a língua brasileira é engenhosa. Um contador de histórias é justamente o contrário de historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias. Por que essa diferença? Simples, leitor, nada mais simples. O historiador foi inventado por ti, homem culto, letrado, humanista. O contador de histórias foi inventado pelo povo, que nunca leu Tito Lívio e entende que contar o que se passou é só fantasiar.

O certo é que se eu quiser dar uma descrição verídica da tourada de domingo passado, não poderei, porque não a vi.

Não sei se já disse alguma vez que prefiro comer o boi a ve-lo na praça.

Não sou homem de touradas; e se é preciso dizer tudo, detesto-as. Um amigo costuma dizer-me:

Mas já as viste?

Nunca!

E julgas do que nunca viste?

Respondo a esse amigo, lógico mas inadvertido, que eu não preciso ver a guerra para detesta-la, que nunca fui ao xilindró, e todavia não o estimo. Há coisas que se pré-julgam e as touradas estão nesse caso.

E querem saber por que detesto as touradas? Pensam que é por causa do homem? Iche! É por causa do boi, unicamente do boi. Eu sou socio (sentimentalmente falando) de todas as sociedades protetoras dos animais. O primeiro homem que se lembrou de criar uma sociedade protetora dos animais lavrou um grande tento em favor da humanidade. Mostrou que este galo sem penas, de Platão, pode comer os outros galos seus colegas, mas não os quer afligir nem mortificar.

Não digo que façamos nesta corte uma sociedade protetora dos animais, seria perder tempo. Em primeiro lugar, porque as ações não dariam dividendo e ações que não dão dividendo … Em segundo lugar, haveria logo contra a sociedade uma confederação de carroceiros e brigadores de galos. Em ultimo lugar, era ridiculo. Pobre iniciador! já estou a ver a cara larga e amarela com que havia de ficar, quando visse o efeito da proposta.

Pobre iniciador! Interessar-se por um burro! Naturalmente são primos? Não! É uma maneira de chamar a atenção sobre si. Há de ver que quer ser vereador da camara: está se fazendo conhecido. Um charlatão.

Pobre iniciador!


II


Segue o texto de Machado de Assis.

Transcrição em breve nesse canal.


Humanidades




Humanos X pós humanos


 "A Humanidade 

caminha

a passos largos

para 

ocaso

do ser humano

na forma

na matéria 

que

o conhecemos

hoy".


Jacquesja@terra

Desde Porto Isabel

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Machado

 


15 de Março de 1887

I

Mais dia, menos dia, demito-me deste lugar. Um historiador de quinzena, que passa os dias no fundo de um gabinete escuro e solitário, que não vai às touradas, às câmaras, a rua do Ouvidor, um historiador assim é um puro contador de histórias.

E repare o leitor como a lingua brasileira é engenhosa. Um contador de histórias é justamente o contrário de historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias. Porque essa diferença? Simples, leitor, nada mais simples. O historiador foi inventado por ti, homem culto, letrado, humanista. O contador de histórias foi inventado pelo povo, que nunca leu Tito Lívio e entende que contar o que se passou é só fantasiar.

(...)

Transcrição Literal

Ilustração Brasileira

Machado de Assis