Mais dia, menos dia, demito-me deste lugar. Um historiador de quinzena, que passa os dias no fundo de um gabinete escuro e solitário, que não vai às touradas, às câmaras, a rua do Ouvidor, um historiador assim é um puro contador de histórias.
E repare o leitor como a lingua brasileira é engenhosa. Um contador de histórias é justamente o contrário de historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias. Porque essa diferença? Simples, leitor, nada mais simples. O historiador foi inventado por ti, homem culto, letrado, humanista. O contador de histórias foi inventado pelo povo, que nunca leu Tito Lívio e entende que contar o que se passou é só fantasiar.
XI. Dum ea ibi Romani gerunt, Antemnatium exercitus per occasionem ac solitudinem hostiliter in fines Romanos incursionem facit. Raptim et ad hos Romana legio ducta palatos in agris oppressit. Fusi igitur primo impetu et clamore hostes; oppidum captum; duplicique victoria ovantem Romulum Hersilia coniunx precibus raptarum fatigata orat ut parentibus earum det veniam et in civitatem accipiat; ita rem coalescere concordia posse. Facile impetratum. Inde contra Crustuminos profectus bellum inferentes. Ibi minus etiam, quod alienis cladibus ceciderant animi, certaminis fuit. Utroque coloniae missae; plures inventi qui propter ubertatem terrae in Crustuminum nomina darent. Et Romam inde frequenter migratum est, a parentibus maxime ac propinquis raptarum. Novissimum ab Sabinis bellum ortum, multoque id maximum fuit; nihil enim per iram aut cupiditatem actum est, nec ostenderunt bellum prius quam intulerunt. Consilio etiam additus dolus. Sp. Tarpeius Romanae praeerat arci. Huius filiam virginem auro corrumpit Tatius ut armatos in arcem accipiat; aquam forte ea tum sacris extra moenia petitum ierat. Accepti obrutam armis necavere, seu ut vi capta potius arx videretur, seu prodendi exempli causa, ne quid usquam fidum proditori esset. Additur fabula, quod vulgo Sabini aureas armillas magni ponderis bracchio laevo gemmatosque magna specie anulos habuerint, pepigisse eam quod in sinistris manibus haberent; eo scuta illi pro aureis donis congenta. Sunt qui eam ex pacto tradendi quod in sinistris manibus esset derecto arma petisse dicant, et fraude visam agere, sua ipsam peremptam mercede.
Este trecho de Tito Lívio narra as primeiras guerras de Roma após o rapto das Sabinas, destacando as conquistas sobre os Antemnates e Crustuminos, que resultaram na incorporação de seus povos e terras por meio de colônias e migração, e o conflito com os Sabinos, culminando na tomada da Cidadela Tarpeia por um estratagema envolvendo a filha de Tarpeio e uma promessa de ouro, que levou à sua morte e à fusão dos Sabinos com os Romanos, consolidando Roma como uma cidade unificada e forte, como descrito em Titus Livius, Ab Urbe Condita, Book I, Chapter 11.
A invenção do “Fato Literário” funda a literatura, criando uma nova realidade que o homem de letras não abre mão (inverno e verão).
Desde Tito Lívio, fato é que tornou-se impossível viver sem literatura. O que seria da humanidade sem o livro (livre) e a literatura(alta). Seríamos montanhas de desletrados, desertos de rimas, campinas em branco e cachoeiras sem ritmo. Seríamos manhãs tolas, tardes tortas e noites desidratadas.
“São janelas feitas de ar
Todas iguais …”
(Ramil)
O Fato Literário nasce do encontro da linha literária com o feixe de vontades criativas de um Ser Sensível que ama a literatura. Ser Sensível que, apaixonado pelos livros, vive as letras como se fossem “janelas de ar”. Hinos, canções, versos, estórias (sem fim) que tocam e encantam. Até aquele que aborta o sentimento e aborda o fato literário como se ramo fosse da burocracia, toca o tom e houve em sonho:
São janelas feitas de ar
Todas iguais
Qual delas se abre por mim?(Ramil)
A Vida Literária é plena. A Vida Literária faz do literato, pleno de possibilidades criativas, voar. O texto literário é opção de vida. Vida de fazer (janelas de ar) e saber que nada mais importa, quando fecha a porta e ficamos apenas eu e você, literato e literatura. Venceremos.
Venceremos todas as dores do corpo (e da mente), quando formos, efetivamente, apenas textos tecidos pela mão que costura sentimentos presentes aqui e acolá. O Fato Literário é a nossa construção que edifica nobres saberes e fazeres (sentimentos) que humaniza e reitero: amar é ir ao Mar.
São janelas feitas de ar (Ramil)
A invenção do “Fato Literário” funda a literatura, criando uma nova realidade que o homem de letras não abre mão (inverno e verão).
A Palavra e o Poder da Comunicação (ou as novas tecnologias da inteligência).
A jornalista entrevista o sacerdote e surge o debate sobre o presente. Eu pergunto para você: O que é o presente?
O meu presente são as letras, a palavra escrita ou esse texto que te ofereço como meu presente. Neste texto estamos juntos, pois é o meu presente de escritor no diálogo com o teu presente de leitor.
A tradição de troca de presentes foi transformada pelo sistema capitalista. A cultura humanista de origem judaico-cristã foi alterada, desde a reforma protestante. O que foi determinante, desde então? Um texto (as sagradas escrituras e uma nova interpretação).
As novas tecnologias da inteligência a época da reforma estavam presentes na tradução de um texto sagrado que deixava ser hermético e ganhava a sua primeira "versão popular" . A tradução de Lutero muda tudo, muda a humanidade que ganha um novo presente.
O primeiro presente de Deus foi o menino Jesus e o novo presente foi a oportunidade de viver o cristianismo como cristão reformado. Seria Lutero um novo Deus? Sacerdote, Teólogo, professor e inventor de um presente para a humanidade. Martinho Lutero deveria estar presente na primeira aula de ciências sociais (e humanidades) de todo os cursos acadêmicos. Mas não está. Trocaram uma doutrina por outra doutrina. Colocam um ateu no centro da cena e repetem: "Proletários de todo o mundo, uni-vos!!!" (K. M.)
Sempre vai ser um texto. Sempre vai ser uma inteligência (não artificial) que toca o sino do léxico e cria pérolas como aquela gravada com um novo desígnio: "A ética protestante e o espírito do capitalismo". Weber vem nesta esteira das novas tecnologias da inteligência, pois foi o único que percebeu (a época), está nascendo algo novo. Uma nova inteligência, uma nova dinâmica, uma nova vida, uma nova dinâmica social: a urbe capitalista.
A Ciência Jurídica fez florescer a condição necessária para a construção de um novo "Sol da Esperança" (L. B.). Max Weber inventou a "Economia Cultural" que atualmente chamam de sociologia. Ele não tinha a pretensão de abalar as estruturas ou "Revolucionar", mas buscava compreender que a economia "per si" não era o centro do debate e passa a escrever sobre a história econômica da humanidade.
A contemplação no Oriente é diferente da vida contemplativa no Ocidente, percebia ele. O que há de novo aqui no Ocidente além do Cristo? O desencantamento do mundo, a racionalização, a burocracia estatal, o novo ethos capitalista: Descartes, Lutero, Weber, Pierucci, (...) Herdamos esta descendência desencantada e capitalista. Haverão de surgir novos hinos, campanário metodista, jurídicas combinada com sociais.
A Palavra e o Poder da Comunicação (ou as novas tecnologias da inteligência) presente neste singelo texto pós natalino. João. Pedro. Cristo.
A jornalista produz matéria jornalísitica. Roteiro de filme é texto inventado pela indústria do cinema. A teologia social não é sociologia. O Direito Canônico e a jurisdição do sacerdote remonta ao Estado Teocrático. Videografia não é caligrafia televisionada. O que seria de nós sem o Estado de Direito presente? Muito obrigado pela tua presença. 6B.
Existem dois tipos de escritores. O escritor civil e o escritor militar. O primeiro se destaca pela sua autonomia, lucidez e criatividade e o segundo pela submissão à uma disciplina rígida vivida dentro de um sistema hierárquico e burocrático que permite pouca possibilidade criativa. Quase nenhuma, por assim dizer. (...)
Hoje é dia de festa, dia da padroeira, feriado em Viamão.
O paradoxo é o mesmo de sempre, pois o feriado de Viamão não impacta a grande maioria das pessoas que vivem na Velha Capital.
A grande maioria trabalha em Porto Alegre, portanto segue a sua rotina diária como se fosse um outro dia qualquer nas suas vidas. Feriado em Viamão, labuta em Porto Alegre. Cidade dormitório?
A Cidade vem crescendo muito e não é a mesma de outrora, mas grandes desafios ainda permanecem como a preservação do meio ambiente, por exemplo. Outro sim, a nova centralidade do município é um fato digno de nota, pois o centro histórico vai ficando cada vez mais na história (passado) e o quarto e oitavo distrito vão ganhando novo protagonismo geo político.
O Cenário político é outra página interessante que volta a ganhar grande destaque na mídia regional, mas como o processo ainda está em curso, toda a cautela é pouca e devemos aguardar os novos desdobramentos de uma dinâmica de poder político que segue quente, muita ativa e instável.
Ao nosso crivo, a Cidade de Santa Isabel segue sendo aquela quadra que vai decidir o próximo pleito. Todos sabem disso, pois é o que tem acontecido, efetivamente, desde sempre. Devo dizer ainda que necessitamos de mais atenção do gestor público: pavimentação, recolhimento de lixo, iluminação pública, controle da natalidade de animais domésticos, legislação para a circulação de carroças, políticas públicas de bem estar animal, dotação orçamentária para a Cultura, etc.
Em homenagem à padroeira, publicamos na sequencia um pequeno extrato de um trabalho que realizamos em mil novecentos e antigamente. Naquela oportunidade, realizamos uma análise comparativa entre os dois principais festejos católicos do município: A Festa da Padroeira de Viamão face a Festa da Padroeira de Santa Isabel. Acompanhe.
2.2 A FESTA DE NOSSA SENHORA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
“... havia um povo que, no final do ano, lá pelo mês de dezembro, reunia-se para louvar e agradecer o amor de Deus pai manifestado em Nossa Senhora, que em sua Imaculada Conceição trouxe salvação ao mundo. Juntos eles revezavam, refletiam e celebravam ! Com alegria e fé, foram passando essa tradição adiante ...
Agora no ano de 1999, você e sua família estão convidados para participar da novena e da festa de Nossa Senhora da Conceição. Será um momento de encontros, reencontros e, sobretudo, de muita fé. Venha ! Sua presença é muito importante para continuarmos esta história ! ”
Texto divulgado no panfleto chamando a comunidade para a festa da Nossa Senhora da Imaculada Conceição
As principais atividades da festa da padroeira de Viamão são realizadas no mês de dezembro. Os festejos possuem uma programação geral com atividades religiosas e sociais. O centro dos eventos é a própria paróquia e a organização fica a cargo de uma comissão de organização chamada de “festeiros” composta por 27 pessoas na oportunidade em que acompanhamos. Nos meses que antecedem o evento, os festeiros fazem diversas reuniões na igreja antecipando todos os procedimentos necessários para a realização da festa da padroeira. Estas reuniões e a organização como um todo são realizadas em parceria com as capelas localizadas nas vilas próximas ao núcleo central da igreja matriz de Viamão.
A programação observada iniciou no dia 29 de novembro e se estendeu até o dia 8 de dezembro. No período de 29 de novembro a 07 de dezembro foi realizada uma Novena em louvor à Nossa Senhora da Conceição. Cada dia da novena foi dedicado a um tema específico do tipo: “Maria, Mãe fiel e corajosa”, “Maria Mãe dos caminhantes”, “Maria, rainha das famílias”, ... O tema central da festa do ano de 1999 foi: “Com Maria rumo ao Novo Milênio”. Entre os dias 1º e 3 de dezembro aconteceram apresentações artístico-culturais na frente da igreja, atividade que envolveu um grande número de viamonenses, especialmente no dia 03 de dezembro, oportunidade na qual a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) se apresentou pela primeira vez na cidade de Viamão. Para a realização desta atividade houve uma espécie de parceria entre a paróquia e a Prefeitura Municipal de Viamão, através da Secretaria Municipal de Cultura. No dia 5 de dezembro ocorreu o almoço festivo à Nossa Senhora da Conceição no salão paroquial da matriz, reunindo cerca de 300 pessoas. Entre elas, estiveram presentes representantes dos poderes público executivo e legislativos, entre outras autoridades. O prefeito municipal, o presidente da Câmara de Vereadores e demais integrantes dos poderes executivo e legislativo prestigiaram o evento. O cardápio principal do almoço era composto de churrasco e buffet de saladas. Um comunicador, através de um sistema de som com alto-falantes distribuídos no entorno da igreja, fazia o trabalho de emissão de recados e animador da festa. Após ao almoço foi realizada uma missa e uma procissão. No encerramento das festividades, dia 8 de dezembro, houve novamente um almoço comemorativo, uma missa e uma procissão luminosa pelo centro da cidade de Viamão.
A programação pesquisada e observada que tem por objetivo reunir a comunidade de um modo geral, tentando trazer um bom número de viamonenses a participar das festividades da padroeira merece um destaque. Pelo fato de que as grandes vilas populares de Viamão e, portanto, a maior densidade da massa populacional encontram-se nas margens da RS 040, especialmente no trecho entre as paradas 32 e 42, a adesão destes viamonenses nas festividades da padroeira realizada no centro da cidade não acontece de uma forma expressiva. Agrega-se a estes aspectos geográficos e populacionais uma “Cultura” de deslocamento do tipo pendular desta população citada em direção ao centro de Porto Alegre e não ao centro de Viamão.
Segundo relatos dos religiosos entrevistados, a Festa do Divino Espírito Santo que acontece anualmente no centro de Viamão talvez tenha uma expressão e uma adesão popular maior que as festividades realizadas em torno da padroeira da cidade. Esta festa possui características semelhantes a festa da padroeira, especialmente devido a sua origem cultural de cunho luso-brasileira.
A imagem supra é de autoria de Jacques Jacomini, quando do pedal Morro Santana, via Anel Viário do Campus do Vale - UFRGS. Dista de muito tempo atrás, quando dispúnhamos de estado de saúde apropriado para tal engenho. Infelizmente, não é o que ocorre atualmente, pois estamos com limitações severas de deslocamento. O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bam....... continua numa boa.
Na tela 02 segue o STF, julgando (ADI, ADO, ADCT, H. C., etc.). Você já assistiu o enlevo das sessões históricas do tribunal? Elas estão disponíveis para acesso on line, gratuito e seguro. Tem cada raridade lá! Dá uma olhada na TV Justiça. Vale a pena. Recordar é viver. Enfim, estamos aqui, apenas para destacar que seguimos com a edição do novo livro sobre a Cidade de Santa Isabel.
A sequência deste, traz a reprodução de uma página que foi inserida no citado e-book. Justamente em dias tão secos e quentes, bora re-lembrar de situações mais amenas e reconfortantes. Boa leitura!
A Chuva Chegou
A Chuva Chegou e traz consigo a esperança de uma nova cena sócio-ambiental isabelense. Ciclos hídricos, vida que se renova.
A nossa cidade é plena e maravilhosa, mas fica ainda mais encantadora e bela, quando chove. Dai advêm a relação cidade não cidade (universo hídrico).
A nossa relação com o universo hídrico é muito significativa, apesar de estarmos a cerca de 100 kM de distancia do mar, as águas não salgadas estão presentes entre nós (sobremaneira). Via de regra, submersas e discretas, quando chove tudo vem a tona.
A cachoeirinha do Morro Santana está imortalizada em registros fotográficos e videográficos que realizamos a algum tempo atrás (Vide publicação no You Tube). A Cachoeira principal sofreu e sofre com as intervenções urbanísticas do entorno. Ademais foi privatizada e não temos mais acesso a este patrimônio natural, devido a implantação de um grande empreendimento imobiliário que bloqueia o acesso público do isabelense ao local.
A chuva chegou e a cidade de Santa Isabel acordou com um brilho especial. A precipitação pluviométrica fez-se presente durante toda a noite (praticamente) e os indivíduos (humanos e não humanos) surgem no dia de hoje ou emergem hoje revigorados (muito especialmente os minerais e os vegetais). Os animais não humanos curtiram muito, vejam os passarinho, por exemplo, fazem a festa, literalmente. Os humanos, nem tanto, pois há os que reclamam: ha! está chovendo! vou me molhar (para sair de casa).
Enfim, cada espécie reage de maneira distinta para os encantos da natureza. O importante é registrar: a chuva chegou e com ela a renovação e as novas possibilidades que se multiplicam nesta doce primavera.
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
A Poética do Frio (ou a topologia do silêncio)
No frio,
a cidade diminui o passo
e o silêncio ganha corpo
é como
se
o inverno
moldasse uma casa
I N V I S I V E L
onde
o ritmo do mundo
finalmente cede,
e ali
na lentidão necessária,
a alma
encontra o abrigo
I N T I M O
que só existe,
quanto
tudo ao redor
se aquieta
e silencia.
Topologia do Silêncio
O frio instaura uma outra ordem do tempo.
Não é apenas temperatura —
é um convite à lentidão,
um apagamento das urgências
que a cidade insiste em impor.
Quando o frio chega,
o mundo urbano hesita.
As ruas desaceleram,
os ruídos se tornam mais raros,
como se cada som precisasse
pedir licença ao ar denso
para existir.
Há um silêncio que só o inverno compreende:
um silêncio que não é ausência,
mas presença compacta,
quase material,
como se o ar fosse feito de vidro
e qualquer palavra pudesse rachá-lo.
Nesse silêncio, o corpo reaprende o ritmo.
Os passos ficam mais curtos,
os dias mais contidos,
o pensamento se recolhe
como quem busca um abrigo primordial.
A vida urbana tenta resistir —
acende luzes, acelera máquinas,
produz barulhos artificiais
para fingir que o frio não pensa.
Mas ele pensa.
E pensa devagar.
E nos obriga a pensar devagar também.
No sul, o frio cria uma pedagogia da quietude.
Ele nos devolve à nossa própria interioridade,
mostra que existe outra forma de existir
além da pressa endurecida das metrópoles.
Sob o vento cortante,
o mais íntimo se torna visível:
a necessidade de recolhimento,
de pausa,
de escuta.
Escuta de quê?
Do nada —
mas um nada cheio de forma,
cheio de densidade,
cheio desse silêncio que o inverno molda
como uma matéria discreta e sagrada.
E é nessa suspensão do ritmo
que descobrimos uma verdade antiga:
somente quando o mundo esfria
é que nossa alma pode aquecer
pela delicadeza de existir mais devagar.
Z. B.
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
A Arte de Guma
Segundo informações colhidas junto ao site da UFRGS, Guma é o nome artístico de Gumercindo da Silva Pacheco. O escultor nasceu em 1924 na cidade de Tapes. RS. O mesmo partiu em 2008.
A pinacoteca Barão do Santo Angelo possui algumas peças de Guma no seu acervo como a Escultura "Os Sertanejos". A sua inspiração artística emergia do convívio com os profissionais e alunos do Instituto de Artes da universidade federal. Na maioria das vezes, surgem figuras humanas, especialmente personagens que remetem ao homem dos pampas, segundo o que se observa do trabalho de Gomercindo da Silva Pacheco também conhecido como GUMA.
Além da escultura em madeira, Guma colocou na terracota, bronze e pedra-sabão o que sua sensibilidade sentia. Segundo relatos da própria universidade, a arte entrou em sua vida pelos corredores do Instituto de Belas Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atual Instituto de Artes (UFRGS), onde laborava em atividades não especializadas no ramo técnico e científico.
Foi admitido como marceneiro, mas também atuava como auxiliar de sala de aula (enquanto muitos o referem apenas como servente). Lá observava alunos e professores durante a realização das atividades acadêmicas (ensino, pesquisa e extensão). Certa feita, devido ao seu talento individual, passou a aventurar-se na produção de pequenas esculturas elaboradas a partir do material que era descartado pelas atividades acadêmicas curriculares. Tinha preferência pela madeira e de maneira autodidata foi ganhando espaço, respeito e notoriedade no meio artístico.
Através do permanente e sistemático incentivo que recebia dos especialistas, muito especialmente advindo do catedrático Fernando Corona, Guma passou a expor o seu trabalho em diversas galerias de arte, ganhando diversos prêmios pelo seu trabalho.
A imagem que abre esta página é de autoria de Jacques Jacomini que remonta a presença do trabalho artístico de Guma no interior da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IFCH - UFRGS).
Em 2006 houve una exposição na sede do poder legislativo,
donde extraímos as informações a seguir expostas.
Esculturas de Guma (Gomercindo da Silva Pacheco) estão reunidas na exposição que pode ser visitada até 27 de abril no Saguão do Salão Adel Carvalho da Câmara Municipal de Porto Alegre. O artista, de 82 anos, mostra personagens que retratam o universo campeiro, como gaiteiros, gaúchos, peões, mulheres grávidas, cavalos e touros. São peças em madeira, terracota e bronze, materiais que aprendeu a moldar no Instituto de Artes da Ufrgs, onde ingressou como servente, em 1944, e obteve o apoio de mestres como Fernando Corona e Clébio Sória.
Nascido em Tapes (RS), em 1924, Guma mora desde 1942 em Porto Alegre. Na Capital, descobriu o talento para a arte, mas buscou inspiração em suas raízes. Guma produziu obras-primas, nascidas nas fontes límpidas do popular, definiu o poeta e crítico Armindo Trevisan. Seus seres são atarracados, telúricos, plantados no chão, de saga simples e anônimos, simbolizando com candura o biotipo espiritual e físico de uma raça, escreveu o falecido Walmir Ayala, também poeta e crítico de arte.
Guma tem extenso currículo de exposições individuais e coletivas no Estado e em capitais como São Paulo, Rio, Brasília e Curitiba. Expôs também no Uruguai e conta com trabalhos em acervos no Exterior. Em 2005, foi o único artista gaúcho convidado a participar do 1º Festival de Cultura do Mercosul, no Museu de Arte de Santa Catarina, em Florianópolis.
A exposição na Câmara (Avenida Loureiro da Silva, 255), que tem apoio da Presidência da Casa, tem visitação das 9 às 18 horas de segunda a quinta-feira. Informações na Assessoria de Relações Institucionais, telefone (51) 3220-4392.