quinta-feira, 27 de novembro de 2025

 



A Poética do Frio (ou a topologia do silêncio)


No frio,

a cidade diminui o passo

e o silêncio ganha corpo

é como 

se

o inverno

moldasse uma casa

I N V I S I V E L

onde 

o ritmo do mundo

finalmente cede,

e ali

na lentidão necessária,

a alma 

encontra o abrigo

I N T I M O

que só existe,

quanto 

tudo ao redor

se aquieta

e silencia.



Topologia do Silêncio


O frio instaura uma outra ordem do tempo.
Não é apenas temperatura —
é um convite à lentidão,
um apagamento das urgências
que a cidade insiste em impor.


Quando o frio chega,
o mundo urbano hesita.
As ruas desaceleram,
os ruídos se tornam mais raros,
como se cada som precisasse
pedir licença ao ar denso
para existir.


Há um silêncio que só o inverno compreende:
um silêncio que não é ausência,
mas presença compacta,
quase material,
como se o ar fosse feito de vidro
e qualquer palavra pudesse rachá-lo.


Nesse silêncio, o corpo reaprende o ritmo.
Os passos ficam mais curtos,
os dias mais contidos,
o pensamento se recolhe
como quem busca um abrigo primordial.


A vida urbana tenta resistir —
acende luzes, acelera máquinas,
produz barulhos artificiais
para fingir que o frio não pensa.
Mas ele pensa.
E pensa devagar.
E nos obriga a pensar devagar também.


No sul, o frio cria uma pedagogia da quietude.
Ele nos devolve à nossa própria interioridade,
mostra que existe outra forma de existir
além da pressa endurecida das metrópoles.
Sob o vento cortante,
o mais íntimo se torna visível:
a necessidade de recolhimento,
de pausa,
de escuta.


Escuta de quê?
Do nada —
mas um nada cheio de forma,
cheio de densidade,
cheio desse silêncio que o inverno molda
como uma matéria discreta e sagrada.


E é nessa suspensão do ritmo
que descobrimos uma verdade antiga:
somente quando o mundo esfria
é que nossa alma pode aquecer
pela delicadeza de existir mais devagar.


Z. B.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

A Arte de Guma





A Arte de Guma


        Segundo informações colhidas junto ao site da UFRGS, Guma é o nome artístico de Gumercindo da Silva Pacheco. O escultor nasceu em 1924 na cidade de Tapes. RS. O mesmo partiu em 2008.


        A pinacoteca Barão do Santo Angelo possui algumas peças de Guma no seu acervo como a Escultura "Os Sertanejos". A sua inspiração artística emergia do convívio com os profissionais e alunos do Instituto de Artes da universidade federal. Na maioria das vezes, surgem  figuras humanas, especialmente personagens que remetem ao homem dos pampas, segundo o que se observa do trabalho de Gomercindo da Silva Pacheco também conhecido como GUMA.

        Além da escultura em madeira, Guma colocou na terracota, bronze e pedra-sabão o que sua sensibilidade sentia. Segundo relatos da própria universidade, a arte entrou em sua vida pelos corredores do Instituto de Belas Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atual Instituto de Artes (UFRGS), onde laborava em atividades não especializadas no ramo técnico e científico.

            Foi admitido como marceneiro, mas também atuava como auxiliar de sala de aula (enquanto muitos o referem apenas como servente). Lá observava alunos e professores durante a realização das atividades acadêmicas (ensino, pesquisa e extensão). Certa feita, devido ao seu talento individual, passou a aventurar-se na produção de pequenas esculturas elaboradas a partir do material que era descartado pelas atividades acadêmicas curriculares. Tinha preferência pela madeira e de maneira autodidata foi ganhando espaço, respeito e notoriedade no meio artístico.

            Através do permanente e sistemático incentivo que recebia dos especialistas, muito especialmente advindo do catedrático Fernando Corona, Guma passou a expor o seu trabalho em diversas galerias de arte, ganhando diversos prêmios pelo seu trabalho.

                       A imagem que abre esta página é de autoria de Jacques Jacomini que remonta a presença do trabalho artístico de Guma no interior da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IFCH - UFRGS).




sábado, 16 de agosto de 2025

A Isabel. Ronda Um. Tributo.

 




A Isabel

Ronda Um

Tributo


Prezados

    Acabamos de atualizar a página do nosso novo E-Book, falando sobre o ambiente natural isabelense na relação com os seres humanos. Propomos uma análise crítica estruturada de viés filosófico, desde um caso prático que também está sendo trabalhado no Curso "Economia Cultural: a gênese da modernidade - o que aprendemos com Descartes".

    A Videografia correspondente pode ser acompanhada no nosso Canal do You Tube (Jacomini Giacomini), local onde desenvolvemos de forma mais ampla as questões em tela, através de atualizações periódicas e sistemáticas. Fica a dica para todos os interessados nos temas da área das Ciências Sociais e Ciências Jurídicas. Acompanhe.






    

quarta-feira, 19 de março de 2025


TRANSCRIÇÃO Literal de Extrato da obra que segue

Livro
A inteligência das flores
Autor:
Maurice Maeterlinck
Capítulo 4
A inconsistência da nossa moral. 


A inconsistência da nossa moral. 


Estamos no momento da evolução humana que certamente não tem precedentes na história. Grande parte da humanidade, e justamente a parte que corresponde aquela que criou até agora os acontecimentos de que temos alguma certeza, deixa, pouco a pouco, a religião em que viveu durante quase 20 séculos. 


Extinguir-se uma religião não é fato novo. Deve ter se dado mais de uma vez na noite dos tempos. E os analistas do fim do Império Romano fazem-nos assistir à morte do paganismo. Mas, até agora, os homens passavam de um templo que desabava para um templo que se edificava, isto é, saíam de uma religião para entrar noutra. Temos hoje um fenômeno novo de consequências desconhecidas.


II


É inútil recordar que as religiões, pelas suas promessas de além túmulo e pela sua moral, tiveram sempre uma influência enorme na felicidade dos homens, ainda que algumas houve, aliás, importantíssimas como o Paganismo, que não faziam aquelas promessas, nem tinham moral propriamente dita. 

Não falaremos das promessas da nossa, pois elas perecem ao mesmo tempo que a fé, embora nós vivamos ainda nos monumentos elevados pela moral, que procedeu daquela fé que se retira. Mas reconhecemos que, não obstante as escoras do hábito, esses monumentos se entreabrem sobre as nossas cabeças, e que, em muitos pontos, já nos achamos sem abrigo, sob um céu imprevisto que já não dá ordens. 


Assistimos, portanto, à elaboração mais ou menos inconsciente e febril, de uma moral prematura, porque a sentimos indispensável, feita de destroços colhidos do passado, de conclusões recebidas do bom senso vulgar, de algumas leis entrevistas pela ciência e, enfim, de certas intuições extremas da Inteligência desorientada, que, por um desvio para um mistério novo, retrocede a virtudes antigas, para cujo sustentáculo não basta o bom senso. 


Talvez seja curioso tentar colher os principais reflexos daquela elaboração. Parece que está soando a hora, em que muitos perguntam a si próprios se, continuando a praticar uma moral elevada e nobre, num ambiente que obedece a outras leis, eles se não desarmam ingenuamente, e se não representam o ingrato papel de parvos. Querem saber se as razões, que os ligam ainda a velhas virtudes, não são puramente sentimentais, tradicionais e quiméricas e procuram baldadamente em si próprios os auxílios que a razão ainda lhes pode ministrar. 


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Em tempo

Fica o convite para você ler a nossa obra autoral


A Cidade de Santa Isabel

Ronda Um: Tributo.

Primavera 2022


Jacques Jacomini


Prefácio


A obra que vai ser exposta nesta tela surge da necessidade existencial (nossa) de manter o diálogo convosco. Diálogo este iniciado no século passado, quando da publicação do compêndio denominado: "Os Primórdios da História da Santa Isabel" (AAPC - CESAJO).

Aquelas "notícias" levadas ao conhecimento do isabelense atento, ainda hoje segue sendo e fluindo como esforço uno e irretratável de algo/alguém igualmente especial, onde é possível perceber que sujeito e objeto apresentam-se amalgamados (a revelia dos ensinamentos kantianos clássicos).

A crença (e consciência) de que somos cidadãos de uma cidade sem autonomia político-administrativa vai ficando cada vez mais forte e regular, pois se acumulam os elementos de prova (materiais e imateriais) colhidos ao londo do processo de estudo, pesquisa e análise do "objeto".

A Cidade de Santa Isabel é uma realidade tangível e palpável. Vejam, por exemplo, a presença do Arizinho (Ari Rodrigues) na RBS TV, programa "Jornal do Almoço". Isabelense nato com grande talento para as artes que cunhou aquele refrão muito conhecido entre os nossos iguais: "Hey de ver a Lua brilhar, iluminar o nosso pavilhão, de mãos dadas vamos cantar, sou da Vila faz tempo e ninguém vai nos separar".

A presença deste artista no principal meio de comunicação social do Estado do Rio Grande do Sul (onde já esteve em outras oportunidades), de grande visibilidade e prestígio na imprensa regional e nacional, posteriormente retransmitida por diversos meios de comunicação digitais independentes (rede social, you tube, etc), demonstra o que temos afirmado desde o século passado: A Isabel possui vida própria, possui história singular, dinâmica citadina e urbanidade digna de nota. A Isabel está presente aqui e acolá, demonstrando a sua pujança e riqueza, seja ela na área da cultural, da economia. Enfim, vivemos na Cidade de Santa Isabel. Isto é um fato inegável.

A presente obra vai escrita para quem compartilha conosco desta realidade, mas também para aqueles que ainda não despertaram para a nossa tese de observador atento que vive e estuda a região. A Cidade vai sendo delineada ali nos canteiros centrais da Avenida Liberdade, no troco de papel moeda surrado na mão do quitandeiro da esquina da Liberdade com a Barão do Belém, no passar do transeunte não nominado que cruza a Rua Nova com a Rua Triângulo. No fluxo intenso de veículos automotores na Lisboa, Walter Jobim e Medianeira. As feições, as cores, os odores deste locus mais do que especial são a nossa tinta na pintura a ser apresentada no miolo deste trabalho. Acompanhe e boa leitura!



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Prezado

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