quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Buricá re editado


 


BURICÁ

(Texto com revisão e nova edição)



        O abastecimento dos bens de primeira necessidade gera uma página importante do nosso blog. Trata-se da nossa própria história de isabelense. A vida aqui em Porto Isabel é marcada pela associação: pão e água, mas, quando falta água, ficamos apenas com a fé (nas letras). Dedico este primeiro texto do ano ao tema abastecimento. Vamos aos fatos.

        Chegamos na Santa Isabel em 1971. “Sentamos praça” ali na Rua Lisboa, esquina com Napoleão Bonaparte. O meu pai construiu (não mandou construir, eu disse construiu) uma casa muito simples de madeira reciclada.

         Na sequência buscou prover a residência com energia elétrica e abastecimento de água potável. Havia um escritório da CEEE aqui, onde solicitou, para a empresa prestadora do serviço, um ramal elétrico.

        A água encanada viria a ser uma “novela” (Tipo a leitura social da novela das oito). Fato é que o MEC ainda não havia mandado abrir uma clareira no morro e não havia rede pública para abastecer o nosso domicílio em água potável. Mas nem tudo estava perdido. 

        Zeferino era militar e tinha um colega que morava próximo ao nosso logradouro. Com um investimento de recursos próprios, Cabo Beto mandara cavar um poço artesiano para abastecer a sua residência. Nascia ali a nossa primeira alternativa de abastecimento de água. Descemos cerca de quinhentos metros até a residência da Burica (Rua João Braulio Muniz), esposa do Cabo Beto, apanhamos água no poço e subimos a Rua Nova empunhando baldes com a água que abastecia a nossa residência.  

        Hoje, mais de cinco décadas após o ocorrido, em pleno dia primeiro do ano, nós não temos água disponível nas nossas torneiras. Nós não dispomos de abastecimento de água potável nem de energia elétrica na nossa atual residência. Veja um detalhe: Estamos no miolo da Santa Isabel, residindo bem ao lado de um imenso reservatório de abastecimento da Companhia Riograndense de Saneamento CORSAN (eu prefiro chamar de complexo de abastecimento). Ou seja, poderíamos chamar o lugar de “centro da periferia”.

        A questão que se impõe:

         Você sabe quantas nascentes de água pura e cristalina existem aqui no nosso entorno, especialmente nos altos do Morro Santana?

         Muitas são as fontes de água existentes aqui na região. Eu mesmo já publiquei diversas vezes as imagens, especialmente da Fonte da Bica, a mais tradicional (ou famosa) entre nós.

         Por que a nossa comunidade sofre ciclicamente com interrupções no abastecimento de água (e de energia elétrica)?

        Recentemente o poder público local renovou o contrato com a CORSAN por mais de 30 anos de vigência. 

        Eu pergunto: foi uma decisão correta (e acertada) do administrador público municipal?

         A população foi ouvida a respeito?

          A comunidade está satisfeita com a Corsan?

         Existem alternativas para um sistema de abastecimento?

         O que dizer sobre as cidades que romperam contrato com a Corsan?

        A municipalização do serviço é possível?

        Ainda:

         O que aconteceu com as obras de implantação do sistema de esgotamento sanitário residencial aqui na região?

         Por que as máquinas sumiram e as obras pararam?

          Com a palavra os gestores responsáveis.


O Original está publicado em

https://acidadedesantaisabel.blogspot.com/2013/01/burica.html



3 comentários:

Jacomini Giacomini disse...

Uruguaiana, Cruz Alta, Santa Maria, Erechim, entre outras cidades gaúchas romperam contrato de prestação de serviços com a Corsan. Dá um Google e saiba mais.

Jacomini Giacomini disse...

Sim! O rompimento de contratos envolve o ressarcimento à companhia pelo patrimônio, processo que gera disputas jurídicas. Mas, destaco que a comunidade não foi ouvida e não participou desta decisão. A época a administração pública primava pela "participação popular". Diante do exposto, quais as circunstâncias políticas que não oportunizaram a realização de uma audiência pública, por exemplo? O que provocou uma decisão "a toque de caixa" por parte da gestão pública a frente do poder executivo naquela oportunidade?

Jacomini Giacomini disse...

O que se observa no período posterior? Mais de 70 % dos municípios atendidos pela Corsan decidiram não aderir aos aditivos contratuais após a privatização (Lei de 2021), o que abriu caminho para que muitos assumissem o controle direto ou buscassem novos concessionários. Mas, atenção, a nossa questão é do período anterior.