Diário
A Vida sem escrever um diário é como uma existência sem ar. Vive, mas não vive (efetivamente).
Você já escreveu a página do seu diário hoje?
Acordei e escrevi uma carta para um amigo.
Amigo de longa data que já recebeu, pois fui pessoalmente até a caixa do Correio. Até porque a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos sucumbiu. Uns dizem que foi a política internacional, enquanto outros dizem que foi a "Guerra". Enfim, eu não sei o que realmente aconteceu. Sei que não existe mais EBCT.
E por falar em saudade, o atendimento foi péssimo, quando coloquei um envelope dentro de um envelope maior, a fim de enviar para a "afilhada da Madrinha". Cheguei no balcão e falei: Boa tarde! Por gentiliza, uma Carta Simples. O funcionário apalpou, olhou, cheirou e perguntou: O que o senhor está enviando aqui? Respondi: Trata-se de um envelope dentro de um envelope (maior). Se o senhor quiser, pode abrir. A face enrugada responde do funcionário: Não! Não é necessário!
Fiquei incomodado, diante da visível vontade limitada do atendente. Agora está tudo resolvido: a empresa faliu, a agência fechou, o funcionário purgou. No entanto, perdemos o direito de enviar cartas. E como é bom escrever, dobrar a folha, sentindo a textura do papel. Fechar o envelope, pensando sobre a cola: bastão ou tradicional? Sentindo a resposta (não escrita). Diário (perdi o foco).
Eu falava sobre os "Cadernos do Carcere". Havia dito: A Vida sem escrever um diário é como uma existência sem ar. Vive, mas não vive (efetivamente).
Você já escreveu a página do seu diário hoje? Fui para a carta e voltei. Contudo, necessito de paciência do meu interlocutor. Mais uma preliminar de mérito: Quantos livros você já leu em vinte em seis?
Estou lendo um livro muito importante. Eu acho que é o vigésimo de 26, considerando todas as bases. Física papel e demais. Também considerando todos os tipos de leitura: linear, não linear, estruturada, mitigada, integral, parcial, focada, puro enlevo, etc. Já passamos de vinte, com certeza. Eu não contei, pois tem as releituras, as leituras da madrugada, os audio books, e-books, as experiências oníricas de leitura, enfim. Não importa a quantidade, pois é a relação com a obra e o autor que vai marcar a vida do leitor.
O fato é que só escreve e vive a escrita aquele que lê: o consumidor de livros (base física papel), o amante da literatura. Quem não lê, não escreve e há os que dizem que escreve e não escrevem, efetivamente. Compram, recortam e colam, corrompem a vontade alheia e usurpam o poder criativo do criador (que as vezes também é vendedor da sua própria expressão criativa). Esta área da economia gera muita riqueza. Vamos a obra a que me dedico na presente manhã.
Título: Criação. Autor: J. F. Rutherford. Impresso nos Estados Unidos da América. Não há ficha catalográfica e o editor diz no prefácio:
"É com prazer que o editor apresenta ao povo mais um livro escrito pelo Juiz Rutherford. É provavel que os livros de nenhum outro homem da terra tenha maior circulação. Este livro foi publicado a fim de que o povo possa compreender melhor a sua posição perante o grande criador. (...)"
Vejam: O interessante é que o título é criação, mas, desde o início, eu olhava a capa azul em alto relevo e via a palavra oração. Eu não sei a razão de ler algo ali que não configura com a grafia. Talvez porque o livro versa sobre o criador (Jeová) e a sua criação. A Terra (o planeta) é vista como um sistema anular, onde figura uma imagem do planeta (Pagina 31) muito interessante. O livro é ricamente ilustrado com personagens bíblicos, obras de arte do medievo, etc. Eu amo obras ilustradas. Eu fico ali por um bom tempo. As imagens me fascinam. Penso que muitos dos "equivocos grafados". São apenas imagens que viraram textos. Estudando psicologia e neurologia, recentemente descobri porque isso ocorre, mas não vem ao acaso.
A página noventa e nove é dedicada para a "Degeneração" e expõe outra imagem muito interessante do planeta Terra. Na sequência, leio: "Um abismo chama outro abismo, ao ruido das tuas catadupas; todas as tuas ondas e vagas tem passado sobre mim". Salmo 42:7
Falo desta leitura, pois ela remete para a carta ao amigo referido no topo deste "edifício". A situação trabalhada na carta, o contexto vivido e os textos que nos rodeiam propõe uma reflexão sobre o vinte e seis. As notícias não são boas e há quem diga que o número onze cerca os doze meses do vinte e seis. Ainda há referência a Gênesis 8:1 Provérbios 8: 27-29 Mas nós viemos aqui para beber (ler) ou para conversar (escrever)?
O nosso interlocutor é um homem inteligente e vai entender a mensagem. Creio na sua sensibilidade de gestor público e de artista, mas não creio num final feliz para a "Guerra". E por falar em guerra: Escobar disse na série televisiva, certa feita, que produzia a guerra, buscando a paz e o final da história não foi feliz. Eu não consegui assistir a integra do último capítulo, pois é muito triste. Creio que não há final feliz para nenhum tipo de guerra. Portanto, acredito que o mais sensato é semear palavras, cultivar doutrinas, escrever textos (autorais) e regar diários.
A Vida sem escrever um diário é como uma existência sem ar. Vive, mas não vive plenamente e efetivamente (Sempre que uso essa expressão lembro do professor V. B.). Escrevo mais de um, pois o que vivo (Pão e água) é intenso e transborda a pena (grafite 6B) e enxarca o papel. Por vezes, não escrevo, apenas leio (rumino), páginas antigas de diários obsoletos que ainda respiram. As palavras geram imagens e fico a contemplar as "janelas de ar" (Ramil) e a desejar o bom e o melhor para os meus. Vale.
Prometo voltar à realidade na próxima cena (texto), quando devemos voltar para o cotidiano do Estado de Direito. Você viu o que andam a publicar por ai? Estão a dizer que o código de conduta do tribunal alemão, que prima pela transparência e ética, tem servido de inspiração para propostas de regulação interna no Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, especialmente no que tange à conduta dos magistrados. Puxa vida, isso é importante. O Velho Weber permanece conosco e isso é bom!
Escrevi logado. É horrível!
Tive que voltar várias vezes.
Edita
Edita
Edita
Guerra das letras
da tecnologia
Re editei em 24 de janeiro de 2026.
5 comentários:
Estamento. Medievo.
É incrível a resistência da lógica (e dinâmica) estamental entre nós.
Bins foi um excelente professor. No seu magistério, o primeiro contato com o conceito de estamento. Mas aprendi, de fato e de direito, o estamento vivendo a academia.
Devido a vivência e ao conhecimento técnico que adquiri, surge a percepção clara que estão por sepultar a universidade pública. Infelizmente! Vai acabar. Como existe atualmente, não vai resistir. Quem viver, verá!
Exemplo público e notório foi aquele mencionado: O Instituto Federal de Viamão oferece ZERO vagas no SISU 2026. Verdadeiro escândalo! Alguém pode explicar isso?
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