quinta-feira, 2 de julho de 2026

Escritoterapia

 





Escritoterapia: escrevo, logo existo!?



"Há momentos na vida em que ler

ou não ler não é mais uma opção:

Ler é viver!

O que os outros escreveram?

E as nossas próprias interrogações?

Na jornada, o que a vida exige?

Creio que a vida exige autores,

construindo com a sua própria lucidez.

Não existe fórmulas de felicidade!?!?

E o rigor do texto?

Os exercícios estruturados podem ajudar?

O que há entre nós e a fronteira?

Onde está  a literatura?

Você gostaria de aprender

 a usar a palavra escrita,

 para dar contorno diferenciado,

para a sua própria vida (existência)?

O que era antes de chegar aqui?

O que pode vir a ser? O depois?

Escrevo, logo existo!

(Autor Desconhecido)



 

A sociologia que não me “ouva”, mas são “apenas” diários de viagens (ou imagens arquetípicas?) que surgem no universo de uma “família de letras”, ambiente cristão, culto e aristocrático de uma sociedade patriarcal que se construía como um novo Estado Nação (desde uma monarquia européia que controlava os saberes e fazeres locais). Como assim? Eu explico:

Max Weber pai escreveu cartas, pareceres, petições, sentenças, enfim “manuais de direito”, estritamente normativos, burocráticos e essencialmente racionalizados na doutrina e jurisprudência consolidada na época do império que já se conduzia para um novo regime político especial (século XIX - Alemanha).

Max Weber Filho escreveu muitas cartas, diários pessoais, petições, pareceres, artigos científicos, monografias acadêmicas, relatórios de pesquisa na sua área de interesse (direito, economia e história). Mas a posteridade mundial vai marcada pelos seus “diários de viagens”, especialmente criativos, pseudo-burocráticos (na medida em que o rigor acadêmico exigia) e essencialmente originais e inovadores. Tanto, quanto, com potência suficiente para formar as bases de uma nova doutrina (Weberiana), atualmente consolidada como “sociologia compreensiva”  (final do século XIX, início do século XX).

Helene Weber, dedicada e voltada essencialmente para o lar (e a família), as sagradas escrituras e o trabalho assistencial, escrevia espaçadamente cartas, poemas, entre outros corpos literários assistemáticos (escrita doméstica). Tolida e cerceada pelo sistema patriarcal da época, tutelada e limitada pela autoridade (as vezes autoritarismo) do seu esposo - Weber (pai) - tentava avançar e não conseguia desenvolver “carreira solo”. 

Marianne Weber surge nesta “novela” com papel de destaque, pois foi uma mulher que estava pavimentando um caminho para as suas companheiras intentavam vencer o sistema patriarcal da época. Mariannea construiu uma existência muito dinâmica e rica naquela Alemanha que também se construía como uma nação autônoma.Soube dosar uma vivência dedicada e voltada para o lar (e a família), combinada com o seu interesse pelas letras e pelo conhecimento científico. Apresentou Maurice Maethrlinck para Weber (livro e literatura) e declarou: necessitamos avançar, vou defender o direito feminino.

Passou a acompanhar o professor Weber (filho) nas palestras, aulas magnas, encontros informais com o alunado, enfim, entrou, via Weber, onde as mulheres da época não eram convidadas para entrar. Fez-se literata,  escrevendo cartas, poemas, artigos, teses, monografias, etc. Conseguiu furar a bolha da intolerância e da negativa imposta pelo sistema patriarcal da época. Sistema esse que, via de regra,  tutelava e limitada as mulheres pela autoridade de uma cultura machista e cruel.

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo é um diário de viagem? A resposta é sim e não. Estamos referindo uma obra marcada por dois momentos distintos vividos pelo seu autor que era um homem especial (muito especial). Literato e intelectual de nível elevado, pensava, elaborava teses e escrevia o tempo todo. Weber acreditava não haver limites para a sua criação e foi parado pela sua saúde frágil e instável. Creio que também tenha subestimado os poderes do Estado e a sua dedicação para Maeterlinck não foi suficiente. Se assim o fosse, essa estória teria um desfecho diferente.

A primeira parte da escrita de “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” foi um diário de viagem intelectual. A resposta é sim, pois ele vai para o Oriente (não fisicamente), quando estuda, investiga e pesquisa a religião e a religiosidade da China, por exemplo. A contemplação e a negação do mundo, foi fundamental para o olhar comparativo ao Ocidente (Ascese). Somente um homem especial (muito especial) consegue realizar este tipo de viagem. Literato e intelectual de nível elevado, pensava, elaborava teses e escrevia o tempo todo. Weber acreditava não haver limites para a sua criação e foi parado pela sua saúde frágil e instável.

A segunda parte foi objeto de viagem presencial. Referem a bagagem cultural e as viagens que o cidadão realiza. Como se transpor o corpo físico para “ares capitais” fosse mais significativo do que sorver o onirismo. O que diria Bachelard sobre uma experiência onírica? somente para dizer que a potência presente nestes dois tipos de viagem são objeto de intenso debate. Cremos muito mais na pena do “psicólogo dos livros” (Bachelard, 1984) do que no discurso dos demais.

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo é escrito na Alemanha. E a América? Contribui com essa prosa? Sim ou não? Acredito que sim, mas não na dimensão que apregoam. A pena de prisão nasce na Inglaterra. A Reforma (protestante) ocorre na Europa. O Iluminismo idem. E a América e os Estados Unidos da América? Quakers.

Os quakers (ou quacres) pertencem à Sociedade Religiosa dos Amigos, um movimento cristão dissidente fundado na Inglaterra no século XVII por George Fox. Eles não seguem dogmas tradicionais, não possuem líderes ou pastores e fundamentam sua fé na "luz interior" — a crença de que Deus se comunica diretamente com cada pessoa. Por que religiões como os quakers não prosperaram nas américas? Wesley.

Metodista refere-se a um movimento e a uma denominação cristã protestante originada na Inglaterra no século XVIII, liderada pelo teólogo John Wesley. O termo também se aplica a uma pessoa que segue essa doutrina, caracterizada pela ênfase na fé ativa, na importância da educação e na graça de Deus acessível a todos. Inglaterra.

A Igreja Anglicana surgiu oficialmente na Inglaterra no século XVI, em 1534, por meio do Ato de Supremacia. A ruptura foi motivada pelo desejo do Rei Henrique VIII de anular seu casamento com Catarina de Aragão, negado pelo Papa, o que o levou a romper com Roma e declarar-se chefe supremo da Igreja da Inglaterra. E. U. A.

Creio que não estamos a lecionar história nestas breves páginas, portanto devemos declarar que a nossa experiência mais próxima com o “Tio Sam” é aquela que vem pela pena do Veríssimo e o seu “Vapor Argentina” (Gato Preto em campos de Neve). Ele era um homem muito inteligente. Autodidata que criava mais do que um navio cheio de acadêmicos abastados e suas bolsas que lhe permitem quase tudo (dar muitas voltas ao redor do globo terrestre às custas dos cofres públicos, por exemplo). Voltando ao que interessa. Marianne Weber e o seu divisor de águas.

Veja o que a primeira dama do weberianismo declara na obra: Weber uma biografia:

“Algum tempo (eu escreveria nalgum). Depois do funeral (do pai do Weber) próximo ao fim do verão, os Weber fizeram uma viagem à Espanha. Ele precisava de relaxamento mental e emocional e só o encontrou nas novas impressões que mais uma vez preservou e em detalhadas cartas para sua mãe. 

Primeiro elas chegaram sobre o encantamento dos altaneiros Pirineus e sua atmosfera fria e refrescante. Diante daqueles contornos sobrenaturais naquela luz, ar inebriante. Parece que ali todos os problemas humanos perdiam o peso (...).

Depois ficaram fascinados com o “Estranho Mundo Novo” do Norte da Espanha, onde todo dia tinham de lutar com surpresas incômodas. Weber irritava-se e muitas vezes aborrecia-se com o letárgico sistema de transporte. Mas desta vez também se achava avidamente receptivo as novas impressões e flexível bastante para descobrir os mais atraentes aspectos daquele mundo desconhecido. Contudo, ele próprio interpretou a agitação com que não parava de agarrar-se constantemente a impressões novas como um sinal de exaustão nervosa”. (WEBER, 1983)

Enfim, a morte do pai do Weber foi um divisor de águas. Mas isso não é tudo, pois a forma como a autora (Marianne) fala dos desafios em relação ao estado de saúde do marido ganha tom enigmático (por vezes) com o emprego de palavras específicas. Diante do exposto, cabe questionar:

01

O que faltou declarar sobre Max Weber (e a sua saúde instável)?

02

Qual a verdadeira motivação para a “economia de palavras”, quando da qualificação (nos autos do processo) do biografado? (muito especialmente em aspectos mais íntimos e pessoais, momento em que surge o tom enigmático da autora em tela)

03

É possível ver o não visto, ler o não escrito e ouvir o silêncio de Marianne Weber no livro? Dito de outra forma: É possível, através de um método de análise específico,  buscar (nas entrelinhas) os elementos de prova negados pela autora (não disponíveis para o leitor) até o presente momento?

 Veja.

Outro dia, assistindo a palestra (satsang) de um guru, ele declara: “A Palavra é apenas um truque”. (S.P.B., 2024)

Resumo da ópera:

Marianne Weber é autora de uma obra sobre a qual a academia ainda não dispensou a devida atenção. Sinto muito pelo atua estado de coisas inconstitucionais de viés acadêmico. Os mais jovens estão presos a um sistema atroz embebido em “concreto” (amalgama de areia, pedra brita e cimento combiado com estruturas metálicas). Cadê o parquet da filosofia?

Acelerados e embalados, seguem os jovens cientistas. Trata-se de algo similar a um “ritmo agônico”. Os superiores hierárquicos, via de regra, veteranos mais capitalizados, carreiristas, com o passaporte na mão, rumo a próxima viagem internacional. E quem paga a conta? E os recursos financeiros que não alcançam as demandas? Quem é o responsável? Atenção: a proposta de uma nova constituição ganha corpo, a intervenção imperialista cada vez mais próxima e você, atualizando o Lattes, vai repetir o bordão: Eu não sabia de nada!

Como avançar? Livro e literatura!



Escritoterapia: escrevo, logo existo!?



"Há momentos na vida em que ler

ou não ler não é mais uma opção:

Ler é viver!

O que os outros escreveram?

E as nossas próprias interrogações?

Na jornada, o que a vida exige?

Creio que a vida exige autores,

construindo com a sua própria lucidez.

Não existe fórmulas de felicidade!?!?

E o rigor do texto?

Os exercícios estruturados podem ajudar?

O que há entre nós e a fronteira?

Onde está  a literatura?

Você gostaria de aprender

 a usar a palavra escrita,

 para dar contorno diferenciado,

para a sua própria vida (existência)?

O que era antes de chegar aqui?

O que pode vir a ser? O depois?

Escrevo, logo existo!

(Autor Desconhecido)


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