quinta-feira, 30 de julho de 2026

Xico Biriba

 








Guma


O percurso dele tensiona diretamente as fronteiras da validação artística por meio de dinâmicas fundamentais:


1. A Inversão do Olhar sobre o "Espaço de Trabalho"

Guma entrou no Instituto de Belas Artes da UFRGS em 1944 não como estudante, mas na condição de servente (funcionário da limpeza). Os mesmos corredores, ateliês e materiais (como as sobras de argila e blocos de madeira) que faziam parte de sua rotina de manutenção tornaram-se o laboratório de seu aprendizado autodidata. 
A transição de quem limpa as salas, para quem ocupa o Salão de Atos da reitoria como artista premiado, subverte a lógica de classes tradicional da academia. Raras vezes assistimos algo assim dentro da universidade.

2. Validação Estética e a Tutela Acadêmica

Embora fosse um artista com uma forte sensibilidade própria voltada a temas populares e de matriz africana, sua trajetória passou pelo crivo e pelo incentivo de grandes mestres da elite acadêmica gaúcha da época, como Fernando Corona e Clébio Sória.
 Isso levanta questões complexas para a nossa pesquisa:

A
Até que ponto a "arte popular" precisa da chancela institucional erudita para passar a existir como patrimônio valorizado?
B
Estamos diante de um caso de “racismo institucional” (Caso Guma?)
C
Qual é a verdadeira história do translado da obra de arte do campus central (Centro histórico de Porto Alegre) para o campus do vale (Bairro Agronomia quase limite com a Santa Isabel , cidade de Viamão)? Como ocorreu? Existem registros?


3. Racismo Institucional e Invisibilidade Histórica

Embora suas obras — como "Xico Biriba" ou "Alziro" — tenham sido amplamente consagradas nos Salões da UFRGS na década de 1970, o nome de Guma muitas vezes operou às margens da historiografia tradicional da arte no Rio Grande do Sul, um estado cuja narrativa oficial tendeu historicamente a priorizar a herança e os moldes eurocêntricos. Estudar Guma no IFCH é uma forma de combater esse apagamento, trazendo à tona as estruturas de poder que definem quem é visto como "gênio acadêmico" e quem é categorizado meramente como "artesão popular".
Atenção, colegas e amigos que conhecem outros aspectos desta história. Compartilhe conosco, participe desta investigação, colabore com a nossa pesquisa e vamos juntos traçar novas linhas da arte dentro e fora da universidade.








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