Veja
A Beleza desta página:
Weber e Freud juntos, conforme sintetizado no quadro acima.
É importante fazer uma correção e um esclarecimento crucial:
Ao contrário do que a estrutura do parágrafo de Peter Gay pode dar a entender à primeira vista, Max Weber não afirmou que Moisés era etnicamente um egípcio.
Na obra Judaísmo Antigo, Weber defende que Moisés era de origem israelita (provavelmente da tribo de Levi).
Quem cravou a tese de que ele era um egípcio nato foi o próprio Sigmund Freud em O Homem Moisés e a Região Monoteísta.
O que Peter Gay quis dizer ao associar Weber a Freud é que Weber tirou de Moisés o papel de "judeu tradicional" ao provar que a religião e a identidade que ele fundou não nasceram de uma revelação puramente judaica, mas sim de uma massiva influência cultural e política egípcia.
Para Weber, Moisés "não era judeu" no sentido de que ele não praticava o judaísmo que conhecemos; ele era um agente de transição fortemente moldado pelo Egito.
Weber justifica essa profunda "egipcianização" de Moisés e da fundação do judaísmo por meio dos seguintes pontos sociológicos:
1. O Nome e a Linhagem dos Levitas
Etimologia Egípcia:
Weber, alinhado com a filologia de sua época, destaca que o nome Moisés (Mose) não tem raiz hebraica, mas sim egípcia (significando "filho" ou "nascido de", como em Ramsés ou Tutmés).
A Elite da Tribo:
Weber aponta que a designação dos "Levitas" (a tribo sacerdotal de Moisés) possui fortes indícios de ter sido, originalmente, um grupo de burocratas ou oficiais com formação e influência cultural egípcia que se juntaram às tribos nômades.
2. Formação Burocrática e Carisma
O Líder Carismático:
Na sociologia de Weber, Moisés é o exemplo supremo do "líder carismático". No entanto, seu carisma não operava no vácuo. Weber argumenta que Moisés possuía o conhecimento técnico, jurídico e administrativo que só o Estado burocrático egípcio poderia fornecer na época.
O Mediador Político:
Moisés usa essa bagagem egípcia de "diplomacia internacional" para selar a confederação de tribos sob o pacto (aliança) com o Deus Javé no deserto.
3. Racionalização contra o Misticismo Egípcio
O Desencantamento do Mundo:
Ironicamente, Weber argumenta que Moisés usou sua experiência no Egito para criar algo oposto a ele. Ele rejeitou a obsessão egípcia pelo culto aos mortos, pela magia e pela deificação de reis.
A Ética da Lei:
Em vez de mistérios esotéricos, Moisés introduziu uma religião baseada em um contrato jurídico e ético direto com Deus (a Torá). Essa capacidade de racionalizar a fé veio, segundo Weber, do choque e da necessidade de responder à opressão da sofisticada máquina estatal do Egito.
Como Freud usou isso?
Freud pegou essa "brecha" de Weber (o nome egípcio, os levitas egípcios, a educação egípcia) e radicalizou a tese: se tudo em Moisés cheirava ao Egito, então ele era um nobre egípcio, seguidor do faraó monoteísta Akhenaton, que decidiu libertar os escravos hebreus para manter viva a sua religião solar banida.
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