terça-feira, 4 de agosto de 2026

o surgimento do cristianismo

 O surgimento do Cristianismo


Para Sigmund Freud, o surgimento do Cristianismo não é uma ruptura radical com o Judaísmo, mas sim o desfecho psicológico inevitável do trauma provocado pelo assassinato de Moisés.

Em sua obra Moisés e o Monoteísmo (1939), Freud utiliza a lógica clínica do "retorno do reprimido" para explicar como a culpa inconsciente dos judeus pelo parricídio (o assassinato de Moisés, o "pai da nação") germinou ao longo de séculos até explodir na teologia cristã.

A transição histórica e psicológica descrita por Freud ocorre em quatro etapas fundamentais:


1. O Avanço da Culpa Inconsciente

Após assassinarem Moisés no deserto devido à sua rigidez e exigências religiosas, os hebreus recalcaram (esconderam na memória coletiva) o crime. Eles adotaram o Deus vulcânico e violento de Midiã (Javé) para substituir o Deus abstrato de Moisés. No entanto, a culpa pelo crime original nunca desapareceu; ela permaneceu latente no inconsciente do povo, crescendo na mesma proporção em que os profetas de Israel exigiam maior pureza moral e obediência à Lei.


2. A Necessidade de Expiação (O Aparecimento de Jesus)

Séculos mais tarde, a pressão dessa culpa acumulada tornou-se psicologicamente insuportável para uma parte da população judaica. É nesse cenário que surge a figura de Jesus de Nazaré.

Para Freud, o Cristianismo nasce como um movimento de confissão e reconciliação. A mensagem central de Cristo e de seus seguidores operava um mecanismo psíquico profundo: a humanidade precisava ser salva porque carregava um pecado original.

 Freud traduz esse "pecado original" teológico como o fato histórico real do assassinato do pai primitivo (reeditado na morte de Moisés).


3. A Lógica do Sacrifício:

 "O Filho Reivindica o Trono"

Freud argumenta que a dinâmica da crucificação de Jesus resolve a culpa judaica por meio da antiga Lei do Talião (olho por olho, dente por dente). A lógica inconsciente do Cristianismo funciona assim:

O Crime:

 O Pai (Moisés/Deus) foi assassinado por seus filhos.

A Pena:

 Um preço de sangue precisava ser pago para aplacar a ira do Pai.

A Solução:

 O "Filho mais querido" (Jesus) oferece a sua própria vida em sacrifício para redimir o crime de todos os irmãos.Ao morrer na cruz, Jesus diz verbalmente à humanidade: "Vocês estão livres da culpa, pois eu morri pelo pecado de vocês".


4. A Vitória do Cristianismo sobre o Judaísmo (O Triunfo do Filho)

Ao aceitar o sacrifício do Filho, o Cristianismo conseguiu o que o Judaísmo não pôde: a catarse e a libertação da culpa reprimida.No entanto, Freud aponta uma ironia psicológica final.

 Sob o pretexto de salvar a humanidade e honrar o Pai, o Cristianismo operou uma segunda rebelião. A religião cristã se tornou, essencialmente, a religião do Filho. O Deus Pai (do Judaísmo) foi empurrado para o segundo plano, e o Filho (Jesus) assumiu o centro do culto.

 O Cristianismo, portanto, realizou o desejo inconsciente da horda primeva: o Filho substituiu o Pai de uma vez por todas.Os judeus, por sua vez, ao se recusarem a admitir que "o Filho havia nos salvado", escolheram continuar carregando o peso esmagador da culpa pelo parricídio original. Para Freud, essa recusa em confessar o crime é a raiz psicológica profunda do antissemitismo histórico sofrido pelo povo judeu.


Prezados (as) Amigos (as)


Trata-se de um exercício, baseado nas leituras de biografia de Max Weber e Sigmund Freu.

Foi bem puxado hoje.

Estou muito cansado.

Mas amanhã, vamos retornar com a segunda parte deste trabalho.

Acompanhe, pois a temática é fascinante e desafiadora.

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