Título:
Freud uma vida para o nosso tempo
Autor:
Peter Gay
pag 548
transcrição literal
segundo parágrafo
Tampouco as dúvidas em relação ao livro do Exôdo eram especialmente novas ou exclusivas da época de Freud. Estudiosos praticantes, tanto judeus como cristãos, tinham encontrado grandes dificuldades em fazer Moisés um personagem coerente; não eram capazes de explicar racionalmente sua exclusão da Terra Prometida, nem de concordar sobre as circunstâncias de sua morte. Já no final do século XVIII, os deístas tinham se divertido impiedosamente com o conto milagroso dos filhos de Israel atravessando o Mar Vermelho, e com os contos não menos milagrosos sobre as proezas de Moisés. Em 1764, no Dicionário Filosófico, Voltaire tinha apresentado razões irrefutáveis pelas quais Moisés não poderia ter escrito o Pentateuco (que, afinal, registra a sua morte). e em seguida apresentar uma pergunta mais radical: “É realmente verdade que existiu um Moisés?”. Em 1906, o eminente historiador alemão dos clássicos, Eduard Meyer, cuja obra Freud citava respeitosamente, levantou a mesma pergunta e sustentou que Moisés era um personagem lendário e não real. Freud não chegou a tal ponto; na verdade, a existência histórica de Moisés constituía a peça central de sua teoria. No entanto, ele insistiu, como fizera MAX WEBER em seu estudo sobre o judaismo antigo que Moisés não era Judeu.
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