sexta-feira, 17 de abril de 2026

Alma Grupo

 









Alma Grupo (ou Topografia do Areal da Baronesa)


A atenção dos senhores é fundamental aqui. Por favor. Necessito que acompanhem o meu raciocínio que vai elaborado desde a periferia de Porto Alegre.

    O Objeto é o atual estágio de desenvolvimento da educação pública e gratuita de nível superior. Entendemos que há um processo de modernização em curso que foi iniciado em 2016. A questão é a seguinte: Este processo que já está em curso e vai definir o futuro da educação pública e gratuita de terceiro grau (ensino superior) possui relação com a transformação do cenário religioso no Brasil?

    A fim de avançarmos na lide, lanço mão de três autores importantes que dão a base para o nosso engenho. João Cesar de Castro Rocha, Nikolas Ferreira e Max Weber. Salada? Não! Simples composição. Vamos cantar (Com Paulo Ricardo)?

 Virada do século

Alvorada voraz

Nos aguardam exércitos

Que nos guardam da paz

Que paz?



A face do mal

Um grito de horror

Um fato normal

Um êxtase de dor

E medo de tudo

Medo do nada

Medo da vida

Assim engatilhada



Fardas

E força

Forjam

As armações



Farsas e jogos

Armas de fogo

Um corte exposto

Em seu rosto, amor

E eu

Nesse mundo assim

Vendo esse filme passar

Assistindo ao fim

Vendo o meu tempo passar, hey



Apocalipticamente

Como num clipe de ação

Um click seco, um revólver

Aponta em meu coração

O caso Morel, o crime da mala

Coroa-brastel, o escândalo das jóias

E o contrabando



Um bando de gente importante envolvida

Juram que não torturam ninguém

Agem assim, pro seu próprio bem, oh



São tão legais, foras da lei

E sabem de tudo, o que eu não sei, não

Nesse mundo assim

Vendo esse filme passar

Assistindo ao fim

Vendo o meu tempo passar

Hey



Fonte: Musixmatch

Compositores: Paulo Ricardo Oliveira Nery De Medeiros / Paulo Antonio Figueiredo Pagni / Luiz Antonio Schiavon Pereira

Letra de Alvorada voraz © Warner/chappell Edicoes Musicais Ltda, Universal Music Publishing Ltda.



Alvo e claro. Artisticamente correto e oportuno. Apenas para lembrar da professora Lorena. Ela diz que sempre existe uma resposta para todo o tipo de opressão. Delcio Dornelles, ao seu modo, ratifica o mesmo ensinamento. Certa feita, tertúlia longínqua, dizia que o poeta fala o que o povo sente e cala. Literatura. Sociais combinada com jurídicas. A antropologia é o que, se não uma literatura muito específica que verte, via de regra, dos especiais de todo o gênero. Voltando.

A fim de avançarmos na lide, lanço mão de três autores importantes que dão a base para o nosso engenho. João Cesar de Castro Rocha, Nikolas Ferreira e Max Weber. Vamos ao Rocha.

A minha ignorância é tão grande que não havia encontrado antes o professor João Cézar de Castro Rocha (Apenas Rocha, desde aqui). A verdade que fui vítima do crime de furto e as oportunidades que foram suprimidas compõe o universo de um processo sem final. Tudo ia bem até o dia do “piripaque do Chaves”. Elaborei um relatório e a pessoa que exercia o poder estatal (superior hierárquico) entrou em pânico ao perceber que o meu relatório era mais extenso que o seu próprio (relatório). Agiu de forma estranha e desconexa com a realidade factual, passou a arrancar folhas (páginas e páginas) do meu relatório no intuito de diminuir o seu volume. Pode? Eu era muito jovem e não entendia os meandros da academia. Devia ter dado um basta naquele exato momento, mas decidi seguir. Resultado: a pessoa que era doente acabou por contaminar a todos. Triste cena institucional. Rocha nos aguarda.

A participação do professor Rocha no debate televisionado sobre a guerra é primordial para entendermos o rumo desta prosa. Convido a todos para dar um play no link abaixo e acompanhar o inteiro teor da fala do acadêmico que abordou de forma brilhante a guerra EUA x Irã. E para a nossa satisfação e alegria, vai muito além daquilo que já ouvimos nas preleções de diversos outros analistas, especialistas e experts em direito internacional, política externa, economia global, eticétera, etc.

O professor cita autores, teorias e leituras que são obrigatórias para todos os nossos colegas das sociais. Infelizmente, no presente momento, estou responsável pelo curso de “Economia Cultural” e diante do compromisso que assumi com o “Velho Weber” não posso adentrar ao debate que ele propõe. Mas quero chamar a atenção de todos para um debate importante: educação domiciliar. 

Atenção, você acompanhou o debate na suprema corte brasileira sobre o Tema 822? Trata-se de um julgamento sobre a possibilidade de o ensino domiciliar (homeschooling), ministrado pela família, ser considerado meio lícito de cumprimento do dever de educação, previsto no art. 205 da Constituição Federal. As informações estão disponíveis no site do tribunal. Vamos apenas destacar o principal:

Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL. EDUCAÇÃO. ENSINO DOMICILIAR. LIBERDADES E DEVERES DO ESTADO E DA FAMÍLIA. PRESENÇA DE REPERCUSSÃO GERAL

1. Constitui questão constitucional saber se o ensino domiciliar (homeschooling) pode ser proibido pelo Estado ou viabilizado como meio lícito de cumprimento, pela família, do dever de prover educação, tal como previsto no art. 205 da CRFB/1988.

2. Repercussão geral reconhecida.

O Relator é o ministro Luis Roberto Barroso.

Para saber mais:

https://portal.stf.jus.br/jurisprudenciaRepercussao/verPronunciamento.asp?pronunciamento=5658130

Re conectando. A modernização que já está em curso vai definir o futuro da educação pública e gratuita dentro e fora da escola formal? Ou ainda (dito de outra forma), podemos pensar sobre os limites do Estado de Direito (laico na sua origem e desenvolvimento) sobre o direito (e dever) de ensinar, bem como da gestão pública da educação. E a notícia de hoje pela manhã era a seguinte: O STF formou maioria (7x0) em abril de 2026 para derrubar a Lei 19.722/2026 de Santa Catarina, que proibia cotas raciais em universidades estaduais e comunitárias. O relator, ministro Gilmar Mendes, considerou a norma inconstitucional, reafirmando que ações afirmativas são ferramentas válidas de reparação histórica e igualdade material. Avançando para o autor (parlamentar).

O Professor Rocha na sua preleção de domingo a noite na TV Brasil convida a todos para o enlace com a obra denominada: “O Cristão e a política: descubra como vencer a guerra cultural”. A edição é de 2022 e o autor é Nikolas Ferreira. Você leu? Você tem alguma notícia sobre? Eu confesso que não havia chegado essa “notícia” ainda aqui no Porto Isabel. Os nossos recursos são muito limitados para a pesquisa e estamos avançando por pura expressão de um resistência necessária a nossa própria existência.

 O que diz Nikolas Ferreira na obra em tela? Eu não li o livro. Comprei um novo livro do Érico Veríssimo, mas ainda não chegou. Segunda mão: o gato preto em campo de neve. Contudo é necessário avançar. Navegando, chego ao artigo: “O recrudescimento do ultraconservadorismo no Brasil: análise do discurso político religioso de Nikolas Ferreira contra os valores e pautas feministas e LGBTQIAP+” de Edson Lugatti Silva Bissiati e Beatriz Aguiar da Silva. Nestes termos, o livro é um manifesto que mistura princípios religiosos com retórica política conservadora, incentivando o posicionamento dos cristãos contra a cultura dominante. Claro que isso não é tudo, pois ha a informação de que Nikolas Ferreira, defende o engajamento ativo de cristãos na política para combater a pauta progressista. O site amazon escaneou a orelha do livro e nos informa ainda que a obra aborda a “Guerra Cultural” como um conflito entre valores judaico cristãos e ideologias modernas, focando em temas como educação, família e a luta contra a ideologia de gênero.

O interessante é que Rocha lembra de um episódio onde a ex-primeira dama da república realiza uma fala neste sentido. Ou seja, que o cristão não pode se abster de debates políticos e de vem assumir uma postura de batalha cultural. Tema conexo: Ambos são unanimes nas críticas à instrumentalização da educação, ao ativismo universitário, ao aborto e a desconstrução da família.

Segundo a orelha do livro, a obra reflete a visão do autor de que há um ataque contra a influência cristã, buscando engajar os seus leitores em uma “Guerra Silenciosa”. Me parece que nem tão silenciosa assim, pois desde ontem estamos aqui a chamar a atenção do nosso aluno para os novos ares que sopram na ilha. A Federal de Santa Catarina passou por um processo de “escuta” da comunidade acadêmica que optou por renovar a linha política dos gestores da máquina estatal de ensino superior. E o RS? Esse vento chega aqui? (Ou não?).

Eu confessei que não li Nikolas Ferreira, mas eu li (e reli) Max Weber. O nosso terceiro interessado na lide. Perdão! Acho que ele é parte, assim como Rocha e vamos convencionar que o terceiro interessado é Ferreira, pois (em tese) menos graduado que os demais. O fato é que não é fácil resenhar uma obra de quase novecentas páginas. Bruna e Josué fizeram a rezenha de “Weber: uma biografia”. Falamos sobre na live de ontem, portanto não vamos voltar ao termo por uma questão de tempestividade. É feriadão e você vai viajar. Não quero atrapalhar a arrumação das malas. Não esquece os livros (base física papel). Eles sempre são excelente companhia.

Tenho por hábito eleger a frase do livro que estou lendo e isso não é tarefa simples, quando dispomos de várias centenas de páginas para o feito. Mas quem procura acha e quem espera sempre alcança. Apenas ditos populares que vem ao presente termo, a fim de adoçar a boca de quem bebe sem pretensão de por mais um diploma na parede. Até porque não existem mais aqueles documentos físicos diplomas e tais quais dantes haviam. A Guerra está acabando com muitos ânimos, homens e vontades dentro e fora da academia. Veja aquela escola no Irã que foi alvo dos ataques no início da guerra. Depois mais um ataque em um complexo universitário onde especialistas de energia nuclear eram os alvos do império (dos imperialistas).

Weber viveu a guerra. Ele esteve presente no conflito armado que entrou para a história como a primeira grande guerra. Estou convencido de que este fato foi determinante para o declínio da sua saúde já frágil e instável ao longo daqueles últimos anos que antecedeu a sua morte. Claro que ante disso houveram outros “horrores” e ele fala sobre isso, literalmente no livro “Ciência e Política: duas vocações”. Relata a dinamica da vida acadêmica e as mazelas de viver institucionalizado. Diz, por exemplo, que ninguém passa por um processo seletivo para ocupar um cargo de professor universitário sem determinado sofrimento. E que é dito ali, não são falas agradáveis. Difíceis de esquecer e que ninguém ousa reproduzir. Algo assim, eu não vou citar as páginas, mas está tudo ali.

A Guerra do homem contra o homem é a chave. A guerra do Estado contra o Estado. A guerra não para e não elege vítima substancial. Os impérios se sucedem rumo ao caos e o Estado de Direito é, desde o grande levante, o Norte. Se a guerra é ilegal, o seu proponente não é um estadista, senão um facínora, um despota cruel. E a ferida cruenta, produto do conflito tem cheiro tão desagradavel quanto a nossa imaginação pode alcançar. Lembrei do direito penal do inimigo e do alto grau de letalidade das polícias brasileiras. Enfim, devo remete-los para o capítulo dezesseis: Serviço Militar.

A página exata é a de número 602. Desta feita, não é uma frase, pois são dois parágrafos que sintetizam a vida, a dor, o sofrimento e o desaparecimento de Weber. Não é nem um pouco “falar” sobre isso: guerra, dor, sofrimento e desaparecimento. Mas está ali aquele que foi jovem professor (outono de 1893 a 1897) capítulo sete. Sofreu um esgotamento nervoso, capítulo oito. Se recuperou e viveu uma nova fase, capitulo nove. Viajou, foi a Roma e voltou, explorando novos cenários, obras de arte e vivendo muitos regozijos, capítulos treze e quatorze. Mas a guerra não perdoa ninguém. Estamos todos expostos e com Weber não foi diferente. Ele viveu, sofreu e morreu. E a guerra continua.

O parágrafo inicia assim: “Chegara a hora e foi uma sublimidade jamais sonhada. Os fatos externos, na verdade, não assomaram em grande parte da pequena cidade(...) Após formar uma fraternidade, prontificaram-se a destruir suas identidades individuais, servindo.” página 602. Segue na 603

“A caminho de casa, os Weber pararam por um momento na ponta superior de uma velha ponte; um entardecer de radiante sol emprestava perfeição a tudo que os cercava. (...) A terra descansava cheia de alegria em sua beleza. Logo beberia o sangue de milhares. (...) E ainda mais comovente que a sina dos jovens era a dos homens que se punham então a sair andando conhecedora e sobriamente do auge da vida para entrar nas trevas”. (Marianne Weber)

Weber não morreu na guerra, após trabalhar nos hospitais de campanha, retorna para casa, para a educação e para a política. mas não era mais o mesmo homem. Abatido, triste, quase oco ficou mais silencioso do que nunca. As trevas da primeira guerra repercutiram muito. Veio a segunda grande guerra e outros tantos conflitos internacionais se sucederam. Se Weber estivesse vivo, talvez estaria escrevendo um livro de história sobre as guerras. E qual é a situação atual? Entende, por que temos que cantar com Paulo Ricardo? Alvorada Voraz. Paz. Que Paz? Pra onde correr?

O Objeto é a educação pública e gratuita de nível superior. Entendemos que o processo de modernização já foi iniciado. A questão é a seguinte: Este processo que já está em curso vai definir o futuro da educação pública e gratuita de terceiro grau (ensino superior)?

A fim de avançarmos na lide, lanço mão de três autores importantes que dão a base para o nosso engenho. João Cesar de Castro Rocha, Nikolas Ferreira e Max Weber. Salada? Não! Simples composição. Vamos cantar (Com Paulo Ricardo)?

A idéia é seguir resistindo. Se você tem algum livro para ali na tua estante do professor Rocha, aceitamos doações de qualquer título. Nikolas Ferreira idem, pois gostaria de ler também e conhecer esta “nova doutrina brasileira”. Apesar que creio ainda que todo esse movimento tem início com as aulas de Olavo de Carvalho (Curso de filosofia em ambiente virtual). Weber sempre é bem vindo. Qualquer título. Aceitamos empréstimo. É horrível ler na tela, sigo com a base física papel.

Antes do fecho. O Outono da idade média. Grande clássico da historiografia ocidental, publicado em 1919, este livro é a obra-prima de Johan Huizinga (1872-1945), tendo sido lançado em mais de vinte línguas. Pela primeira vez traduzido para o português a partir do original holandês, esta edição é resultado de pesquisas que reestabeleceram o texto original, em 1997. Raras vezes um período histórico foi apresentado de maneira tão viva e colorida. Aqui, a Idade Média é vista na plenitude de seus contrastes, distante do lugar-comum segundo o qual ela não passaria de uma transição, longa e letárgica, entre o brilho da Antiguidade e do Renascimento.

Abri uma vaquinha virtual, a fim de adquirir a obra supra referida. Se houver interesse dos pares. Favor fazer contato. Todos os valores são bem vindos. Vamos para a conclusão desta breve prosa. Atenção, isto não é e não pretende ser nada parecido com um artigo científico. Apenas um breve relato de experiência de pesquisa forjado na periferia de Porto Alegre, RS, Brasil.

A Conclusão deve ser apresentada com temas conexos. A Etnografia de rua foi termo cunhado com a nossa participação (co-autoria). Naquela oportunidade, ao etnografar a cidade (topoanaliticamente, além de antropologicamente), descobri que Porto Alegre é, na verdade, um grande e extenso areal. Ao que tudo indica, um novo evento climático de grandes proporções vai ocorrer em breve.

A Alma grupo é um conceito de interesse da área da etologia. Sempre que um indivíduo (animal) de determinado grupo (ou espécie) é ferido de morte, a agressão aflige a todos e a resposta não é individual. Encontrei o elo (perdido) entre a Falange e a literatura. Outro sim, animal exótico não é análogo ao animal silvestre. Muito obrigado pela atenção de todos! 



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