Antropologia na Madrugada
(Mestre Borel - a ancestralidade negra em Porto Alegre)
“Não é possível uma educação universal através da escola”. (ILLICH, 1970)
Ivan ILLICH. Sociedade sem Escolas.
A Antropologia na madrugada convida você para ler um bom livro. Você já leu “Sociedade sem Escolas” de Ivan Illich? O que seria de nós sem a filosofia?
A potência do antídoto não pode ser desproporcional na relação com o veneno. Escolarização e educação. O autor propõe uma reflexão muito interessante para todos os escolarizados e para os educados. Quando o sistema é maior do que a substância, nas palavras do próprio Illich.
Ele fala de um processo de degradação global e miséria modernizada (através da escola). Tematiza sobre a natureza humana, espécie de antropologia. Eu li a obra há algum tempo atrás e anotei (destaque) frases como: a desvantagem educacional não pode ser sanada confiando na educação ministrada nas escolas.
Veja, presta atenção. Estou aqui apenas pra dizer que:
01
A Educação não vai bem no Brasil;
02
Servir “Paca” para o presidente. Essa é a maior demonstração do fracasso da educação universitária brasileira;
03
A obra de Illich está disponível para acesso gratuíto em docs.google.com/document
Você decide. Ler ou não ler. Viver ou não viver a educação. Abolir ou não abolir a escolarização. Ah! E por falar em cinema. Avisa a reitoria que já existe (ou existiu) um curso de cinema na Universidade. Durante as aulas do “Curso de Cinema” fui introduzido na obra de Wim Wenders. Ah! Como era bom estudar cinema na Universidade. Você sabe quantas vezes eu já assisti o filme “Sobre o Céu de Berlim” ? (Asas do Desejo, 1987).
Mais um pouco. Não sai dai, vou falar rapidamente das minhas cenas prediletas:
01
Biblioteca. O espectro do lápis. A assistência invisível dos “anjos” face aos frequentadores do lugar.
02
No interior do Trailer. A Atriz (trapezista) sentada na cama ouve música. Ao despir-se, tem a sensação de um leve toque no seu ombro. O “anjo” explora o lugar. Encontra a intimidade da artista. Toca em indivíduo mineral e apanha o seu espectro. Pura poesia cinematográfica.
03
Terra batida. Círculo no chão, após a partida do circo. A atriz (trapezista) sentada sobre a mala, desolada, olha o cenário daquilo que foi (outrora) luz, arte e encanto. Uma dor suave exposta de maneira cortante.
E por falar em saudade, a “Academia de Cinema de Porto Alegre” produziu uma obra rara. Segundo a nossa avaliação, a maior e melhor página do Cinema portoalegrense. Claro que não podemos esquecer da Casa de Cinema de Porto Alegre (Furtado) e o seu magnífico: “O Dia em que Dorival encarou a guarda”(1986). Eu tinha x anos quando assisti pela primeira vez: “Ilha das Flores” (1989). Mas o meu predileto, também assistido milhões de vezes, não poderia ser outro, senão “Foi onde deu para chegar de bicicleta” (2005).
Voltando para a “Academia de Cinema de Porto Alegre”, devo lembrar que Walter Calixto Ferreira, o Mestre Borel (1942–2011), foi o mais antigo alabê (tocador de atabaque) do Rio Grande do Sul e um ícone da cultura negra em Porto Alegre. O documentário "Mestre Borel: a ancestralidade negra em Porto Alegre" (2010), registra muito mais que suas memórias sobre a matriz africana, samba e boemia na capital gaúcha. A antropologia na madrugada diz que nós tínhamos tudo. Mas sempre é um movimento incessante. Passou "o trem da morte" (Soturno, estranho e fétido). Zéfhyro. Do ar, fez-se vento (ventania) e perdi tudo. (Eterno Retorno? Eu não chamei e ele presente: Nietzsche).
Segue abaixo
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