domingo, 29 de dezembro de 2013
Antropologia prova
UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
INSTITUTO
DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
CURSO
DE CIÊNCIAS SOCIAIS
Disciplina:
Antropologia IV
Semestre:
1998/I
- PROVA 2 -
Alunos:
ADRIANA
CRISTINA BASSI
Matrícula:
0022/92.3
JAQUES XAVIER JACOMINI
Matrícula:
1409/92.7
PROVA 2
As
obras de Gilberto Freyre analisadas na Disciplina Antropologia IV, em especial
Casa Grande e Senzala, trouxeram um importante enriquecimento do nosso
conhecimento em antropologia, bem como ampliaram a nossa perspectiva de análise
sobre a formação da cultura brasileira.
Nas
três obras propostas para leitura (Casa Grande e Senzala; Sobrados e Mucambos e
Ordem e Progresso), percebemos que, de um modo geral existe uma temática que
permeia (ou amarra) ambas as obras citadas: a sociedade patriarcal brasileira.
Ou seja, Freyre enfatiza ( o tempo todo) o aspecto do patrimonialismo, com
todos os seus desdobramentos, na sociedade brasileira desde o seu início até
meados do século XX. Dito de outra forma, poderíamos falar que a “estrutura
patriarcal”, enquanto um modelo de relações sociais, marca a cultura brasileira
como um todo. Portanto, segundo Gilberto Freyre, existe uma estrutura
patriarcal que marca a cultura brasileira que tem muitas diferenças, mas o que
amarra as diferenças é o modelo das relações sociais que se implanta em todo o
Brasil e dessa maneira está garantida a unidade. Este modelo de relações
sociais (família patriarcal) tem características peculiares: rígida hierarquia,
família extensa, ...
De
certa forma, poderíamos afirmar que G. Freyre tentou “compreender a sociedade
brasileira no seu sentido existencial”, dado a sua perspectiva
transdisciplinar.
Para
esta prova, nos deteremos mais enfaticamente sobre “Casa Grande e Senzala”,
pois foi a obra que mais trabalhos durante as aulas expositivas e leituras
individuais. Portanto, é com base nesta obra que tecemos as seguintes
considerações:
O
Brasil, como todos os países da América, é um pais novo, em fase de construção.
Emergiu a pouco tempo, se formando a partir do século XVI, XVII, XVIII, XIX.
Assim sendo, alguns autores (pesquisadores, intelectuais, etc.) tiveram a
preocupação de desenvolver o tema da identidade social brasileira, muitas
vezes, comparando-a com outras identidades nacionais e outras culturas. Freyre,
desenvolve, com maestria e de uma forma muito peculiar, este intento. Ele
afirma que aqui tudo era desequilíbrio, grandes excessos frente a grandes
deficiências. Dificilmente existia um meio termo nas coisas encontradas no
Brasil. Por exemplo: se por um lado, encontrávamos excesso de fertilidade em
algumas regiões (ou áreas) brasileiras, por outro lado, encontrávamos imensa
pobreza e dificuldades em outras regiões (e / ou área) brasileiras. Poderíamos
assim falar de uma “terra dos contrastes”.
Gilberto
F. fala de um clima colonial marcado pelo negativismo, afirmando que os
portugueses foram superiores aos espanhóis e holandeses. Neste sentido, se
comparado a outros autores, ele faz uma inversão valorativa, quando destaca a
importância e as qualidades dos portugueses no processo de colonização do
Brasil. Algo semelhante acontece quando Freyre se refere ao negro, pois este
autor “confere um estatuto de dignidade que nenhum outro escritor havia
concedido até então”. Ele considerava os negros como fundadores desta obra
criadora e original que foi o Brasil.
Com
base na leitura de “Gilberto Freyre na Universidade de Brasília: Conferências e
Comentários de um Simpósio Internacional realizado de 13 a 17 de outubro de
1980. ...”, destacaríamos que “uma coisa chama a atenção em todos os livros de
Gilberto Freyre, desde Casa Grande e
Senzala até Dona Sinhá e o Filho Padre: a vontade persistente e por toda parte
afirmada de encontrar uma linguagem que torne comunicável o não dito da vida
coletiva – as permutas, as relações existenciais entre os grupos, as classes,
as etnias, as famílias, os indivíduos, domínio do que deveria ser uma
psicologia social que se desligaria das enumerações quantitativas para investir
a trama viva que os homens estabelecem entre eles e cuja linguagem comum só
traduz imperfeitamente a diversidade ou a riqueza (...)”.
Segundo
alguns observadores, a característica fundamental de sua obra, é a sua
fidelidade ao pensar sociológico e antropológico: “É sua pertinácia em pensar o
homem, a sociedade e a cultura, a partir do homem, da sociedade e da cultura, a
partir do nosso homem e da nossa realidade social e cultural.”
De
um modo geral, a mentalidade com que Gilberto Freyre partiu para a longa
elaboração da estupenda trilogia que se estende de Casa Grande &
Senzala até Ordem e Progresso caberia
numa etiqueta: Gilberto Freyre era o mais completo anti-Rui Barbosa. Ou seja,
Ciência social e literatura moderna contra o judicismo parnasiano. Região e
Tradição contra o abstracionismo histórico e social do nosso progressismo
republicano.
Além
das questões teóricas aqui elencadas (e as não elencadas), gostaríamos de
destacar que as “elucubrações” de cunho mais epistemológico e filosóficos
levantadas e propostas pelo professor em sala de aula enriqueceram sobremaneira o nosso aprendizado. As
discussões sobre o teor e a relevância das construções (literárias X
acadêmicas, técnicas X tecnicista, etc.), sobre a “realidade” ( “A realidade em
si não existe”.) ultrapassaram as obras analisadas e nos possibilitaram ótimos
momentos de reflexão e análise no campo das ciências sociais e / ou
antropológicas.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
UFRGS
Reconhecimento (Tíbio) do PPGAS/UFRGS
Nome: Jacques
Jacomini
Vínculo: Colaborador
Grupo de Trabalho: Núcleo de Pesquisas sobre Culturas
Contemporâneas/NUPECS
Status: Finalizado
Projeto: Estudo
antropológico sobre itinerários urbanos, memória coletiva e sociabilidades no
mundo contemporaneo
Ano de Entrada: 2000
Ano de Saída: 2001
Nome: Jacques
Jacomini
Vínculo: Bolsista
Iniciação Científica/CNPq
Grupo de Trabalho: GT Fotografia e Coleções Etnográficas
(GRUFOCO)
Status: Finalizado
Projeto: Estudo
antropológico sobre itinerários urbanos, memória coletiva e sociabilidades no
mundo contemporaneo
Ano de Entrada: 1998
Ano de Saída: 2000
Fonte da informação:
domingo, 22 de dezembro de 2013
Método e técnica de pesquisa
UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
INSTITUTO
DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
CURSO
DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL
Disciplina:
Método e técnica de pesquisa
Semestre 99/II
-
Exercício de Aula -
Aluno:
JACQUES JACOMINI
A Travessia da Avenida Mauá
A
travessia da Av. Mauá (Vindo da Praça da Alfândega em direção ao Cais do Porto)
é, sem nenhuma dúvida, “uma manobra bastante arriscada”. Neste local o trânsito
de veículos é muito grande e a velocidade média dos automóveis, caminhões e
coletivos também é alta em função da avenida ser extensa (uma grande
reta), larga (com 3 faixas de rolagem) e
não existir nenhum dispositivo inibidor da velocidade no local (com exceção do
semáforo). Existe uma faixa de segurança e uma semáforo quase em frente a
entrada principal do Caís do Porto, o que, teoricamente, facilitaria a
travessia dos pedestres, no entanto, nem sempre é bem assim.
Os
motoristas costumam aproveitar ao máximo o tempo destinado para a sua
travessia, transitando no momento em que o sinal fica no amarelo e até nos
primeiros instantes em que o sinal aponta a cor vermelha, ou seja, os
condutores de veículos automotores não respeitam o sinal que propõe a sua
parada e permite a passagem para o pedestre.
Portanto, o fato de o sinal estar apontando a travessia para o pedestre
(vermelho para os motoristas) não representa uma situação de travessia segura
para este.
Uma outra situação que representa bastante
risco para o transeunte que decide atravessar a Avenida é aquela em que o sinal
muda quando o pedestre encontra-se no meio ou quase no final da travessia da
Avenida. Neste caso, a pessoa precisa correr ou pular a fim de que não sege
apanhada por um veículo, pois observei que os motoristas decidem aproveitar ao
máximo todos os segundos destinados a sua travessia, não abrindo mão assim dos
primeiros instantes da exposição do sinal verde, mesmo que o pedestre ainda se
encontre no meio da sua travessia.
Em
resumo, atravessar uma avenida no centro da cidade, como a Avenida Mauá, não é
uma tarefa muito fácil e nem muito tranqüila, pois exige do pedestre bastante
atenção e perspicácia para perceber o momento exato que a travessia pode ser
realizada sem nenhum risco para a sua segurança pessoal. Esta situação pode ser
bem mais problemática para os idosos, crianças, gestantes e deficientes físicos
por razoes óbvias.
O
. B . S .: Este texto acima exposto é
parte de uma descrição maior que realizei e se refere aos aspectos que observei
e experimentei nas primeiras atividades de campo no Cais do Porto. A pesquisa
denominada “Estudo Antropológico de um Espaço Urbano Singular: Cais do Porto de
Porto Alegre (ou da cidade que tem porto até no nome)” foi apresentada no X
Salão de Iniciação Científica da UFRGS e pode ser resumida da seguinte forma:
O Cais do Porto de Porto Alegre já foi a principal
porta de entrada para a cidade. Viveu momentos de intensa atividade comercial,
fluvial e social. Atualmente o cenário, a dinâmica social e a organização
espacial naquele local demonstram que o Cais vive um outro período da sua
história. Várias transformações ali ocorreram e outras tantas virão a ocorrer,
diante de algumas propostas de reestruturação e reorganização arquitetônicas,
urbanísticas e comerciais do atual Cais do Porto de Porto Alegre. Neste estudo,
abordamos o Cais do Porto na perspectiva
do estudo de memória e itinerários dos grupos urbanos em Porto Alegre, através
do método etnográfico, incorporando as técnicas de observação direta e
participante e pesquisa direta e não participante, complementadas com a
realização de entrevistas e com a produção de imagens fotográficas e iconográficas. O principal objetivo é a análise
e a compreensão da dinâmica social e da organização físico-espacial deste
espaço urbano, diante das suas inúmeras mudanças e reestruturações que ali
ocorreram, bem como das que brevemente virão a ocorrer. Neste sentido,
aponta-se para o fato de que o reordenamento e as remodelações propostos para o
Cais do Porto da Cidade de Porto Alegre
são produtos de um processo de mudanças históricas, econômicas e sociais que
extrapolam as fronteiras citadinas locais, estando inseridas no corpo de uma
cosmovisão globalizada e globalizante (complexa e moderna) que vem determinando
a organização e reorganização dos grandes espaços urbanos contemporâneos.
Atualmente o meu objetivo é realizar algumas
reestruturações nesta proposta de pesquisa aqui citada, retomando avanços
teóricos e metodológicos conquistados no último período de atividade acadêmica,
a fim de desenvolver as atividades de investigação científica solicitada pelo
PPGAS / IFCH / UFRGS.
Tânia SALEM
UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
INSTITUTO
DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
CURSO
DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL
Disciplina:
INDIVIDUALISMO, SOCIABILIDADE E MEMÓRIA
Professora:
CORNELIA ECKERT
Semestre 99/1
EXERCÍCIO DE AVALIAÇÃO 1
SALEM, Tânia. "A "despossessäo
subjetiva": dos paradoxos do individualismo. In: Revista Brasileira
Ciências Sociais n° 18, ano 7, fev. 1992.
Aluno:
JAQUES XAVIER JACOMINI
Introdução
A proposta de Tânia Salem no artigo A “Despossessão Subjetiva”:
dos paradoxos, do individualismo é bastante interessante e adequada para
realizarmos uma espécie de fechamento das discussões que realizamos até agora
na disciplina “Individualismo, Sociabilidade e Memória”. Assim entendemos esta atividade
de avaliação e assim nos empenhamos na feitura deste pequeno ensaio.
Para a construção deste ensaio, seguimos a seguinte orientação
estrutural: Em um primeiro momento – Despossessão Subjetiva ? – trazemos
questões mais gerais tomadas do artigo de Salem, como os seus objetivos e
princípios norteadores, inspirações e influências teóricas. Neste ponto
destacamos ainda a divisão dos blocos (ou momentos) que compõe o trabalho da
autora.
Em um segundo momento - Retomando autores e suas concepções –
tentamos trazer para este ensaio
considerações sobre alguns dos autores trabalhados por Salem. Dentre
eles, elegemos Simmel para uma retomada mais pausada. Sobre este último,
realizamos inicialmente um apanhado mais geral sobre a sua teoria e,
posteriormente, uma explanação mais específica sobre as suas concepções de
indivíduo.
1.
Despossessão Subjetiva ?
Como a própria autora coloca, o objetivo deste trabalho é
“repensar o modo como cientistas sociais vêm tematizando a categoria moderna de
Pessoa, consubstanciada na noção de indivíduo e, em especial, na de indivíduo
psicológico”. Este esforço analítico de Tânia Salem tem nome: “A Despossessão
subjetiva”. A premissa básica é a de que há uma instância no interior do
próprio sujeito que o constrange às expensas de sua vontade e consciência.
A abordagem desenvolvida pela autora visa “depreender
descontinuidades significativas na representação do sujeito psicológico,
relativamente à de seu predecessor – o indivíduo jurídico”. Salem destaca ainda
que o indivíduo psicológico só adquire sentido e inteligibilidade em um
universo individualista.
O Artigo, desenvolvido em dois blocos (além da apresentação): “Do
‘Individualismo possessivo’ ao sujeito psicológico: inflexões e
descontinuidades” e “Das articulações entre a ‘despossessão subjetiva’ e a
configuração individualista”, chama para o debate diversos pensadores que
trabalhamos em sala de aula dentre os quais Dumont e Simmel aparecem em relevo. Dentre aqueles que não
abordamos e que a autora utiliza na sua análise, destacaria a presença de
Foucault que “ainda que não se referindo explicitamente à destituição do
sujeito sobre si mesmo, a tangência, e a elucida parcialmente, ao invocar as
conseqüências derivadas do fato de saber / poder formarem a partir do século
XIX um todo indissociável.”
Ao citar Gauchet & Swain – A História da individualização é,
de outro lado e necessariamente, a história de uma despossessão ou de uma
destituição subjetiva – fica claro para nós a fonte (ou uma das fontes) de
inspiração que Salem toma para articular a construção deste texto, bem como o
porque de defini-lo “A Despossessão Subjetiva”.
Retomando Autores e suas Concepções
Salem destaca que os primórdios da investigação sobre este tema
estão calcados na obra de Mauss, porém é Dumont que “é o autor contemporâneo
que mais extensa e sistematicamente se empenhou na relativização e na crítica
contumaz da moderna categoria de indivíduo”.
Tendo como tese central a oposição entre individualismo e holismo,
a contribuição de Dumont, segundo a autora, revelou-se insuficiente para a
apreensão da categoria moderna de indivíduo. Diante desta situação, a
recorrência as teses de Simmel, Lasch, Sennett, Ariès, Foucault, entre outros é
a alternativa capaz de “suprir o ‘elo falante’ relativamente ao eixo analítico
dumontiano.” Diante dos pensadores “alternativos” que colaboram para a
“despossessão subjetiva”, destacados por Tânia Salem, elegemos Simmel para
realizarmos um aprofundamento maior sobre as suas concepções.
Para Simmel, a sociedade existe onde vários indivíduos entram em
interação. Esta ação reciproca se produz sempre por determinados instintos ou
para determinados fins. Instintos eróticos, religiosos ou simplesmente sociais,
fins de defesa ou ataque, de jogo ou ganho, de ajuda ou instrução, estes e infinitos outros fazem com que o
homem se encontre num estado de convivência com outros homens, com ações a
favor deles, em conjunto com eles, contra eles, em correlação de circunstâncias
com eles. Essas interações significam que os indivíduos, nos quais se encontram
aqueles instintos e fins, fora por eles levados a unir-se, convertendo-se numa
unidade, numa "sociedade". Pois unidade em sentido empírico nada mais
é do que interação de elementos. O mundo não poderia ser chamado de uno, se
cada parte não influísse de algum modo sobre as demais, ou se em algum ponto se
interrompesse a reciprocidade das influências.
A unidade ou sociaçäo pode ter diversos graus, segundo a espécie e
a intimidade que tenha a interação - desde a união efêmera para dar um passeio
até a família - desde as relações por prazo indeterminado até a pertinência a
um mesmo Estado - desde a convivência fugitiva num hotel até a união estreita
de uma corporação medieval. Simmel designa como conteúdo ou matéria da sociaçäo
tudo quanto exista nos indivíduos (portadores concretos e imediatos de toda a
realidade histórica) - como instinto, interesse, fim, inclinação, estado ou
movimento psíquico -, tudo enfim capaz de originar ação sobre outros ou a
recepção de suas influências.
Dito de outra forma, podemos considerar conteúdos (materiais)
versus formas de vida social onde:
1°) uma delas é que em qualquer sociedade humana pode-se fazer uma
distinção entre seu conteúdo e sua forma.
2°) é que a própria sociedade em geral se refere à interação entre
indivíduos. Essa interação sempre surge com base em certos impulsos ou em
função de certos propósitos. Os instintos eróticos, os interesses objetivos, os
impulsos religiosos e propósitos de defesa ou ataque, de ganho ou jogo, de auxilio
ou instrução, e incontáveis outros, fazem com que o homem viva com outros
homens, aja por eles, com eles, contra eles, organizando desse modo,
reciprocamente, as suas condições - em resumo, para influenciar os outros e
para ser influenciado por eles. A
importância dessas interações esta no fato de obrigar os indivíduos, que
possuem aqueles instintos, interesses, etc.; a formarem uma unidade -
precisamente, uma "sociedade".
A sociaçäo só começa a existir quando a coexistência isolada dos
indivíduos adota formas determinadas de cooperação e de colaboração, que caem
sob o conceito geral da interação. A sociaçäo é, assim, a forma realizada de
diversas maneiras, na qual os indivíduos constituem uma unidade dentro da qual
se realizam seus interesses. E é na base desses interesses - tangíveis ou
ideais, momentâneos ou duradouros, conscientes ou inconscientes, impulsionados
casualmente ou induzidos teleologicamente - que os indivíduos constituem tais
unidades.
Em qualquer fenômeno social dado, conteúdo e forma sociais
constituem uma realidade unitária. Uma forma social desligada de todo conteúdo
não pode ter existência, do mesmo modo que a forma espacial não pode existir
sem uma matéria da qual seja forma. Tais são justamente os elementos,
inseparáveis na realidade, de cada ser e acontecer sociais: um interesse, um
fim, um motivo e uma forma ou maneira de interação entre os indivíduos, pelo
qual ou em cuja figura aquele conteúdo alcança realidade social. Portanto,
temos nem só objetividade, nem só subjetividade. Somente quando a vida desses
conteúdos adquire a forma da influência reciproca, só quando se produz a ação
de uns sobre os outros - imediatamente ou por intermédio de um terceiro - é que
a nova coexistência social, ou também a sucessão no tempo, dos homens, se
converte numa sociedade.
Para clarear um pouco mais a tese
geral de Simmel, destacamos a seguinte citação:
“Por sociedade não entendo apenas o conjunto complexo dos
indivíduos e dos grupos unidos numa mesma comunidade política. Vejo uma
sociedade em toda parte onde os homens se encontram em reciprocidade de ação e
constituem uma unidade permanente ou passageira. Logo, em cada uma dessas uniões produz-se um
fenômeno que caracteriza, da mesma forma, a vida individual; a cada instante,
forças perturbadoras, externas ou não, opõem-se ao agrupamento, e este, se for
deixado a agir por sua própria conta, não tardarão elas a dissolvê-lo, isto é,
a transferir seus elementos para agrupamentos estranhos. ... Nessa
circunstância, temos a sociedade como uma unidade sui generis, distinta de seus
elementos individuais”.
No que tange a questão específica da concepção de indivíduo em
Simmel, podemos afirmar que “indivíduo em Simmel afirma-se como um ser
proprietário de si, tanto perante a sociedade quanto de um ponto de vista
subjetivo”.
O indivíduo psicológico em Simmel fala de um sujeito fundado em
uma autonomia subjetiva radical capaz de erigir em torno de si um abrigo intimo
que o protege dos "outros".
Sobre a concepção de
indivíduo moderno, temos Simmel em uma posição diferenciada de Dumont e
Pacpherson, pois estes apresentaram uma preocupação sobre o plano formal ou
externo do indivíduo (indivíduo jurídico), enquanto que Simmel debruçou-se de
forma explícita sobre o domínio mais propriamente interno do indivíduo
(indivíduo psicológico).
sábado, 21 de dezembro de 2013
Requerimento Camara
REQUERIMENTO
Viamão,
20 de Dezembro de 2013
Excelentíssimo Senhor
Luís Armando Corrêa Azambuja
Digníssimo Presidente do Poder
Legislativo
JUSTIFICATIVA
(do requerimento).
“Primeiro foi preciso civilizar o homem
Em sua relação com o próprio homem.
Agora é preciso civilizar o homem em
Sua relação com a natureza e com os
Animais.”
Victor Hugo
A história é feita de decisões dos
homens que nos antecederam. Eu não vou perder a oportunidade de me manifestar,
pois sei e preservo muito o conceito, a noção e o amparo do que conhecemos por Cidadania.
Na condição de antropólogo (com
formação acadêmica), etólogo (autodidata) e protetor autônomo a mais de vinte
anos, apresento estas justificativas ao requerimento em tela.
Viamão é uma Cidade diferente das
demais. Não é só a questão da extensão territorial, por exemplo. Ou o título de
“velha-capital” que marca este lugar. Recentemente, Viamão foi objeto de ampla
cobertura jornalística em veículos da imprensa da capital, devido aos problemas
urbanos que envolvem abandono, maus tratos e descontrole nas taxas de
natalidade da população canina local.
O que fazer?
Esta é a minha contribuição para termos uma cidade melhor. Esta é a minha
modesta parcela de participação cidadã. O meu desejo? Encontrar soluções
efetivas para os problemas sociais vivenciados na Cidade onde resido a mais de
quarenta anos.
Gostaria de destacar neste início da justificativa a injustificada
ausência da proteção aos eqüinos usados para tração de veículos na proposta de
“Política Municipal de Atenção aos Animais”. Reproduzo o texto de autoria da
Dra. Mariângela Freitas de Almeida denominado: “Implicações para o bem estar de
eqüinos usados para tração de veículos”. O artigo foi publicado na Revista
Brasileira de Direito Animal, editado pelo Instituto de Abolicionismo Animal
(IAA) e necessita ser acessado por todos os interessados no tema.
Na seqüência abaixo, sigo com os pontos que, a meu ver, necessitam de
atenção, reparo ou até exclusão pelos senhores parlamentares do texto dos PLs
citados neste documento.
01
- Animal Bravio
O PL 277/2013 dedica o artigo 23 para a categoria “animal bravio”. O
parágrafo segundo propõe um pré-julgamento inaceitável, ao afirmar: “Qualquer
cão ou outro animal que atacar ou tentar atacar pessoas, sem provocação
ostensiva, será considerado animal bravio”
Sabemos que há vários motivos para um cão atacar ou tentar atacar uma
pessoa. Por exemplo, uma fêmea que mora na rua e dá a luz aos seus filhotes,
costuma ficar arredia a aproximação de pessoas que não são comuns ao seu
contexto de vida, durante este período. Portanto, não deve ser considerado
“animal bravio” pelo simples fato de atacar um transeunte desavisado.
Neste sentido, a Lei Estadual 13.193/2009 preconiza no artigo terceiro:
“O animal de rua com histórico de mordedura injustificada – comprovada
por laudo clínico e comportamental, expedido por médico, deverá ser
disponibilizado ao público tão logo o animal seja avaliado – será
obrigatoriamente castrado e inserido em programa especial de adoção com
critérios diferenciados.”
Veja a diferença de abordagem entre os dois textos citados. Histórico de
mordedura injustificada supõe uma série de eventos do mesmo tipo e não
tentativa isolada de ação violenta. Além disso, é necessário avaliação de um
técnico da área médica veterinária (ou zootecnia) especialista em comportamento
animal (etólogo) para aferir (justificadamente) a situação específica. Após a
realização do diagnóstico, o especialista deve emitir laudo técnico conforme a
avaliação realizada com o animal em debate.
Diante do exposto, considero que o artigo 23 necessita de revisão e
readequação, conforme estes e outros argumentos análogos.
02
- Animal de Tração e/ou Carga
O PL 277/2013 que cria a “Política Municipal de Atenção aos Animais” não
contempla os animais de carga. Passa ao largo deste problema que envolve além
da proteção animal, outros correlatos como os de circulação e trânsito de
veículos em vias urbanas do município.
A Lei Estadual 447/1991 (Código Estadual de Proteção aos Animais) dedica
todo o Capítulo três para este tema. Portanto, considero que é necessário realizar
o estudo do artigo 19 e o artigo 20 da referida lei, com vistas a inclusão dos
animais de carga na “Política Municipal de Atenção aos Animais” do Município de
Viamão.
03
- ANIMAIS COMUNITÁRIOS
O artigo 25 do PL 277 - “Política Municipal de Atenção aos Animais” do
Município de Viamão – está em desacordo com Lei Estadual 13.193/2009, no que se
refere a categoria “Animal Comunitário”.
O que parece é que o proponente desconhece a referida legislação, pois
não trabalha com esta categoria “Animal comunitário”. O artigo 4º. § 2º da Lei
Estadual 13.193/2009,. Preconiza: “Considera-se animal comunitário aquele que
estabelece com a comunidade em que vive laços de dependência e manutenção,
ainda que não possua responsável único e definido”.
04
- PRESERVAÇÃO DA INTEGRIDADE FÍSICA DOS ANIMAIS
O parágrafo único do artigo 3º. do PL 277 - “Política Municipal de
Atenção aos Animais” do Município de Viamão – está em desacordo com a
Declaração Universal dos Direitos dos Animais (UNESCO – Bruxelas 27/01/1978) no
que se refere a preservação da integridade física dos animais. Portanto,
deve-se excluir a palavra “eletrônica (Chip)” do texto da lei, uma vez que a
implantação do chip pressupõe uma lesão no animal. Lesão não justificada, pois a
identificação pode ser feita pelo uso de coleiras especiais ou fixação de
placas metálicas com os dados do animal presa no pescoço do mesmo.
05
- INEVITÁVEL SACRIFÍCIO
O artigo 13 do PL 277 - “Política Municipal de Atenção aos Animais” do
Município de Viamão cita a situação de um suposto “inevitável sacrifício”.
Neste sentido é importante destacar o que preconiza a Lei Estadual 13.193/2009,
no
Art
2º: “Fica vedado o extermínio de cães e gatos pelos órgãos de controle de
zoonoses, canis públicos e estabelecimentos congêneres, (...)
§ 1º. A eutanásia (...) será justificada por
laudo do responsável técnico (...) facultado o acesso aos documentos por
entidades de proteção dos animais.”
06
- DESCARTE
A “coisificação” dos animais, considerando-os como objetos a serem
descartados é lamentável. O 286/2013 oriundos do poder Executivo Municipal no
Art. 3º. Preconiza: “Criação de áreas para descarte de animais mortos (...)”
Animais não são coisas. Corpos que animaram Vidas não devem ser
“Descartados”. O Poder público deve assegurar ao munícipe, proprietário de
animal de companhia, o direito de oferecer as últimas homenagens aos animais de
estimação. Deve ficar a critério do proprietário o caráter e tipo de homenagem
póstuma, facultando-o, se desejar, optar pelo processo de cremação ou
sepultamento. Este tipo de serviço já é oferecido no mercado (em outras cidades
que não a nossa).
07
- INCLUSÃO (COMPULSÓRIA) EM PROGRAMAS DE SAÚDE
Ao final, a iniciativa que mais se notabiliza pelo seu caráter pouco útil
e com intencionalidade velada no PL 286/2013 oriundos do poder Executivo
Municipal é o parágrafo único do artigo terceiro.
Vejam os senhores, venho realizando ampla pesquisa sobre a temática do
“Direito dos Animais” e nunca encontrei nada igual a esta iniciativa:
INCLUSÃO - COMPULSÓRIA - EM PROGRAMAS DE SAÚDE (para cuidadores ou
guardadores de animais que apresentarem sintomas de desvio ou distúrbios
comportamentais em relação à acumulação de animais).
Vejo aqui, notavelmente, um pré-conceito oficial com o munícipe que
optou, por razões diversas, a se dedicar a causa animal. O texto da lei usa
termos genéricos como “acumulação de animais” para auferir êxito a uma medida
inconstitucional, pois há aqui uma nítida lesão ao artigo 5º. da Carta Magna
Brasileira.
O que significa “acumular animais?”.
Que situação tipifica “acumulo de animais?”
Várias zonas e/ ou ruas da cidade apresentam acúmulo de animais e quem
vai responder por estes?
Quem será o penalizado pelo acúmulo de animais em vias públicas?
Matérias jornalísticas recentes se ocupam da situação caótica observada
na Cidade de Viamão. Carteiros privados da realização do seu ofício, devido ao
ataque constante de cães nas ruas.
Descontrole das taxas de natalidade de animais domésticos causam
transtornos consideráveis para todos os viamonenses.
Qual é a solução?
Penalizar cuidadores e protetores voluntários?
Incluir para excluir?
É isto que a Cidade necessita?
Em matéria da proteção do meio-ambiente, todo o Cidadão deve atuar no
sentido de preservar o bem protegido pela legislação. O “Poder de Polícia” para
os crimes de proteção ao meio ambiente também está nas mãos do cidadão pleno de
Cidadania. É o que prevê a lei consolidada até este momento da história do
Brasil. Portanto, para cada situação que extrapole o nível da normalidade,
haverá a intervenção de um membro da comunidade para intervir, na defesa do bem
comum.
Concluo com a bela construção literária de Laerte Fernando Levai:
Cão
Rubra,
No asfalto da rua,
A sombra
Impressa
Do que foste.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
A Inteligência das Flores
Maeterlinck*
A Inteligência das Flores
Nota Introdutória
Título Original: “A Inteligência
das Flores” (Lisboa, 1916)
A
nota introdutória faz-se necessário para preparar o nosso leitor sobre o que
vai encontrar nas páginas que seguem. O próprio tradutor, Candido de
Figueiredo, utiliza este recurso. Nas primeiras linhas você lê: Nota prévia.
Mas, a intenção aqui é transcrever um trecho de “A inteligência das flores”. Da
mesma forma como trabalhamos em “O Tesouro dos Humildes”.
Adendo
nesta nota o fato lamentável de não termos uma biblioteca na nossa comunidade.
A grande maioria das cidades pequenas (além das médias), pela Europa a fora,
possuem pelo menos uma biblioteca. As vezes comunitária, ou lendária (em termos
de tradição do lugar), muito pequena, com instalações discretas, mas há. Aqui
não. E como nós estamos em dezembro, gostaria de registrar que eu tentei. A
mais ou menos quatros anos atrás, preparei um material de divulgação e
distribui entre algumas pessoas mais próximas. O objetivo era reunir doações de
livros, revistas, CDs, DVDs, etc. para agregar ao acervo que já temos, com fins
de iniciar o trabalho de uma biblioteca comunitária. Sabe qual foi o retorno?
Praticamente zero. Não consegui sensibilizar os meus semelhantes quanto a
necessidade de fundação de um equipamento urbano deste tipo entre nós. Não
raramente, ao percorrer as ruas do condado, a pé ou de bicicleta, encontro nas
lixeiras livros, revistas, etc.
Deste
breve relato, duas conclusões importantes. Em primeiro lugar, as pessoas deste
lugar, de um modo geral, levam para a lixeira, junto ao lixo comum, material
reciclável. Entre o material reciclável, há livros e outras obras análogas que
poderiam estar abastecendo o acervo de uma biblioteca pública e/ou comunitária.
Não há a sensibilidade necessária dos meus co-cidadãos para as demandas da área
da cultura e educação. A cultura local é: o poder público que faça. E, aí,
entro no segundo ponto: não é responsabilidade apenas do poder público o fato
de não termos uma biblioteca pública aqui no “Condado”. Mas, especialmente do
poder público que já poderia ter atendido esta demanda da Cidade de Santa
Isabel. Para concluir o ponto, é importante frisar que nós tínhamos uma
biblioteca local. Ela chamava-se “Biblioteca Pública Municipal Mário Quintana”
e funcionava junto ao terminal da Avenida do Trabalhador (atualmente espaço da
Praça Santa Isabel). O Poder Público Local decidiu extinguir o referido terminal e
transferir o acervo da biblioteca para o interior da Escola Municipal Alberto
Pasqualini. A decisão tornou a única biblioteca pública em mais uma biblioteca
escolar e a comunidade sem a possibilidade de acessar o equipamento como
ocorria outrora. Páginas tristes na
história de uma comunidade com sede de cultura, lazer e sociabilidades
educativas.
Vejam
os senhores, eu estou um pouco lá e um pouco aqui. Explico: a transcrição
provoca uma série de reflexões de cunho prático e também sobre o conteúdo do
texto trabalhado. Neste momento, me atenho apenas as primeiras causas
declaradas. A distância temporal que nos separa da confecção desta obra é de,
aproximadamente, um século. Como (e talvez por que) chegamos aqui neste
encontro hoje? Este que vos tecla vive em uma cidade que não existe biblioteca,
mas viaja diariamente até a academia para realizar um “Curso de Letras”. Neste
centro de saber topa com esta preciosidade (A falar. Falar e silenciar). Vivo
na América (extremo sul do Brasil). O autor viveu na Europa, centro do
vertedouro científico e literário de boa parte de toda a sociedade
contemporânea. E este encontro agora? Justo agora no momento em que os jovens
(meus semelhantes) nem sequer lêem como liam os seus progenitores. Tão apegados
aos novos suportes da informação que consomem a essência das obras literárias,
vivem de restos de uma cultura que, de tão decadente, espezinhada e ofendida,
por certo, em breve, se extinguirá como vapor a plasmar nuvens de um presente
que virou passado.
A
verdade é que esta transcrição não absolve ninguém da “pena” de Maurício
Maeterlinck. Temos (todos) o dever de conhecer esta obra, até para não cair na
infâmia traduzida pela célebre frase: Eu não sabia de nada. Como assim?
Simplesmente se esquivar de verdades tão sublimes já apresentadas
magnificamente por Maeterlinck a mais de um século. Ficou o registro da labuta
intelectual deste mestre das letras e também ficou a herança literária super
qualificada para os meus contemporâneos. Se agora preferem “drogas diversas”
que nem sabem a procedência, o que fazer? Eu vou continuar fiel a minha
linhagem de ancestrais que optaram por acreditar e trabalhar na defesa dos
bons, dos mansos, dos honestos e dos humildes.
ASPECTOS DA OBRA
A
folha de rosto do livro diz que esta é uma tradução feita por Candido de
Figueiredo. A procedência do livro é Lisboa/Portugal, datado de 1916. Deu
entrada na biblioteca da PUC/RS em 1951 e traz um carimbo da Faculdade Livre de
Educação, Ciências e Letras de Porto Alegre. Um detalhe importante a se
destacar aqui é que transcrevo conforme o original. É necessário ratificar: o
texto original é Frances, traduzido para a língua portuguesa de Portugal. Portanto
há diferenças tanto na semântica como na grafia se comparado com a nossa língua
oficial (português – Brasil). Pode ocorrer ainda que o software (editor de
texto) tenha puxado alguma grafia para o português Brasil, pois é difícil de
controlar as configurações automáticas do programa. Há que se considerar também
esta possibilidade. Eu lamento (profundamente) pela falta de sensibilidade dos
profissionais da biblioteconomia que gostam de colar selos e mais selos em
obras raras como esta que estou trabalhando. O que me parece é que eles seguem
um protocolo rígido de normas superiores que impõe este tipo de agressão
funesta às obras literárias. Este tipo de compendio nem devia estar disponível
para empréstimos focados no público em geral de acadêmicos mais preocupados com
as somas das médias aritméticas ao final dos períodos letivos, do que com a
formação profissional e intelectual, propriamente dita. Voltando aos selos.
Colam e sobrecolam, com objetivos, no mínimo, discutíveis e parciais, selos,
tarjas, etiquetas, papeletas de suporte para carimbos e arestos diversos. Eu
falei lá atrás em “pena” e se você abre o “A Inteligência das Flores” é
justamente o que você vai encontrar: uma palavra escrita com equipamento que já
foi tombado para peça de museu histórico. Há muita diferença entre aquele tempo
e hoje. Há uma distância muito grande de realidades vividas lá e aqui. O que
continua é a estupidez humana de não reconhecer preciosidades que não estejam
marcadas com cifrões.
Na pagina 232, leio ...
A
Inteligência das Flores
VIII
Por outro lado, como
respondemos nós a pregunta, quando já se não trata de nós, mas daquilo que
respira conosco sobre a terra?
Importamo-nos nós por
acaso da sobrevivência dos animais? O cão mais fiel, o mais inteligente, o mais
afectuoso, assim que morre, não passa de uns restos repugnantes, de que nós nos
desembaraçamos, o mais depressa possível. Nem sequer nos parece possível que
preguntemos a nós mesmos se alguma coisa da vida, já espiritual, que nele
amamos, subsiste apenas em a nossa recordação, e se existe outro mundo para os
cães. Parecer-nos-ia altamente ridículo que o tempo e o espaço conservassem
preciosamente , durante a eternidade, entre os astros e nos palácios ilimitados
do éter, a alma de um pobre animal, constituída de cinco ou seis hábitos
enternecedores, mas muito ingênuos, e do desejo de beber, de comer, de dormir e
de saudar os seus semelhantes, do modo que sabemos.
Demais, que restaria
daquela alma, formada inteiramente de algumas necessidades de um corpo
rudimentar, quando esse corpo já não existisse? Mas com que direito imaginamos,
entre nós e o animal, um abismo, que nem sequer existe entre o mineral e o vegetal,
entre o vegetal e o animal?
Seria mister examinar,
antes de tudo, esse direito de nos julgarmos tão distantes e tão diferentes de
tudo que vive na terra, assim como a pretensão de nos colocarmos numa categoria
e num reino, a que os próprios deuses que nós criamos nem sempre teriam acesso.
Continua na
Pag 234
CONCLUSÃO
A sensibilidade é plantada no coração do ser logo da sua chegada nesta
esfera (ou quem sabe antes). Os pré-destinados, os seres sensíveis, os
escolhidos pelos Deuses possuem este dom natural e não precisam “fazer força”
para serem o que “São”. O que são por essência? Senão: sensíveis, amáveis,
gentis, enfim especiais luzes.
Volta e meia, observo “deboches” dos rudes
aos especiais, justamente pela sua condição de “especialidade”. Os rudes, os
ardilosos, os bravios e vilipendiosos se regozijam em molestar os seres sensíveis
e especiais. Para eles é como um jogo onde vale golpe baixo. O preconceito é
real e vive entre nós. Contudo, concluo em grande estilo: Viva Maurício! Este
ser mais que especial. Antes de todos nós, já estava desperto e de prontidão
para falar da temática animal versus Homem com tanta sabedoria e elevação. Ele
tem toda a razão: pretencioso é o homem que se julga mais que um não humano. É
muito bom ler isto naqueles que nos antecederam. É animo puro para quem respira
esta luta anti-especicista, a exemplo do que decidimos empenhar com tenacidade
e honradez.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Quintana
Quintana
“(...) Eles passarão,
Eu passarinho (...)”.
Mário Quintana
A Ignorância é um tormento. Passarinho.
Você leu Jornal Correio do Povo de Porto Alegre no
dia de hoje? Você leu a coluna do Juremir Machado da Silva publicada no Jornal
Correio do Povo de Porto Alegre no dia de hoje? Se não leu, por favor, leia.
Ele fala da Literatura, de Quintana, mas também de Proust e das relações
sociais no Brasil.
Leia porque a leitura ainda não é um hábito nem
entre os que trabalham com livros. Eu estive na sede do “Curso de Letras” e lá
tem uma biblioteca cheia de tecnologia. Aqui nem biblioteca, quanto mais a
tecnologia. O fato é que a tecnologia não liberta ninguém. Por exemplo, em meio
a tanta tecnologia, cultuada como um totem (da modernidade), os funcionários não
cumprem uma regra básica do lugar: Silêncio. É possível estudar em meio a
tagarelices? É possível se concentrar em meio a cochichos intermináveis? É possível
produzir diante de tanta ritualística inibitória (isto não pode, aquilo não é
permitido, não, não, não e não). Mas, vamos aos passarinhos.
Juremir fala de Proust e Quintana. Juremir cita a
obra “No Caminho de Swann”, de autoria de Proust, traduzida por Quintana. Eu
tenho em minhas mãos uma raridade: um compendio datado de 1948 da Editora
Globo. Título: No Caminho de Swann. São três capítulos e muito da melhor
literatura internacional que um não branco pode acessar. Inicia com Combray,
que tem frase inicial citada por Juremir no artigo do jornal de hoje
(mencionado no início deste):
“As vezes
pelo céu da tarde passava a lua branca como uma nuvem, furtiva, sem brilho,
como uma atriz que ainda não está na hora de entrar em cena (...)”.
No Caminho
de Swann – pag. 126
Esta página vem agora como uma nota introdutória do
trabalho que iniciei neste semestre com Miguel Reale. Decidi fazer um estudo de
TGD calcado em Reale, a partir do momento que encontrei uma afinidade humana
neste autor. A verdade é que Reale me reintroduziu no estudo De Freyre e foi
pela mão dele que embarquei em “Sobrados e Mucambos”. Digo isto para perceberes
as conexões que tenho realizado entre os temas que me ocupo no momento. Reale
me absolveu do TGD I e da dificuldade que encontrei com o Mestre Ricardo. Não
foi fácil transpor esta barreira, mas consegui. Vitória.
A iluminação é um caminho. Estou aqui porque tenho
que viver tudo isso. Eles passarão, eu (+ Quintana) passarinho. Pena.
Obras
Reunidas de Gilberto Freyre
*
Introdução
à História da Sociedade Patriarcal no Brasil.
Sobrados e
Mucambos
Decadência
do Patriarcado Rural e Desenvolvimento do Urbano.
*
3ª. Edição
Ilustrações
de Lula Cardoso Ayres, M. Bandeira, Carlos Leão e do Autor.
2º. Tomo
Livraria
José Olympio Editora
Rio de
Janeiro - 1961
Capítulo XI
Ascensão do
Bacharel e do Mulato*
páginas 573 a 631
É
impossível defrontar-se alguém com o Brasil de Dom Pedro I, de Dom Pedro II, da
Princesa Isabel, da campanha da Abolição, da propaganda da República por
doutores de pincenez, dos namoros de varanda de primeiro andar para a esquina
da rua, com a moça fazendo sinais de leque, de flor ou de lenço para o rapaz de
cartola e de sobrecasaca, sem atentar nestas duas grandes forças, novas e
triunfantes, as vezes reunidas numa só: o bacharel e o mulato.
Desde os
últimos tempos coloniais que o bacharel e o mulato vinham se constituindo em
elementos de diferenciação, dentro de uma sociedade rural e patriarcal que
procurava integrar-se pelo equilíbrio, e mais do que isso, pelo o que os
sociólogos modernos chamam acomodação, entre os dois grandes antagonismos: o
senhor e o escravo. A casa grande, completada pela senzala, representou entre
nós, verdadeira maravilha de acomodação que o antagonismo entre o sobrado e o
mucambo veio quebrar ou perturbar.
A
urbanização do império, a conseqüente diminuição de tanta casa-grande gorda, em
sobrado magro, mais tarde até em chalé esguio; a fragmentação de tanta senzala
em mucambaria, não já de negro fugido, no meio do mato grosso ou no alto do
morro agreste mas de negro pardo livre, dento da cidade – fenômeno dos 1830
brasileiros que se acentuou com a campanha da Abolição – tornou quase
impossível o equilíbrio antigo, da época de ascendência quase absoluta dos
senhores de escravos sobre todos os outros elementos da sociedade; sobre os
próprios vice-reis e sobre os próprios bispos. Maximiliano ainda alcançou essa
época quase feudal de organização social do Brasil; Nota 1 e o
Conde de Suzannet ainda sentiu de perto, no Império, essa feudalidade, Nota 2,
senão de substância, de forma.
A
valorização social começara a fazer-se em volta de outros elementos: em torno
da Europa, mas uma Europa burguesa, donde nos foram chegando novos estilos de
vida, contrários aos rurais e mesmo aos patriarcais: o chá, o governo de
gabinete, a cerveja inglesa, a botina Clark, o biscoito de lata. Também roupa
de homem menos colorida e mais cinzenta; o maior gosto pelo teatro, que foi
substituindo a igreja; pela carruagem de quatro rodas que foi substituindo o
cavalo ou o palanquim; pela e pelo chapéu-de-sol que foram
substituindo a espada de capitão ou de sargento-mor dos antigos senhores
rurais. E todos esses novos valores foram tornando-se as insígnias de mando de
uma nova aristocracia: a dos sobrados. De uma nova nobreza: a dos doutores e
bacharéis talvez mais que a dos negociantes ou industriais. De uma nova casta:
a de senhores de escravos e mesmo de terras, excessivamente sofisticados para
tolerarem a vida rural na sua pureza rude.
Eram
tendências encarnada principalmente pelo bacharel, filho legítimo ou não do
senhor de engenho ou do fazendeiro, que voltava com novas idéias da Europa - de
Coimbra, de Montpellier, de Paris, da Inglaterra, da Alemanha - onde fora
estudar por influência ou lembrança de algum tio-padre mais liberal ou de algum
parente maçom mais cosmopolita.
Às vezes
eram rapazes da burguesia mais nova das cidades que se bacharelavam na Europa.
Filhos ou netos de "mascates". Valorizados pela educação européia,
voltavam socialmente iguais aos filhos das mais velhas e poderosas famílias de
senhores de terras. Do mesmo modo que iguais a estes, muitas vezes seus
superiores pela melhor assimilação de valores europeus e pelo encanto
particular, aos olhos do outro sexo, que o híbrido, quando eugênico, parece
possuir como nenhum indivíduo de raça pura, voltavam os mestiços ou os mulatos
claros. Alguns deles filhos ilegítimos de grandes senhores brancos; e com a mão
pequena, o pé bonito, às vezes os lábios ou o nariz, dos pais fidalgos.
A
ascensão dos bacharéis brancos se fez rapidamente no meio político, em
particular, como no social, em geral. O começo do reinado da Pedro II é o que
marca, entre outras alterações na fisionomia brasileira: o começo do
"romantismo jurídico" no Brasil, até então governado mais pelo bom
senso dos velhos que pelo senso jurídico dos moços. Com Pedro I, tipo de filho
de senhor de engenho destabocado, quebrara-se já quase por completo, para o
brasileiro, a tradição ou a mística da idade respeitável. Mística ou tradição
já comprometida, como vimos, por alguns capitães-generais de vinte e tantos
anos, para cá enviados pela Metrópole, na era colonial, quase como um acinte ou
uma pirraça aos velhos poderosos da terra. Mas foi com Pedro II que a nova
mística - a do bacharel moço - como que se sistematizou, destruindo quase de
todo a antiga: a do capitão-mor velho.
Os
bacharéis e doutores que iam chegando de Coimbra, de Paris, da Alemanha, de
Montpellier, de Edimburgo, mais tarde os que
foram saindo de Olinda, de São Paulo, da Bahia, do Rio de Janeiro, a maior
parte deles formados em Direito e Medicina, alguns em Filosofia ou Matemática e
todos uns sofisticados, trazendo com o verdor brilhante dos vinte anos, as
últimas idéias inglesas e as ultimas modas francesas, vieram a acentuar, nos
pais patriarcal, por si só uma mística, como a sua inferioridade de primeiros
anos de mando, um meninote meio pedante presidindo com certo ar de
superioridade européia, gabinetes de velhos acaboclados e até amulatados, às
vezes matutos profundamente sensatos, mas sem nenhuma cultura francesa, apenas
a latina, aprendida a palmatória ou vara de marmelo, devia atrair, como atraiu,
nos novos bacharéis e doutores, não só a solidariedade da juventude, a que já
nos referimos, mas a solidariedade da cultura européia.
Porque ninguém foi mais nem mais doutor neste país que Dom Pedro II. Nem menos
indígena e mais europeu. Seu reinado foi o reinado dos Bacharéis.
Em suas
memórias recorda a página 91 Dom Romualdo de Seixas que “distinto Deputado,
hoje Senador do Império” propunha que se mandasse para o Pará, com o fim de
melhor ajustar ao sistema imperial aquela província indianóide do extremo
Norte, “carne, farinha e Bacharéis”. E comentava Dom Romualdo: “Pareceu com
efeito irrisório a medida; mas refletindo-se um pouco vê-se
que os dois primeiros socorros eram os mais próprios para contentar
os povos oprimidos de fome e miséria e o terceiro não menos valioso pela mágica
virtude que tem uma carta de Bacharel que transforma os que tem fortuna de
alcançá-la em homens enciclopédicos e aptos para tudo”.
De Dom Pedro II não será talvez exagero dizer-se
que sua confiança estava mais nos bacharéis que administrassem juridicamente as
províncias e distribuíssem corretamente a justiça, do que em socorros de carne
e farinha aos “povos oprimidos”. Socorros precários e efêmeros.
Mas o bacharel não apareceu no Brasil com Dom Pedro
II e à sombra das palmeiras imperiais plantadas por el-Rei seu avô. Já os
jesuítas tinham dado à colônia ainda sombreada de mato grosso – a terra inteira
para desbravar, índios nus quase dentro das igrejas, de olhos arregalados para
os padres que diziam missas, casavam e batizavam, cobras caindo do telhado por
cima das camas ou enroscando-se nas botas dos colonos – os primeiros bacharéis
e os primeiros arremedos de doutores ou mestres em arte. E nos séculos XVII e
XVIII, graças aos esforços dos padres, aos seus cursos de latim, Salvador já
reunira bacharéis formados nos pátios da Companhia, como Gregório de Matos e
seu irmão Euzébio, como Rocha Pita e Botelho de Oliveira. Alguns
aperfeiçoaram-se na Europa, é certo; mas na própria Bahia, e com os padres
velhos, é que quase todos fizeram os estudos de Humanidades.
Entretanto, é do século seguinte que data
verdadeiramente a ascensão do homem formado na vida política e social da
colônia. Gonzaga, Cláudio, os dois Alvarenga, Basílio da Gama marcam esse
prestígio mais acentuado do bacharel na sociedade na sociedade colonial; a
intervenção mais franca do letrado ou do clérigo na política. Marcam, ao mesmo
tempo, o triunfo político de outro elemento na vida brasileira – o homem fino
da cidade. E mais: a ascensão do brasileiro nato e até do mulato aos cargos públicos
e à aristocracia da toga.
Nesses bacharéis de Minas se faz, com efeito,
antecipar, a decadência do patriarcado rural, fenômeno que se tornaria tão
evidente no século XIX. Eles são da aristocracia dos sobrados: mas uma nova
aristocracia de sobrado diversa da semi-rural ou da comercial. Aristocracia de
toga e de beca.
Ainda que sentindo-se diferenciados da Europa ou da
Metrópole, onde estudaram, e querendo um Brasil independente e republicano, a
formação europeia lhes tirara o gosto pela natureza bruta e quente do trópico
substituindo-o por um naturalismo morno e apenas literário, à sombra de
mangueiras de sítio e entre macacos amansados pelos negros da casa e papagaios
que em vez de palavras tupis, repetiam frases latinas e até francesas
aprendidas já com esses novos senhores. De Morais do Dicionário, pelo menos, é
tradição que gostava de divertir-se ensinando latim e francês a papagaios.
Embora mulatos, alguns desses bacharéis, quando
escrevem verso para celebrar a paisagem dos trópicos, é sentindo dentro do
peito, inflamando-o, “pastores louros”, do doce lirismo rural da Europa:
“O Pastor louro que meu peito inflama
Dará novos alentos a meu verso”
diz
Alvarenga Peixoto no seu “Canto Genetlíaco”. Nota 3
Cláudio Manuel da Costa, de volta ao Brasil, depois
de cinco anos de Europa, não contém nem disfarça o desencanto diante da
paisagem tristonha. Não eram estas na verdade “as aventurosas praias de
Arcádia” onde “O Som das águas inspirava a harmonia dos versos”. Depois de
cinco anos de volutuosa formação intelectual, junto ao Mondego, de águas tão
azuis, só lhe restava aqui, à sombra dos cajueiros, à margem de rios de águas
barrentas e entre gente tão pervertida como a paisagem, pela “ambiciosa fadiga
de minerar a terra” “entregar-se ao ócio, sepultar-se na ignorância.
O mesmo desconsolo sentiram, depois de Cláudio
Manuel, uma série de brasileiros que tendo estudado fora do Brasil, aqui
experimentariam, de volta à casa, verdadeiro tormento: a difícil readaptação ao
meio, à paisagem, à casa, à própria família: “A desconsolação de não poder
subestabelecer aqui as delícias do Tejo, do Lima e do Mondego me faz entorpecer
o engenho dentro do meu berço” conclui melancolicamente o bacharel mineiro; e
pela sua boca parecem falar centenas de outros bacharéis e doutores que
voltaram formados da Europa, sonhando com Arcádias para encontrarem campos para
eles feios e tristes, a terra acinzentada pelas “queimadas” e devastada pela
mineração. Adolescentes que se europeizaram de tal modo e se sofisticaram de
tal maneira que o meio brasileiro, sobretudo o rural – menos europeu, mais
bruto – só lhes deu a princípio nojo, enjôo físico: aquela vontade de vomitar
aos olhos de que fala o pregador.
E sendo eles os mais moços, por conseguinte os mais
inclinados à libertinagem do corpo, como à da inteligência, tornaram-se,
entratanto, os censores dos mais velhos e dos exageros de vida sexual que aqui
substituíam, para os senhores dos
escravos, principalmente nos engenhos e nas fazendas, gostos mais finos,
preocupações mais intelectuais. De volta à colônia, um dos bacharéis mais
europeizados não esconde a repugnância que lhe causa ver as margens do riacho
que banha Vila Rica transformadas em lugares de bacanal; e o batuque africano
dançado não apenas nos mucambos de negros, mas nos sobrados grandes dos
brancos:
“Oh,
dança venturosa! Tu entravas
Nas
humildes choupanas, onde as negras,
Aonde as
vis mulatas, apertando
Por
baixo do bandulho, a larga cinta,
Te
honravam c’os marotos e brejeiros,
Batendo
sobre o chão o pé descalço.
Agora já
consegues ter entrada
Nas
casas mais honestas e palácios!!! Nota 4
Entretanto esses desencantados quando deram para
patriotas foi para se tornarem nativistas exaltados, alguns indo até ao martírio
que nem estudantes de romance russo. Passado o enjôo dos primeiros anos, os
bacharéis ...
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